Review – Sarusuberi: Miss Hokusai (Anime)

Sarusuberi: Miss Hokusai

Sarusuberi: Miss Hokusai é um caso no mínimo curioso em termos de adaptação. Produzido pelo estúdio Production I.G., com direção de Keiichi Hara e lançado em 2015, o filme adapta ao mangá Sarusuberi, escrito e ilustrado por Hinako Sugiura. O curioso aqui está no fato de Sarusuberi, o mangá, foi lançado na revista semanal Manga Sunday, entre 1983 e 1987, com quase 30 anos separando-o de sua adaptação. Já um pouco menos surpreendente, mas ainda interessante de apontar, é o fato de que aparentemente o filme fez algumas mudanças em relação à obra original. O traço é a mais óbvia, com o mangá buscando um traço mais próximo àquele do japão do período onde se passa a história – o período Edo -, enquanto que os traços do filme são claramente mais modernos. Mas saindo da estética e entrando na história, parece que o filme introduz algumas cenas próprias, além de dar uma maior atenção a personagens que, no mangá, são bem mais secundários. O essencial, porém, foi mantido, e a premissa de ambos se mantém a mesma.

A história é focada no dia a dia de O-Ei, artista e filha de Katsushika Hokusai. Ambos são figuras históricas reais, com Hokusai (1760 – 1849) muitas vezes sendo apontado como o primeiro a usar do termo “mangá” para descrever o seu trabalho, em particular a sua série de pinturas Hokusai Manga. Claro, até que ponto podemos considerá-lo “biográfico” é algo que irei discutir mais adiante, mas é bom ter em mente que orbas desse tipo não devem ser de cara entendidas como um perfeito retrato do passado (ou das pessoas) que representam. E é importante salientar que aqui não há exatamente uma trama propriamente dita, com o filme assumindo um formato muito mais de slice of life, mostrando alguns momentos na vida de O-Ei. Isso em si mesmo pode afastar muitas pessoas, sobretudo aqueles que procurem uma estrutura narrativa mais convencional. Mas ainda recomendaria que dessem uma conferida no filme. É uma obra excelente, que se utiliza muito bem de seu tempo. Além disso, a partir daqui o texto terá spoilers, então considere esse o seu aviso.

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O que é uma “desconstrução”?

"Desconstrução": a palavra é jogada aqui e ali com frequência, mas o que ela de fato significa?
“Desconstrução”: a palavra é jogada aqui e ali com frequência, mas o que ela de fato significa?

Com toda certeza o leitor já se deparou com esse argumento ao menos uma vez, o de que dado anime ou mangá é uma “desconstrução do” e ai segue-se algum gênero, clichê, ou o que couber. “Neon Genesis Evangelion é uma desconstrução do gênero mecha“, “Madoka Magica é uma desconstrução do gênero mahou shoujo“, “Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu é uma desconstrução do gênero isekai [protagonista que viaja para outro mundo]”, “Hunter x Hunter é uma desconstrução do shounen“, e por ai vai. Você talvez inclusive concorde com algumas dessas afirmações, discorde de outras, e talvez incluísse entre esses exemplos a sua própria lista de animes que “desconstroem” alguma coisa. Mas para o quanto a palavra é usada, ela é também incrivelmente imprecisa. Boas são as chances que duas pessoas a usando queiram dizer coisas completamente diferentes, e mesmo que concordem que este ou aquele anime é uma desconstrução de algo, talvez o achem por motivos totalmente distintos. Justamente por isso é possível surgir bastante debate e discussão sobre se dado anime é ou não uma desconstrução disso ou daquilo. Mas isso levanta então a questão: o que, afinal, é uma desconstrução? O que o termo realmente quer dizer?

Bom, bem francamente, essa é uma pergunta bem difícil de responder. Ao longo do tempo e do contexto essa palavra mudou drasticamente, ao ponto de que a forma como o meio otaku a usa atualmente é total e completamente diferente daquela do uso original da palavra. O que traz consigo um certo grau de ironia, para ser bem sincero, mas explicarei melhor isso em breve. Por agora, o importante é apontar o seguinte: para tentar explicar melhor essa palavra, eu vou precisar entrar em pelo menos três definições que ela assumiu ao longo do tempo. Primeiro, a definição original, de quando a palavra surge ainda no meio da teoria literária. Em segundo lugar, a definição mais consensual entre a crítica dentro do meio otaku, aquela normalmente adotada e propagada por aqueles com um conhecimento um pouco maior da mídia. Finalmente, a definição coloquial dentro do meio otaku, aquela surgida a partir de uma espécie de subversão ou “corrupção” do segundo significado, e que essencialmente é a responsável pelas pessoas começarem a usar o termo para falar de literalmente todo anime minimamente diferente do padrão.

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Debate – A Filmografia de Makoto Shinkai

A filmografia de Makoto Shinkai.
A filmografia de Makoto Shinkai.

Makoto Shinkai foi talvez um dos nomes mais comentados no meio otaku de 2016. Isso sobretudo por conta do seu mais recente filme, Kimi no Na Wa [review], que semana após semana quebrava algum novo record de bilheteria no Japão. Mas verdade é que o diretor já era bem conhecido muito antes de seu mais novo hit, tendo ganhado notoriedade inicialmente com seu curta Hoshi no Koe (2002), embora no Brasil ele talvez seja mais conhecido pelos seus filmes Byousoku 5 Centimeter (2007) e Kotonoha no Niwa (2013), sobretudo porque antes tiveram a sua adaptação em mangá lançada aqui no Brasil pela editora New Pop.

Aproveitando então o momento, juntamos aqui um pessoal da blogosfera animística para falar um pouco sobre o que achamos da filmografia do Makoto Shinkai. Assim, aqui temos o Cat Ulthar, do blog Dissidência Pop; o Vinícius Marino, do blog Finis Geekis; e o Vitor Canônico, do canal no YouTube VítorVerde.

E para já dar início a esse debate, eu acho por bem já lançar aqui duas perguntas aos participantes. Em primeiro lugar: o que vocês acham da filmografia do Makoto Shinkai de maneira geral? E, em segundo lugar, e como acho inevitável tocarmos nesse assunto mais cedo ou mais tarde: quem aqui já assistiu Kimi no Na Wa e, dos que viram, o que acharam dele?

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[Vídeo] Uma Breve Análise – Shin Sekai Yori

E finalmente o canal volta a ativa \o/ … Bom, mais ou menos. É, honestamente, eu não vou fazer promessas: não tenho nem ideia de quando vou conseguir postar outro vídeo. Pode ser na semana que vem, pode ser mês que vem, pode ser ano que vem, só o tempo dirá x_x Mas ao menos não pretendo abandoná-lo: pode demorar, mas mais virá. E por agora, fiquem como vídeo de Shin Sekai Yori, analisando como ele trabalha com o seu universo.

Review – Time Travel Shoujo: Mari Waka to 8-Nin Kagakusha-tachi (Anime)

Time Travel Shoujo: Mari Waka to 8-Nin Kagakusha-tachi
Time Travel Shoujo: Mari Waka to 8-Nin Kagakusha-tachi.

Eu já disse isso antes em outras reviews minhas, mas acho que é algo que vale a pena reiterar: uma obra qualquer (um filme, um livro, uma série…) ser para crianças não é um demérito, e nem isso deve ser usado como desculpa para se fazer uma obra ruim. Claro, é óbvio que a logística por trás de se fazer uma obra para crianças será diferente daquela de se fazer uma para adultos: públicos diferentes implicam em conteúdos, temas, técnicas, mesmo clichês diferentes, e não há nada de errado nisso. Ainda assim, é plenamente possível fazer algo bom e memorável para crianças, e mesmo de quando em vez saem aquelas obras legitimamente “para todas as idades”, capazes de agradar e encantar a crianças e adultos. O anime foco desta review é um destes casos: não apenas um bom anime “para crianças”, Time Travel Shoujo: Mari Waka to 8-Nin Kagakusha-tachi é um bom anime (ponto).

Com um título que se traduz por algo como “Garota que Viaja no Tempo: Mari, Waka e os 8 Cientistas”, a produção de 12 episódios do estúdio WAO World tem uma origem bem curiosa: ele é baseado em um livro didático de 1983, intitulado Jishaku to Denki no Hatsumei Hakken Monogatari, cujo autor é o educador Kiyonobu Itakura. O livro faz parte de uma série sobra variadas descobertas científicas, e se foca na questão do magnetismo e a eletricidade. Já o anime, sua premissa é a da nossa protagonista, Mari, descobrindo um misterioso livro capaz de mandá-la de volta no tempo, porém apenas para algumas épocas em específico e apenas durante um curto espaço de tempo. O que chama a atenção da garota ainda mais, porém, é a possibilidade desse livro estar ligado ao desaparecimento de seu pai, três anos atrás. Infelizmente, para falar mais desse anime eu terei de entrar em spoilers, então considere este o seu aviso. Se ainda não viu o anime, fica aqui a minha recomendação para que o faça: acredite, ele vale a pena.

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Lista – 3 Pares de Músicas de Vocaloid (Cujas Musicas Foram Feitas por Autores Diferentes)

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Isso talvez soe como óbvio para alguns, mas ainda vale dizer: a comunidade que se formou em torno dos vocaloids é incrivelmente participativa e criativa. Isso é algo que eu inclusive tentei explicitar no meu artigo sobre a história dos vocaloids (que você também deveria conferir caso ainda não saiba o que eles são [rs]), mas é evidente para qualquer um que passe algum tempo olhando o meio. Fanarts, paródias, covers, são formas de interação entre os fãs que permeiam toda a comunidade. Mas eu decidi dedicar essa pequena lista para um tipo bastante específico de interação: as músicas-resposta. Músicas feitar por um criador – um producer – que visam complementar ou responder uma outra música, de um outro producer.

Enquanto não é raro que um mesmo criador faça várias músicas contando uma mesma história, normalmente outros criadores se limitam a paródias ou covers, o que torna as músicas do tipo apresentado aqui relativamente mais raras (e dai explica o fato de eu só conseguir citar 3 pares… Devem haver mais, mas eu pessoalmente ainda não encontrei mais nenhum). E como uma espécie de interação da comunidade que cerca essas vozes artificiais, elas são capazes de produzir resultados bastante surpreendentes – e também bastante divertidos. Então ponha os fones de ouvido, siga com a leitura, e boas músicas. Ah, e por último: os trechos das músicas aqui citados são, em sua maioria, traduções de suas versões em inglês tal como aparecem na Vocaloid Lyrics Wiki.

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