Uma Breve Análise – Centaur no Nayami: Ditadura do Politicamente Correto?

Centaur no Nayami

Centaur no Nayami tem um dos melhores exemplos de um bom worldbilding que eu vi em tempos recentes. O anime de 2017 é uma adaptação do mangá homônimo de Kei Mirayama, que se passa numa realidade alternativa onde a evolução deu origem a vertebrados de seis membros, resultando num presente no qual convivem quatro grupos de seres humanos (centauros, sátiros, anjos/demônios e sereias) mais outras espécies humanoides inteligentes (como o povo serpente da antártica e o povo anfíbio da floresta).

Na trama, acompanhamos inicialmente um grupo de três garotas: a centauro Himeno, a sátiro Kyouko e a demônimo Nozomi. A partir do episódio 5, a antarticana Quetzalcoatl é introduzida ao grupo principal, e em diversos episódios também acompanhamos o dia a dia da anja presidenta do conselho estudantil, Manami. É um elenco de personagens até que grande para uma obra de apenas 12 episódios, e mesmo assim o anime ainda sente a necessidade de incluir algumas esquetes com outros personagens em outras regiões daquele mundo.

Fica claro que a preocupação maior da obra é com o seu universo, e com como ele realmente seria se as pessoas fossem tão drasticamente diferentes umas das outras ao ponto que a série propõe. Dentro disso, o anime desenvolve diversos comentários sobre o preconceito e a discriminação, sendo um deles aquele que eu quero focar nessa análise: em um mundo com um longo histórico de opressão, é possível que tentativas de compensação por esse passado possam passar um pouco da conta?

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Uma Breve Análise – Gamers: Como Criar Desentendimentos.

Gamers // Análise 16/10/2017 1
Nenhum clichê é ruim se você souber como utilizá-lo.

Dentre os tropes que mais me irritam na ficção, “constantes desentendimentos que poderiam ser resolvidos com uma simples conversa” é um que está bem próximo do topo da minha lista. Não diria que é que mais me irrita (acho que personagens femininas arquetípicas ainda tomam o primeiro lugar), mas definitivamente é um trope do qual eu prefiro distância. O que torna bastante surpreendente o fato de eu ter adorado um anime que se baseia exatamente nisso.

Anime de 2017 do estúdio Pine Jam, adaptando a light novel homônima escrita por Sekina Aoi e ilustrada por Saboten, a trama de Gamers! começa quando a idol do colégio, Tendou Karen, tenta convidar o introvertido Amano Keita para o clube de videogames da escola. O que começa de forma bastante inocente – mesmo um pouco genérica – logo, porém, espirala em uma constante de hilários desentendimentos amorosos envolvendo o quinteto principal da história.

Falando assim não parece grande coisa, e mesmo os primeiros episódios do anime não são exatamente uma obra prima, mas o saldo final dessa obra ainda é um bastante positivo, não apesar dos constantes mal entendidos, mas inclusive por conta deles e da forma como o anime os utiliza. Quem ainda não o assistiu eu definitivamente recomendo que ao menos dê a ele o teste dos três episódios, mas se quiser decidir após ler a análise fique a vontade: desta vez não há spoilers aqui.

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