Anime e mangá são coisas de criança?

É uma concepção praticamente enraizada no senso comum: desenhos animados e histórias em quadrinhos são para crianças. E, efetivamente, esta não é uma noção sem embasamento. Durante a maior parte da nossa história recente, estas duas grandes indústrias, a dos desenhos animados e a dos quadrinhos, de fato sempre se classificaram e se venderam como sendo voltadas para crianças. Em fato, os quadrinhos tem uma história interessante nesse quesito: já na década de 1950 os Estados Unidos viram surgir, entre as grandes editoras de quadrinhos, um “comum acordo” de que quadrinhos deveriam ser para crianças e, portanto, produzidos e vendidos como tal (o que levou ao ostracismo muitos artistas que desejassem fazer quadrinhos de teor mais adulto, inclusive). No Brasil, uma medida similar foi implementada pelo Regime Militar já na segunda metade da década de 1960, com os quadrinhos passando então a sofrerem da censura que imperava na época. O quanto e o que foi efetivamente censurado eu pessoalmente não tenho como dizer, mas é certo que tal medida contribuiu e muito para o ar mais “infantil” que as histórias em quadrinhos ganharam no país.

O Japão, porém, foi o completo oposto disso. Apesar de também sofrer momentos de forte censura, os artistas japoneses sempre foram bem mais “livres” para criar obras voltadas para todos os públicos, incluindo ai obras de teor adulto. Quando algumas das obras japonesas começaram a deixar o Japão, o choque cultural que isto causou não foi pouco. Muitas das exposições de quadrinhos japoneses que foram exibidas pelo mundo, bem como muito do que foi escrito e publicado ao seu respeito, foi, inicialmente, propositalmente sensacionalista. A imagem que surgia do povo japonês era dupla, de adultos infantilizados que seguiam lendo quadrinhos mesmo já com 30 ou 40 anos, mas, ao mesmo tempo, de completos pervertidos, com os mencionados quadrinhos sendo praticamente pornografia pura (algo completamente longe da realidade japonesa, é válido colocar). Não é de estranhar, portanto, que quando o anime e o mangá chegaram no ocidente em peso houve críticas dos dois lados.

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