Café com Anime – Temporada de Outubro de 2017

E ainda outro quadro estreia aqui no blog! Pois é! Este, no entanto, bem diferente dos demais. Trata-se de mais uma colaboração entre eu, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, o Fábio “Mexicano”, do Anime21, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop. E desta vez a nossa proposta é a de conversas semanais sobre alguns dos animes que estreiam agora, na temporada de outubro de 2017 :D

E como isso vai funcionar? Bom, dentre a vasta miríade de animes que começam agora, nós selecionamos cinco dos títulos que nos parecem mais promissores: Animegaratis, Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated Series, Kujira  no Kora wa Sajou ni Utau (ou Children of the Whales) Mahou Tsukai no Yome (ou Ancient Magus Bride), e Shoujo Shuumatsu Ryokou (ou Girl’s Last Tour).

A cada semana, discutiremos o episódio da vez de cada um destes animes, sendo que cada blogueiro ficará encarregado de publicar uma destas conversas. Aqui, no É Só Um Desenho, vocês conferem nossas discussões sobre Kino no Tabi. O Vinicius, no Finisgeekis, publicará nossas conversas sobre Shoujo Shuumatsu Ryokou. O Gato, lá no Dissidência Pop, postará nossas discussões sobre Mahou Tsukai no Yome. E com o Fábio, lá no Animes21, vocês conferem os debates sobre Kujira no Kora e sobre Animegataris.

Mas enquanto esses animes não estreiam, nós decidimos fazer uma primeira conversa sobre as nossas expectativas para eles. E é isto que vocês podem ler abaixo! Então boa leitura e até breve o/

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Antiguidades – Katsudou Shashin: Os Primórdios da Animação Japonesa

Katsudou Shashin

Quando começa a história da animação japonesa? Qual foi, afinal, o primeiro anime? Essa é uma pergunta que muitos fãs da mídia já devem ter se feito, mas infelizmente ela também é uma sempre em aberto. Durante muito tempo acreditou-se que as primeiras animações japonesas datavam do comecinho de 1917, quando temos os primeiros desenhos animados japoneses feitos para o cinema. Em 2005, porém, um curta de apenas três segundos jogou as origens do anime para algum tempo antes, e a história da animação japonesa ganhou aqui um novo capítulo – ou, talvez seja mais apropriado dizer, um novo prefácio.

O curta em questão foi encontrado por Matsumoto Natsuki, especialista em iconografia da Universidade de Artes de Osaka, motivo pelo qual o curta é algumas vezes chamado de fragmento de Matsumoto (embora seja uma obra completa, não um fragmento). Apesar de encontrá-lo em janeiro de 2005, foi apenas em agosto daquele ano que notícias sobre “o anime mais antigo da história” começaram a circular pelo mundo. O jornal Asahi Shimbun fez uma matéria sobre o curta em 1º de Agosto, e no dia 7 foi a vez do site Anime News Network publicar a respeito dele. E desde essas primeiras divulgações a antiguidade do curta já estava evidente, com ele sendo colocado como provavelmente do final da era Meiji, que se encerrou em 1912.

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Mark W. MacWilliams (org.) – Japanese Visual Culture

Lançado em 2008 pela editora americana M. E. Sharpe, Japanese Visual Culture: Explorations in the World of Manga and Anime é uma coletânea de 14 ensaios organizada por Mark W. MacWilliams. O livro abre com algumas palavras de Frederik L. Schodt (autor, dentre outros livros, do importante Manga! Manga! The World of Japanese Comics, de 1983) e segue com uma introdução escrita pelo seu editor, antes de entrar efetivamente nos ensaios que compõem o grosso do livro. Para compra, é possível adquirir um exemplar tanto pela Amazon como pela Livraria Cultura, com ambas também oferecendo versões em e-book. Para leitura online, o livro está disponível para visualização prévia no Google Books.

Agora, idealmente falando seria ótimo se eu pudesse explanar com a devida profundidade cada um desses ensaios, mas para não tornar esse texto excessivamente longo eu pretendo trazer aqui apenas uma visão geral de cada um deles, me focando nos pontos centrais que cada autor levanta em seu texto. A proposta desse meu artigo é menos a de uma resenha ou análise do livro – algo que eu julgo não ter a expertise necessária para o fazer com propriedade – e mais a de, em parte, divulgação desse tipo de material e, mais importante, das discussões levantadas por esses autores. Por conta disso, não esperem ver muito da minha opinião pessoal neste texto, e eu deixo para o leitor o julgamento quanto à validade ou não dos pontos apresentados.

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Informes – Dois novos quadros chegando ao blog

Ao longo desses três anos de blog eu acabei criando uma variedade até que bem grande de quadros. Análises, listas, ensaios, mas nenhum deles teve qualquer texto introdutório: eu só fazia um primeiro artigo, publicava e era isso. Por que, então, avisar da chegada de dois outros quadros? Bom… A bem da verdade para um destes não tinha mesmo nenhuma necessidade. O outro, porém, eu sinto que seria importante dar algumas palavras a seu respeito.

Vamos começar com o primeiro, que eu devo conseguir descrever em um parágrafo. Basicamente, nesse novo quadro (que deve ir ao ar na próxima semana) eu quero trazer para vocês obras seminais da história da animação e dos quadrinhos japoneses. Em suma: velharia :D. O nome do quadro será “antiguidades”, e a ideia é basicamente pegar obras antigas que tenham iniciado alguma tendência ou que possuam alguma outra grande importância para a história do anime e mangá. Que fique claro: não serão reviews, não pretendo fazer uma análise qualitativa dessas obras. Serão muito mais comentários sobre o impacto que tais obras tiveram nas suas respectivas industrias, então servirá mais como curiosidade do que como necessariamente uma recomendação de obra. Simples, não? O outro quadro, porém, é o motivo pelo qual eu faço esse texto.

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Review – Kyousougiga (Anime)

Kyousougiga

Próximo à antiga Kyoto vivia um monge, Myoue, dotado do incrível poder de dar vida a tudo o que desenhava. Um destes desenhos era Koto, uma coelha negra, que se apaixonara pelo seu criador. Compadecendo-se dela, uma bodhisattva oferece à Koto seu corpo, a fim de que ela pudesse se declarar. O tempo passa e Koto e Myoue acabam tendo três crianças: o humano Yakushimaru, a oni Yase, e o buda Kurama. Porém, atritos com a cidade próxima levam a família a decidir se mudar, no caso para dentro de uma das pinturas de Myoue: a Capital Espelhada, Kyoto. Tudo parece ir bem, mas logo Koto começa a sonhar com a destruição daquele mundo, e ela acredita ser por já usar o corpo da bodhisattva há tempo demais. Assim, Koto e Myoue decidem deixar a cidade, prometendo a seus filhos que um dia voltariam. O tempo passa – anos, décadas, mesmo séculos -, mas nada de ambos retornarem. Eis que um dia, porém, uma tempestade de raios parece literalmente rasgar os céus daquele mundo. Descendo à cidade, chega então uma garotinha portando um imenso martelo. Seu nome era Koto, e ela estava em busca de uma coelha negra.

Kyousougiga é facilmente uma das obras mais densas que já assisti, tanto em roteiro quanto em elementos simbólicos e alegóricos, a tal ponto que eu bem sei que nenhum único texto poderia esgotar tudo o que se pode extrair desse anime. Sua primeira encarnação foi como um ONA (original net animation) de apenas um episódio, lançado em 2011 no site Nico Nico Douga (e posteriormente também no Youtube). Em 2012 a série recebe mais 5 episódios, também no formato ONA. E finalmente, em 2013 temos a série para televisão, com 10 episódios. Em todos esses casos, a direção do anime ficou a cargo de Rie Matsumoto, mas a criação de fato é creditada a Izumi Todo: um pseudônimo para a staff do estúdio Toei Animation. Sim: Kyousougiga é uma obra da Toei, e possivelmente uma das melhores que o estúdio já fez. Visualmente espetacular, com uma belíssima trilha sonora, personagens carismáticos, e uma trama repleta de reviravoltas, esse é um anime que realmente merece muito mais atenção do que recebe. Quem ainda não viu, fica aqui a minha recomendação. Até porque, cabe aqui o aviso de sempre: spoilers a frente.

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Debate – Bate-Papo Sobre a Pirataria

Pirataria é um assunto que vez ou outra ressurge no meio otaku. Natural, dado o quanto ela está intimamente ligada tanto à forma como o anime e mangá se popularizaram mundo afora, como também, em maior ou menor medida, à forma como essas mídias ainda são consumidas.

Posicionamentos a seu respeito variam, desde aqueles que acreditam que ela é benéfica em si mesma até aqueles que creem que ela é uma relíquia do passado, fruto de uma era onde era impossível assistir animes ou ler mangás legalmente, e que agora ela deveria ser deixada para trás.

É um assunto complicado, mas justamente por isso é um que vale a pena ser discutido. E discuti-lo é o que fizemos: eu, o Cat, do Dissidência Pop, e o Vinícius, do Finis Geekis. Nosso debate foi publicado na íntegra lá no Dissidência Pop, então passem lá para dar uma olhada. E claro, sintam-se a vontade para, também, dar a opinião de vocês no assunto.

Link para o debate: Bate-Papo Sobre a Pirataria

Imagem: Hunter x Hunter (2011), episódio 137

Tropes e clichês: nada é original, mas isso não é desculpa para não tentar.

Trope: Accidental Pervert (Pervertido por Acidente) – Auto-explicativo, quando um personagem age como um pervertido acidentalmente, como o Kirito pegando nos peitos da Asuna quando ela cai sobre ele.

Então, o meu último texto, “clichês, estagnação e o problema dos animes“, recebeu reações… mistas, por assim dizer. Houve quem elogiasse, mas também houve quem criticasse. E, francamente, não sem certa razão. Para todos os efeitos, aquele texto ficou horrível, estrutural e argumentativamente falando, parte disso devido a forma como ele surgiu. Como eu explico no começo, originalmente eu pretendia fazer uma lista com alguns clichês que vinham me incomodando, mas depois decidi transformar o texto em uma argumentação sobre clichês de forma geral. E o resultado foi uma bagunça, com exemplos tomando muito mais da metade do texto e o ponto em si só aparecendo bem para o final. Em essência o que eu queria argumentar era que os animes vêm sofrendo do problema de se tornarem convencionais demais, com certos clichês aparecendo porque parece haver um zeitgeist sempre presente de que é assim que anime deve ser – maior exemplo disso sendo os diversos arquétipos femininos: a tsundere, a yandere, a kuudere e por ai vai. Mas até chegar nesse ponto eu dei tantos exemplos de diferentes clichês – muitos deles, diria até a maioria, nem se quer específicos dos animes, uma crítica que recebi e que é bastante válida – que a conversa que o artigo gerou, sobretudo em grupos no Facebook, onde costumo divulgar meus textos, acabou se focando muito mais justamente nos clichês citados, e não no que eu queria que fosse o ponto central do texto.

Paciência: nem sempre o que parece uma boa ideia na teoria o é de fato na prática. Ainda assim, a experiência me deixou com vontade de falar um pouco mais sobre clichês. Desta vez, porém, de forma um pouco mais… completa. Eu já explorei algumas facetas do tema em textos passados – por exemplo, no meu texto “alguns pensamentos sobre originalidade“, ou no artigo “pensamentos soltos sobre o overexposure” -, mas sobretudo a resposta que meu último texto trouxe me deixou com vontade de sistematizar melhor a minha opinião no tema. Porque, bem francamente, esse é um assunto muito mais complexo do que pode parecer a uma primeira olhada, e em si mesmo é um tema que se relaciona a aspectos culturais, sociais, econômicos, mesmo psicológicos. Falando assim até pode parecer que estou exagerando, mas é para demonstrar estes pontos que temos o restante de todo esse texto. Antes, porém, eu quero deixar absolutamente clara a minha opinião com relação a clichês de forma geral: como conceito, “clichê” não será sempre e invariavelmente ruim, ao menos não se assumirmos a definição em português do termo (mais sobre isso em breve). Contudo, existem alguns de fato problemáticos, na medida em que quebram a imersão na história, e mesmo os demais ainda precisam ser bem executados – como, bem, literalmente tudo em uma história -, do contrário podem soar apenas preguiçosos. Cada caso é um caso, mas dito isso eu pessoalmente ainda prefiro histórias que tendam a quebrar convenções do que histórias que as sigam com maestria (mas isso, novamente, é puramente pessoal).

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