A morte não é igual para todos (ao menos na ficção)

Shigofumi: a história de uma carteira que traz as últimas palavras de um falecido.
Shigofumi: a história de uma carteira que traz as últimas palavras de um falecido.

Uma das mais antigas obras literárias escritas na história da humanidade – isso se não a mais antiga de fato (a depender, claro, da sua definição de “literatura”) – é o épico conhecido como Epopeia de Gilgamesh. Provavelmente do século VII a.C., mas compilando mitos e lendas sumérios muito mais antigos, a história segue as aventuras do herói rei de Uruk, o personagem título da história, Gilgamesh. Para os fins deste texto, eu quero comentar brevemente a parte final desse épico de milênios atrás, que começa quando da morte do melhor amigo do protagonista, Enkidu. Ao perder seu amigo, Gilgamesh parece tomar consciência excessiva de sua própria mortalidade, e parte então em uma busca para conquistar a morte: uma busca pela imortalidade. E o final de sua busca se dá junto a um personagem conhecido como Utnapishtim, um sobrevivente do antigo dilúvio que quase destruiu a Terra, e que como recompensa – tecnicamente mesmo como compensação, mas isso já é entrar em detalhes demais – recebeu dos deuses a imortalidade.

Agora, o importante dessa revelação, para Gilgamesh, é que ela mostra que a imortalidade não era algo que se podia conseguir, mas antes era uma bênção única dos deuses. Mas nem tudo estava perdido: Utnapishtim informa Gilgamesh de uma planta mágica, capaz de rejuvenescer quem a ingerisse. O herói do épico a obtém, mas num momento no qual ele para para se banhar uma serpente vem e rouba a planta, assim encerrando em definitivo toda e qualquer possibilidade de imortalidade para Gilgamesh (que, ironicamente, talvez como um último conforto, atinge a imortalidade não física, mas cultural: ainda hoje, milênios após os textos terem sido escritos, ainda podemos falar sobre as aventuras do personagem). No final, esta é uma história sobre a morte. Ela começa com uma tentativa de assassinato: Enkidu, que depois se torna amigo de Gilgamesh, foi originalmente enviado pelos deuses para matar ao rei herói. Em seu meio temos uma morte trágica, a de Enkidu, e ela termina com a lição de que homem algum pode, realmente, conquistar a morte, pouco importa o quão poderoso seja.

Gilgamesh tal como aparece na série Fate. Mesmo milênios depois, a lenda ainda é conhecida.
Gilgamesh tal como aparece na série Fate. Mesmo milênios depois, a lenda ainda é conhecida.

“Morte” é um tópico antigo. Muito, muito, muito antigo. Desde muito cedo a humanidade se deu conta de que sua existência neste mundo é finita, e desde que percebemos isso temos tentado lidar com isso. Alguns, como Gilgamesh, ou como depois aqueles que buscaram pelo Santo Graal ou pela Fonte da Juventude, não quiseram aceitar este fato, e tentaram de toda forma conquistar a morte (um feito que a ciência moderna ainda procura, é válido lembrar). Já outros buscaram aceitar a morte, mesmo abraçá-la e bem recebê-la. Dos egípcios e seus mitos dos enormes campos de trigo na outra vida, passando pelos gregos e seus campos elísios, até os nórdicos e o palácio de Valhalla e três grandes religiões monoteístas com seu paraíso, todas estas são uma tentativa de aceitar a morte vendo-a apenas como a passagem de um estado para o outro (outro estado este, aliás, no qual impera a imortalidade, o estado da alma imortal que efetivamente conquistou a morte).

E o que toda essa longa introdução tem a ver com desenhos e quadrinhos produzidos no Japão? Bom, simples: a morte é um tópico constante nos animes e mangás. Mas o significado que ela assume, a sua verdadeira função na história, pode variar drasticamente não apenas de anime a anime, mas literalmente de morte a morte. A morte de um figurante não tem o mesmo significado que a morte de um secundário importante, que por sua vez não tem o mesmo significado que, digamos, a morte de algum amigo próximo do protagonista. A morte de dezenas, ou mesmo centenas ou milhares de pessoas de uma só vez não tem o mesmo significado que a morte de uma só pessoa. E você ter um figurante em risco de morrer não é o mesmo que ter um personagem principal na mesma situação de risco. Diferentes cenários, contextos e agentes pode mudar drasticamente a forma como o tema da morte é usado em uma obra de ficção, e eu acredito que parte do motivo disso vem da própria forma que nós, mesmo enquanto espécie, encaramos a morte.

Shingeki no Kyojin, tanto o anime como o mangá, é um bom exemplo de uma obra que trabalha a temática da morte em suas mais variadas facetas.
Shingeki no Kyojin, tanto o anime como o mangá, é um bom exemplo de uma obra que trabalha a temática da morte em suas mais variadas facetas.

Por exemplo, comecemos com a forma mais “fria” de morte que vemos nos animes: a morte impessoal. São todos os humanos que Buu matou de uma só vez, em Dragon Ball Z. São todos aqueles que morreram para os Titãs, em Shingeki no Kyojin, quando estes invadiram a muralha. As mortes quando desceram as naves no primeiro episódio de Aldnoah Zero. As mortes no primeiro mês em Aincrad, em Sword Art Online. A chacina de toda uma vila em Ima Soko ni Iru Boku. O que todas elas têm em comum é uma absurda impessoalidade: a maioria dos mortos, nestes casos, se quer possuía um rosto o que dirá um nome. Elas estão ali com o específico propósito de aterrorizar. De mostrar ao espectador o quão desesperadora e cruel é a situação, e o quão mais poderosa é a ameaça que atinge aos personagens centrais. A morte, aqui, serve ao aspecto do horror. Ela choca, brincando com nossos sentimentos de medo da morte. Um lembrete de que ela pode vir a qualquer momento, para qualquer um, em qualquer lugar.

De forma semelhante funciona a ideia de risco de morte. Colocar os personagens numa situação de risco, na qual a morte pode ser uma consequência, apela igualmente para esse nosso sentimento de medo. Isso é bastante comum em obras de terror ou horror, nas quais a ideia de que a morte pode chegar a qualquer momento é parte integrante da própria proposta da história, vide algo como Yami Shibai, um anime de terror com episódios de 5 minutos que muitas vezes terminam com o personagem central em questão morrendo para algum monstro ou fantasma. Mas é possível ter essa mesma sensação de perigo iminente sem precisar matar alguém a cada episódio, como bem mostra Shin Sekai Yori [review], um anime cuja atmosfera já cria uma sensação de que a qualquer momento algo irá acontecer, ainda que na prática na maior parte das vezes não aconteça nada.

Shin Sekai Yori é um bom exemplo de um anime que mantém uma tensão constante no ar.
Shin Sekai Yori é um bom exemplo de um anime que mantém uma tensão constante no ar.

O último tipo de morte impessoal que quero comentar aqui, antes de avançarmos, é um tipo que é bastante peculiar por se situar talvez na mais perfeita divisa entre o impessoal e o pessoal: a morte como crime que desencadeia uma investigação. Comum em obras de mistério, a exemplo de animes como Ranpo Kitan: Game of Laplace e alguns episódios de Master Keaton [review], ela é impessoal na medida em que é apenas um dispositivo do roteiro. Uma conveniência da trama, para se colocar a própria trama em marcha. Nesse sentido, é uma morte sem impacto e sem peso, ao menos para o espectador (e também por vezes para os próprios personagens, que talvez a vejam apenas como um mistério a ser solucionado, mais nada). Porém, ela vai se tornando pessoal no decorrer da história conforme a vida da pessoa assassinada vai sendo investigada, e com isso surge a figura de um personagem com rosto, nome, vida própria, sonhos e projetos, etc. Ainda assim, mais uma vez aqui o ponto é o da morte como algo trágico, horrível, cruel: uma interrupção, uma quebra.

Mas nem sempre é assim que ela é usada. Este é apenas o tipo mais comum de morte, e só é o mais comum pois essa morte impessoal afeta muitas vezes populações inteiras (como comentei anteriormente). Mas existe, outros tipos de morte, e outras formas de representar a morte em uma história. Por exemplo, temos a morte necessária, normalmente associada a algum vilão. Não raras vezes, é uma morte que existe para glorificar ao personagem principal ou grupo de personagens principais, os quais a história então coloca como aqueles que fizeram o que precisava ser feito. Isso é interessante, pois entra na nossa mentalidade de que enquanto, via de regra, a morte é algo ruim, em certos casos bastante específicos ela pode ser tida como justificável. É uma mentalidade presente, por exemplo, na ideia de pena de morte, a qual inclusive existe no Japão. Até que ponto termos tantos vilões de anime e mangá sendo vencidos apenas com a morte não seria um reflexo dessa existência da pena capital no Japão é algo a se pensar, embora não pretenda dar uma resposta aqui.

Em Master Keaton, várias vezes a morte de um personagem é apenas o começo de um novo mistério a ser resolvido.
Em Master Keaton, várias vezes a morte de um personagem é apenas o começo de um novo mistério a ser resolvido.

Inclusive, essa espécie de morte justificada pode se confundir com a morte impessoal, como quando são os “heróis” da história a causarem chacinas, massacres, ou simplesmente matarem vários e vários capangas menores, muitos dos quais, por vezes, sem nem sequer um rosto lá muito detalhado. Tudo isso, todas essas formas diferentes de matar e morrer, e como elas são representadas, parecem trazer consigo algumas ideias subjacentes sobre o próprio conceito de morte. Por mais temível e terrível que seja a morte, ela ainda é… natural. Tudo bem, nem todos irão morrer por um tiro no coração, ou uma onda de plasma atravessando a pessoa no meio, ou uma enorme aeronave caindo do céu. Mas todos irão morrer, de uma forma ou de outra. A morte é parte integrante da vida, quer gostemos disto ou não. Neste sentido, ela é comum. Comum o bastante para a representarmos sem pensar muito nela. Você não pensa em cada indivíduo devorado pelos titãs em Shingeki no Kyojin, você pensa no quão desesperadora é a situação. E você não pensa nos capangas e minions que os heróis matem ao longo da trama, você só pensa o quão fortes são os personagens principais, ou como aqueles capangas “merecem” morrer por “estarem do lado dos vilões”.

Essa mentalidade, inclusive, é algo muito bem explorado num vídeo do canal no youtube Pause and Select, intitulado Necropower in Now and Then, Here and There. No vídeo, o autor explica brevemente o conceito de “newcropower” como o poder de decidir quem vive e quem morre, mas ele ainda vai um passo adiante para colocar que em uma obra de ficção, como Ima Soko ni Iru Boku (nome original do anime Now And The, Here And There), a própria audiência é capaz de expressar uma espécie de newcropower, não na decisão de quem vive e quem morre, mas sim na decisão de quais vidas e mortes efetivamente importam. Obviamente, como o autor também aponta, isso é algo provocado pelo próprio anime, que usa de uma série de recursos audiovisuais e contextuais para fazer o espectador se importar mais com a vida e morte de um personagem do que as de outro, mas ainda assim nós, como audiência, repetidas vezes caímos nesses pequenos “truques”, e passamos a considerar possibilidades que talvez em outro contexto – digamos, um contexto no mundo real – talvez soassem como absurdas (como a ideia de que salvar a uma pessoa é o bastante para se redimir de ter causado a morte de dezenas ou centenas).

Ima Soko Ni Iru Boku é um anime que constantemente joga com as mortes de seus personagens.
Ima Soko Ni Iru Boku é um anime que constantemente joga com as mortes de seus personagens.

Em um rápido parênteses, é interessante o paralelo que se pode traçar entre essa lógica acima e um certo capítulo de Shingeki no Kyojin. Sem entrar em detalhes, para não dar spoilers, em um certo momento da história a tropa de exploração se vê diante de uma situação de praticamente morte certa, mas ainda assim Erwin, seu comandante, os instiga a seguir em frente. Quando um deles pergunta se então a morte deles não teria nenhum significado, Erwin diz que era exatamente isso: a morte, morrer, não tem sentido algum. Não tem significado algum. Ao menos, não para os mortos. Antes, são os vivos que devem dar sentido àquela morte, e garantir que ela não seja em vão. E que, portanto, era agora a vez deles darem sentido às mortes daqueles que caíram antes, bem como seria dever daqueles que sobrevivessem dar sentido às mortes que provavelmente se sucederiam. De certa forma, é o que nós, como audiência, fazemos repetidas vezes, aceitando, lamentando ou mesmo comemorando a morte deste ou daquele personagem. Dando um sentido, portanto, àquela morte.

Talvez justamente por isso a morte apareça de formas tão variadas. Porque nós, como audiência, queremos algo com ela. Queremos que ela sirva a algo. E claro, qual personagem morre vai ditar que tipo de significado esperamos com a sua morte. Um figurante, um personagem sem nome nem rosto, pode ter uma morte impessoal, apenas um número para expressar a força e o poder de algum outro personagem (ou grupo de personagens). Mas um secundário? Um personagem importante? Um personagem carismático? Não. Suas mortes precisam ser pessoais. Sejam elas trágicas, hediondas, ou mesmo talvez glorificadas, ela precisam passar algo. Porque se você gosta de um personagem, o mínimo que você espera é que ele não morra como se fosse um qualquer. E nisso a morte de Kuririn para o Freeza, em Dragon Ball Z, precisa passar emoções e impressões completamente diferentes de, digamos, as chacinas cometidas por Freeza em todo o planeta Namekusei até então. Quando o personagem importa, esperamos que a sua morte também importe.

Um figurante qualquer pode morrer de forma impessoal numa explosão que mate milhares, por exemplo, mas dificilmente um secundário ou personagem de maior importância irá morrer da mesma forma.
Um figurante qualquer pode morrer de forma impessoal numa explosão que mate milhares, por exemplo, mas dificilmente um secundário ou personagem de maior importância irá morrer da mesma forma.

E com isso chegamos ao último ponto que irei tratar neste texto. Até aqui, falei sobre a morte em suas várias facetas, mas podemos também tentar falar sobre o fracassado sonho de Gilgamesh. O mesmo sonho que inspirou as buscas pelo Graal e pela Fonte da Juventude, como já apontei. O sonho mesmo de Freeza, ao buscar as esferas do Dragão: a conquista da morte. Isso porque não raras vezes, uma história é também a história da conquista da morte, não exatamente no sentido de se atingir a imortalidade, mas mais no sentido de se superar uma situação desesperadora. Quando Goku mata Buu, após este ter morto praticamente toda a humanidade, isto é uma forma de conquista da morte. Quando Eren mata um titã, após cenas e mais cenas mostrando o quão terríveis e ameaçadores estes são, isto é uma forma de conquista da morte. Os personagens não estão se tornando imortais, mas estão superando aquilo que, naquele momento, é a prova e o lembrete de sua própria mortalidade.

Isso talvez explique, mesmo que apenas superficialmente, um fato interessante sobre o protagonista de uma história: para todos os efeitos, ele é imortal. E antes que o leitor comece a fazer uma lista mental de protagonistas que morreram, permitam-se podar um pouco esta minha última fala. Para todos os efeitos, o que eu considerarei aqui como “morte” é a ideia de “desaparecer”. A ideia de efetivamente deixar a história, tal como aquele que morre deixa o nosso mundo. Por exemplo, a morte de Goku para Raditz, no começo de Dragon Ball Znão se encaixa nessa minha definição, por dois motivos: em primeiro lugar, a morte em Dragon Ball é sempre reversível, de uma forma ou de outra; mas em segundo lugar, mesmo mais importante, temos que a morte de Goku não implica a sua saída da história. Antes, é a sua entrada em um novo arco, um novo treinamento. E, em fato, esta lógica pode ser aplicada a muitas outras obras, nas quais a morte tecnicamente “não conta” (por exemplo, Yu Yu Hakushou, onde a morte não apenas é aquilo que inicia a história, como também é, para todos os efeitos, apenas um obstáculo a ser superado).

Em Dragon Ball Z, a morte é apenas o começo de uma nova jornada.
Em Dragon Ball Z, a morte é apenas o começo de uma nova jornada.

Assim, sejam em obras cujo protagonista vence o vilão sem morrer, sejam em obras nas quais ele retorna à vida após um breve período “do outro lado”, todas estas são formas de superação da morte. E tudo bem, neste ponto o leitor pode ter “diminuído” a sua lista para obras nas quais o protagonista morre em definitivo, mas estas trazem uma curiosidade interessante: nas vastíssima maioria das vezes, isso somente ocorre ao final de uma obra, seja após o protagonista conquistar o seu objetivo, seja mesmo como um passo necessário para tanto. E isso faz perfeito sentido dentro da lógica que comentei mais acima de que queremos que a morte de um personagem importante tenha significado. E há personagem mais importante do que o protagonista?! Pensem por um momento: o quão frustrante não seria uma obra na qual o protagonista morresse antes mesmo de conquistar o seu objetivo, ou mesmo sem que a sua morte sirva para qualquer coisa que seja? E claro, eu digo realmente morrer, sem qualquer chance de voltar à vida. Você continuaria lendo ou assistindo a uma história assim? Alguns provavelmente dirão que sim, mas mesmo estes eu aposto que continuariam com um certo gosto de decepção na boca.

Claro, existem raríssimos casos nos quais um protagonista pode ceder seu lugar para outro, mas isso é quase sempre após a sua história estar finalizada. E o que se inicia, então, é uma nova história. A história de uma outra pessoa. Protagonista e história, assim, se tornam indissociáveis, e qualquer mudança no primeiro implica numa mudança no segundo (embora, a título de curiosidade, a recíproca não seja verdadeira: eu posso perfeitamente colocar um protagonista já estabelecido em uma nova história, como inclusive é feito repetidas vezes nas mais variadas mídias).

Enquanto normalmente a mudança de protagonista implica a mudança de história, a reciproca não é verdadeira. Exemplo é SAO II, onde mantém-se o protagonista, mas a história é completamente diferente.
Enquanto normalmente a mudança de protagonista implica a mudança de história, a reciproca não é verdadeira. Exemplo é SAO II, onde mantém-se o protagonista, mas a história é completamente diferente.

Isso dito, essa lógica pode por vezes ser um tanto quanto nociva, admitamos. Quando temos que é praticamente impossível (ou no mínimo muito, muito, muito improvável) que o protagonista morra em definitivo antes de cumprir seus objetivos, situações de alto risco podem ter seu impacto drasticamente diminuído, e mesmo a própria morte pode não ter grande impacto. Um exemplo aconteceu comigo conforme assistia Shingeki no Kyojin. Em um dos primeiros episódios, Eren é devorado por um titã, mas enquanto eu via boa parte da audiência se perguntando o que seria agora da história que o protagonista morreu, eu estava mais preocupado em descobrir como ele iria voltar. Porque sim: eu tinha absoluta certeza que ele voltaria. Não era ainda hora nem momento para se descartar o seu personagem principal, então eu já sabia que sua “morte” não era mais do que uma fachada, mesmo sem nem ter lido o mangá até então. E claro, no segundo caso fica o sempre relevante exemplo de Dragon Ball, onde após meios e mais meios de se trazer personagens de volta à vida já está bastante estabelecido que a morte, ali, não significa absolutamente nada (e se a primeira morte do Kuririn foi impactante, garanto que se o personagem morresse hoje a cena seria motivo é de piada, não de choro)

Abrindo aqui mais um parênteses (o último do texto, prometo), é interessante apontar ainda como você saber o tamanho de uma obra também pode drasticamente afetar como você veria a morte de seu protagonista. Um exemplo que me vem à mente é o mangá Ansatsu Kyoushitsu (publicado no Brasil como Assassination Classroom). Por volta do volume 7, temos uma cena na qual fica indicado que os personagens teriam conseguido atingir o grande objetivo final da obra: matar seu professor polvo gigante que pretende destruir a terra (er… faz sentido em contexto… eu acho). Porém a simples possibilidade de isso realmente acontecer é completamente destruída pelo simples fato de que estamos no volume 7, e a obra japonesa vai até o volume 21. E claro, muitas vezes o mesmo ocorre com animes: se um dado anime está programado para ter 26 episódios e o protagonista “morre” no 10º é praticamente certo que esta morte será ou provada falsa, ou revertida de alguma forma.

Mas voltando ao texto, talvez pudéssemos argumentar que a morte do personagem importa menos do que o impacto que ela causa, então mesmo que Eren de fato acabe voltando depois isso não anula as reações e o desenvolvimento em personagens como Armin e Mikasa que a ideia de perder o seu amigo causa. Mas creio que por agora já basta, então encerremos o texto por aqui. Ainda assim, fica então esta pequena provocação: na próxima vez que um personagem morrer, seja ele qual for, tente se perguntar porque. Por que aquele personagem? Por que daquela forma? Que tipos de ideias ou valores a obra está tentando passar com essa morte? E o que essa morte me faz pensar e sentir a respeito deste personagem? Porque entender esses elementos pode fazer você entender melhor não apenas como um certo autor ou uma certa cultura vê a morte, mas também como você, leitor, a vê.

Outros artigos que podem lhe interessar:

Protagonismo e porque ele faz mais sentido do que parece.

Review – Mawaru Penguindrum (Anime)

Lista – 10 Musicas de Vocaloid que Valem a Pena Ouvir

1 – Shigofumi, Episódio 1

2 – Fate/Zero, episódio 2

3 – Shingeki no Kyojin, episódio 1

4 – Shin Sekai Yori, episódio 16

5 – Master Keaton, episódio 1

6 – Ima Soko Ni Iru Boku, episódio 1

7 – Aldnoah.Zero, episódio 1

8 – Dragon Ball Z, episódio 6

9 – Sword Art Online II, episódio 1

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s