Uma Rápida Review – Junkers Come Here

Junkers Come Here é um filme que, chuto eu, a maioria de vocês lendo esta review provavelmente nunca ouviu falar. E após tê-lo terminado, eu posso complementar essa primeira afirmação com uma outra: o que é uma pena. Uma história de premissa fantasiosa – uma garota e seu cão falante, que se declara capaz de realizar três “milagres” – sendo usada para tratar de um tema que não realmente se vê com tanta frequência assim nos animes: uma criança que precisa lidar com o iminente divórcio de seus pais.

Vamos começar com o que o filme tem de melhor. Seu cenário é um que já vimos à exaustão, mesmo em mídias ocidentais. Pais de classe alta que, imersos como estão em suas carreiras, acabam inadvertidamente negligenciando sua filha – e também um ao outro. Mas o que Junkers Come Here faz de interessante é adicionar um pouco de nuance a toda essa questão. A começar pelos pais, que ocupados como são nunca chegam a ser de fato negligentes, e podemos ver que eles se esforçam para estarem presentes na vida da filha, ainda que infelizmente falhando mais vezes do que provavelmente gostariam.

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[Vídeo] Indicação – Futatsu no Spica

Vídeo da quinzena :D Agora uma singela indicação do excelente Futatsu no Spica: um anime que (quase) ninguém viu e que justamente por isso merecem mais atenção. Uma dessas pérolas que se perderam nas areias do tempo, ao ponto de hoje ser até difícil de encontrar legendado (alta qualidade então, nem pensar). Ainda assim, é um anime que vale muito a pena conhecer. E claro, caso já o conheça, não deixe de dar uma lida na review dele aqui no blog.

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Uma Breve Análise – Aria: Cenário Desgastado

Aria

No distante futuro, a humanidade finalmente veio a colonizar Marte, terraformando-o em um planeta azul similar à Terra. Rebatizando-o como Aqua, aqui se localiza a cidade de Neo Venezia, construída como uma réplica daquela que um dia existiu no planeta natal da humanidade. E é nessa cidade que encontramos as undine: gondoleiras que servem de guias turísticas para os visitantes da cidade.

Tal é a ambientação da série Aria, adaptação em anime do mangá homônimo de Kozue Amano. Ao longo das suas três temporadas, acompanhamos a jornada de três undine aprendizes: Akari, Aika e Alice, cada qual pertencendo a uma das três companhias de gondoleira presentes na cidade. E quem quiser mais informações, eu recomendo a minha review da série aqui no blog, ou então a minha análise dela lá no canal.

Nessa análise, eu quero falar um pouco sobre o cenário do anime. “Cenário” mesmo: os planos de fundo. Ou, mais especificamente, os prédios de Neo Venezia, que constantemente vemos ao fundo. Isso porque teve uma coisa neles que me chamou a atenção: quase sempre, são prédios desgastados. Ligeiramente sujos, com algumas rachaduras, um pouco do revestimento caído, e por ai vai.

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Uma Rápida Review – Kimi no Na Wa

Review originalmente postada na página do blog no Facebook, em 18/12/2016

[Nota: há também no blog uma review mais aprofundada do filme]


Eu devo dizer que nunca fui muito fã de histórias de “troca de corpos”. Eu não posso dizer que é um conceito já gasto, porque não posso sair listando filmes, séries e animes que já o usaram. Mas não é um conceito que eu goste, por um motivo bem simples: ele abre ENORME margem para piadas de estilo “vergonha alheia”, nas quais um personagem tenta agir como o outro, para disfarçar a situação, e acaba passando vergonha.

Em adição, eu não sou exatamente nenhum grande fã do Makoto Shinkai. O cara certamente faz milagre em termos de traço e animação, e mesmo seus filmes de mais baixo orçamento ainda parecem pelo menos bonitos. E eu realmente gosto da atenção que ele dá à trilha sonora. Mas fora isso a maioria de seus filmes sempre me pareceu algo entre “meh” e “ok”.

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Review – Futatsu no Spica (Anime)

Twin Spica

Chega a ser trágico como, com o passar dos anos, muitas boas obras vão caindo no esquecimento. Claro, muitas outras seguem sendo lembradas com bastante carinho por muitos – temos animes dos anos 1970 e para trás que seguem sendo apontados como grandes clássicos dessa mídia -, mas sempre haverá um ou outro que acaba se perdendo nas areias do tempo. Futatsu no Spica é um destes títulos: mesmo no exterior são poucos aqueles que se dedicaram a falar dessa obra, e os que fizeram tenderam muito mais a falar do mangá. O que tem lá algum sentido, é verdade. Escrito por Kou Yaginuma, ele foi publicado na revista seinen mensal Comic Flapper entre 2001 e 2009, resultando em um total de 16 volumes. Em contraste, o anime foi uma produção do estúdio Group TAC, com direção de Tomomi Mochizuki e roteiro de Rika Nakase, com uma duração de 20 episódios entre 2003 e 2004. Dos 89 capítulos do mangá, o anime adapta menos de 30, o que talvez explique porque os poucos que decidem falar dessa série o fazem comentando sobre o mangá.

Em termos de uma sinopse, nossa história em fato começa cinco anos antes, quando o foguete japonês Shishigo explode no ar após ser lançado, com seus restos caindo sobre a cidade de Yuigahama. No local do acidente estava a mãe de Kamogawa Asumi, a menina ainda apenas um bebê. Tendo a maior parte do corpo queimada, sua mãe entra em um como profundo, vindo a falecer cinco anos depois, sem nunca acordar. Após a cremação do corpo, Asumi decide levar as cinzas de sua mãe até um templo próximo, onde ela então encontra o auto-proclamado fantasma Lion. Logo descobriremos que ele é de fato um fantasma, o espirito de um dos astronautas que estava no foguete quando ele caiu na cidade. Lion e Asumi acabam formando uma singela amizade, e a garota declara que um dia ela se irá se tornar uma “motorista de foguete”, mas eu paro essa sinopse por aqui e deixo então o aviso de sempre: spoilers adiante. É um anime que eu altamente recomendo, um drama bem construído com personagens carismáticos, então se você não o assistiu ainda fica aqui a minha indicação.

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Uma Breve Análise – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: Filler Feito Certo

Quando fillers são uma inevitabilidade, como fazê-los?

Desde bem cedo na história da indústria do anime a relação deste com os mangás foi bastante estreita. E desde bem cedo, animes que tentaram adaptar mangás em andamento se depararam com um problema crucial: como cabe muito mais conteúdo em um episódio de anime do que cabe em um capítulo de mangá, é sempre apenas uma questão de tempo até que o primeiro alcance o segundo e fique sem o que adaptar. Como, então, proceder?

Ao longo da história foram pensadas diferentes soluções, e hoje a mais usual é a de se adaptar apenas uma parte do mangá, deixando um final inconclusivo e retomando a adaptação quando houver conteúdo suficiente no material original – isso se a primeira adaptação render bem, é lógico. No passado, porém, a ideia de simplesmente parar a transmissão do anime não era realmente muito agradável, o que levou outra solução para o problema: fillers.

O termo vem do inglês e significa “preencher”, referindo-se a conteúdo do anime (de pequenas cenas até arcos inteiros) que não está no material original, colocado ali com o objetivo de se ganhar tempo enquanto o mangá seguia em publicação. Uma prática, hoje, universalmente criticada, e não sem motivo. Fillers raramente eram tão bons quanto o material original, mas podemos dizer que isso nem era o maior problema.

Narrativamente, fillers eram quase sempre inúteis. Eles não podiam avançar muito a história, os personagens ou os seus objetivos, do contrário seria impossível retomar a adaptação de onde ela havia parado. Dessa forma, quase sempre era possível excluir os fillers de uma obra qualquer e absolutamente nada de valor seria perdido. Mas eis então que temos Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, um anime que mostra que esse não precisa ser sempre o caso.

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Review – Aria (Anime)

Aria

Existem obras que são difíceis de se comentar, ou mais precisamente, que são difíceis de colocar em palavras a sua opinião sobre elas. Não tanto por uma falta de vocabulário, ou mesmo por uma falta de argumentos, mas mais porque às vezes parece que palavras simplesmente não fazem jus ao que você quer expressar – e acho que qualquer um que já tentou explicar a sua obra favorita para alguém vai se identificar com essa minha fala. Aria não chega a ser o meu anime favorito, mas eu o encaixaria confortavelmente no meu top 3. Na minha retrospectiva de 2017 eu disse que as três temporadas de Aria foram os únicos animes que eu vi naquele ano para os quais eu dei uma nota 10, e francamente falando se eu pudesse dar um 11 eu certamente o faria. Isso não é bem um argumento, eu estou só sendo um pouco hiperbólico para dizer o quanto eu amei essa obra, mas esse é um daqueles casos nos quais ser exagerado pode ser uma coisa boa. Talvez não diga muito sobre a qualidade da série em si, mas certamente diz bastante sobre o tipo de impacto que ela pode deixar. É o tipo de obra que eu recomendaria para qualquer um, valendo a pena conferir pelo menos o primeiro episódio, independente de qual seja o seu gosto.

Dando um pouco mais de contexto, a série é um slice of life com elementos de ficção científica e de fantasia, ambientada num planeta Marte terraformado e rebatizado como Aqua. Aqui temos a cidade de Neo Venezia, uma singela cópia da cidade que um dia existiu em Man-home, a nossa Terra, e onde gondoleiras chamadas “undine” conduzem os turistas pelas águas. Mizunashi Akari é uma aprendiz de undine, a única da companhia Aria, que tem como única outra empregada a undine profissional Alicia: uma das três maiores undines de Neo Venezia. Junto de Akari temos também Aika e Alice, ambas aprendizes de outras companhias, que levam seu dia a dia treinando para o dia em que se tornarão Prima Undine: gondoleiras profissionais. A obra começou como um mangá publicado por Kozue Amano, inicialmente intitulado Aqua e depois rebatizado como Aria. Em 2005, o estúdio Hal Film Maker lança a primeira adaptação da obra, Aria the Animation, que seria seguida no ano seguinte por Aria the Natural. A última das três temporadas vem em 2008, Aria the Origination, todas com direção de Jun’ichi Sato. E como sempre: spoilers a partir daqui.

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Review – Kimi no Na Wa (Anime)

Kimi no Na Wa
Kimi no Na Wa

Tendo assistido toda a obra do Makoto Shinkai lançada até a data desta review, eu devo dizer que, embora eu goste bastante de seus curtas, seus filmes nunca “clicaram” para mim. Não que os ache ruins, nem de longe. Muito pelo contrário: são todos bons. Mas também apenas isso: bons, nunca excelentes ou excepcionais. Certamente a presentação visual é incrível, mas isso sempre me pareceu o que mais se destaca em seus filmes. E como alguém que, por mais maravilhado que fique com a beleza dos cenários, espera mais do que isso de um filme, as histórias desse diretor nunca realmente ressoaram comigo. Então eu sinceramente não esperava grandes coisas de seu mais recente filme, Kimi no Na Wa (mais conhecido pelo seu título ocidental, Your Name), produção de 2016 do estúdio CoMix Wave Films. Mesmo com – e admitidamente talvez até por conta de – todo o hype que cercou o filme.

A sinopse também não ajuda, ao menos não para mim. Mitsuha, que mora em uma cidade pequena no interior do Japão, e Taki, que mora no grande centro urbano que é Tokyo, inexplicavelmente começam a trocar de corpos. Inicialmente, isso lhes parece apenas um sonho, sobretudo quando no dia seguinte eles estão de volta a seus corpos normais. Logo, porém, fica claro que aquilo foi bastante real, e agora eles precisarão lidar com esse misterioso evento, dado que ambos seguem trocando de corpos de forma aparentemente aleatória. Não é exatamente uma premissa que eu goste, e eu vou explicar porque depois. Mas antes de mais nada, preciso dizer o seguinte: apesar de tudo isso, esse filme me surpreendeu. Ele é, de fato, excelente, e o hype que o cerca é, arrisco dizer, merecido. Mas para explicar porque, eu terei de entrar em spoilers, então fica aqui o aviso.

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Uma Breve Análise – Fate/Zero: Uma Tragédia

Fate Zero // Análise 11/09/2016 1
Fate/Zero

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Antes de mais nada, eu preciso deixar avisado que o texto a seguir irá conter spoilers do final do anime Fate/Zero. Se você não viu o anime ainda e não quer saber como a história acaba, sugiro parar a leitura aqui. Embora… Esse é um anime que você talvez devesse saber o final de antemão.

Ao final de Fate/Zero, Emiya Kiritsugu finalmente alcança ao Santo Graal, o objetivo final do conflito envolvendo os sete magos e seus servos. Porém, em uma virada na história, descobre-se que o Graal está corrompido. Como consequência, Kiritsugu ordena à sua serva, Saber, que destrua o Graal. Após isso, porém, o que parece ser um imenso portal se abre nos céus, e desde desce uma substância que começa a devastar a cidade abaixo, matando sabe-se lá quantas pessoas.

Dizer que este é um final trágico talvez soe como óbvio, a princípio, mas a verdade não é assim tão simples. Bom, pelo menos a depender do que você entende por “trágico”.

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[Vídeo] Uma Breve Análise – Baccano

Segundo vídeo do canal, desta vez adaptando o texto da análise de Baccano, lançado aqui no Blog como o primeiro artigo do quadro “Uma Breve Análise”. Confiram o vídeo, deem a sua opinião, e se inscrevam no canal se ainda não o fizeram o/