Uma Rápida Review – Shoujo Kakumei Utena: Adolescence Mokushiroku

Review originalmente publicada na página do blog no facebook, em 12/03/2017

Ta, esse aqui vai exigir um pequeno “prefácio”. Sendo direto: eu assisti o anime de Utena (Shoujo Kakumei Utena) e não gostei. Isso é algo que eu já comentei na minha lista de animes aclamados que eu não gostei, e sendo bem sincero eu considero o anime de utena genuinamente RUIM. Por que, então, ver o filme?

Bom, meus dois maiores problemas com o anime foi a quantia absurda de eventos inconsequentes (“fillers” no sentido mais puro da palavra: diversos episódios foram completamente inúteis para literalmente qualquer coisa que seja) e o mal desenvolvimento do relacionamento entre Utena e Himemiya (que soa forçado no melhor dos casos, ao menos no começo da série).

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Review – Planetes (Mangá)

Planetes // Review 12/08/2016 1
Planetes

Originalmente lançado entre 1999 e 2004, Planetes foi o mangá de estréia de Makoto Yukimura, e devo dizer que foi uma estréia e tanto. A história, um slice of life de ficção científica, acompanha o dia a dia de um grupo de lixeiros espaciais, designados para a nave Toy Box. A função da equipe de três, e depois quatro, tripulantes sendo a de limpar a atmosfera terrestre dos detritos que sobram das viagens espaciais, desde partes de aeronaves e satélites desativados, até detritos bem menores. Isso porque à uma dada altura, a velocidade com que a qual estes objetos orbitam a Terra se torna imensa, de forma que mesmo o menor dos parafusos ainda poderia causar literalmente a queda de uma espaçonave. E com a humanidade dando os seus primeiros passos para fora da Terra, sobretudo na forma de bases permanentes na Lua e estações espaciais, a necessidade desses lixeiros fica bastante evidente.

Num geral, é uma obra bastante focada no desenvolvimento e crescimento de seus personagens, com cada capítulo funcionando muito bem isoladamente, ao menos no começo. E embora logo a obra ganhe uma narrativa um pouco mais “fechada”, na forma do protagonista, Hachimaki, tentando entrar para uma missão espacial que enviará um grupo de astronautas para Júpiter, a ideia de capítulos focados em um dado tema, que servem, por sua vez, de base para o crescimento de seus personagens, nunca é de fato abandonada (algo, na minha opinião, bastante positivo, considerando o quão interessantes e cativantes podem ser estes personagens e temáticas). Contudo, falar muito mais do que isso vai me exigir entrar em spoilers, então considere isto o seu aviso. Se ainda não leu este mangá, leia. Ele foi publicado no Brasil em 2015, em 4 volumes pela editora Panini, e definitivamente vale a pena dar uma olhada.

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Review – Digimon Adventure

Digimon Adventure // Review 13/12/2015 // 1
Digimon Adventure

Lançado em março de 1999, Digimon Adventure foi o primeiro anime de uma franquia que havia começado apenas alguns anos antes, em 1997, com um brinquedo que muito se assemelhava aos então populares tamagochis: os Digital Monsters. Produzido pelo estúdio Toei Animation em parceria com a Bandai, empresa de brinquedos então responsável pela produção dos Digital Monsters (e que seguiria como responsável por todos os brinquedos e vídeo-games da franquia Digimon), fica bastante claro o caráter de propaganda desta série. E bom, funcionou. Digimon Adventure foi um verdadeiro sucesso, tanto de recepção do público como mercadológico, firmando em definitivo as bases de uma franquia que segue sendo altamente lucrativa ainda hoje. Vídeo-games, jogos de cartas, bonecos, produtos licenciados e, obviamente, novos animes, o sucesso desta primeira série animada permitiu que a franquia se expandisse radicalmente nos anos que se seguiram. E fora do Japão, a série foi a principal porta de entrada dos demais produtos da franquia, que rapidamente se tornou um sucesso mundial. Isso dito, porém, ainda se trata de um anime de claro baixo orçamento produzido no final dos anos 1990. Nostalgia e importância histórica de lado, podemos dizer que a série se sustenta ainda hoje? Ela certamente tem importância ainda hoje, não à toa é uma série que constantemente ganha novos produtos (os mais recentes incluindo um jogo para PSP, de 2013, e a série de filmes “Digimon Adventure Tri”, começada em 2015), mas será que o anime segue sendo tão bom quanto o era mais de uma década e meia atrás?

Bom… Antes de seguir com a análise, vou dar aqui uma pequena sinopse para aqueles que ou nunca viram o anime ou simplesmente já não se lembram de mais nada a seu respeito: com 54 episódios, a série  conta a história de 7 crianças que, durante um acampamento de verão, são transportadas para o Mundo Digital, um mundo paralelo habitado exclusivamente por monstros conhecidos como “digimons”. Uma vez neste mundo, cada criança encontra com um digimon, que se torna então seu parceiro. Inicialmente, as crianças procuram um meio de voltar para casa, mas logo descobrem que para isso elas devem derrotar o mal que assola o Mundo Digital, razão pela qual elas foram levadas àquele mundo em primeiro lugar. E a forma como elas devem fazer isso é ajudando seus parceiros digimons a evoluírem, de forma a se tornarem mais e mais poderosos e poderem enfrentar os inimigos que aparecerem. E isso é o máximo que eu posso falar sem entrar em spoilers. Se você ainda não assistiu o anime, eu diria que pelo menos vale a pena dar uma chance a ele. Um bom cast de personagens, uma história simples e uma mais do que fantástica trilha sonora, ainda que a série não seja isenta de problemas (nem de longe) acredito que ainda pode no mínimo ser uma experiência divertida, especialmente se você gosta de obras mais voltadas para o público infantil. Não vai agradar a todos, é verdade, mas ei, o que consegue agradar? E dito isso, spoilers afrente. Vamos à review.

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Digimon Adventure – Crescimento, Amadurecimento e Autoconhecimento

Digimon Adventure // Análise 08/08/2014 // 1
A busca pelo autoconhecimento é uma das noções centrais na série animada

Voltemos, por um momento, alguns anos no passado. 15 anos, para ser mais preciso, até março de 1999, quando lançava nos cinemas do Japão um filme de pouco mais de 20 minutos: Digimon Adventure. Primeiro filme e animação da franquia, à película se seguiu a série animada de mesmo nome, que contou, ao longo daquele ano, a história de sete (e depois oito) crianças que foram escolhidas para salvar a um outro mundo da destruição. Eu não irei me estender muito aqui em fazer a sinopse da história, pois acredito que a vasta maioria dos leitores certamente sabem do que o anime se trata, quer tenham assistido ou não. Mas, se você precisa de mais informações a respeito, pode clicar neste link aqui e dar uma rápida conferida na página da Wikipedia de Digimon Adventure.

Sobre o que é Digimon Adventure? Sim, eu sei o que acabei de dizer, que não ia fazer aqui uma sinopse da história, mas não é disso que eu estou falando. Deixando o “plot” de lado, sobre o que a história fala? Bom, se você, leitor, leu o título deste post, já deve ter uma ideia de qual seria a minha resposta a esta questão. Na minha opinião, Digimon Adventure se preocupa em cobrir três assuntos: o crescimento, o amadurecimento e o autoconhecimento. E eu não coloquei tais palavras nessa ordem por acaso: o anime dá importâncias diferentes a cada uma dessas etapas, com o autoconhecimento sendo certamente a mais importante. Mas bem, já estou me precipitando também, vamos ver isto com um pouco de mais vagar.

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