Vinland Saga, episódio 6 – “Bom trabalho, Thorfinn”


Crescendo em meio à morte


Esse sexto episódio de Vinland Saga vem muito como um episódio de transição, algo bastante necessário dada a liberdade que o estúdio WIT tomou para com o material original.

Como já mencionei em outra ocasião, no mangá nós já começamos com um Thorfinn adolescente, para então termos um flashback que cobre essencialmente tudo que vimos nesses primeiros seis episódios do anime. Bom, ou melhor, quase tudo. Tanto o episódio anterior quando este aqui tiveram um bom tanto de conteúdo original, adicionado para fazer essa transição da infância à adolescência do Thorfinn fluir de forma um pouco mais natural, narrativamente falando.

No episódio passado nós vimos como o Thorfinn entrou para o bando do Askeladd. Neste aqui, vemos como foi para ele crescer em meio a esse bando. Começamos o episódio em 1002 e terminamos em 1008, e podemos ver como o Thorfinn do começo é bem diferente daquele do final. Mas vamos por partes.

Eu acho que a cena que abre esse episódio é muito boa como um prenúncio do que virá pela frente.

Nós abrimos o episódio com o grupo do Askeladd em alto mar, aproveitando da chuva para se lavarem. Um dos homens diz ao Thorfinn para que se aproxime, mas o garoto apenas ignora, preferindo se manter isolado. Uma atitude que, veremos, ele mantém durante todo o episódio.

Quando os barcos atracam e o bando salta para a terra, Thorfinn os segue, mas a uma distância. Quando param para comer, Thorfinn prefere ficar no seu canto, sozinho, comendo uma noz. Mesmo mais velho esse comportamento se mantém. E quando da cena na qual temos o bando olhando para a floresta abaixo, coberta pela neve, eis que o Thorfinn está ao fundo, de costas para os demais.

Não é preciso muito para entender o que se passa aqui. Para o garoto, essas pessoas são seus inimigos. São aqueles que mataram o seu pai. A última coisa que ele poderia querer é ser “um deles”. Então ele se mantém afastado. Isolado. A ironia, porém, é que por mais que ele se mantenha distante, ele ainda segue por perto. E crescendo nesse ambiente, era só uma questão de tempo até se tornar justamente o que não queria.

Voltarei a esse ponto em breve. Antes, retornemos àquela cena inicial. Porque quando o Thorfinn se recusa a se juntar aos demais, os homens no bando apenas riem. Bom, com exceção de um: Askeladd.

A princípio, sua expressão é pensativa. E logo depois se transmuta em seu sorriso arrogante característico. Me parece mesmo um reconhecimento da persistência do Thorfinn. E talvez, lá no fundo, ele se pergunte por quanto tempo essa postura irá durar. Por quanto tempo esse garoto vai conseguir se manter “puro” antes de ou sucumbir, ou se tornar como eles.

Bem poderíamos nos perguntar o porque do Askeladd ter convidado o Thorfinn ao seu bando. Para seus homens, o garoto é quando muito uma diversão, pelo menos nesse momento. Mas imagino que para o Askeladd há algo mais ai. Não compaixão, que fique bem claro. E também não imagino que seja culpa pelo que fez ao Thors. Nada disso parece muito característico do personagem.

O potencial que o Thorfinn demonstrou no episódio passado certamente chamou sua atenção, e foi provavelmente o fator decisivo que o fez decidir manter o garoto por perto. Mas não acho que seja só isso. Só que eu falo isso muito como leitor do mangá, então é melhor não me estender nesse ponto. Em tempo devido voltaremos a esse assunto.

Continuando o episódio, após uma breve contextualização do cenário feita pelo narrador (que não ouvíamos desde o segundo episódio, vejam só), temos que os barcos atracam no que restou de um campo de batalha. Corpos para todos os lados. O cheiro insuportável.

É importante vermos como o Thorfinn reage a tudo isso. Ele já teve um primeiro choque com a brutalidade daquele mundo quando pode observar o bando do Askeladd saqueando um vilarejo no episódio anterior. Agora, porém, ele pode ver ainda outra faceta dessa brutalidade: a da efetiva guerra. Uma bem diferente daquelas de quando ele brincava com as demais crianças, na Islândia.

Naquela noite, o exército inglês tenta uma emboscada contra os recém chegados. Logicamente, o bando do Askeladd revida. Thorfinn é deixado para cuidar de si mesmo, mas curioso que não completamente. Quando o garoto estava prestes a ser morto, Askeladd atravessa o soldado agressor com a espada.

Ele chega a dizer ao Thorfinn que não sabia que o garoto ainda estava vivo, mas eu muito duvido da honestidade dessa fala. Apesar do seu modo de agir, Askeladd não parece ter a intenção de simplesmente deixar o Thorfinn morrer. Talvez porque ele ainda pode ser útil. Talvez porque, contente com isso ou não, ele agora é um “dos seus”. Ou talvez algum outro motivo. Seja como for, Askeladd provavelmente não iria se arriscar pelo Thorfinn, mas também não irá abandoná-lo por completo.

Ainda nessa luta, Thorfinn tem seu primeiro “feito” em combate. Em outras palavras: sua primeira morte. E ele parece sentir todo o peso do ato. É um momento bastante simbólico, um no qual ele termina por completamente se afastar dos ensinamentos de seu pai.

Faz sentido, portanto, que cortemos disso para uma montagem do Thorfinn em batalha ao longo dos anos. A primeira morte foi a mais difícil. As demais são apenas parte do serviço. Nesse ponto, bem pouco resta daquele garotinho dos primeiros episódios.

Quando, mais adiante no episódio, a senhora inglesa comenta com a filha que não era normal uma criança ser um pirata, ela estava certa. A circunstância do Thorfinn não é normal, mesmo para aquele mundo. Mas isso não faz dele menos perigoso. Quando a sua vida se define pela máxima “matar ou morrer” é difícil se manter puro.

Acho que esse é o ponto de toda essa segunda metade do episódio.

A senhora diz para a filha que mulheres e crianças não precisam se meter nos conflitos entre os homens. Seria ótimo se fosse assim tão fácil. Mesmo que você não procure a guerra, esta ainda pode muito bem vir até você. Num mundo do tipo, inocentes são as maiores vítimas.

Thorfinn reconhece a gentileza da senhora. Mesmo não entendendo o que ela diz. E tenta retribuir o melhor que pode: dizendo para que ela fuja. Porque o seu trabalho ele ainda irá cumprir. Ateia fogo a uma construção, o sinal para o grupo do Askeladd. Este logo desembarca, e cumprimenta o garoto pelo trabalho bem feito.

A vila será pilhada. A senhora, ainda incrédula, chora, talvez mais pelo Thorfinn do que por si mesma. Talvez porque sente que perdeu seu filho ainda pela segunda vez.

Thorfinn tentou. Ele queria se manter distante. Afastado. Isolado. Mas ele não pode se dar esse luxo. Goste ou não, ele agora é um deles. Um membro do bando do Askeladd.

Como eu disse na minha resenha do episódio 4, Thorfinn terá de começar por baixo. No momento, ele não poderia estar mais diante dos ensinamentos do seu pai. E ainda irá demorar até que ele perceba o quão longe se deixou cair pela sua sede de vingança. Essa conversa, porém, fica para o futuro.

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