Minhas 30 Opiniões Controversas Sobre Anime e Mangá!


E quais são as suas?


Pois venho eu aqui plantar a semente da discórdia!

Nos últimos dias eu tenho andado meio doente, e sem energia para produzir algo mais elaborado. Sendo assim, e para que o blog não siga parado por muito mais tempo, resolvi tentar algo diferente.

Quero aproveitar o momento para tirar algumas coisas do peito. 30, para ser mais exato. Alguns pequenos desabafos, disfarçados aqui de opiniões controversas.

Claro, algumas serão muito mais controversas do que outras. E um pequeno punhado bem renderiam artigos próprios. Mas uma ou duas frases bastam por agora.

Sintam-se à vontade para discordar de mim. E a quem quiser fica também o convite para que deixem as próprias opiniões impopulares.

E sem mais delongas, vamos de uma vez à lista!

1) Pirataria é um problema de acesso, não de caráter. Adoraria viver em um mundo no qual ela não fosse necessária, mas não acredito que estamos lá ainda.

2) Companhias (plataformas de streaming, editoras de mangá, etc.) não são suas amigas, e merecem ser criticadas quando o produto que entregam desagrada o consumidor.

3) Netflix enquanto financiadora foi algo bom para a indústria do anime. Netflix enquanto distribuidora é algo terrível para os consumidores de anime.

4) Streaming é uma bolha em vias de explodir. Quanto mais serviços, mais o conteúdo se espalha e menos atrativa cada plataforma parece.

5) Não deviam traduzir honorífico. Ao invés, deviam ou deixá-los como são, com uma nota de glossário, ou removê-los por completo. Toda tentativa de adaptação soa truncada e pouco natural.

6) A “gourmetização” do nosso mercado de mangás afasta muito mais pessoas do que atrai. Para a maioria, preço fala muito mais alto que uma lombada bonita.

7) Eu odeio mangás digitais. Nunca substituirão o bom e velho papel.

8) Ser popular não é sinônimo de qualidade, mas também não é sinônimo de ser ruim. Se uma obra atinge um certo nível de popularidade, alguma coisa certa ela fez.

9) Uma boa história faz tudo muito bem. Uma ótima história faz uma coisa de modo excepcional

10) Histórias não são um monólito. E quase sempre há coisas que uma história faz bem e outras que ela faz mal. Poucas são inteiramente boas ou ruins (se alguma).

11) “Você pode gostar, só aceite que é ruim” é uma frase que eu desprezo.

12) Uma boa análise não diz se a obra é boa ou ruim. Diz, sim, o que a pessoa que fez a análise tirou daquela obra.

13) Problematização é apenas outra forma de crítica. Concordar com cada análise vai de cada um, mas o método em si tem valor e lugar na discussão.

14) Anime, como mídia, tende a reforçar valores conservadores muito mais do que valores progressistas. Mas claro: há exceções.

15) Lolicon e shotacon não são, e nem deveriam ser, ilegais. O que não significa que você não possa ou não deva criticar. Só que não vejo razão para proibir, salvo por puro pânico moral.

16) Ship os casais que você quiser. Fiscal de fandom é uma das coisas mais imbecis que eu já vi.

17) A noção de que o otaku se importa apenas com porradaria e peitos é, na maioria dos casos, falsa. Pessoas são mais complexas do que isso.

18) Há dois grupos maiores de fãs de anime e mangá no Brasil: o pessoal que só vê anime dos anos 80 pra trás e o pessoal que só vê anime da temporada. Faltam espaços que comportem ambos.

19) Muita gente endeusa os animes que viu na infância. Me pergunto quantos se deram ao trabalho de voltar a eles e ver se são tão bons quanto a nostalgia os faz pensar.

20) Tem muita gente que se diz fã de anime, mas quando você vai ver a pessoa só gosta daquelas séries mais sanitarizadas que passam longe da média da mídia.

21) Você não precisa ver centenas de animes para ser um otaku. Mas quando você só se interessa por um ou dois você não é fã da mídia: é fã de algumas séries em específico.

22) Há muitos animes bons no passado. E também há muito cyberpunk genérico.

23) Há muitos animes bons hoje em dia. E menos isekai do que a internet faz parecer.

24) De modo geral, eu preferia quando animes tinham mais liberdade para fazer um final original do que agora, onde uma série termina em clifhanger para nunca mais ser continuada.

25) A “ordem correta” de se assistir qualquer série ou franquia é a ordem de lançamento.

26) De modo geral, o “anitube” anglófono é muito mais desenvolvido que o brasileiro, em termos de variedade, abordagens e profundidade da análise.

27) Faltam canais de anime e mangá aqui no Brasil cuja apresentação não faça parecer que eles têm bebês como público-alvo. Não aguento mais um jumpcut por palavra!

28) A palavra “top” me irrita. Mas o formato em si de lista tem os seus méritos.

29) Nosso meio (assim como toda a internet) se tornou averso ao debate e à discussão. As pessoas querem ou pregar a sua uma verdade incontestável ou fingir que certos assuntos nem existem.

30) Poucas pessoas parecem interessadas em discutir animes com profundidade. Mesmo entre aqueles que gostam de ver outras pessoas discutindo animes com profundidade.


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Imagem: Animation Seisaku Shinkou Kuromi-chan

15 comentários sobre “Minhas 30 Opiniões Controversas Sobre Anime e Mangá!

  1. Controversas? Concordei com absolutamente tudo dito! Eu só tenho minhas dúvidas em relação ao ponto 14. Quais seriam esses valores conservadores que os animes reforçam tanto? Família? Trabalho? Por mais que o Japão seja um país conservador, sempre vi os animes e os mangás como um ótimo meio dos autores pra criticar esse excesso de tradicionalismo e conservadorismo de lá.

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  2. 1) Concordo, sem tirar nem por!

    2) Concordo com força! Odeio gente que acha que não se pode criticar nada oficial, só podendo parar de comprar se não estiver gostando.

    3) Não sei se entendi tão bem. Fala da questão da demora para se colocar os lançamentos no catálogo? Se for, concordo, mas, se for sobre outra coisa, então não posso opinar.

    4) Também concordo plenamente!

    5) Entendo a tentativa de deixar claro as nuances de como os personagens se relacionam, sem precisar quebrar a leitura com explicações, mas concordo que, na maioria das vezes, a adaptação soa nada natural, já sendo uma espécie de “ruído” na leitura.

    6) Uma verdade, mas, mercadologicamente falando, analisando a situação atual, me parece ser a única alternativa viável para as editoras. Logo, fico apenas triste com isso.

    7) Outro que concordo completamente.

    8) É algo tão óbvio, que me frustra ver como as pessoas ainda tretam por causa disso, haha.

    9) Bom ponto!

    10) Sim. E penso que não existe – e nunca existirá – uma obra 100% bem feita, porque cada pessoa que a experiencia tem seus próprios julgamentos qualitativos.

    11) Concordo que é uma frase idiota e se encaixa bem ao que disse logo acima.

    12) Faz total sentido!

    13) Falou tudo! Odeio a galera do “Ih, lá vem os caras problematizando…”

    14) Acredito que sim, mas também gostaria de uma melhor explicação sobre este ponto (daria um bom texto, para quando você estiver a fim).

    15) Concordo, e este é outro assunto espinhoso que um dia, talvez, quem sabe (não tô te cobrando nada, viu), seria legal se você dissertasse sobre.

    16) É isso ai! \o/

    17) Não sei o “otaku japonês que é o maior público consumir dessas coisas no mercado mais relevante, que é o de lá”, mas no que consideramos como “otakus” por aqui, eu concordo.

    18) Pela minha experiência com esse grupo, eu diria que existem 3: Os que veem apenas animes dos anos 80 e 90; os que assistem os de temporada e os que veem os mais famosos de cada ano, porque se tornam muito mainstream (SAO, Jojo, Shingeki, OPM, Boku no Hero, Kimetsu, etc).

    19) Concordo muito! Revi a maioria dos animes da minha infância e, destes, continuo curtindo apenas 4 (DB/DBZ, Pokémon, Digimon e Crayon Shin-chan); e tendo consciência de todas as suas falhas.

    20) Sim, e esse tipo de gente, enquanto eu não saio xingando, nem nada do tipo, me dá um certo cansaço.

    21) Concordo novamente!

    22) Sim. E tem muito anime de esporte, slice of life, comédia, ecchi idiota, e várias outras coisas que ainda fazem sucesso, mas a galera que gosta só fica presa vendo os pós-2000.

    23) Não sei a quantidade de isekais, porque não curto o estilo e passo longe, mas foi algo que realmente bombou e tentaram explorar ao máximo. Logo, pra essa galerinha mais básica, realmente parece que só tem isso nas temporadas mais atuais.

    24) Pior que concordo! Muito melhor um final original, principalmente os que fecham alguns pontos importantes, de algum jeito, do que deixar em aberto, querendo te forçar a ir ler o mangá, que muitas vezes não está acessível.

    25) Discordo! Às vezes, por problemas de adaptação, podem lançar algo que serve muito bem como um prequel, apenas anos depois. Se visto depois, enquanto que ainda sendo um bom complemento, pode soar também como um extra, e não algo que vai ajudar na sua primeira, talvez mais importante, experiência com aquela obra. Imagino um caso em que uma informação vinda de uma produção tardia, na verdade poderia ter te ajudado a entender melhor algo da obra que, agora, você precisaria voltar a ver para ter um melhor entendimento, apenas dificultando toda a experiência (falando mais de uma obra longa, que seria complicado de rever em detalhes).

    26) Concordo pra caramba! Tanto que, se eu pudesse, te pagava pra continuar fazendo vídeos, porque o negócio por aqui tá feio, haha.

    27) Sim, também!

    28) Deve irritar-nos (já me incluindo nessa), pelo mau uso que sofre há anos!

    29) Sim. E incluindo mais uma coisa nessa lista, diria que muitos são burros demais pra entender que debater sobre algo não é fazer resumo + comentários pessoais super básicos, como: “curti; não gostei; chorei com tal momento”, etc.

    30) Por fim, sim, de novo! E apesar de já ter feito isso por um tempo, infelizmente, no momento, me incluo nesse tipo de pessoa, estando desmotivado para debater com profundidade, mas ainda interessado nas ponderações dos outros.

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    • Respondendo só alguns:

      3) Sim, me refiro à “prisão Netflix” mesmo, onde animes levam meses para chegar aqui enquanto saem normalmente no Japão T-T

      14) Esse é um ponto que daria bastante trabalho pra explanar melhor, porque é mais uma impressão do que qualquer outra coisa kkkk. Mas talvez um dia.

      15) Eu gostaria de fazer um artigo sobre loli, mas eu sinto que na internet ou você iguala loli ao abuso de crianças e diz que todos que gostam devem morrer ou então você apanha da internet. Qualquer tentativa de ter uma visão nuançada da coisa é extremamente mal vista.

      24) Pior que forçar a ir ler o mangá ainda é de boas. Ferra mesmo é quando querem te forçar a ir ler a light novel! Dai você vai ver e a coisa tem, tipo, 20 volumes no Japão, fans traduziram até o 3 e desde então ninguém mais tocou nisso. Malditas light novels! kkkk

      25) Eu diria que prequels, num geral, são feitos pensando na obra original, e tendo em mente que quem for ver o prequel já vai ter visto o original. Nesse sentido ainda acho melhor ver o original primeiro. Além disso, existe uma questão técnica. O mais antigo provavelmente não vai ter um visual tão bom quanto o mais novo, e ver na ordem inversa a diferença pode dar meio que um “susto” rsrs

      30) Você e eu kkkkkk… T^T

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  3. Diego, vou comentar só o tópico 25. A ordem de lançamento do anime de Monogatari é diferente da ordem de lançamento das novels, que é o material original. Creio que a ordem do material original seja “mais correta”, apesar de ser possível ver pela ordem do anime tbm

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  4. Ué, me senti um pouco enganado :D Só vi um pouco de controvérsia no item 15 meu caro, o restante assino embaixo. A internet parece um espaço de radicalização e perda de civilidade. Quantas vezes tentei conversar com algumas pessoas e recebi respostas, no mínimo, mal educadas. Agora em relação ao 15, das lolicons, tenho alguns problemas meu caro, sem pânico moral aqui mas colocar uma criança em uma posição de desejo sexual perante adultos realmente me parece problemático. Não digo em nenhum momento que elas são “puras”, a psicologia está aí para mostrar que longe disso, só que será que tudo bem apresentar esse conteúdo sem pelo menos algum disclaimer? Como por exemplo em filmes antigos de conteúdo racista como “O vento levou”, jamais proibir mas as empresas estão avisando sobre o tipo de conteúdo e situando eles historicamente para melhor entendimento e deixando claro que não concorda com aquilo.

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    • Então, sobre a questão 15, é importante considerar que existem duas diferenças fundamentais entre algo como “E o Vento Levou” e, digamos, uma Comic LO (revista voltada para o lolicon).

      Em primeiro lugar, “E o Vento Levou” é já uma peça da história. Ele saiu em 1939, e por isso pode vir com um aviso de que reflete valores de sua época e que hoje certas representações já não são bem vistas, ou que a cultura avançou para além desse ponto, ou como queira formular o aviso rs. Algo do tipo não funciona numa revista lolicon em publicação >hoje<, ao passo que há um argumento a ser feito sobre alguém comprar um blue ray de E o Vento Levou sem imaginar que conteúdos problemáticos o filme poderia ter.

      Agora, há algo de errado em um mangá lolicon vir com uma aviso de "não faça isso em casa, isso é só ficção, não promovemos o abuso de menores" ou algo do tipo? Não, de forma nenhuma. Eu só imagino que o público que consome esse material já sabe disso (porque né!).

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