Antiguidades – Instant History: a Primeira Série Japonesa em Animação para a TV

Instant History / Otogi Manga Calendar

Se perguntados qual teria sido o primeiro anime para a televisão, os poucos que se aventurariam a responder talvez citassem a adaptação do mangá homônimo de Osamu Tezuka, Tetsuwan Atom (Astro Boy), que foi ao ar em 1963. Mas enquanto esse anime estabeleceu precedentes importantíssimos que viriam a definir a industria pelas décadas seguintes, fato é que as animações japonesas já haviam ingressado na televisão alguns anos antes, na forma de alguns curtas de um único episódio ou de centenas de comerciais animados.

Há, porém, um caso curioso dentre esses animes que precederam Tetsuwan Atom. Trata-se de Instant History, do estúdio Otogi Pro, que leva o título de primeiro anime seriado da televisão japonesa. Com episódios curtinhos, de apenas alguns minutos, a animação contava o que havia ocorrido “neste dia na história” através dos olhos de um personagem que descobria a resposta por si mesmo. O primeiro episódio foi lançado em 1961, e a série ficou no ar até o ano seguinte, 1962. Nesse ano, ela mudou de canal e de nome: da Fuji TV ela passou para a TBS, e de Instant History ela passou a se chamar Otogi Manga Calendar, nome pelo qual é mais conhecida hoje.

Infelizmente, praticamente tudo dessa obra se perdeu. O que é impressionante quando você considera o tamanho que ela teve. Segundo o livro The Anime Encyclopedia, 3rd Revised Edition: A Century of Japanese Animation, de Jonathan Clements e Helen McCarthy, em sua entrada sobre propaganda e patrocínio, entre continuações e novas iterações essa espécie de quasi-franquia chegaria a ultrapassar a marca dos seis mil episódios: todos os quais aparentemente perdidos. A imagem que ilustra esse artigo é talvez o único vestígio concreto que temos dessa série, e mesmo assim não consegui descobrir de onde ela veio – e aparentemente nem sabemos se ela pertence à Instant History ou à Otogi Manga Calendar.

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Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 7: Mestra e Aprendiz

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o sétimo episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Antes, porém, vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/

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200 Posts no “É Só Um Desenho”: Um Pouco Sobre Meus 3 Anos Como Blogueiro

Conforme me sento para escrever este texto, não posso deixar de pensar se não há algo de pretensioso em escrever sobre este blog e – por extensão – de certa forma também sobre mim. Será que há quem se interessaria por um texto assim?

Verdade é que se público fosse uma preocupação de fato eu não escreveria metade das coisas que escrevo para o blog. Boa parte das minhas reviews são de animes e mangás com os quais poucas pessoas se importam, e boa parte dos meus ensaios são de temas que não costumam estar na moda. Eu escrevo sobre o que quero escrever, assim surgiu este blog e assim ele segue até hoje.

Ao mesmo tempo, eu acho que há algo de pretensioso em qualquer autor. Acreditamos que nossas ideias e opiniões possuem valor, e que merecem ser compartilhadas e divulgadas: e deixamos para o público decidir se estamos certos ou errados.

Foi em agosto de 2014 que eu comecei este blog, e três anos depois com este texto eu atinjo a marca dos 200 posts publicados. Claro, entre eles estão textos como informes, divulgação de links e outros que não exatamente se configuram como artigos. Mas o número ainda me parece ideal para aproveitar o momento e refletir um pouco sobre a trajetória do blog.

Interessará a alguém? Bom, isso já é com vocês.

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Review – Flag (Anime)

Flag

Si vis pacem para bellum. Se quer a paz, prepara-te para a guerra. Um velho provérbio de um povo que construiu todo um império com guerras preventivas cujo propósito seria garantir a paz: os romanos. É uma frase que expressa uma profunda contradição humana: somos uma espécie marcadamente violenta, mas que ainda assim almeja pela paz, mesmo que a força. Ao mesmo tempo, ela é uma frase que deixa de lado uma triste verdade, sobretudo nos dias atuais: nem toda guerra visa a paz. Instrumento político, instrumento econômico, mesmo instrumento religioso: a guerra pode trazer benefícios o bastante a certas pessoas a tal ponto que ela pode se tornar um fim em si mesma. Anime não é muito bom em retratar guerras, muito menos as sutilezas que a engendram. Sim, a guerra já apareceu como cenário em incontáveis obras, mas quase sempre ela é apenas isso: cenário. Quando muito temos junto disso alguma mensagem sobre os horrores da guerra ou a tolice humana, uma mensagem que, sim, é sempre atual, mas cuja repetição já a tornou apenas mais um lugar-comum narrativo.

Flag foi lançado em 2006, no formato de uma série de 13 episódios para a internet. Uma obra original do estúdio Answer, com roteiro de Toru Nozaki e direção de Ryosuke Takahashi e Kazuo Terada. A história se passa no país fictício de Uddiyana, onde uma guerra civil entre duas facções religiosas já ocorre há algum tempo. Fotojornalista, Saeko Shirasu é enviada para cobrir o evento, e em um golpe de sorte tira uma foto que viria a se tornar um símbolo de paz e esperança para o povo de Uddiyana. Com a intervenção das Nações Unidas no país, um acordo de paz está para ser assinado, mas eis então que a bandeira que aparece na foto de Shirasu, e que se tornou ela mesma um símbolo de paz, é roubada por um grupo terrorista extremista. Uma equipe é então montada para ir atrás da bandeira, e as Nações Unidas querem que Shirasu documente todo o evento com sua câmera. Como sempre, não há muito mais que eu possa dizer sem entrar em spoilers, então considere esse o seu aviso. Esse é um anime que realmente vale a pena assistir, e se ainda não o fez fica aqui a minha recomendação.

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Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 6: O Conto de Uma Escrava

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o sexto episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Antes, porém, vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/

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Informe – Sobre o meu processo criativo, os quadros do blog, e porque não ia ter um texto hoje

Durante o mês de outubro deste ano (2017), eu decidi começar a postar três vezes na semana. Nas segundas e sextas teriam textos regulares, ao passo que nas quartas teria o Café com Anime, com as discussões sobre Kino no Tabi: The Beautiful World -The Animated Series-. Pois bem, a decisão não veio do nada: eu estava com diversas ideias para todo tipo de texto, e acabei por perceber que se eu fosse publicar um por semana eu acabaria demorando demais para postar todos. O que normalmente não seria um problema, não fosse pelo fato de que muitos desses textos que eu queria escrever eram relacionados com os animes da temporada anterior.

Eu nunca faço uma análise ou uma review de uma obra não finalizada, justamente por isso o Café com Anime é um quadro tão excepcional aqui no blog. O motivo disso é bem simples: eu não me sinto confortável de avaliar criticamente pedaços de uma história. O que não significa que eu não vá já formando ideias conforme vou vendo os animes. Muito pelo contrário! E com o final da temporada, eu tinha diversas ideias que queria colocar em prática, não a toa outubro teve uma review de Sakura Quest, uma breve análise de Gamers e outra de Re:Creators.

Ao mesmo tempo, havia os novos quadros que eu queria colocar em marcha, o Antiguidades e os Resumos de Livros. Ponto é: eu estava com muito mais ideias do que costumo ter, muitas delas precisando ir ao ar logo antes que eu perdesse o timing, por assim dizer. Mas conforme eu já terminei de falar tudo o que eu tinha para falar da última temporada, a pergunta que ficou é: esse modelo de três postagens na semana é sustentável para mim? E bom, vamos dizer que eu não ter conseguido postar um texto na última segunda é um forte indício de que não. O que não significa que eu desisti!

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O quão viável é uma revista sobre anime hoje?

Parte integrante da cultura otaku japonesa, no Brasil também já tivemos nossas revistas sobre anime e mangá. Mas seria possível elas voltarem um dia?

Quem viveu entre meados dos anos 1990 e meados dos anos 2000 pode presenciar o surgimento, boom e eventual declínio das revistas de anime. Tal como animes na televisão aberta, tazos de Yu-Gi-Oh! nos salgadinhos da Elma Chips e bonecos falsificados dos personagens de Dragon Ball Z, hoje essas revistas são lembradas com um misto de nostalgia e melancolia. Fizeram parte da infância e adolescência de muitos, sim, mas seu declínio é também um triste lembrete do declínio dos animes de forma geral aqui no Brasil. O ano de 2017, porém, viu até o momento deste artigo pelo menos duas iniciativas no mínimo inusitadas. De um lado, a revista Animax está para ganhar uma edição comemorativa especial, que poderá ser adquirida tanto em formato digital como em formato físico, ao passo que, do outro lado, temos o retorno da revista Ultra Jovem, em formato impresso. E ainda que pontuais, acho que esses dois eventos levantam uma questão que vale a pena ser discutida: o quão viável é uma revista sobre anime e mangá nos dias atuais?

Não podemos negar: o mundo hoje é um lugar muito diferente do que era algumas décadas atrás. Sobretudo o avanço da internet mudou bastante a forma como consumimos conteúdo, e também o tipo de conteúdo pelo qual estamos dispostos a pagar. Sites de notícias sobre anime e mangá já existem às dezenas, mais até se você souber outra língua para além do português, e há poucas informações mais gerais que não podem ser encontradas com apenas alguns minutos na Wikipédia. Nem mesmo os jornais, com sua periodicidades diária, conseguem competir com o ritmo frenético da internet, que chance então possuem as revistas de variedades ou de notícias? Por conta disso, quando surge o debate sobre revistas de anime e mangá há sempre aquele que faz uma pergunta talvez até mais pertinente que a do parágrafo anterior: como você justifica uma publicação do tipo?

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