Uma Rápida Review – Sarusuberi: Miss Hokusai

Review originalmente publicada na página do blog no facebook, em 05/03/2017

[Nota: há também no blog uma review mais aprofundada do filme]


O lado negativo de fazer essas pequenas reviews semanais está em, de quando em vez, topar com algum anime que você simplesmente não consegue gostar. O lado positivo, porém, está no exato oposto: aqueles poucos casos onde você encontra algo genuinamente especial.

Miss Hokusai é um ÓTIMO filme. Se passando no Japão do período Edo, a história se centra em Oei, filha do artista Hokusai. Se o nome não lhes parece familiar, Hokusai é muitas vezes apontado como o primeiro artista a usar o termo “manga” para descrever algumas de suas artes, e há quem argumente que é daí que vem o termo como o conhecemos hoje (é mais complicado que isso, mas eu literalmente tenho um artigo só sobre a história dos mangás, então se quiserem saber mais leiam lá).

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Review – Sarusuberi: Miss Hokusai (Anime)

Miss Hokusai // Review 24/03/2017 1
Sarusuberi: Miss Hokusai

Sarusuberi: Miss Hokusai é um caso no mínimo curioso em termos de adaptação. Produzido pelo estúdio Production I.G., com direção de Keiichi Hara e lançado em 2015, o filme adapta ao mangá Sarusuberi, escrito e ilustrado por Hinako Sugiura. O curioso aqui está no fato de Sarusuberi, o mangá, foi lançado na revista semanal Manga Sunday, entre 1983 e 1987, com quase 30 anos separando-o de sua adaptação. Já um pouco menos surpreendente, mas ainda interessante de apontar, é o fato de que aparentemente o filme fez algumas mudanças em relação à obra original. O traço é a mais óbvia, com o mangá buscando um traço mais próximo àquele do japão do período onde se passa a história – o período Edo -, enquanto que os traços do filme são claramente mais modernos. Mas saindo da estética e entrando na história, parece que o filme introduz algumas cenas próprias, além de dar uma maior atenção a personagens que, no mangá, são bem mais secundários. O essencial, porém, foi mantido, e a premissa de ambos se mantém a mesma.

A história é focada no dia a dia de O-Ei, artista e filha de Katsushika Hokusai. Ambos são figuras históricas reais, com Hokusai (1760 – 1849) muitas vezes sendo apontado como o primeiro a usar do termo “mangá” para descrever o seu trabalho, em particular a sua série de pinturas Hokusai Manga. Claro, até que ponto podemos considerá-lo “biográfico” é algo que irei discutir mais adiante, mas é bom ter em mente que orbas desse tipo não devem ser de cara entendidas como um perfeito retrato do passado (ou das pessoas) que representam. E é importante salientar que aqui não há exatamente uma trama propriamente dita, com o filme assumindo um formato muito mais de slice of life, mostrando alguns momentos na vida de O-Ei. Isso em si mesmo pode afastar muitas pessoas, sobretudo aqueles que procurem uma estrutura narrativa mais convencional. Mas ainda recomendaria que dessem uma conferida no filme. É uma obra excelente, que se utiliza muito bem de seu tempo. Além disso, a partir daqui o texto terá spoilers, então considere esse o seu aviso.

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