Review – Kaguya-hime no Monogatari (Anime)

Kaguya-hime no Monogatari

Era uma vez um já idoso cortador de bambus. Ele vivia com sua mulher em uma casa modesta, e ganhava o sustento de sua família fazendo todo tipo de objetos com os bambus que cortava. Um dia, porém, ele viu uma luz sair de um dos bambus de sua plantação, e achando isso muito estranho ele decidiu investigar. Cortando a planta, dentro dela ele viu uma menininha, pequena o bastante para caber na palma de sua mão. Acreditando ser ela um presente dos céus, ele leva a garotinha para mostrar à esposa, e ambos decidem criá-la como se fosse sua filha. Deste dia em diante, sempre que o cortador ia cortar seus bambus, ele acabava encontrando troncos cheios de ouro, e rapidamente ele se tornou muito rico. Já a menina, como que imitando aos brotos de bambus, cresceu muito rapidamente, e em alguns meses já era uma jovem de incomparável beleza. Tal é o começo de Taketori Monogatari (O Conto do Cortador de Bambu), história folclórica que serve de base para o filme Kaguya-hime no Monogatari, uma produção de 2013 do estúdio Ghibli.

Com direção de Takahata Isao, co-fundador do estúdio, o filme é um caso curioso. Enquanto é relativamente comum vermos referências a mitos, lendas e contos folclóricos nos animes e mangás, tais referências normalmente tomam a forma de apenas alguns nomes, objetos ou personagens “emprestados” dessas histórias tradicionais. Precisão mitológica raramente sendo uma preocupação dos autores. Kaguya-hime no Monogatari, porém, se propõe a ser uma clara recontagem do conto original, adaptando-o até os mínimos detalhes. Seria um engano, porém, ver a esse filme como pura recontagem: ele claramente possui uma voz e uma identidade próprias, e por debaixo da fidelidade ao original encontramos aqui uma leitura evidentemente moderna desse conto do século X. Um filme tecnicamente belíssimo, com um visual expressivo e trilha sonora memorável, protagonizado por personagens carismáticos e bem desenvolvidos, e ainda abordando de forma sutil e sensível temas bastante complexos. Quem ainda não o viu, fica aqui a minha recomendação para que o faça. Mesmo porque, vale o aviso de sempre: spoilers a frente.

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