Review – Tsuki ga Kirei (Anime)

Tsuki ga Kirei // Review 21/07/2017 // 1
Tsuki ga Kirei

Romance é um gênero que não costuma me despertar a atenção, em boa parte devido aos clichês sempre presentes. Francamente, histórias românticas tendem a ser bastante formulísticas, além de ridiculamente previsíveis. O casal principal se conhece – ou se reencontra, caso já fossem conhecidos -, se apaixonam sem nunca admitir um ao outro, algum tipo de desentendimento faz eles se afastarem, talvez apareça algum triângulo ou mesmo quadrilátero amoroso ai, e a história vai enrolar até o último minuto para encerrar quando os dois trocarem o primeiro beijo. Obviamente nem todas as obras do gênero irão seguir essa fórmula, mas a questão é que simplesmente me falta vontade de separar o joio do trigo. Não vejo porque assistir dezenas de histórias clichês na (talvez vã) esperança de encontrar algo diferente. Sobretudo porque, vale apontar, quando aparece algo diferente as pessoas normalmente comentam: e foi assim que eu conheci a maioria dos romances que efetivamente assisti.

Tsuki ga Kirei foi um caso do tipo. Anime original do estúdio Feel, com direção de Seiji Kishi e roteiro de Yuuko Kakihara, a obra foi bastante comentada justamente por fugir de diversos clichês do gênero. Sua história narra o romance que desabrocha entre Azumi Kotaro e Mizuno Akane, dois adolescentes introvertidos que estão às portas de entrarem no ensino médio. Se conhecendo em seu último ano de ensino fundamental, eles se apaixonam, se relacionam, e lentamente vão se abrindo cada vez mais um para o outro, resultando em um romance maduro, realista e bem trabalhado, além de absolutamente fofinho [rsrs]. Ideal para quem procura algo no gênero que saia um pouco daquelas convenções já tão abusadas, esse é um anime que eu definitivamente recomendo, sendo provavelmente uma das mais positivas surpresas que 2017 nos trouxe. Dito isso, spoilers a partir daqui, então siga por sua conta e risco.

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Review – Kimi no Na Wa (Anime)

Kimi no Na wa // Review 13/01/2017 1
Kimi no Na Wa

Tendo assistido toda a obra do Makoto Shinkai lançada até a data desta review, eu devo dizer que, embora eu goste bastante de seus curtas, seus filmes nunca “clicaram” para mim. Não que os ache ruins, nem de longe. Muito pelo contrário: são todos bons. Mas também apenas isso: bons, nunca excelentes ou excepcionais. Certamente a presentação visual é incrível, mas isso sempre me pareceu o que mais se destaca em seus filmes. E como alguém que, por mais maravilhado que fique com a beleza dos cenários, espera mais do que isso de um filme, as histórias desse diretor nunca realmente ressoaram comigo. Então eu sinceramente não esperava grandes coisas de seu mais recente filme, Kimi no Na Wa (mais conhecido pelo seu título ocidental, Your Name), produção de 2016 do estúdio CoMix Wave Films. Mesmo com – e admitidamente talvez até por conta de – todo o hype que cercou o filme.

A sinopse também não ajuda, ao menos não para mim. Mitsuha, que mora em uma cidade pequena no interior do Japão, e Taki, que mora no grande centro urbano que é Tokyo, inexplicavelmente começam a trocar de corpos. Inicialmente, isso lhes parece apenas um sonho, sobretudo quando no dia seguinte eles estão de volta a seus corpos normais. Logo, porém, fica claro que aquilo foi bastante real, e agora eles precisarão lidar com esse misterioso evento, dado que ambos seguem trocando de corpos de forma aparentemente aleatória. Não é exatamente uma premissa que eu goste, e eu vou explicar porque depois. Mas antes de mais nada, preciso dizer o seguinte: apesar de tudo isso, esse filme me surpreendeu. Ele é, de fato, excelente, e o hype que o cerca é, arrisco dizer, merecido. Mas para explicar porque, eu terei de entrar em spoilers, então fica aqui o aviso.

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[Vídeo] Uma Breve Indicação – Katanagatari

Mais recente vídeo do canal /o/ E se por acaso você já conhece o anime, não deixe de conferir também a review dele aqui no blog. Em adição, repito aqui o aviso no final do vídeo: na próxima semana, não haverá nem artigo na sexta (21/10), nem vídeo no sábado (22/10), pois estarei em viagem. Na semana seguinte já volta tudo ao normal, então até lá o/

[Vídeo] Uma Breve Análise – Kono Bijutsubu ni wa Mondai ga Aru

Já assistiu o novo vídeo lá do canal? Aqui, damos uma pequena olhada em como o anime Kono Bijutsubi ni wa Mondai ga Aru lida com a passagem do tempo de uma forma bastante orgânica. Se você viu o anime, de lá uma conferida e não deixe de curtir e compartilhar o vídeo e de se inscrever no canal o/

Review – Katanagatari (Anime)

Katanagatari // Review 08/04/2016 // 1
Katanagatari

Existe uma pequena “armadilha”, por assim dizer, na qual eventualmente caímos quando falamos de um anime, ou mangá, ou qualquer obra de tipo mais seriado. É uma armadilha que ocorre sobretudo quando duas características se combinam. Primeiro, a obra precisa ser bastante acima da média, quanto mais perto de ser uma “obra-prima” melhor. E segundo, ela precisa ser uma obra que começa relativamente “normal”, mas após algum evento ao longo desta a sua qualidade escalona até atingir esse ponto de “masterpiece“. A armadilha aqui é que ao falar dessa obra para outra pessoa, você, como alguém que a viu por completo, sabe a enorme qualidade que ela atinge ao longo dela. Mas a pessoa para a qual você está falando dela, não. Como tal, se você exagera demais a excelência da obra sem levar em consideração que os primeiros episódios são um bild up para o que vem depois, é possível que a pessoa para a qual você recomendou essa obra acabe se decepcionando com o começo dela. E eu faço toda essa pequena reflexão porque Katanagatari, adaptação de uma série de  light novels de mesmo nome, escritas por Nisio Isin, poderia facilmente cair nessa armadilha. Uma produção do estúdio White Fox, com direção de Keitaro Motonaga, o anime tem um começo bastante “comum”, mas é o seu final que o coloca como excepcional.

A série possui 12 episódios, cada qual com cerca de 50 minutos, que foram lançados entre janeiro e dezembro de 2010, um episódio por mês. A história começa quando Togame, uma estrategista a serviço do xogunato, chega à ilha onde vive Yasuri Shichika, que fora banido para lá junto de seu pai e sua irmã há 20 anos. Originalmente, Togame busca pelo pai de Shichika, mas quando este lhe informa que ele já havia falecido, Togame decide então pedir ajuda ao próprio Shichika. Acontece que ela está em busca de 12 espadas lendárias, forjadas por Shikizaki Kiki, cada qual portando habilidades especiais que poderiam repelir a todo um exército. Contudo, nessa busca ela já fora traída duas vezes, uma pelo mais forte espadachim do Japão, Sabi Hakuei, e outra pelo grupo ninja Maniwa. Como a traição de ambos foi que ao acharem uma espada decidiram ficar com ela, Togame decidiu buscar a ajuda de alguém que lutasse sem espadas, e como aquele que herdou o estilo de combate a mãos Kyoutoryuu, Shichika é a escolha ideal. Assim, o anime acompanha a jornada destes dois pelo Japão do período Edo, conforme buscam pelas espadas e enfrentam toda sorte de adversidades. É um ótimo anime, que vai ficando progressivamente mais profundo em seus temas a cada episódio, e definitivamente vale a pena assistir. Isso dito, para falar mais a respeito eu vou precisar entrar em spoilers, então fica aqui o aviso do que vem pela frente. Se não quiser revelações do roteiro (incluindo o final do anime), é melhor parar a leitura por aqui.

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Review – Summer Wars (Mangá)

Summer Wars // Review 16/07/2015 // 1
“Summer Wars”, volumes 1, 2 e 3. Editora JBC.

Em 2009 chegava aos cinemas japoneses o filme Summer Wars, do conhecido diretor Mamoru Hosoda, com animação feita pelo estúdio Madhouse. No filme, temos uma trama relativamente simples: Koiso Kenji, um garoto ensino médio com um talento anormal para matemática, é chamado por Shinohara Natsuki, sua veterana, para um “bico” de alguns dias, que aparentemente consistia em acompanhá-la em uma viagem ao interior. Animado com a ideia, ele aceita sem perguntar maiores detalhes, somente para depois descobrir que o verdadeiro objetivo de Natsuki era conseguir um namorado falso para apresentar à sua família no aniversário de 90 anos de sua bisavó. Mas ter de bancar o namorado será o menor dos problemas de Kenji. “Oz”, um mundo virtual que se tornou praticamente um sinônimo da internet, por meio do qual absolutamente tudo pode ser feito, de transações bancárias ao controle dos vários sistemas de uma cidade, desde o de transporte até o controle de emergências e a distribuição de água. Na sua primeira noite na casa dos parentes de Natsuki, Kenji recebe em seu celular uma sequência de mais de 2000 dígitos numéricos, com o título “resolva-me”. A decifrar o código e enviar sua resposta, Kenji tem sua conta em Oz roubada. Mas não apenas isso: o que ele acabara de decifrar era justamente o sistema de segurança de Oz, permitindo a alguém invadir e hackear o sistema. Agora, o mundo inteiro corre perigo enquanto o aparentemente inofensivo Oz se mostra a mais perigosa arma já desenvolvida.

Em um geral, o filme foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, tendo um enorme sucesso não apenas no Japão como também em diversos outros países. Mas… Não estou aqui para falar do filme, como podem imaginar. Apenas três meses após a exibição do filme, uma versão em mangá, de autoria de Iqura Sugimoto, começou a ser serializada na revista mensal seinen Young Ace. O nome da adaptação se manteve como Summer Wars e a trama é virtualmente idêntica à do filme, tendo resultado em um total de 3 volumes, que chegaram a ser publicados no Brasil pela editora JBC em 2011. Bom, nesse momento alguns devem estar se perguntando porque eu pretendo falar do mangá, ao invés de fazer uma resenha do filme, que é a obra original. O motivo disso é porque, bem, o mangá é simplesmente melhor. Sim, trata-se de um daqueles raríssimos casos onde temos uma adaptação que efetivamente consegue superar a obra original, ao menos na minha opinião. Para falar mais a respeito eu vou precisar começar a entrar em spoilers, então acho melhor ir parando por aqui. Tanto o filme como o mangá são obras excelentes e bastante divertidas, que definitivamente valem a pena serem vistos, então vá dar uma conferida se ainda não o fez. Isso dito, spoilers a partir daqui, prossiga por sua conta e risco (rs).

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