História – Ontem e Hoje: Anime e Mangá em Solo Brasileiro (Parte 2 – Mangás)

“Lone Wolf and Club” (“Lobo Solitário” no Brasil) seria o primeiro mangá publicado no Brasil, em 1988.

Após a primeira parte desta pequena série de artigos, onde tratei de fazer um breve panorama de como surgiu, se popularizou e se extinguiu o anime no Brasil, nesta segunda parte mudamos um pouco de mídia, passando das televisões e do cinema para as histórias em quadrinhos e as revistas. Assim, nesta postagem farei um panorama geral dos mangás em solo brasileiro, como surgiram, quais editoras foram as principais responsáveis por trazê-los, quais influências tiveram no Brasil e, é claro, como está a indústria atualmente. Além disso, também farei algumas poucas considerações sobre um dos grandes meios de divulgação dos animes e mangás: as revistas, sobretudo as poucas revistas especializadas em anime e mangá que chegaram a ser publicadas em solo brasileiro, além de breves considerações também sobre o mercado de light novels no Brasil, que já contou com alguns poucos experimentos no passado, mas que recentemente parece estar sendo reavivado aos pouquinhos, sobretudo graças à editora New Pop.

Entretanto, para esta parte cabe a exata mesma ressalva metodológica que dei para a primeira: por conta de diversos fatores, dentre os quais a própria existência (ou inexistência) de fontes, esta postagem se centra sobretudo neste conhecido eixo Rio-São Paulo. Não espero, portanto, que seja uma postagem capaz de abranger a todo o território nacional, e nem o leitor deve esperar. Certamente muita coisa ficará de fora. Isto dito, fica então o convite ao leitor postar, nos comentários, a sua própria experiencia e o seu próprio conhecimento, apontando onde minhas considerações talvez não sejam válidas para a sua região, ou complementando o que foi dito aqui com informações que talvez possua.

A história dos mangás no Brasil, assim, começa já há muito tempo, com a imigração japonesa para o Brasil. Um rápido panorama para aqueles que não se lembram: o fim da escravidão no Brasil, em 1888, trouxe para o país um sério problema de mão de obra, visto que muitos dos grandes senhores de terras do país se recusavam a contratar e assalariar aqueles que, até a noite anterior, haviam sido seus escravos (o que irá também gerar todo o problema dos negros no Brasil, que quando finalmente recebem a tão esperada alforria se veem muitas vezes sem ter para onde ir). Para tentar solucionar o problema, o governo cuidou de incentivar a vinda de estrangeiros para trabalhar nas lavouras brasileiras. Inicialmente, deu-se atenção sobretudo para os povos europeus, mas após diversas denúncias de maus tratos por parte dos senhores de terras no Brasil muitos destes países da Europa pararam de compactuar com o envio de trabalhadores. Assim, o Japão se torna um dos novos países-alvos da política brasileira, que incentiva a vinda de muitos japoneses ao país (não a toa, o Brasil até hoje tem uma das maiores populações japonesas fora do Japão no mundo). Obviamente, os casos de maus tratos se seguiram, o que levou muitos imigrantes japoneses a abandonarem as áreas de plantações e migrarem para as cidades. O surgimento de bairros japoneses ao redor do país, como o conhecido bairro Liberdade, em São Paulo, são reflexos desse tipo de movimento.

É importante que tenhamos este panorama, pois os mangás irão começar a entrar no Brasil justamente por conta destas colônias japonesas no país, sobretudo em São Paulo. Estas colônias normalmente contavam com escolas japonesas, com o propósito de manter a transmissão da cultura de origem. Certamente muitas crianças nascidas no Brasil só viriam a aprender o português muito tempo depois do japonês. Já para o ensino deste, os mangás tiveram importância fundamental. Por já serem naturalmente voltados para crianças, eram uma ferramenta bastante útil para o ensino do japonês, sobretudo dos kanjis (visto que num mangá estes aparecem com o chamado furigana, que nada mais é que a pronuncia daquele kanji  escrita em hiragana, o alfabeto silábico japonês, colocada logo acima do kanji). Obviamente, não somente as escolas se aproveitavam destes primeiros mangás, que possivelmente eram lidos com avidez por crianças e jovens das mais variadas idades. E apesar de terem uma circulação bastante restrita, certamente não foram sem importância. Em fato, o contato com estes primeiros mangás teria sido a fonte de inspiração para o nascimento da Editora EDREL (sigla para “Editora de Revistas e Livros”), que funcionou entre 1966 e 1975. A editora em si não chegou a publicar qualquer mangá, mas leva o crédito de ter publicado um dos primeiros livros a citá-los, intitulado “A Técnica Universal das Histórias em Quadrinhos”, como nos informa esta página na Wikipedia, sobre o mangá no Brasil. Além disso, e sendo uma editora sobretudo de publicações originais brasileiras, muitos de seus quadrinistas tinham um traço bastante inspirado nos mangás, como foi o caso de Minami Keizi e de Cláudio Seto. Entretanto, logo estes quadrinistas foram aconselhados a mudar seus traços, a fim de se assemelharem aos quadrinhos americanos. Lembremos: estamos aqui em finais da década de 1960. Até aqui, bem poucos animes surgiram na televisão nacional e os que existiam ainda não era percebidos como radicalmente diferentes dos demais desenhos. Ainda seria preciso mais algum tempo até que os mangás pudessem ser plenamente aceitos no país, mas ao menos o primeiro passo já estava dado.

O próximo passo viria na década de 1970, quando a editora Abril lança uma revista em quadrinhos do “Speed Racer”, umas das primeiras histórias publicadas no Brasil que tinham origem no Japão. Entretanto, esta revista era um quadrinho produzido pela própria editora com base na série animada de televisão, com o mangá original “Speed Racer” só vindo a ser publicado 30 anos depois, em 2000. É apenas no final da década de 1980 que aparece no Brasil o primeiro mangá de fato, intitulado “Lobo Solitário” (1988), publicado pela extinta editora Cedibra como nos informa esta matéria da revista Mundo Estranho. A partir daqui, podemos dizer que os mangás começam a deslanchar no país, com a década de 1990 trazendo diversos títulos novos. O formato, porém, ainda precisaria ser ajustado. Até este momento, os  mangás sofriam com a chamada técnica de “espelhamento”, com as páginas sendo espelhadas a fim de dar um sentido ocidental de leitura para a obra, o que por si só causava uma série de modificações não intencionais na obra (por exemplo, um personagem destro, após ter a imagem espelhada, se tornaria canhoto, e vice versa). Mesmo o tamanho não ajudava. “Rama 1/2”, primeiro mangá shounen publicado no Brasil, originalmente pela editora Animangá, em 1998, possuía apenas dois capítulos por publicação, com um tamanho mais ou menos equivalente a um quarto de um volume convencional de mangá (o chamado tankohon, ou simplesmente tanko). Esta situação só viria a mudar de fato com a virada do milênio, sobretudo por conta da entrada da editora Conrad no mercado de mangás.

A editora Conrad foi um dos principais expoentes no ramo de mangás no Brasil pelo menos até a década de 2000.

Nascida em 1993 como editora Acme, a editora Conrad não era exatamente alheia aos mangás e animes. Já em 1994 a editora publicou uma revista voltada para super heróis num geral, intitulada “Herói“. Vale lembrar, estamos aqui no primeiro grande “boom” de animes na televisão brasileira, com o anime “Cavaleiros do Zodíaco”, exibido na Rede Manchete, sendo um sucesso de audiência. A revista “Herói” foi uma das publicações que pegou carona neste sucesso, com a mesma trazendo diversas notícias e novidades da série de televisão. Entretanto, apesar desse início a editora só publicaria seu primeiro mangá em 1999, quando traz para o Brasil o mangá “Gen Pés Descalços”. Os grandes sucessos da editora, porém, viriam no ano seguinte. Em 2000, a editora publica “Dragon Ball” e “Cavaleiros do Zodíaco”, ambas franquias cujas séries animadas já haviam causado grande impacto no Brasil. E foram estes os primeiros mangás a serem publicados em sentido oriental de leitura, da direita para a esquerda (ou seja, sem aplicar a técnica de espelhamento nas páginas), embora agora seguissem o formato que ficaria conhecido no Brasil como “meio-tanko” (ou seja, mais ou menos a metade de um tankohon japonês, com pouco mais de 100 páginas). Ao longo do restante da década de 2000, a editora seria responsável por uma série de novos títulos que se tornariam consagrados no mercado nacional, tais como “Neon Genesis Evangelion” (2001), “One Piece” (2002), “Battle Royale” (2006), entre outros, com esse período que vai de 2004 a 2006 sendo o que poderíamos talvez chamar de um momento áureo da publicação de mangás pela Conrad, após o qual a editora foi adquirindo cada vez menos títulos. Em 2009 a editora foi vendida ao grupo IBEP-Companhia Editora Nacional, momento no qual muitas de suas publicações foram paralisadas indefinidamente.

Ainda com a virada do milênio, outra editora entraria no mercado de mangás. Criada em 1992 [1], em Tóquio, a editora JBC, Japan Brazil Communication, (link do site oficial) tinha publicações voltadas sobretudo para o público brasileiro vivendo no Japão. Em 1997, a editora faz a sua primeira publicação em solo brasileiro, com a revista “Made in Japan”. Mas é somente na década de 2000 que a editora começa a publicar mangás, fazendo sua estréia nesse ramo com o mangá “Rurouni Kenshin” (conhecido como “Samurai X” no Brasil), lançado em 2001 [2]. A partir dai, a editora viria a ser responsável por uma série de títulos de peso, como “Sakura Cardcaptor” (2001), “InuYasha” (2002), “Shaman King” (2003), “Yugioh” (2006), e uma série de outros. Curiosamente, o “boom” da JBC começa pouco depois da venda da Conrad, em 2009. Se até então a JBC publicava cerca de meia dúzia de novos títulos ao ano, 2010 marcou a publicação de 13 novos títulos, número que vem aumentando desde então. Para 2014, a editora marcou um total de 15 novos títulos anunciados, enquanto que 9 já fora anunciados para 2015. Se o fim da década de 2000 marcou o declínio da Conrad, a JBC da primeira metade da década de 2010 desponta como uma das principais editoras de publicação de mangás no país. Vale dizer, durante muito tempo a editora JBC manteve o uso do formato de meio-tanko, que só veio a ser plenamente substituido pelo formato tankohon a partir das publicações de 2010. Ainda assim, um de seus mangás mais importantes, “Neon Genesis Evangelion” (que a editora pegou da Conrad), foi publicado em formato meio-tanko até o seu final, em 2014 (embora a partir de 2011 a editora tenha organizado uma republicação da série, desta vez em formato tankohon, como podemos ver nesta notícia do site da editora). Atualmente, aparentemente a JBC deixa a publicação de mangás a cargo da Henshin.

Mas uma outra editora estava para surgir no mercado. Fundada em 1945 enquanto uma simples banca de jornal na Itália, o Grupo Panini (link do site oficial) é oficialmente fundado em 1961. Para os propósitos desta postagem, contudo, a existência do Grupo Panini importa menos do que a existência de uma de uma de suas linhas editoriais, a Planet Manga, responsável pela publicação dos mangás da editora, bem como a da empresa terceirizada responsável por toda a produção destes, a editora Mythos. Tendo surgido em 2002, a Planet Mangá foi claramente uma tentativa da editora Panini de obter uma fatia no recém-aberto mercado de mangás no Brasil, tendo sido a responsável por diversas obras de peso. Dentro dos títulos da editora, temos obras como “Gundam Wing” (2002, obra de estréia da editora no ramo dos mangás), “Astro Boy” (2007), “Naruto” (2007), “One Piece” (2012), entre outras. E diferentemente da editora JBC, a Panini aparentemente começou a crescer no ramo de mangás sobretudo a partir de 2007 (embora 2006 já tivesse mostrado um aumento nada subestimável no número de novos títulos que a editora publicaria), quando nada menos que 17 novos títulos foram anunciados pela editora. Desde então, o número de novos títulos vem se mantendo relativamente constante a cada ano, com o ano de 2014 tendo sido encerrado com a publicação de 14 novos títulos, ao passo que 2 publicações já foram anunciadas para 2015. Assim como a Conrad e a JBC, a princípio os mangás eram publicados em formato meio-tanko, mas diferente destas já em 2006 o formato tankohon seria adotado.

Com a passagem do tempo, outras editoras dignas de menção também foram surgindo. Uma que recentemente vem se impondo no mercado de mangás é a editora New Pop (link do site oficial), fundada em 2007, que se especializou na publicação de mangás mais curtos, normalmente de 1 a 4 edições apenas. Dentre as obras em mangá que que a editora publicou, merecem menção “Speed Racer” (2009), “Hetalia Axis Power” (2010), “K-On!” (2011) e “Puella Magi Madoka Magica” (2013). O número anual de títulos, porém, é bastante flutuante, podendo alternar entre dois a três títulos novos até pouco mais de uma dezena. O grande diferencial da editora, porém, certamente é sua publicação de Light Novels. Algumas poucas Light Novels já havia sido lançadas no Brasil, com menções importantes sendo a “Gigantomaquia” (pertencente à franquia “Cavaleiros do Zodíaco”), pela editora Conrad, e a “Crônicas de um Espadachim da Era Meijin” (ligada à série “Rurouni Kenshin”), pela editora JBC, ambas de 2009. Mas é sobretudo a partir de 2010, com a New Pop, que as Light Novels começam a ser publicadas em maior peso no país. Apesar disso, o mercado ainda é insipiente. Com, grosso modo, cerca de 2 a 3 novos títulos por ano, até mesmo a New Pop ainda está apenas dando os primeiros passos nesse território ainda bem pouco explorado. Finalmente, outra editora que merece menção é a editora Nova Sampa (link do site oficial), que começa com a publicação de mangás sobretudo a partir de 2012. Apesar disso, a editora já conseguiu fazer alguns lançamentos de peso, a exemplo do mangá “Vagabond” (2013). Agora, certamente existem outras editoras que publicaram obras importantes, mas falar de absolutamente todas seria impraticável para uma postagem como esta. Por isso, reforço o convite para que o leito complemente a postagem como seu próprio conhecimento, dizendo nos comentários que editoras ou mangás eu deixei de lado que você, leito, considera importantes.

Revista Herói, publicada pela editora Conrad em 1994.

Mas passemos agora para um outro ponto: o da influência dos mangás e animes na sociedade brasileira. Que tipo de impacto estas obras tiveram no cenário nacional? Bom, alguns destes impactos já foram mencionados aqui, como artistas, sobretudo, inicialmente, descentes de japoneses, que foram fortemente influenciados pelo mangá. Eu gostaria de me estender nesse tema, mas infelizmente seria um assunto vasto demais para os propósitos desta postagem. Aqueles que desejarem mais informações, podem consultar a já mencionada página da Wikipedia sobre mangás no Brasil, que cuidou de fazer um panorama geral dos principais artistas brasileiros influenciados pelo estilo mangá. O que posso afirmar, porém, é que não foram poucos aqueles influenciados, tanto que já em fevereiro de 1984 surge no Brasil a ABRADEMI, Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilstrações. Um adendo: talvez o resultado mais famoso dessa influência do mangá nos artistas nacionais seja a onda recente de títulos “em estilo mangá”, que foi iniciada em 2008 com a publicação da Turma da Mônica Jovem, publicada pela editora Panini. A partir dai, outras famosas personagens brasileiras ganharam versões semelhantes, como a revistas Luluzinha Teen (2009), publicada pela editora Ediouro, e a revista Didi & Lili – Geração Mangá (2010), públicada pela editora Escala. Apesar disso, na maioria dos casos o padrão brasileiro de publicação ainda é mantido, com páginas coloridas, leitura ocidental e publicação em formato de revista (única exceção sendo a Turma da Mônica Jovem, que manteve apenas o sentido de leitura ocidental, deixando a revista em preto e branco e com lombada quadrada).

Já outro reflexo do impacto da dupla mangá e anime no Brasil foram as diversas revistas que publicavam conteúdo a respeito destes, sobretudo a partir da década de 1990. Revistas infantis, como a Revista Recreio, com frequência tinham matérias sobre o novo anime que passava na televisão. Mas a década viu também nascerem revistas especializadas no tema. A revista Herói, uma parceria das editoras Conrad e Sampa, já foi mencionada, mas muitas outras mereceriam menção. Dentre elas, temos a Animax, publicada pela editora Magum em 1996 e que surgira de uma cisão ocorrida em uma outra revistas, também de anime e mangá, a Japan Fury. Em 2004, a Animax ganha uma repaginada, tornando-se a Animax Reload. A editora Trama também foi responsável por uma publicação do tipo, a Anime EX, surgida de uma cisão na própria revista Animax, em 2000. Já a editora Escala certamente pode ser listada como uma das expoentes no ramo de revistas de animes: fundada em 1992, a editora é a responsável pela revista Anime Do, que em 2014 comemorou seus 20 anos no mercado editorial [3], bem como pela revista mensal Neo Tokyo, que em 2014 ultrapassou a marca de 100 edições.

Eventos voltados para anime e mangá também merecem menção, ainda que eu infelizmente não tenha encontrado muitas fontes para tratar destes. O que consegui achar foi sobretudo esta página da Wikipedia, que lista os eventos que ocorre em todo o território nacional. Mas apesar de eu não ter como fazer medições do avanço ou retrocesso desses eventos, tanto em termos de existência como em termos de público bruto (se aumentou, se diminuiu, etc.), a simples existência de tantos eventos diferentes voltados para o público fã de anime e mangá certamente é sintomática do impacto que estas obras tiveram sobretudo entre os jovens brasileiros. Já para além de eventos esporádicos, muitas vezes anuais, o Brasil está para ter o seu primeiro Museu do Mangá, que ficará na cidade de Garça, no interior do estado de São Paulo, como mostra esta notícia do site da ABRADEMI, de julho de 2014.

Como podemos ver, o mercado editorial brasileiro mostra uma situação bem diferente do mercado visual. Enquanto que os animes praticamente sumiram da televisão brasileira, cada vez mais títulos de mangás e light novels são publicados no país. É um fenômeno interessante, considerando a pouca divulgação que estes títulos recebem. Em grande medida, os únicos mecanismos de divulgação existentes são as já mencionadas revistas de anime e mangá, que por vezes oferecem um checklist das obras recém-lançadas (como faz a revista Neo Tokyo), os próprios mangás das editoras, que costumam anunciar obras em suas páginas finais (como fazem as editoras JBC e a Panini com seus mangás) e, finalmente, a internet, com os sites, páginas do facebook e twiters das editoras sendo um dos principais meios de divulgação de novidades. Seria ótimo se houvesse como medir até que ponto há um crescimento natural do número de consumidores de mangás (ou seja, pessoas que passam a comprar mangás sem qualquer tipo de conhecimento prévio da mídia) e até que ponto o mercado é sustentado sobretudo por aqueles que já estão imersos no meio otaku e que, muitas vezes, já conhecem de antemão a obra que estão para comprar. Infelizmente, é provável que nem mesmo as editoras seriam capazes de dar um dado como esse. Apesar disso, não seria nada incorreto afirmar que o mercado em si está crescendo. E a tendência é continuar a crescer. Com muitos dos fãs de anime e mangá adolescentes e jovens de hoje se tornando os adultos de amanhã, a independência financeira dos que hoje dependem dos pais para comprar este ou aquele mangá tende a aumentar cada vez mais as vendas, mesmo que um crescimento natural não exista ou não seja preponderante agora. Mas bem, aqui já estou também dando uma de futurólogo, o que já não é bem o meu ramo (rs). Tendências são apenas isso: possibilidades, que podem ou não se concretizar. Prever o futuro não é exatamente uma ciência exata (rs). Vamos, então, encerrar por aqui, ao final de 2014. E aguardar, então, o que o futuro nos reserva.

Notas:

1 – A data de surgimento da editora JBC parece não ser lá muito precisa. O site oficial da editora diz que ela foi criada em 1995, mas sua página na wikipedia em português, bem como sua página na wikipedia em inglês, dizem que ela foi fundada em 1992. O motivo de eu ter escolhido seguir a data presente na Wikipedia, e não aquela do site oficial (que certamente pareceria uma escolha mais obvia) foi porque ambas as páginas da Wikipedia nos dão 1993 como a data de publicação do jornal japonês “Jornal Tudo Bem”, ao passo que o site oficial da editora não nos fornece data alguma para a publicação. Como não faria sentido uma editora que nasce em 1995 publicar algo em 1993, optei por seguir a data presente na Wikipedia.

2 – Por algum motivo bizarro, a data de publicação de “Rurouni Kenshin” no Brasil parece não estar lá muito bem estabelecida. Esta página da wikipedia em português, sobre mangás no Brasil, diz que o mangá foi publicado “por volta de dezembro de 2000”, citando como fonte disso um artigo já não existente da Universo HQ, intitulado “Saraba, Kenshin”, datando de novembro de 2003. Esta outra página da wikipedia em inglês diz que teria sido em 2003, mas não cita nenhuma fonte. A página da Wikipedia da editora JBC diz que a publicação teria sido em 2001, mas também não cita fonte alguma, o mesmo sendo válido para a página da editora na Wikipedia em inglês. Finalmente, o site oficial da editora JBC dá a entender que teria mesmo sido em 2001. Em vista da maior quantia de fontes, sendo uma delas o site oficial, preferi adotar 2001 como a data para a postagem.

3 – (Esta nota é um acréscimo posterior à postagem em si, feito em vista de novas informações sobre o tema) Em janeiro de 2015, por meio de uma postagem em sua página no facebook, a revista Anime Do anunciou que encerraria sua publicação, com o número 130 (de janeiro de 2015) sendo sendo seu último.

Imagens (na ordem em que aparecem):

1 – Capa do volume 1 de “Lone Wolf and Club”, edição em inglês

2 – Logomarca da editora Conrad.

3 – Capa do volume 1 da revista “Herói”.

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