“Auguri, buon anno” // Aria the Animation, episódio 13


Aquela branca manhã…


É chegada a noite de ano novo, com Neo Venezia sendo tomada pelo clima festivo. Na praça de São Marcos, nosso elenco se reúne para comemorar a virada. Um momento de diversão e de confraternização, mas também um de reencontros, que marcam aqui o último episódio da primeira temporada de Aria.

Agora, eu gosto de pensar em cada temporada de Aria como tendo um tema que unifica seus episódios. Falaremos de Natural e Origination no devido tempo, mas em Animation eu diria que esse tema é a própria Neo Venezia. Cada episódio nos revelando, de uma forma ou de outra, uma nova faceta da cidade.

Este artigo eu dividi em três seções, começando com uma que explora o episódio enquanto aquele que encerra a temporada, e que estratégias ele usa para passar uma sensação de conclusão. Disso nós então passamos a algumas palavras sobre a pequena Ai – a personagem com a qual começamos e encerramos essa temporada.

Na terceira seção, por fim, eu quero dar um passo para trás e refletir um pouco sobre a experiência que foi assistir Aria nesses últimos meses. Após o que encerramos, é claro, com a nossa costumeira seção de extras. Então sem mais delongas, vamos de uma vez ao episódio!

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Concluindo…


O sentimento de conclusão é, ao menos na minha opinião, o marco de um bom final. Mas enquanto eu digo isso, é também verdade que há diferentes formas de se evocar esse sentimento.

No grande esquema das coisas, Animation não bem avança no que poderíamos chamar de a trama central de Aria – isto é, a trajetória das três principais de aprendizes a prima. Ainda assim, eu diria que o episódio final do anime ainda consegue soar bastante conclusivo, e isso graças a uma série de artifícios alheios a essa trama..

O próprio fato do episódio se passar no ano novo é já um desses artifícios. É um ponto de inflexão cultural, externo à obra em si, mas que ainda evoca a ideia de um ciclo que se fecha.

Mas claro que mais importante é o retorno do elenco até aqui. Akatsuki e Woody. Grandma e a pequena Ai. Mesmo a gatinha Ami e a professora Akiko fazem uma ponta aqui, ainda que a segunda apenas na forma de flashback. Até o Al aparece, um personagem que até aqui só conhecíamos de um cameo no oitavo episódio.

Adicione a isso os comentários da Ai sobre cada personagem, cada qual uma referência ao episódio de cada um, e temos que esse episódio final soa muito como uma retrospectiva do que vimos até aqui – reforçando a ideia de que este é o ponto de chegada de tudo o que o anime construiu. Simples que seja, a técnica é efetiva..

E claro, todo esse ar de retrospectiva ajuda a dar peso à fala da Akari perto da virada: “Quando eu penso que este ano, que reluziu como um tesouro, irá logo acabar… Eu fico bem triste de vê-lo partir”. Uma fala que nos remete a tudo o que se passou.

É um final marcado pelo mono no aware, conceito que já discutimos em alguns dos episódios anteriores. Tudo um dia precisa ter fim – animes inclusos. Sabíamos que ele chegaria ao final desde que começamos o primeiro episódio, e o anime joga muito bem com isso. Claro, hoje temos outras duas temporadas para assistir ainda. Mas não quando esse episódio saiu.

Sim, a história das garotas segue em aberto – como, diga-se, é bastante comum em animes do tipo. Mas imagino que a maioria ainda saiu desse episódio bastante satisfeitos com o final.

Ainda que… por mais que eu diga que Animation não avança o que Aria tem de mais próximo de uma trama central, isso não significa que não temos aqui um arco que se fecha. Ele só não é o arco das três principais. Ponto em caso: falemos um pouquinho da pequena Ai…

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Aino Ai


Toda história é a história de uma mudança. De um incidente inicial que altera o status quo, levando ai a uma busca ou de aceitação do novo normal, ou de um retorno à antiga ordem. Essa é, afinal, a estrutura básica do monomito.

No mangá de Aria, esse incidente inicial é a chegada da Akari a Neo Venezia, seguindo seu sonho de se tornar uma undine. Dai adiante a história segue bastante linear, acompanhando a personagem ano a ano. O anime, porém, é um pouco diferente. E ainda que ele mostre a Akari chegando em Aqua, a história de imediato pula vários meses a frente.

Quando a música de abertura do primeiro episódio termina, Akari já é parte do status quo, alguém que já se estabeleceu em Neo Venezia. Por conta disso, eu diria que o incidente inicial do anime é outro: a chega da Ai. Essa garota que é, ao menos no primeiro episódio, a efetiva antítese da nossa protagonista.

Ai já chega a Neo Venezia com uma má impressão, e seu tempo na cidade não a fez mudar de ideia – até, claro, seu passeio na gôndola da Akari. Ao final, acho que a garota deixa a cidade com uma boa imagem de Neo Venezia, mas uma ainda melhor da própria Akari.

Dai pra frente todo episódio termina com uma troca de e-mails entre as duas, e para além de resumir o tema do episódio essas trocas também servem para mostrar como as palavras da Akari vão afetando a Ai. A segunda até começa a falar um pouco como a primeira, algo que já notei no segundo episódio. Do que chegamos então a este.

O retorno da Ai a Neo Venezia fecha a sua história – pelo menos até este ponto. E cena alguma no episódio reflete isso melhor do que aquela do retorno da Ami. Como a própria Ai diz: este momento é quando Aqua lhe dá as boas vindas. Quando essa garota que começou odiando Neo Venezia é agora aceita pela cidade.

Tem uma outra cena muito boa nesse episódio, que vem logo após o badalar da meia-noite. Com todos jogando seus chapéus para o alto, temos esse breve instante em que o chapéu da Akari e o laço da Ai se cruzam no ar. E acho que aqui o anime deixa bem claras as suas intenções.

Ai é a próxima geração a se apaixonar por Neo Venezia. Assim como a Akari antes dela e mesmo como a Akiko antes de qualquer uma das duas sequer nascer. Alguém que veio para Aqua de Man Home, e que encontrou aqui um mundo lento e inconveniente – e, justamente por isso, tão maravilhoso.

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Buon Anno…?


Pra ser franco, esse texto bem poderia ter acabado no parágrafo anterior, e teria sido um final bem mais animador do que o que vem pela frente. Ainda assim, cá estamos, então me permitam algumas palavras sobre como foi assistir Aria em pleno 2020.

Agora, eu quis começar essa série de artigos em grande parte porque 2020 marca os 15 anos da primeira exibição de Animation. Havia até um filme planejado para o ano, Aria the Crespuculo, mas que teve de ser adiado por conta da… bom, eu preciso mesmo dizer o motivo? Acho que mesmo quem ler esse texto anos no futuro ainda saberá a que me refiro…

2020 não foi um bom ano. Em fato, eu bem poderia o colocar como um dos piores em toda a minha vida, e tenho certeza que não sou o único a dizer isso. O que, pra ser franco, fez de Aria uma experiência um tanto quanto agridoce.

Sim, foi bom ter em Neo Venezia um escape. A visão de um mundo idílico no qual você pode imergir e só… relaxar. Mas quando o episódio termina e você volta à realidade, onde o mundo parece estar a beira do total colapso, é difícil não ser um tanto quando cínico para com o anime. Quem me dera poder fazer como a Akari, e chamar o ano que passou de “tesouro”. Mas não posso.

Não me entendam mal, muitas das mensagens do anime ainda são perfeitamente válidas, e mesmo necessárias. Sobre apreciar as pequenas coisas, dar o melhor de si mesmo e tentar ver cada dia como uma oportunidade para ser feliz. Ao mesmo tempo, eu sinto que elas são mais difíceis do que nunca de se pôr em prática. O que… é um pouco triste, não vou mentir.

E por mais que eu gostaria de acreditar nas palavras da Alicia, sobre como somos nós que escolhemos as cores com as quais pintar o ano que se inicia… Olha, é difícil. E enquanto eu adoraria que 2021 me provasse errado, não vou também apostar nisso.

Isso dito, acho apenas correto encerrar com as palavras finais da Akari. E, independente do que o futuro trouxer, ficam ao menos os votos de tempos melhores:

“Àqueles que fizeram este mundo maravilhoso…

Àqueles que vivem, como eu, neste mundo maravilhoso…

Ao próprio maravilhoso planeta Aqua…

E à todos aqueles que eu ainda irei encontrar…

Eu digo, com o coração cheio de agardecimento:

Auguri, buon anno.

Que seu novo ano seja repleto de felicidade”

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Extras


E para encerrar de vez o artigo, temos aqui a nossa típica seção de extras, onde vai tudo o que não coube no texto corrido. Espero que tenham gostado da série até aqui, e desses artigos também. No mais: vejo a todos em Natural!

○ Akari comenta sobre como, em Man Home, o natal era a época de se passar com os amigos, enquanto que o ano novo se passa com a família. É uma passagem que bem denota as origens japonesas da história, posto que para eles é mesmo esse o caso.

○ Ok, sobre o Al… Animation meio que pulou o que seria o seu capítulo introdutório no mangá, então o personagem meio que só brota aqui (quase que) do nada. Mas acho que a Ai faz um bom trabalho de explicar quem ele é, ainda que nuances do personagem devem passar reto por aqueles que não o já conheçam.

○ As imagens estáticas que temos após a contagem de ano novo são ótimas pra você ficar procurando pequenos easter eggs. Numa delas, temos três personagens bem curiosos sentados à mesa: o carteiro, um velhinho que é o chefe do Al (e que você só teria como conhecer do mangá) e um homem que viria a ter um papel menor já no começo de Natural.

○ Pra quem ficou curioso, as imagens estáticas mostram três diferentes instâncias do Maa mordendo a barriga do Aria. Como eu sei que são três instâncias diferentes? Bom, em cada uma delas o Aria tem um petisco diferente nas mãos.

○ Acho legal como finalmente conhecemos a irmã da Ai, e eis que temos mais uma personagem com nome começando em “A”: a pequenina Aqua.

○ Ao mesmo tempo, também acho muito legal como terminamos o episódio com a Alicia deixando claro que vê a Akari como parte da sua família. É um momento bem bonitinho.

○ Originalmente eu planejava lançar esse texto no ano novo, por motivos óbvios. Infelizmente eu fui ficando mais e mais para trás no cronograma, e nisso cá estamos nós, já no final de Janeiro. Mas ei: antes tarde do que nunca, não é mesmo?

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2 comentários sobre ““Auguri, buon anno” // Aria the Animation, episódio 13

  1. Finalmente o texto final sobre Animation, fechando com chave de ouro esta incrível primeira temporada!

    Gostei bastante de como você abordou o sentimento de “conclusão” que este episódio transmite, apesar de todos os personagens do anime ainda terem muito o que evoluir. Acaba que quem se encaixa melhor nisso é a Ai, com um desenvolvimento muito bacana, desde o primeiro episódio (algo exclusivo do anime), com ela se tornando realmente parte de Neo Venezia, mesmo que ainda não more lá.

    Bom, eu assisti a este episódio na véspera do ano de 2021 e consegui me conectar muito à sua atmosfera, apesar de estarmos vivendo numa situação onde não podemos realmente nos reunir com todos, e por mais que o futuro ainda seja muito incerto e nossa realidade não seja tão florida quanto a de Aqua. Talvez eu diria que consegui me conectar no sentimento de que o ano estava se acabando, consegui passar por este ano turbulento e meus mais sinceros desejos se conectaram ao de Akari, desejando que o próximo ano seja um “bom ano”, carregando essa esperança!

    Já sobre os extras, diria que o “homem que viria a ter um papel menor já no começo de Natural”, aqui, estava um pouco diferente e não consegui reconhecê-lo de cara, estando com cabelo e bigode em cores diferentes.

    Curtido por 2 pessoas

  2. Estou muito feliz por você ter falado desse grande anime. Vou ler seus textos quando eu assistir a esse anime de novo.

    Espero que você repita este trabalho para as outras temporadas e OVAs

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