Vamos falar de traps (o termo…)

Baka to Test // Ensaio 31/03/2017 // 1
Kinoshita Hideyoshi

Trap. Palavra da língua inglesa que literalmente se traduz por “armadilha”, no meio otaku ela é normalmente usada para descrever um personagem que, embora de aparência feminina ou andrógena, acaba por se revelar, no decurso da história, como masculino. Isso, claro, sendo apenas uma apropriação do termo, muito usado na internet como reação a fotos de transexuais ou crossdressers, uso esse sintetizado em memes como “it’s a trap“. O espírito aqui sendo óbvio: a pessoa crê estar olhando para uma figura feminina, apenas para depois descobrir que não se trata de uma mulher “de verdade”.

Justamente por conta desse significado, o termo já foi bastante criticado como sendo transfóbico, e isso baseado em sobretudo dois argumentos: primeiro, o de que o termo faz parecer que mulheres trans estariam tentando “enganar” os outros, ao invés de estarem apenas sendo elas mesmas; e segundo, o de que ao criar uma divisão entre as mulheres trans e as mulheres “de verdade”, o termo acaba por lhes negar parte de sua identidade. Mantenham isso em mente pois será relevante depois, mas por agora fica então a pergunta: e quanto ao meio otaku?

Que o termo é no mínimo “politicamente incorreto” se aplicado a pessoas reais é uma espécie de regra não dita já bastante consolidada. Por conta disso, vez ou outra surge no meio otaku o debate de se é ou não certo seguir usando do termo mesmo que para personagens fictícios. Afinal, se ele é assim tão ofensivo, não seria melhor abandoná-lo, talvez trocando por algum outro menos problemático? Até porque, não é como se perdêssemos qualquer coisa ao fazê-lo, não é? Bom… É complicado. Ou, pelo menos, mais complicado do que poderia parecer a princípio.

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