Lista – 5 Adaptações Melhores que o Original

Quase sempre, a obra original é melhor do que qualquer uma de suas adaptações. Isso não é necessariamente um demérito para a adaptação em si: ao passar uma história de uma mídia para outra há tantos fatores a se considerar que pode parecer inevitável que uma adaptação saia pior que o original. E, ainda, muitas adaptações conseguem ser realmente boas por si mesmas, mesmo que ficando abaixo do original se comparados. A palavra chave aqui, porém, é “quase”: se essa máxima vale para a maioria das obras, ainda existem algumas exceções bastante notáveis.

Para essa lista, então, eu selecionei algumas dessas exceções. Agora, para ser bem sincero, o meu escopo de obras do tipo é até que bem pequeno. É raro eu consumir a mesma história em mais de uma mídia, então normalmente eu nem tenho o que comparar para dizer qual versão é a melhor. E nos raros casos em que eu de fato consumo ambas as versões, bom, normalmente fica aquela máxima: o original é melhor. Ainda assim, consegui reunir alguns exemplares aqui, e no final do dia essa lista é menos sobre essas obras em si e mais sobre o que faz suas adaptações tão melhores que o original. E feita essa ressalva, vamos então à lista.

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O que faz uma boa paródia?

“Eu vou por fogo nessa p*rra”

No momento em que escrevo este texto, acabo de assistir ao 11º episódio do abridge de Sword Art Online, uma produção do canal no YouTube Something Witty Entertainment. Para quem não sabe o que é um abridge, a palavra vem da língua inglesa e literalmente se traduz por “encurtar”. Trata-se de um gênero de paródia na qual fãs redublam uma dada série de forma que seus diálogos se tornem mais voltados para a comédia, ao mesmo tempo em que editam a obra de forma a adicionar ou remover cenas. O produto final acaba sendo normalmente mais curto do que o original, daí o porquê do termo: o próprio SAO Abridge comprimiu os 14 episódios do arco de Aincrad de Sword Art Online, cada um com aproximadamente 22 minutos, em 11 episódios com uma média de 15 minutos cada (com alguns maiores e outros menores do que isso, o próprio episódio final tendo mais de 30 minutos). E que série foi essa… Impressionantemente melhor do que o original em praticamente todos os aspectos: personagens, história, desenvolvimento, com ainda por cima diversas piadas de ótimo timing. Tudo isso enquanto conseguindo trazer momentos genuinamente emocionantes, e completamente merecendo tais momentos!

Agora, para que esse texto não se torne essencialmente eu falando bem da minha nova série de internet favorita [rs], ainda que eu certamente vá retornar a esse abridge ao longo do texto, eu acho que esse tipo de obra nos permite refletir um pouco sobre um tipo bastante específico de comédia: a paródia. Afinal, séries do tipo são paródias por excelência e por essência, se definindo inteiramente no refazer de uma série prévia. E, ainda assim, conseguem se tornar imensamente populares quando bem feitas, além de muito bem recebidas. A pegadinha está, porém, nesse “quando bem feitas”: enquanto séries como DragonBall Z Abridged, do canal no YouTube TeamFourStar, ou Yu-Gi-Oh The Abridged Series, do canal Little Kuriboh, conseguem atrair centenas de milhares de pessoas, há também outras tantas séries similares que simplesmente não conseguiram atingir qualquer audiência. Então… O que os faz tão bons? Certamente há ai um aspecto técnico: enquanto a maioria das séries abridge tem uma produção bem mais amadora e rústica (são feitas por fãs como um hobby, afinal), as séries que mais se destacam são realmente bem mais profissionais, em praticamente todos os sentidos. Mas será apenas isso? Afinal: o que faz uma boa paródia?

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Como fazer uma (boa) review negativa?

Falando sobre críticas negativas.

O que define uma boa review negativa? Para mim, isso se resume ao efeito que ela causa. Idealmente falando, apontar os defeitos e problemas de uma dada obra deveria servir para incentivar ao pensamento crítico, além de nos fazer refletir um pouco mais sobre o que faz uma boa e uma má obra de ficção. E notem: eu não digo que todos precisam concordar com a review. É plenamente possível discordar dos pontos apresentados após ponderação, ao mesmo tempo que, para aqueles que gostem da obra criticada, é também possível concordar com os defeitos levantados e ainda seguir gostando daquela história. O ponto aqui é menos a busca de um consenso e mais a ideia de que essa review deveria trazer algo de positivo. Algo que, infelizmente, muitas vezes não acontece. Não é raro encontrarmos reviews negativas que só encontram eco entre aqueles que já não gostavam do anime em primeiro lugar, bem como deve ser ainda mais fácil encontrar tais reviews sendo recebidas com puro desdém e irritação por parte daqueles que gostem da obra analisada. E é aqui, a meu ver, que temos as reviews negativas ruins.

Para alguns, essa minha distinção talvez soe como injusta. Afinal, não é como se o autor pudesse controlar a reação à sua crítica, não é verdade? Bom… Enquanto há certamente alguma verdade nisso (também não sou ingênuo: sei muito bem que há pessoas que não suportam ver aquilo que gostam ser criticado negativamente, por mais ponderada e bem argumentada que seja a crítica), eu ainda não seria tão rápido em isentar ao autor. Isso porque eu acredito que existem algumas estratégias discursivas que podem em muito minimizar qualquer possível reação negativa, estratégias estas que eu mesmo busco usar nas raras vezes em que vou falar mal de algo. Não vou dizer que sejam fáceis de aplicar, e eu mesmo penso que fazer uma boa review positiva é um trabalho bem mais fácil que fazer uma boa review negativa (dai tão poucas reviews minhas nesse sentido). Mas para aqueles que eventualmente se interessarem, ficam então estas considerações.

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Vamos falar de traps (o termo…)

Kinoshita Hideyoshi

Trap. Palavra da língua inglesa que literalmente se traduz por “armadilha”, no meio otaku ela é normalmente usada para descrever um personagem que, embora de aparência feminina ou andrógena, acaba por se revelar, no decurso da história, como masculino. Isso, claro, sendo apenas uma apropriação do termo, muito usado na internet como reação a fotos de transexuais ou crossdressers, uso esse sintetizado em memes como “it’s a trap“. O espírito aqui sendo óbvio: a pessoa crê estar olhando para uma figura feminina, apenas para depois descobrir que não se trata de uma mulher “de verdade”.

Justamente por conta desse significado, o termo já foi bastante criticado como sendo transfóbico, e isso baseado em sobretudo dois argumentos: primeiro, o de que o termo faz parecer que mulheres trans estariam tentando “enganar” os outros, ao invés de estarem apenas sendo elas mesmas; e segundo, o de que ao criar uma divisão entre as mulheres trans e as mulheres “de verdade”, o termo acaba por lhes negar parte de sua identidade. Mantenham isso em mente pois será relevante depois, mas por agora fica então a pergunta: e quanto ao meio otaku?

Que o termo é no mínimo “politicamente incorreto” se aplicado a pessoas reais é uma espécie de regra não dita já bastante consolidada. Por conta disso, vez ou outra surge no meio otaku o debate de se é ou não certo seguir usando do termo mesmo que para personagens fictícios. Afinal, se ele é assim tão ofensivo, não seria melhor abandoná-lo, talvez trocando por algum outro menos problemático? Até porque, não é como se perdêssemos qualquer coisa ao fazê-lo, não é? Bom… É complicado. Ou, pelo menos, mais complicado do que poderia parecer a princípio.

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Review – Sarusuberi: Miss Hokusai (Anime)

Sarusuberi: Miss Hokusai

Sarusuberi: Miss Hokusai é um caso no mínimo curioso em termos de adaptação. Produzido pelo estúdio Production I.G., com direção de Keiichi Hara e lançado em 2015, o filme adapta ao mangá Sarusuberi, escrito e ilustrado por Hinako Sugiura. O curioso aqui está no fato de Sarusuberi, o mangá, foi lançado na revista semanal Manga Sunday, entre 1983 e 1987, com quase 30 anos separando-o de sua adaptação. Já um pouco menos surpreendente, mas ainda interessante de apontar, é o fato de que aparentemente o filme fez algumas mudanças em relação à obra original. O traço é a mais óbvia, com o mangá buscando um traço mais próximo àquele do japão do período onde se passa a história – o período Edo -, enquanto que os traços do filme são claramente mais modernos. Mas saindo da estética e entrando na história, parece que o filme introduz algumas cenas próprias, além de dar uma maior atenção a personagens que, no mangá, são bem mais secundários. O essencial, porém, foi mantido, e a premissa de ambos se mantém a mesma.

A história é focada no dia a dia de O-Ei, artista e filha de Katsushika Hokusai. Ambos são figuras históricas reais, com Hokusai (1760 – 1849) muitas vezes sendo apontado como o primeiro a usar do termo “mangá” para descrever o seu trabalho, em particular a sua série de pinturas Hokusai Manga. Claro, até que ponto podemos considerá-lo “biográfico” é algo que irei discutir mais adiante, mas é bom ter em mente que orbas desse tipo não devem ser de cara entendidas como um perfeito retrato do passado (ou das pessoas) que representam. E é importante salientar que aqui não há exatamente uma trama propriamente dita, com o filme assumindo um formato muito mais de slice of life, mostrando alguns momentos na vida de O-Ei. Isso em si mesmo pode afastar muitas pessoas, sobretudo aqueles que procurem uma estrutura narrativa mais convencional. Mas ainda recomendaria que dessem uma conferida no filme. É uma obra excelente, que se utiliza muito bem de seu tempo. Além disso, a partir daqui o texto terá spoilers, então considere esse o seu aviso.

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