História – Ontem e Hoje: Anime e Mangá em Solo Brasileiro (Parte 2 – Mangás)

“Lone Wolf and Club” (“Lobo Solitário” no Brasil) seria o primeiro mangá publicado no Brasil, em 1988.

Após a primeira parte desta pequena série de artigos, onde tratei de fazer um breve panorama de como surgiu, se popularizou e se extinguiu o anime no Brasil, nesta segunda parte mudamos um pouco de mídia, passando das televisões e do cinema para as histórias em quadrinhos e as revistas. Assim, nesta postagem farei um panorama geral dos mangás em solo brasileiro, como surgiram, quais editoras foram as principais responsáveis por trazê-los, quais influências tiveram no Brasil e, é claro, como está a indústria atualmente. Além disso, também farei algumas poucas considerações sobre um dos grandes meios de divulgação dos animes e mangás: as revistas, sobretudo as poucas revistas especializadas em anime e mangá que chegaram a ser publicadas em solo brasileiro, além de breves considerações também sobre o mercado de light novels no Brasil, que já contou com alguns poucos experimentos no passado, mas que recentemente parece estar sendo reavivado aos pouquinhos, sobretudo graças à editora New Pop.

Entretanto, para esta parte cabe a exata mesma ressalva metodológica que dei para a primeira: por conta de diversos fatores, dentre os quais a própria existência (ou inexistência) de fontes, esta postagem se centra sobretudo neste conhecido eixo Rio-São Paulo. Não espero, portanto, que seja uma postagem capaz de abranger a todo o território nacional, e nem o leitor deve esperar. Certamente muita coisa ficará de fora. Isto dito, fica então o convite ao leitor postar, nos comentários, a sua própria experiencia e o seu próprio conhecimento, apontando onde minhas considerações talvez não sejam válidas para a sua região, ou complementando o que foi dito aqui com informações que talvez possua.

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História – Ontem e Hoje: Anime e Mangá em Solo Brasileiro (Parte 1 – Animes)

Logotipo da Rede Manchete, um dos canais pioneiros em animações japonesas no Brasik
Logotipo da Rede Manchete, um dos canais pioneiros em animes no Brasil

Aquele que observar a situação atual da industria do anime e mangá no Brasil se deparará com uma situação dúbia. Por um lado, animes foram quase completamente eliminados das televisões brasileiras. Com ainda um ou outro título sendo exibido, a situação atual, porém, é radicalmente diferente das décadas de 1990 e 2000, quando os animes tiveram grande repercussão na televisão, tanto em canais fechados como na televisão aberta. Inversamente, nunca antes se publicaram tantos mangás, com cada mês trazendo às bancas uma série de novos títulos. Nessa linha, nunca antes os eventos de anime e mangá foram tão populosos, com números passando facilmente das cem mil pessoas em alguns eventos. Uma situação aparentemente esquizofrênica. Aquele que um dia foi a maior propaganda desses produtos (ou seja, o anime) desapareceu, levando consigo mesmo muitos dos materiais licenciados, como produtos escolares, brinquedos e por ai vai. Porém, a industria se mantém. E ainda consegue se renovar: é curioso notar enquetes sobre idade em grupos de otakus no facebook, que mostra que grande parte destes entram em uma faixa dos 12 aos 14 anos. Ou seja, são crianças que quando começaram a ver TV pegaram justamente a época em que os animes estavam desaparecendo.

Explicar como nasceu tal situação é algo problemático, até pela falta de fontes profundas a respeito do assunto. Justamente por isso, minha preocupação para este post foi principalmente a de fazer um panorama. Longe de me propor a explicar algo, desejo apenas mostrar. Mostrar como era a situação no passado, desde as primeiras produções japonesas a entrarem em solo brasileiro, já lá na década de 1960, até o verdadeiro “boom” do anime e mangá no Brasil, nas décadas de 1990 e 2000. E, em seguida, mostrar como é a situação atual. Obviamente, a definição de “atual” é imensamente questionável. Onde traçar a linha entre o ontem e o hoje é, de fato, algo bastante arbitrário e subjetivo, então não espero que a decisão de recorte tomada agrade a todos. Porém, e tomando como base especialmente as escassas fontes que consegui encontrar a respeito, decidi definir como “hoje” apenas o ano de 2014. Ou, ainda mais especificamente, os últimos meses deste ano: outubro e novembro.

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