Café com Anime – Kino no Tabi, episódio 3: O País Ambulante e o País Murado

Olá a todos, e sejam muito bem vindos a mais um Café com Anime, nossa conversa semanal sobre os animes da temporada. E como de costume, estou aqui com o Fábio, do Animes 21, o Vinicius, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, para discutirmos nossas impressões sobre o mais recente episódio de Kino no Tabi: The Beautiful World – The Animated series.

Vale lembrar que no Animes 21 vocês poderão conferir nossas conversas sobre Animegataris e sobre Children of the Whale; no Finisgeekis, nosso bate-papo sobre Girl’s Last Tour; e no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Mahoutsukai no Yome, então não deixem de visitar e ficar de olho nos outros sites.

E dados os disclaimers de sempre, vamos então à conversa /o/


Diego

E começa então mais um Café com Anime de Kino no Tabi \o/ E vou dizer: eu gostei BASTANTE desse terceiro episódio. Foi bom termos um clima um pouco mais leve após os dois primeiros episódios, e foi no mínimo engraçado ver um lado um pouco mais “trickster” da própria Kino rs. E o episódio não deixa a dever em temáticas, mas podemos abordar elas ao longo da discussão. Por agora, fica apenas a pergunta: o que acharam?


Fábio “Mexicano”

Agora sim a Kino foi só cuzona mesmo. Destruir a infraestrutura do país alheio tudo bem, arrasar plantações tudo bem (aqueles campos de cultivo podiam ser a diferença entre a vida e a morte), se recusar a pagar pelo prejuízo causado tudo bem, mas estragar o desenho que as crianças estão fazendo? De jeito nenhum, isso não podemos tolerar! Nem a Kino tolerou porque, aparentemente, não quiseram deixar ela passar por lá sem cumprir algum tipo de missão que ela não estava disposta a realizar.


Diego

Não era missão nenhuma. O país murado queria a arma da Kino como pedágio.


Fábio “Mexicano”

Ah ok, era o nome da arma. Não muda minha avaliação. Eu já tinha entendido que eles eram cuzões também, e continuo achando que a Kino deu uns tiros neles (ok, não matou ninguém dessa vez) por absolutamente motivo nenhum. A prefeita da cidade ambulante já havia dito que não pretendia fazer nada.


Vinicius Marino

Só digo uma coisa: esse anime contrariou minhas expectativas. Esperava um historinha filosófica de uma menina itinerante. Até agora, o que vi foi uma pistoleira nômade resolvendo tudo na base da bala.

Não que eu esteja reclamando. Ver a Kino-sniper abatendo mísseis em pleno vôo foi bastante badass.


Gato de Ulthar

Kino no Tabi está se mostrando muito surreal pra mim, e no mal sentido, um pouco pelo menos! Não consegui engolir muito facilmente este país que sai por aí pisoteando tudo, destruindo o meio ambiente, invadindo países, acabando com plantações e infraestruturas e ainda por cima passando como bonzinhos só pela atitudes deles aparentemente pacíficas. E Kino? Ela sempre acaba se vingando! Não mexam com ela!


Vinicius Marino

A Kino é a típica “caótica e neutra” dos RPGs. Não se envolve com disputas de bem ou de mal. A não ser que pinte a chance de testar a nova arma ou a munição super letal. Aí é bala para todo lado.


Diego

Vou dizer que esta adaptação parece ter se focado mais nas histórias onde a Kino exerce um papel mais ativo por onde passa, o que é uma faca de dois gumes. Por um lado, abre as portas para que esse anime seja muito mais a si próprio, se distanciando e diferenciando do anime anterior. Por outro, se o resultado não agradar talvez fosse melhro ter ficado mais próximo do anterior. E vou dizer: embora eu tenha gostado deste episódio, preferiria muito mais que a Kino não tivesse agido e ficasse apenas olhando, especialmente considerando o quão inconsequente foi a sua ação (não é como se o domo fosse ser destruído pelos mísseis, oras!).


Vinicius Marino

O que mais me incomodou foi a incompetência do general. Todo mundo sabe que o melhor jeito de matar tanques não é furando a blindagem, mas destruindo as esteiras. O próprio diplomata confessou que elas eram o ponto fraco da cidade. Basta terem mirado baixo e o país seria impossibilitado de se mover.


Diego

Eu me pergunto se o armamento deles realmente poderia destruir as esteiras. Mas bom, eu não espero nem nunca esperei lógica de Kino no Tabi, francamente. Mesmo o anime antigo tem alguns problemas pontuais nesse aspecto kkkk


Fábio “Mexicano”

As esteiras eram gigantes! Talvez com o armamento deles ainda fosse inútil tentar destruí-las, ok, mas era, se não a primeira, a segunda coisa que eles deveriam ter tentado depois de fracassar na tentativa de perfurar a blindagem. Da segunda salva de tiros em diante foi só desperdício de foguete. Se tivessem conseguido destruir uma esteira, porém, teriam forçado a negociação – ou o país ambulante poderia disparar o laser e destruir tudo ao seu redor, apenas por despeito.


Gato de Ulthar

De qualquer forma, aquela cidade veículo é limitadíssima em termos de locomoção, só pode se mover em planícies ou terrenos levemente acidentados, duvido que ela passe por algo mais íngreme. Mas espero tudo de Kino.

Lembram-se que foi dito no primeiro episódio que Kino não interagia nem fazia julgamentos? Ela não faz é pouco! Eu gosto dela, mas a menina é uma máquina de destruição ambulante. Ah, e o sistema da cidade é muito curioso, você é um turista e já de cara é levado para se intrometer e conhecer todas as áreas de segurança nacional!


Fábio “Mexicano”

Com aquele laser, aposto que ela pode atravessar até o Himalaia se quiser


Gato de Ulthar

Cortar o Himalaia em fatias. Não sei porque aquela cidade não saiu voando.


Diego

Na verdade, quem falou que a Kino não interfere fui eu, se bem me lembro. E isso é verdade… pro anime de 2003. Como eu comentei, parece que esse novo anime está querendo seguir por uma direção diferente, trazendo uma Kino mais ativa e um pouco mais “sacana”. O que não está sendo realmente ideal…


Vinicius Marino

Esse segundo ponto que o Cat trouxe também me incomodou.. Ela é 1) uma turista que entrou no país com um maldito fuzil sniper e ninguém sequer passou a mala no raio X e 2) 20 min na cidade e ela já estava na mesma sala da presidente, com nenhum segurança além de um diplomata desarmado. Lee Harvey Oswald não existe nesse mundo

Eu sei que alguma suspensão de descrença é necessária, fábulas de Esopo e bla bla bla, mas poxa! Não força a barra!


Diego

O mundo de Kino tem uma relação bem ímpar com viajantes. Eles tendem a ser visto com bastante respeito (bom, exceto quando não, vide o coliseu). Exige uma enorme suspensão de descrença, sim, mas ao menos a obra é consistente nesse aspecto.


Fábio “Mexicano”

Bom, mas a moral do episódio foi interessante de todo modo, só a execução e a protagonista que me perturbaram profundamente: não importa o quê, sempre deixamos os rastros de nossa passagem.

A coisa ferrada é que o país ambulante aceitou isso tão bem aceitado que atingiram o nirvana do foda-se o mundo.


Vinicius Marino

Esse aspecto do respeito ao viajante é interessante. É um topos da literatura grega: nunca se sabe se o mendigo que bate à porta não pode ser um deus disfarçado, então é melhor tratar todo mundo com respeito. É por isso que na Odisséia cada lugar em que Odisseu passa faz um banquete matando 70 bois.


Gato de Ulthar

O segredo para gostar de Kino é aceitar os desvarios de seu mundo sem questionar. Mas é engraçado questionar um pouco esses desvarios. Será que a cidade ambulante não tinha outro caminho para passar além de atravessar o outro país daquele jeito tocando o foda-se?

Mesmo assim, é um prazer ver a Kino fazendo o que dá na telha. Tive todas minhas expectativas frustradas com esse anime. Não que isso seja uma coisa ruim, eu simplesmente pensava que Kino no Tabi era um anime mais introspectivo e pacífico.


Fábio “Mexicano”

Tem várias formas do país ambulante minimizar os danos que causa. Eles só não querem mesmo, não se importam


Gato de Ulthar

Bem que poderiam indenizar o pessoal né? Nada justifica o que eles fazem.

Ao que parece não existe um órgão internacional como a ONU, é cada micropaís por si.


Diego

Como fã da série antiga eu juro que Kino pode ser bem mais calmo e introspectivo e bem menos “Kino atirando em tudo o que vê” :’D Mas bom, não tem muito sentido comparar as duas séries nesse ponto, a nova está tentando ser algo próprio e é fato que esse algo próprio não está sendo exatamente um 10/10, infelizmente. Mas bom, o que acharam do ponto levantado no episódio? Tiroteios e babaquices do país ambulante de lado, o tema central é o de que existir é, ao menos em algum medida, incomodar. Algo que, aliás, ambos os países incorporam, seja destruindo o que aparece na frente, seja bloqueando a passagem dos outros.


Vinicius Marino

Acho que a mensagem ignora que existem relações de simbiose: às vezes os “incômodos” se complementam, e dois vizinhos aparentemente rivais podem se beneficiar da companhia alheia.


Fábio “Mexicano”

No limite, sempre deixaremos sim uma “marca” de nossa passagem, e em um aspecto ou outro pelo menos sempre será negativa. Acho que reconhecer isso é importante, porque é o primeiro passo para tentarmos minimizar prejuízos desnecessários que porventura causemos. O episódio implode essa moral, porém, quando o país ambulante para na fase de “reconhecer”


Diego

Não acho que o país parou nessa fase. Eles ainda tentam ter algum cuidado, aparentemente, só não tanto assim.


Fábio “Mexicano”

Eles têm o cuidado de evitar matar diretamente pessoas (porque indiretamente suas ações podem ocasionar tantas mortes quanto um atropelamento), mas não deixam de cogitar isso quando, que absurdo, alguém estraga o desenho que as crianças estão fazendo no lado externo de sua blindagem…


Diego

Ah Fábio, foi UM cara que teve essa ideia :’D A escola em si só queria que fizessem alguma coisa, e a presidenta descartou a ideia de usar o laser justamente porque ia matar o povo.


Fábio “Mexicano”

Um cara importante que, por tudo o que entendo, poderia ser ou poderá vir a ser o presidente um dia.


Vinicius Marino

De fato, eles parecem ter um enorme senso de superioridade – e desdém por todos os outros países. Sério, se pararmos para pensar no prejuízo causado por aquele “passeio” no país murado, é coisa de cair o cú da bunda. Isso sem contar nos danos colaterais do laser, que continuou sua trajetória muito além do alvo. É meio difícil engolir a mensagem quando se leva em conta a postura.

O autor poderia ter feito um paralelo com povos nômades, que sofrem discriminação por serem acusados de “desordeiros” onde quer que passam. Mas a representação da cidade ambulante não passou nem perto dessas sociedades.


Gato de Ulthar

A mensagem de que um país por existir já causa incômodo para alguém é verídica. O problema é o absurdo do que o autor quis mostrar. A cidade flutuante é um colosso que causa destruição a cada metro percorrido, tanto para bens materiais como naturais. Não consigo engolir o papinho de pena deles em relação à natureza e casas esmagadas e algumas pessoas atropeladas. Se o autor quis exagerar para mostrar a sua mensagem, ele foi bem sucedido.


Diego

Mas nesse ponto eu pergunto: vocês enxergam que o autor estava exaltando o país móvel, condenando-o, ou condenando a ambos os países, moralmente falando? Eu tendo um pouco mais para o último caso, mas queria saber o que vocês acharam.


Fábio “Mexicano”

Eu acredito que ele teve a intenção de criticar ambos, mas não conseguiu fazer isso direito


Vinicius Marino

Eu acho que a intenção do autor escapou da sua mão quando se debruçou na sacada, caiu no chão e foi atropelada pelo tanque. Que, ao passar, deixou uma enorme marca na paisagem no formato das letras Y-O-L-O.


Fábio “Mexicano”

O importante é que, como garota, Kino é uma personagem inspiradora:


Gato de Ulthar

O que eu mais gosto neste anime, sem sombra de dúvidas, é a Kino porra louca. Faz falta mais personagens assim, que agem como dá na telha e saem dando tiro pra todo lado.

O mundo de Kino é tão louco quanto ela.


Diego

Só queria dizer que o Vinicius falando de tanques me lembrou disso aqui. Sim, é uma cena do primeiro anime. Não, ela não faz mais sentido em contexto :D

Bom, vamos então para o último tópico desse nosso debate. E novamente, ao invés de perguntar se vocês morariam no país ambulante (alguém falaria não? Foi o país mais amigável até agora kkkk) eu vou jogar a seguinte pergunta: sendo os “três episódios” esse número meio cabalístico para se formar uma opinião sobre uma série, o que estão achando de Kino no Tabi? E mais importante: não fossem essas nossas conversas, continuariam assistindo, ou nesse ponto teriam dropado? rs


Gato de Ulthar

Kino no Tabi se mostra um anime muito caótico. Foram três episódios muito diferentes um do outro. Os três mostraram facetas diferentes da jovem Kino. A única progressão é que tanto o mundo quanto kino parecem ficar mais insanos. Na minha opinião eu continuaria assistindo, estou curioso no que Kino vai se tornar ao final da jornada.


Fábio “Mexicano”

Concordo com o Gato. Eu esperava alguma unidade moral ou de qualquer outro tipo, mas parece que o anime é totalmente caótico. Me faz pensar que talvez seja apenas uma forma de seu autor extravasar as ideias e sensações mais malucas que passam pela cabeça dele, independente de qualquer coisa.

E ah, é divertido, embora eu seja do tipo de pessoa chata que fica frustrada quando falha seguidas vezes em identificar padrões. Eu gosto, não droparia nem se eu fosse do tipo que dropa anime por coisa pouca – para que eu drope o anime precisa me ofender repetidas vezes.


Vinicius Marino

Tal como o Cat, eu estou gostando sobretudo por conta da postura caótica. Espero que a Kino continue na mesma linha, abrindo fogo nos outros sempre que dá coceira no dedo. Acho que teria continuado a assistir independente das nossas conversas, embora devo dizer que não está sendo meu favorito da temporada.


Diego

De minha parte, eu vim para esse anime já com alguma cautela. Eu ao mesmo tempo tinha e não tinha muitas expectativas para ele. Por um lado, nunca esperei que ele superasse o original, mas por outro ainda é Kino no Tabi, e eu esperava ao menos algo bom. E até aqui foi uma pequena montanha russa pra mim. O primeiro episódio eu realmente adorei, o segundo eu detestei, e o terceiro eu sinto que foi ao menos muito melhor que o anterior. Só espero ver mais dos momentos mais calmos e introspectivos do anime e menos dos momentos de puro bang bang, mas acho que não é o que vai ocorrer. Bom, mas isso nós só vamos saber com certeza com o andar da obra, então por agora vamos parando por aqui. Até a semana que vem a todos o/

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