Review – Versailles no Bara (Anime)

Versailles no Bara

Existem obras que dispensam apresentações. E existem aquelas que são apenas difíceis de apresentar. Versailles no Bara, anime que adapta ao mangá homônimo de Riyoko Ikeda, bem poderia ser encaixado em ambas as categorias. Essa é uma daquelas histórias que o leitor muito provavelmente já chegou a ouvir algo a respeito, mas escrever uma sinopse que a faça jus pode ser surpreendentemente difícil.

Em grande parte, isso se deve à pura escala dessa obra. Sua trama começa quando da chegada de Maria Antonieta à França, sendo recepcionada pela então recém apontada comandante da guarda real Oscar François de Jarjayes, e se estende até aquele que é o grande marco de início da Revolução Francesa, a tomada da Bastilha em 1789. É uma janela de tempo de 19 anos que o anime cobre ao longo dos seus 40 episódios, e nisso assistimos desde as intrigas em Versalhes até o empobrecimento do povo francês, passando ainda por toda sorte de polígonos amorosos e uma boa quantia de ação.

Produção de 1979 do estúdio TMS Entertainment, dirigido inicialmente por Tadao Nagahama, mas com o posto logo passando para Osamu Dezaki, esta é uma história bastante eclética, que entrega de tudo um pouco. Felizmente, isso também a torna bem fácil de recomendar. Enquanto existe certo estigma com o termo “clássico”, que, ao mesmo tempo em que evoca uma aura quase que sacrossanta, também traz uma conotação de tedioso e ultrapassado, Versailles no Bara é o exemplo de um clássico que segue imensamente divertido de se assistir ainda hoje. Não sem defeitos, é verdade, mas bem poucas coisas o são.

Quem ainda não viu o anime, eu vou dizer que agora é uma hora tão boa quanto qualquer outra para começar. E claro, fica o aviso de sempre: spoilers a partir daqui (inclusive, aviso extra, do final da história).

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Review – Comic Girls (Anime)

Comic Girls

Foi em maio de 2014 que começou a seriação do mangá de Kaori Hanzawa Comic Girls, na revista seinen mensal Manga Time Kirara Max, da editora Honbunsha Quatro anos depois, em abril de 2018, o mangá recebe a sua adaptação em anime, uma produção em 12 episódios do estúdio Nexus, com direção de Yoshinobu Tokumoto.

Nossa história começa com Moeta “Kaos” Kaoruko, adolescente aspirante a mangaka que acaba de ter seu primeiro trabalho duramente criticado pelos leitores da revista na qual conseguira publicar. Sua editora, porém, vê potencial na menina, e decide então recomendar a ela que se mude para um dormitório feminino para jovens mangaka, na esperança de que o convívio com outras pessoas ajudará a Kaos a crescer como artista.

Da decisão dela de aceitar o convite somos então introduzidos às outras garotas do elenco principal: a também iniciante e também recém chegada ao dormitório Koizuka Koyume, aspirante a artista de mangá shoujo, e duas outras adolescentes que já possuem trabalhos seriados, Irokawa Ruki, autora de mangá erótico, e Katsuki Tsubasa, autora de um mangá shounen.

O que se segue daqui é o seu típico nichijoukei, uma leve e singela comédia conforme vamos acompanhando o dia a dia dessas quatro garotas, em busca de suas aspirações como mangaka. Ainda assim, Comic Girls possui alguns traços que o elevam ligeiramente acima de outros títulos no mesmo gênero, e é sobre estes traços que pretendo tratar nesta review. E como sempre, spoilers a frente: se você ainda não viu o anime, fica a minha recomendação.

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Review – Futatsu no Spica (Anime)

Twin Spica

Chega a ser trágico como, com o passar dos anos, muitas boas obras vão caindo no esquecimento. Claro, muitas outras seguem sendo lembradas com bastante carinho por muitos – temos animes dos anos 1970 e para trás que seguem sendo apontados como grandes clássicos dessa mídia -, mas sempre haverá um ou outro que acaba se perdendo nas areias do tempo. Futatsu no Spica é um destes títulos: mesmo no exterior são poucos aqueles que se dedicaram a falar dessa obra, e os que fizeram tenderam muito mais a falar do mangá. O que tem lá algum sentido, é verdade. Escrito por Kou Yaginuma, ele foi publicado na revista seinen mensal Comic Flapper entre 2001 e 2009, resultando em um total de 16 volumes. Em contraste, o anime foi uma produção do estúdio Group TAC, com direção de Tomomi Mochizuki e roteiro de Rika Nakase, com uma duração de 20 episódios entre 2003 e 2004. Dos 89 capítulos do mangá, o anime adapta menos de 30, o que talvez explique porque os poucos que decidem falar dessa série o fazem comentando sobre o mangá.

Em termos de uma sinopse, nossa história em fato começa cinco anos antes, quando o foguete japonês Shishigo explode no ar após ser lançado, com seus restos caindo sobre a cidade de Yuigahama. No local do acidente estava a mãe de Kamogawa Asumi, a menina ainda apenas um bebê. Tendo a maior parte do corpo queimada, sua mãe entra em um como profundo, vindo a falecer cinco anos depois, sem nunca acordar. Após a cremação do corpo, Asumi decide levar as cinzas de sua mãe até um templo próximo, onde ela então encontra o auto-proclamado fantasma Lion. Logo descobriremos que ele é de fato um fantasma, o espirito de um dos astronautas que estava no foguete quando ele caiu na cidade. Lion e Asumi acabam formando uma singela amizade, e a garota declara que um dia ela se irá se tornar uma “motorista de foguete”, mas eu paro essa sinopse por aqui e deixo então o aviso de sempre: spoilers adiante. É um anime que eu altamente recomendo, um drama bem construído com personagens carismáticos, então se você não o assistiu ainda fica aqui a minha indicação.

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Review – Yuru Camp (Anime)

Yuru Camp

O gênero nichijoukei (ou moe, ou slice of life, ou cute girls doing cute things, todos termos que possuem as suas próprias especificidades, mas que no vernáculo tendem a ser usados como intercambiáveis) surge como o conhecemos hoje lá pela metade dos anos 2000, e nessa quase uma década e meia de histórias do tipo nós já pudemos acompanhar toda sorte de variações da ideia de quatro ou cinco garotas do ensino médio interagindo umas com as outras. Por conta disso, não poucas pessoas tendem a simplesmente ignorar animes desse tipo, descartando-os como apenas mais uma ligeira variação em uma premissa já bastante conhecida. Dito isso, de quando em vez surgem aqueles animes que nos lembram que uma boa obra é determinada 10% pela sua premissa e 90% pela sua execução. Na temporada de inverno de 2018, dois foram os títulos que nos trouxeram esse lembrete, um deles sendo o aclamado Sora Yori Mo Tooi Basho, cuja premissa “quatro adolescentes indo para a Antártida” se desdobrou em um bonito coming of age que trouxe não poucos de seus espectadores às lágrimas.

Mas é ao segundo título do tipo que eu gostaria de dedicar uma reviewYuru Camp, uma produção do estúdio C-Station com direção de Kyogoku Yoshiaki, que adapta ao mangá homônimo de Afro, publicado na revista seinen mensal Manga Time Kirara Foward. A obra contou com um total de 12 episódios, cuja história começa em uma noite de inverno, quando a campista solo Shima Rin encontra com a hiperativa Nadeshiko. Um encontro fortuito, causado pela segunda ter se esquecido de ir para casa antes de anoitecer, e que termina com a Rin abrigando-a em seu acampamento até que a irmã mais velha da Nadeshiko viesse buscá-la. Daqui em diante vamos acompanhando as pequenas desventuras delas e algumas outras garotas mais, numa estrutura bem típica de um nichijoukei moderno. A força da obra, porém, está na sua execução, sobretudo no quão consistentemente ela consegue evocar um sentimento de conforto e relaxamento em seus episódios. É um anime que realmente vale a pena conferir, mas dito isso fica aqui então o aviso de sempre: spoilers a frente, então siga por sua conta e risco.

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Review – Evillious Chronicles (Vocaloid)

Evillious Chronicles

Histórias mais tradicionais, ou melhor colocando, o tipo de histórias que pensamos quando nos referimos à ficção, costumam ser bastante fechadas em escopo. O binômio cenário e personagens geralmente obriga a ação a transcorrer em um espaço – físico e temporal – bem pequeno. E ainda que flashes de um mundo maior eventualmente sejam mostrados – um personagem que veio de outro continente, um flashback sobre décadas passadas – a história que importa, por assim dizer, normalmente segue bastante localizada. Mas e se você quiser uma história maior? E se quiser contar uma história que se passe, por exemplo, durante um milênio, e que não esteja restrita a uma só localidade ou ao ponto de vista de apenas um pequeno grupo de personagens? Esse, pra mim, foi um dos maiores atrativos da franquia Evillious Chronicles, uma que começou com uma série de músicas cantadas por vocaloids (sintetizadores de voz, como a Hatsune Miku ou os gêmeos Kagamine Rin e Len) e que viria a se desdobrar em livros, mangás, peças de teatro, e sabe-se lá quantos produtos derivados. Uma história que teve início em 2008, e que só veio a terminar dez anos depois, em 2018.

Ela começa literalmente no início dos tempos, com a criação do mundo no qual se passa a trama, e avança em uma cronologia de mais de um milênio até o eventual – e inevitável – apocalipse. Durante esse período, vemos diferentes civilizações se levantarem e ruírem. Tecnologias serem criadas e perdidas. Fatos se tornarem mitos, e mitos se tornarem folclore. Diferentes religiões, diferentes sistemas políticos, um mundo em constante mudança e habitado por um vasto elenco de personagens. Uma história que começa com a chegada dos deuses, avança até a liberação dos Sete Pecados no mundo, prossegue mostrando os efeitos que tais pecados tiveram ao longo dos séculos, e se conclui com a chegada dos quatro possíveis finais. Se quiser uma melhor introdução a essa franquia, eu recomendo o meu texto Conheça Evillious Chronicles: uma Dark Fantasy que vai da Criação ao Apocalipse, e se já quiser mergulhar de cabeça nela confira então a minha recente lista de 1o excelentes músicas de Evillious Chronicles. Aqui, eu trago a minha review dessa franquia, mais precisamente da enorme história que ela conta, então tenham em mente que haverá spoilers daqui em diante. E aos ficaram, vamos então em frente.

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