Precisamos mudar a forma como discutimos pirataria.

Kino no Tabi. Legalmente disponível no Hidive (legendas em inglês).

Como você introduz um texto sobre pirataria? Conforme me sento para escrever a este, percebo o quão difícil é esta tarefa. Sejamos sinceros: é um assunto espinhoso. É um assunto que desperta as paixões das pessoas, um sobre o qual a maioria já possui opiniões bem fortes a respeito e um para o qual as pessoas já vão com certa antipatia. Verdade seja dita, seja qual for a posição que você tome, você irá inevitavelmente incomodar alguém – talvez mesmo ao ponto da pessoa ignorar completamente tudo o que você tiver a dizer. O que, francamente, é parte do problema. Não existe tanto uma discussão sobre pirataria quanto existem dois lados bastante agressivos se digladiando para ver quem fala mais alto, cada qual muitas vezes completamente ignorando os pontos trazidos pelo lado oposto. É uma briga mais do que um debate, algo que se tornou tragicamente comum nos dias atuais. Como, então, evitar que o leitor já comece este texto com duas pedras em cada mão? Bom, após cuidadosa análise, eu concluo que… meio que não tem como. Só o que posso fazer é pedir um pouco de calma e clareza de pensamento a quem por ventura decidir seguir com a leitura, e fica da consciência de cada um atender ou não a este pedido.

Vamos deixar o ponto deste texto bem claro já início: a forma 9610como discutimos pirataria precisa mudar. No cenário atual, um assunto bastante complexo e repleto de nuances é resumido a duas posições binárias – “a favor” ou “contra” – que não levam a discussão a nenhum lugar produtivo. Em fato, eu iria tão longe quanto dizer que qualquer discussão produtiva sobre este assunto é sabotada por esse pensamento binário, o que inclusive faz com que a questão nunca realmente “ande pra frente”. Praticamente toda discussão sobre o assunto que você vê é idêntica àquelas outras que você já viu, como uma peça eternamente reencenada por diferentes atores. Meu propósito com este texto, portanto, é devolver um pouco de nuance à questão. Eu preciso admitir: a maioria das críticas que farei ao longo do artigo serão aos argumentos normalmente usados por aqueles contra a pirataria, mas o lado a favor também merece uma ou duas críticas. Isso talvez leve alguns a pensarem que sou incondicionalmente a favor da pirataria, o que é o exato problema que eu acabei de descrever. Não se trata de ser a favor ou contra, mas sim de entender que a discussão, tal como ela está, é simplesmente improdutiva e insustentável.

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Debate – Bate-Papo Sobre a Pirataria

Hunter x Hunter // Debate 19/08/2017 1

Pirataria é um assunto que vez ou outra ressurge no meio otaku. Natural, dado o quanto ela está intimamente ligada tanto à forma como o anime e mangá se popularizaram mundo afora, como também, em maior ou menor medida, à forma como essas mídias ainda são consumidas.

Posicionamentos a seu respeito variam, desde aqueles que acreditam que ela é benéfica em si mesma até aqueles que creem que ela é uma relíquia do passado, fruto de uma era onde era impossível assistir animes ou ler mangás legalmente, e que agora ela deveria ser deixada para trás.

É um assunto complicado, mas justamente por isso é um que vale a pena ser discutido. E discuti-lo é o que fizemos: eu, o Cat, do Dissidência Pop, e o Vinícius, do Finis Geekis. Nosso debate foi publicado na íntegra lá no Dissidência Pop, então passem lá para dar uma olhada. E claro, sintam-se a vontade para, também, dar a opinião de vocês no assunto.

Link para o debate: Bate-Papo Sobre a Pirataria

Imagem: Hunter x Hunter (2011), episódio 137