“Adulto” não significa “maduro” (e nem “bom”).

Digimon Tamers, Fullmetal Alchemist Brotherhood e Ghost In The Shell SAC: o público alvo de uma obra pouco nos diz sobre sua qualidade.
Digimon Tamers, Fullmetal Alchemist Brotherhood e Ghost In The Shell SAC: boas obras podem surgir direcionadas a qualquer demografia.

Vou começar este texto já com o que é basicamente o seu argumento central: o público alvo de uma obra, seja ele qual for, nada nos diz sobre a sua qualidade. Isso é verdade não importa nem mesmo o quão amplo ou diversificado é este público alvo. Por exemplo, animes voltados para o nicho otaku podem muito bem ser tão bons quanto qualquer anime voltado para o público em geral. Igualmente, uma obra qualquer voltada para o público masculino pode ser tão boa quanto qualquer uma voltada ao público feminino. E vice versa, em ambos os exemplo. E é claro: uma obra voltada para crianças pode ser tão boa quanto uma voltada para adultos. Isso não é dizer que todas as obras estão em pé de igualdade: certamente existem péssimos animes voltados para todos os mais variados públicos. E isso certamente não é dizer que obras com públicos diferentes não irão usar de uma série de artifícios diferentes para atingir a audiência que desejam (e é por isso que existe, por exemplo, classificação indicativa). Isso é simplesmente dizer que uma obra excepcional pode vir de qualquer lugar, e você nunca realmente sabe o quão boa ou ruim é uma obra até experimentá-la por si mesmo.

Isso dito, entremos agora mais diretamente no assunto deste texto. O que me motivou a escrever sobre este assunto é o fato de que os otakus, pelo menos aqui no Brasil, parecem ter certa… “estima” (para não falar “obsessão” mesmo) para com o termo “seinen“. No Japão, o termo é um indicativo de demografia, dizendo que uma dada revista é direcionada a jovens adultos (e sim, uma dada revista. O termo é mais usado na industria de mangás, e não é aplicado normalmente a animes, light novels, e outras mídias). Já aqui no Brasil, o termo passou a ser usado para designar qualquer tipo de obra com conteúdo “inapropriado” para crianças, como violência e erotismo, ou para designar histórias complexas, de trama intrincada, realista, ou com um ritmo mais lento. Basicamente, tudo o que não for um shounen de luta ou um shoujo de romance. Sinceramente, cada uma destas “categorias” ou “classificações” (em fato, públicos-alvo) mereceriam um texto por si só, tendo em vista como as pessoas costumam associar certos clichês a uma dada demografia, como se obras com combate fossem obrigatoriamente para meninos e obras com romance fossem obrigatoriamente para meninas (e ai quando você lembra que Toradora, um romance, tem um mangá publicado numa revista shounen, as pessoas meio que não processam a informação direito), mas para este texto eu vou me ater apenas ao seinen.

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