[Vídeo] Análise Comparativa – Kino no Tabi & Kino no Tabi (2017)

Mais novo vídeo do canal! Estreando, agora, um novo quadro: análises comparativas, onde a ideia é observar como dois ou mais animes lidam com um dado tema ou executam um dado princípio. E para começar, uma análise sobre como as duas adaptações da light novel Kino no Tabi lidaram com a sua estética – e porque a primeira soube usar desse recurso muito melhor do que a segunda. Venham conferir!

Review – Michiko to Hatchin (Anime)

Michiko to Hatchin
Michiko to Hatchin.

[Confira também o vídeo-indicação do anime, sem spoilers]


Quando se fala sobre representações do Brasil nos animes, é quase inevitável que cedo ou tarde surja o nome de Michiko to Hatchin. Uma história original em 22 episódios do estúdio Manglobe, de 2008, a obra tem roteiro de Takashi Ujita e direção de Sayo Yamamoto, se passando em um país fictício canonicamente localizado na América do Sul. A inspiração no Brasil dos anos 1960 e 1970, porém, é mais do que evidente. Da língua escrita à geografia, população e música, a representação do nosso país que esse anime dá seria de fazer inveja a muitas novelas nacionais, e eu digo isso sem um pingo de exagero. Isso dito, a obra também se reserva ao direito de tomar certas liberdades, e se o cenário é majoritariamente inspirado no Brasil ainda existem partes claramente baseadas em outros países da América latina.

Mas vamos à sinopse logo: na história, Michiko Malandro acaba de fugir da prisão de Diamandra, após onze anos presa. Ela parte em busca da menina Hana Morenos, de nove anos, e após resgatá-la de seu lar adotivo abusivo, diz para ambas partirem em busca do pai de Hana, Hiroshi Morenos, antigo namorado de Michiko, ex-integrante da organização criminosa Monstro Preto, e que havia sido dado como morto desde que Michiko estava presa. As duas então partem em uma viagem através do país, enquanto são perseguidas pela detetive Atsuko Jackson, que está decidida a colocar Michiko de volta atrás das grades. É um anime bem divertido, e quem não viu ainda eu recomendo que ao menos dê uma olhada. Até porque, a partir daqui, o texto terá spoilers, então siga por sua conta e risco.

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Alguns pensamentos sobre animes de viagem.

Hatenkou Yuugi, um anime no qual a protagonista é literalmente jogada em uma viagem.
Hatenkou Yuugi, um anime no qual a protagonista é literalmente jogada em uma viagem.

Antes de mais nada, eu acho justo já colocar que eu não planejo chegar a nenhum tipo de conclusão aqui neste texto. O que eu quero, aqui, é tão somente tecer alguns comentários sobre um tipo relativamente específico de história que eu tenho enorme apreço por: as histórias de viagens. Isto é, animes cujo foco – total ou parcial, como no caso de um arco ou saga, por exemplo – é o de ter os seus personagens viajando pelo mundo que habitam. E claro, entendam “mundo” aqui de forma bastante ampla, podendo ser desde um país, como a viagem através do Japão em Katanagatari (review), até literalmente o próprio universo, como em Kaiba. O importante é ser uma viagem. O vagar de um ponto a outro, muitas vezes sem um objetivo claro, visitando diversos locais, conhecendo diversas pessoas. Diria que existe algo de… especial, talvez, nesse tipo de história.

Odisseia, obra seminal da literatura ocidental, junto da Ilíada, é a história da viagem de Odisseu, desde Troia, após a guerra, até a sua cidade natal, em Ítaca, após passar por uma série de localidades. No oriente, já comentei em um texto anterior como Gilgamesh, antigo herói sumério, empreende uma jornada em sua busca pela imortalidade, e poderia citar também como Gautama, antes de se converter no Buda, viajou pelas mais variadas regiões da Índia, aprendendo e falando com sábios, reis, e outras tantas pessoas. Voltando ao ocidente, relatos de viagem foram se tornando cada vez mais populares conforme avançamos na Idade Média, e na Idade Moderna a época dos Descobrimentos trouxe ainda mais material para histórias sobre terras longínquas, habitadas por povos estranhos e criaturas ferozes. E em 1759 Voltaire lança seu satírico e cínico Cândido, ou O Otimista, no qual o personagem título faz uma verdadeira viagem pelo mundo ocidental, atravessando Europa e Américas. Isso, claro, sem esquecer da famosa obra de Julio Verne, Volta ao Mundo em 80 Dias.

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Review – Kino no Tabi: The Beautiful World (Anime)

Kino no Tabi
Kino no Tabi

Quando alguém decide contar uma história, normalmente seu enfoque é exatamente nisso: na história. É claro, muitas vezes o autor espera conseguir passar algo com aquela história, seja uma mensagem, uma moral, ou apenas um questionamento. Mas via de regra esta mensagem fica ao fundo da trama. O que realmente se destaca é a história: seus personagens, o mundo em que se passa, a trama que a move, etc. Mas existem alguns casos, raros é verdade, onde quase parece que o oposto se concretiza. Ao invés de termos uma mensagem ou questionamento que serve de “plano de fundo” à história, temos uma história na qual tudo nela parece servir ao propósito de passar uma mensagem ou questionamento. Lançado no ano de 2003, Kino no Tabi é um destes raros casos. Produzido pelo estúdio ACGT, e inspirado na série de light novels de mesmo nome escrita por Keiichi Sigsawa, este anime talvez seja um daqueles poucos títulos que mereceriam adjetivos como “filosófico”, “introspectivo” ou “profundo”.

Composto por 13 episódios, um OVA e dois filmes, o anime episódico acompanha a viajante Kino e sua motocicleta falante Hermes, conforme ambos viajam pelo mundo em que vivem. O objetivo de ambos é visitar o maior número possível de “países” (na prática parecem muito mais cidades-estados do que países de fato, mas deixa quieto rs), de forma que cada episódio se foca na chegada de Kino a um ou mais destes países, onde a dupla de viajantes sempre passa apenas três dias. Mas dessa premissa tão simples o que surge é uma vasta gama de questionamentos sobre os mais variados assuntos. Cada país que Kino visita é, antes de tudo, uma forma de levar o espectador a refletir sobre certos assuntos. Podem as pessoas realmente entenderem umas às outras? Poderia a democracia se converter em algo tão hediondo quanto a pior da ditaduras? O que realmente é a felicidade? Seria o estresse algo bom para os seres humanos? Estas e (muitas) outras perguntas são levantadas ao longo do anime, de forma que é quase certo que o espectador terá muito a pensar ao final de cada episódio. Se você ainda não viu esta série, eu fortemente a recomendo. Isto dito, o restante do post conterá diversos spoilers, então se você ainda não viu o anime e não gosta de revelações do roteiro, eu recomendo que pare a leitura por aqui.

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Kino no Tabi – Relativismo Cultural: Descritivo, Normativo e Epistemológico

Kino no Tabi // Análise 01/09/2014 // 1
Kino: uma viajante cujo único propósito é a própria viagem

Exibido nas televisões japonesas há já mais de uma década, no longínquo ano de 2003 (-q), Kino no Tabi foi inspirado na série de Light Novels de mesmo nome, de autoria de Keiichi Sigsawa. Com uma premissa bastante simples, o anime episódico segue as aventuras de Kino e sua motocicleta, Hermes, conforme viajam pelo mundo fantástico em que vivem. Com o objetivo de conhecer o maior número possível de diferentes países, Kino segue a regra auto-imposta de sempre passar exatamente três dias no país em que chega, acreditando ser este tempo suficiente para aprender o que for de mais importante sobre aquele país. Assim, ao longo da história vemos Kino conhecer e interagir com uma vasta gama de povos, cada qual com seus próprios costumes, tradições, e cultura. Um anime criado para instigar a reflexão no expectador, Kino no Tabi nos mostra o quão diversificado e diferente o mundo pode ser.

Antes de dar seguimento ao post, um aviso: haverá spoilers. Apesar de eu sempre tentar falar sobre o anime em linhas gerais, a fim de tratar sobre os assuntos que o anime levanta ao invés de sobre este ou aquele acontecimento no roteiro, para este post seria impossível não usar de exemplos do anime. Assim, se você planeja assistir ao anime e é do tipo de pessoa que não gosta de spoilers, é recomendado que pare a leitura por aqui. Se, por outro lado, você não poderia se importar menos com spoilers, tenha uma boa leitura. Feito o aviso, voltemos agora com a nossa programação normal o/

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