Review – Allison to Lillia (Anime)

Allison to Lillia
Allison to Lillia

Allison to Lillia é um anime de 2008 produzido pelo estúdio Madhouse, contabilizando 26 episódios e com direção de Masayoshi Nishida. E o interessante a seu respeito é que ele é uma espécie de “dois em um”: enquanto a maioria dos animes adapta apenas uma fonte qualquer (mangá, novel, etc.), Allison to Lillia adapta duas séries de light novels escritas por Keiichi Sigsawa: Allison e Lillia to Treize. A escolha não é assim tão estranha, considerando que Lillia to Treize é uma continuação direta de Allison, acompanhando as aventuras da filha da personagem título da obra anterior. Ainda assim, isso deu ao anime essa curiosa característica de termos 13 episódios acompanhando um certo grupo de personagens em suas aventuras, e ai pelos 13 episódios seguintes nós temos o cast quase que inteiramente renovado com aparições esporádicas dos personagens da metade anterior. A sensação que temos é mesmo a de serem dois animes diferentes, apenas com um sendo a sequência do outro. Bom, não que isso seja um defeito em si mesmo, mas falemos mais disso durante a análise [rs].

Por agora, uma rápida sinopse: a história se passa num continente dividido pela guerra entre duas grandes nações, Roxche e Sous-Beil, com o motivo do conflito sendo que ambos os países alegam ser o verdadeiro berço da humanidade. Em Roxche, o estudante Wilhelm (ou apenas “Will”) recebe a visita de sua amiga de infância e atual piloto do exército do país, Allison, e quando os dois tomam conhecimento de um tesouro que poderia por fim a guerra entre as duas nações, é aqui que a história deles começa. Já a segunda metade do anime segue as aventuras de Lillia, filha de Allison, e seu amigo de infância Treize, mas falar mais do que isso seria spoiler. Ambas as metades seguem um esquema de arcos curtos, de mais ou menos 3 a 5 episódios, e num geral o anime pode ser resumido como uma obra imensamente leve, divertida, com personagens bastante carismáticos, uma animação competente e uma excelente trilha sonora. Quem não viu ainda, ele definitivamente vale a pena, sobretudo se você procura algo apenas para relaxar. No mais, spoilers adiante, siga por sua conta e risco.

Wilhelm Schultz
Wilhelm Schultz

Começando a review com a primeira metade do anime, cuja história se foca em Allison e Will, é bom desde já apontar o óbvio: estes dois personagens carregam o anime nas costas. Não exatamente no sentido de que o anime é ruim e eles são tudo o que há para redimir a obra, mas mais no sentido de que se você não gostar destes personagens você provavelmente não vai gostar do anime. Pessoalmente, eu não tive esse problema, e achei ambos os personagens mais que excelentes. Isso talvez soe hiperbólico, e, verdade seja dita, realmente é. Eu não posso dizer que eles são profundamente desenvolvidos ou imensamente detalhados, e num geral eu os consideraria como puramente satisfatórios. Isso dito: minha nossa como são carismáticos. Allison é essa garota extremamente auto-confiante, piloto de avião habilidosa, energética e aventureira, que faz o que quer, quando quer e como quer. Já Will é esse garoto estudioso e culto, com uma memória fotográfica invejável e um poder de dedução fenomenal, além de ser um dos melhores atiradores do anime. E a dinâmica entre estes dois personagens é também bastante divertida, com a Allison praticamente arrastando o Will para suas aventuras e o Will meio que se deixando arrastar. E tem algo de incrivelmente frustrante e, ao mesmo tempo, incrivelmente hilário em como a Allison dá todas as dicas possíveis de que ama o Will e ele ainda assim não percebe.

Agora, não entendam mal, nesse ponto eu falo total e completamente por gosto pessoal, e consigo entender se por ventura alguém não gostar. Especialmente dessa dinâmica do Will não perceber os sentimentos da Allison, um clichê que já passou de super-utilizado há uns bons anos atrás e agora é quase que praticamente algo que os autores parecem fazer só porque “bom, anime é assim, né?” Sinceramente, eu fico surpreso que não tenha me dado nos nervos essa dinâmica, e eu acho que isso só aconteceu porque as reações da Allison são simplesmente divertidas de ver. A forma como ela fica irritada e frustrada com a forma como o Will não percebe suas intenções total e completamente reflete a frustração do expectador, e nisso não apenas temos boas cenas de comédia, como também uma forma divertida de fazer quem assiste se relacionar com a personagem. É clichê, muitos não irão gostar, mas para mim funcionou. Isso dito, a dinâmica entre eles talvez tenha funcionado bem até demais, e eu sinto que ambos facilmente tiravam o foco dos demais personagens. Eu gostei da Fi e do Benedict, sem dúvida, mas nem de longe tanto quanto eu gostei da Allison e do Will, e sinceramente penso que a Fi poderia ter sido muito mais explorada do que foi.

Allison Whittington
Allison Whittington

A forma como a história é estruturada, aliás, ajuda a reforçar a ideia de que o foco desse anime é menos em sua narrativa e mais em mostrar a interação entre seus personagens. Nessa primeira metade temos 3 arcos bastante distintos, cada uma se passando durante um período de férias do Will, e todas começando com a Allison arrumando alguma forma de os dois se verem. E destes três arcos eu diria isso: o primeiro é o melhor, tematicamente falando; o segundo é o pior, e seu clímax quase não faz sentido nenhum se você pensar demais; e o terceiro é aquele com o maior número de bons twists no roteiro. Sinceramente, eu não vejo necessidade de entrar em grandes detalhes de cada um dos arcos, ainda mais considerando que se eu for fazer isso para cada um dos seis arcos do anime essa review vai ficar imensa, e também porque de modo geral o que eu posso falar de bom para um vale também para os demais. E o que eu posso falar de bom? Até que mais do que eu esperaria de um anime assim.

Para começar, existe um tema que mais ou menos perpassa o anime inteiro, e que eu posso resumir em duas palavras: tempo e consequência. O tempo é normalmente necessário para trazer uma mudança, e essa mudança é muitas vezes consequência de atitudes que foram tomadas no passado. Isso talvez tenha ficado melhor apresentado no primeiro arco, quando Allison e Will, junto de Benedict, descobrem um mural que mostra que, afinal, ambos os países foram o efetivo berço da humanidade, e com isso pondo fim à guerra. O próprio Will comenta que o mural em si nunca foi o bastante, mas antes que era o exato momento histórico em que eles viviam que permitiria que o mural tivesse algum efeito no mundo. Naquele momento, ambos os países estavam em armistício havia dez anos, e o mural efetivamente vem mais como uma desculpa para consolidar uma paz que já existia na prática do que realmente como o principal responsável pela paz. E ao longo do anime nós continuamente vemos momentos em que o passado reverbera no presente, e como as ações no presente são muitas vezes consequências de eventos, decisões e ações tomadas no passado. Infelizmente essas temáticas nunca são trabalhadas com a profundidade que alguns talvez gostariam, com exceção do primeiro arco, mas considerando que o anime é claramente mais voltado para seus personagens, eu honestamente estou satisfeito com o que recebemos.

O mural encontrado por Allison, Will e Benedict
O mural encontrado por Allison, Will e Benedict

Outra temática interessante, e que entra na questão da consequência, é a questão do que o fim de uma guerra traz. Por um lado, paz, de fato. Menos pessoas morrendo. Por outro, implica na demissão de soldados, por vezes na necessidade de julgar e condenar antigos traidores (e nisso pode-se trazer a tona enormes escândalos envolvendo toda sorte de pessoas), e mesmo no surgimento de conflitos internos nos países. De novo, infelizmente o tema nunca é propriamente desenvolvido nem explorado com a profundidade que alguns talvez gostariam, muito menos levado às últimas consequências, mas ele está ali. O que, para ser bastante sincero, eu achei um tanto quanto confuso. De modo geral, esse anime tem algumas temáticas e algumas situações que são bastante sérias e bastante sensíveis de se tocar, mas a obra trata tudo com um ar de leveza, por vezes até ativamente ignorando as implicações mais sérias do que apresenta, que até que ponto ter estes temas mais sérios não é, em fato, prejudicial à obra eu sinceramente não consigo dizer. Não é uma questão de precisar desenvolvê-los com profundidade, porque eu não acho que seriedade demais caberia no que esse anime tenta ser, mas ele meio que só joga os temas ali, comenta bem pouco em cima, e segue com a narrativa, como que implicitamente dizendo que não é tarefa da obra se importar com aquilo. Não achei exatamente ruim e não vejo como algo que prejudique a experiência, mas foi um tanto quanto… esquisito.

Finalmente, em termos de história eu realmente preciso reconhecer que esse anime sabe fazer plot twists. Assim, o simples fato de termos a descoberta do mural e o fim da guerra já no episódio 4, quanto até então eu esperava que o anime inteiro seria sobre os dois países em contínuo estado de guerra iminente, foi um twist  em si mesmo, mas os efetivos twists ao longo da trama eu sinceramente achei bem orquestrados, ainda que um ou outro você conseguisse ver há quilômetros de distância, sobretudo na segunda metade do anime. Isso dito, o twist que marca o final da primeira metade… Quando o Will decide ir para Soul-Beil e nós temos o timeskip de 15 anos eu honestamente pensei que teríamos todo um arco da Lillia descobrindo seu pai em alguma aventura em Soul-Beil. E quando ficamos sabendo que a Allison arrumou um namorado, eu já logo fui pensando “bom, foram 15 anos afinal, não dava para ela ficar esperando o Will para sempre”. A partir daí, toda a construção da cena é estupendamente bem orquestrada e as pequenas informações vão sendo dadas em doses bem homeopáticas. O homem veio de Soul-Beil e é um major. Ele queima a língua com o chá quente e fala que certas coisas nunca mudam. E quando você já está pensando “eu não acredito…” eis que temo o rosto e vemos que é o Will. É bem feito, é bem conduzido, é reconfortante e encerra maravilhosamente bem essa primeira metade. E nisso chegamos à segunda metade…

Lillianne Aicasia Corazón Whittington Schultz
Lillianne Aicasia Corazón Whittington Schultz

Antes de entrarmos exatamente nessa parte do anime, eu quero reforçar que eu gostei da obra. Mesmo dessa segunda metade. E se eu estou falando isso o leitor já deve imaginar que lá vem uma boa enxurrada de críticas, o que, bem francamente, está correto. Mas justiça seja feita, eu consigo ver que a fonte dos problemas nessa segunda metade foi um problema que é mais ou menos inerente a qualquer sequência. Vamos lembrar, Allison é a light novel original, e Lillia to Treize sua continuação. Embora no anime ambos formem uma história só, o roteiro provavelmente não foi alterado ao ponto de a parte da Lillia perder seu caráter de uma nova história que continua a anterior. E toda continuação tem um problema já de cara: ela precisa ser a si própria, ao mesmo tempo em que precisa se ligar em estilo à entrada anterior da franquia. Se uma continuação for muito igual ao original, fica aquela sensação de pra que ver isso quando você poderia simplesmente ver a obra anterior de novo. Mas se ela for muito diferente, fica aquela impressão de que não existe motivo para isso ser uma continuação de uma obra anterior e não uma obra própria, desligada de qualquer outra. Atingir esse balanço é muito difícil, e penso que não raras vezes é a razão pela qual temos certo desgosto por continuações.

E como tudo isso se aplica ao anime? Bom, a parte da Lillia claramente tenta ser, em estilo e temática, ligada à parte da Allison, e em certo ponto consegue. Por exemplo, continuar tocando no ponto de como o mundo avançou após o fim de uma guerra que durou um longo tempo. Ou, em alguns momentos, mostrar eventos que são consequência dos eventos da parte anterior do anime, como todo o arco no qual a filha do vilão do segundo arco de Allison tenta uma vingança contra a Fi e o Benedict. Em fato, ambos inclusive tem uma estrutura parecida em seus arcos. Temos um primeiro arco que, admito, é o mais diferente em ambos, mas que genericamente envolve o uso de aviões e o gosto dos personagens por voar; um segundo arco se passando em Ikstova, envolvendo a sua família real; e um arco final que se passa em um trem, sendo inclusive aquele mais pesado em reviravoltas no roteiro. E enquanto de modo bastante geral os arcos de Lillia se assemelhem aos de Allison, eles são diferentes o bastante para você considerá-los sua própria história, e é possível que muitos nem notem essas semelhanças entre os arcos. Então, de certa forma, em alguns pontos essa segunda metade consegue ser uma boa continuação… O problema aparece é em alguns outros pontos.

Treize Bain
Treize Bain

Começando com a minha maior crítica: ainda que sejam, sim, personagens carismáticos, Lillia e Treize não chegam nem perto do carisma da Allison e o Will. O que se torna um problema especialmente quando os quatro compartilham a cena. É muito fácil, mesmo muito comum, a Allison ou o Will roubarem a cena nessa segunda metade. Pior é que não é como se a obra estivesse realmente tentando usar desses personagens anteriores para manter o espectador, como é comum em algumas continuações, e inclusive fica evidente que o roteiro tentou manter a participação deles ao mínimo que seria crível, mas ambos são tão carismáticos que acaba sendo praticamente inevitável atrairem atenção para si. Isso sem contar que por serem muito mais experientes que a nova dupla protagonista, muito frequentemente são a Allison e o Will quem efetivamente resolve os problemas nos quais os dois se metem. A única solução aqui seria remover os dois do anime completamente, mas eu duvido que alguém iria gostar dessa decisão.

Outro problema é que a dinâmica entre a Lillia e o Treize é um tanto quanto esquisita. Allison e Will tinham uma relação bastante clara e óbvia: Allison era a personalidade dominante e amava o Will, mas tinha medo de se confessar; já Will era a personalidade mais fraca e gostava de ficar junto da Allison, mas era completamente obtuso aos sentimentos de amor que a menina nutria por ele. Na segunda metade… Tanto Lillia como Treize tem personalidades fortes, e embora a Lillia ainda tenha uma personalidade um pouco mais dominante, Treize não é nem de longe o poço de falta de confiança que era o Will. E a relação entre os dois é também um pouco estranha: Treize é claramente apaixonado pela Lillia, que não nota seus sentimentos, sendo basicamente a mesma situação que Allison tinha com o Will. Mas o que o Treize é para a Lillia é um tanto quanto dúbio. Ela diz que ele é um amigo de infância, mas na prática a menina parece que apenas tolera o garoto, e olhe lá. Depois fica implicado que ela encara o Treize muito mais como um rival, querendo encontrar coisas em que ele seja ruim e querendo se mostrar tão capaz quanto ele, e enquanto isso vai descobrindo lados do garoto que a fazem perceber como se importa e se preocupa com ele. Mas ainda é uma relação bastante confusa, sobretudo no começo.

Allison e Will na segunda parte do anime.
Allison e Will na segunda parte do anime.

Ainda outro problema com a relação dos dois é como Treize tem medo de contar à Lillia que ele é filho da Fi e o Benedict, atualmente os governantes de Ikstova. Uma pergunta: Por quê?! Ok, retiro isso, eu sei porque: para ecoar a situação da Allison não conseguir se declarar ao Will. Mas nós como espectadores conseguimos entender e nos relacionar com a Allison. Faz sentido ter medo e vergonha de se declarar para outra pessoa, e em adição o fato do Will nunca perceber o óbvio faz com que o espectador sinta a mesma frustração que a Allison, aumentando ainda mais a empatia e a identificação com a personagem. Aqui, o anime não consegue dar uma só razão válida de porquê Treize não queria contar que era um príncipe! Em adição, a Lillia não desconfiar de nada faz perfeito sentido, afinal você nunca vai esperar que o seu amigo da casa ao lado é um membro escondido da família real de seu país. Isso direciona a nossa frustração ao Treize, o que apenas afasta o espectador do personagem. Em adição, se a frustração causada no não confessar-se da Allison soava como fofa ou engraçadinha, no caso do Treize ela é apenas isso: frustrante! Eu entendo que o autor talvez não quisesse fazer parecer que é o exato mesmo dilema da obra anterior, mas da forma que foi feito era até melhor que fosse o exato mesmo dilema ao invés disso ai!

E ainda mais um outro problema: qual dos dois era pra ser o foco do espectador? Na primeira metade do anime, fica claro que, salvo certos momentos, o Will era o nosso ponto de vista. Mas na segunda metade… Por um lado, a Lillia é a personagem que, como o Will, dá a “nota” final do episódio, uma pequena fala como se estivesse escrevendo em algum diário ou coisa assim. O que dá a entender que ela deveria ser o nosso enfoque, algo inclusive reforçado por ela ser, em primeiro lugar, a filha dos dois protagonistas anteriores, e, em segundo lugar, a primeira personagem que aparece dessa segunda metade. Mas a Lillia é mantida no escuro de tudo! Ela não sabe que o Travas é o Will, não sabe que foram seus pais quem descobriram o mural, não sabe que o Treize é um príncipe… Em compensação, o Treize sabe de tudo! Isso torna ele um ponto de vista muito mais identificável para o espectador do que ela. E a confusão ainda aumenta pelo já mencionado fato de ambos terem uma personalidade bem forte e por ambos terem, grosso modo, praticamente o mesmo tempo de tela. E enquanto eu vou entender se alguém argumentar que o ponto era justamente que ambos fossem o ponto de vista do espectador, continua sendo uma dinâmica bem estranha a destes dois, e alguma coisa ali simplesmente não “soa” bem, ou ao menos não tão bem quanto a dinâmica entre a Allison e o Will (mas isso pode ser muito mais apenas a minha experiência pessoal com a obra, talvez outra pessoa não tenha visto problema aqui).

Ainda que de forma alguma sejam personagens ruins, a dinâmica que se estabelece entre Lillia e Treize é um tanto quanto esquisita.
Ainda que de forma alguma sejam personagens ruins, a dinâmica que se estabelece entre Lillia e Treize é um tanto quanto esquisita.

Ah, e tem ainda mais um último problema! A Lillia é praticamente uma inútil! Tudo bem que faz sentido, considerando que quem tem o treinamento adequado para lidar com situações de emergência é o Treize, ainda que mesmo o garoto não seja realmente muito mais útil que a menina. Mas chega a ser frustrante o quão pouco a Lillia faz. No primeiro arco ela basicamente só fica sentada do lado do Treize enquanto ele pilota. No segundo, ela tenta ajudar e acaba sequestrada. E no terceiro ela acaba sequestrada de novo. Eu acho que a maioria talvez nem perceba como a Lillia acaba sendo deixada de lado, primeiro porque ela tem uma personalidade muito forte, e segundo porque ela sempre tem um tempo de tela considerável, então não é realmente como se o anime estivesse tentando jogar os holofotes em cima do Treize, mas eu realmente queria ter visto a Lillia ser mais útil e fazer mais coisa ao longo da sua parte da obra.

Mas não se preocupem, tem problemas relacionados a outras coisas que não os protagonistas também. Por exemplo, a questão de colocar dilemas e questões sérias sem explorá-los. Na primeira metade o anime até consegue se safar com isso, mas aqui… No primeiro arco temos que o Will havia decidido deixar o avião cheio de órfãos ser afundado, e eu até agora não posso dizer que entendi qual foi a lógica por trás dessa decisão, honestamente. E no arco final, temos ele muito a contra-gosto decidindo que é mais importante proteger a rainha de Roxcher do que ir tentar ajudar a Lillia. Nada contra as decisões em si, e fica implícito que o Will não gostava nem um pouco delas, mas as tomava por acreditar que seria o melhor para manter a paz. Mas o quão pouco isso é explorado pode muito bem estragar o personagem para algumas pessoas. Pessoalmente eu não senti isso, talvez pelo quanto já gostava do Will devido aos arcos anteriores, mas ainda assim me incomodou essa falta de aproveitamento dos dilemas do personagem. Aliás, também achei Fiona, Benedict e mesmo a irmã do Treize, Merielle, pouco explorados nessa segunda metade. O que eu entendo, afinal não era mais a história deles, mas acho que mesmo levando em conta o tempo que aparecem dava para terem tido um aproveitamento melhor.

Treize confronta o Will ao final do primeiro arco. A segunda metade teve diversos momentos mais sérios que podiam ter sido melhor trabalhados.
Treize confronta o Will ao final do primeiro arco. A segunda metade teve diversos momentos mais sérios que podiam ter sido melhor trabalhados.

Ufa! Bom, eu disse que vinha pela frente uma enxurrada de críticas. Pessoalmente, eu não gosto de ficar apontando muitas falhas nos animes que recomendo, mas essa segunda parte tem tantos problemas em seus personagens que é muito difícil para mim simplesmente ignorar. Ainda assim, não entendam mal, eu gostei bastante desse anime, inclusive dessa segunda metade. Para todos os problemas que tem, Lillia e Treize ainda são personagens carismáticos e divertidos, e a interação entre eles rende bons momentos. E apesar do trato que receberam os personagens antigos, eles ainda são bastante gostáveis, se mais nada por simplesmente ainda carregarem consigo todo o histórico dos episódios anteriores. A comédia ainda é boa, inclusive, e tudo de bom que eu falei sobre esse anime saber fazer plot twists se aplica aqui sem tirar nem por. Ele tem, porém, um final um pouquinho mais fraco que a primeira metade. Lillia e Treize continuam como apenas amigos, e eu realmente queria que a Lillia tivesse descoberto sobre o Travas ser o Will. Eu fico com a impressão de que se esse anime tivesse mais dois, mesmo mais um só episódio ele poderia ter entregado um final muito melhor, mas ainda assim ele se fecha satisfatoriamente bem.

Como eu disse no começo, Allison to Lillia é um anime para se ver quando se quer relaxar e não pensar muito. É, afina, uma série de aventuras divertidas vividas por um grupo de personagens carismáticos, e realmente não passa disso. Mas também não precisa passar, e pessoalmente acho ótimo termos esses animes mais leves que podemos simplesmente sentar e relaxar durante eles. Em sua parte técnica ele brilha em sua trilha sonora, que é sempre muito bem usada para dar o impacto apropriado a cada cena, mas sua animação é básica, cumprindo sua função e é isso. Ainda assim, é um anime que fico feliz de ter assistido, e é o tipo de obra que eu honestamente recomendaria para qualquer um. Leve, agradável e divertido, uma ótima pedida para os dias mais tediosos.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Allison to Lillia, episódio 1

2 – Allison to Lillia, episódio 1

3 – Allison to Lillia, episódio 1

4 – Allison to Lillia, episódio 4

5 – Allison to Lillia, episódio 20

6 – Allison to Lillia, episódio 20

7 – Allison to Lillia, episódio 18

8 – Allison to Lillia, episódio 18

9 – Allison to Lillia, episódio 18

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