O princípio da necessidade.

Quando eu estou assistindo alguma coisa ou lendo alguma coisa, eu comumente presto bastante atenção no que estou vendo. Isso porque eu parto do princípio de que qualquer obra é um todo que se fecha em si mesma, no sentido de que cada elemento da obra colabora para o entendimento da mesma em algum outro aspecto. Quase como uma enorme teia, em que cada fio está ligado a outro, assim eu procuro ver os diferentes elementos daquilo que estou assistindo, lendo, ou mesmo ouvindo. Isso normalmente me leva a pensar por que um certo autor escolheu colocar na obra este ou aquele elemento, o que ele quis passar usando daquilo e como aquele elemento se liga ao resto da obra. Infelizmente, diversas vezes eu percebo que um ou outro elemento resolve-se em torno apenas de si mesmo. Como um fio que não se conecta a nada, um caminho que vai de “nenhum lugar” a “lugar nenhum”, quando eu vejo esse tipo de recurso eu só o consigo descrever em uma palavra: inútil. Então… Por que um autor o usaria?

Bom, antes de mais nada, acho melhor eu sair um pouco do campo dos termos vagos e começar a explicar melhor o que eu quero dizer. Pois bem, comecemos do começo. Até hoje, a melhor forma de expressar o que penso quando estou vendo uma história se desenrolar é a noção de forma a serviço do conteúdo. Em suma: a partir do momento que se deseja dizer algo, absolutamente tudo que representa o suporte material dessa ideia (da forma das palavras e como elas são ordenadas até as figuras de linguagem que se vai usar) deve ser usado de forma que exponha, explicite e elucide essa ideia. Em suma, uma vez que um autor faz uma escolha para a obra, eu espero que essa escolha tenha algum significado dentro da obra. Ainda confuso? Bom, vejamos então um dos melhores exemplos de quebra desse conceito: fanservice.

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