Uma Rápida Review – Kaguya-hime no Monogatari

Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 04/06/17

Nota: há também no blog uma review mais aprofundada do filme


Review de filme da semana /o/ Desta vez pegando talvez aquele que é O clássico moderno do estúdio Ghibli: Kaguya-hime no Monogatari. E olha… que filme!

Para quem não sabe, o filme reconta a já antiga lenda da princesa Kaguya, embora obviamente adaptando-a aqui e ali para responder a dilemas e questões mais modernas (muito semelhante ao que a Disney fez com seus primeiros clássicos, aliás). O essencial, porém, se preservou, o que garante uma história bela, mas também bastante triste em seu desfecho. Não vou dar mais detalhes, mas quem conhece a lenda sabe como ela termina.

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Retrospectiva 2017: O Melhor de um Ano que se Vai.

No começo de 2017 eu lancei duas listas dando a minha opinião sobre alguns dos títulos de 2016 que eu acompanhei, entre populares e ignorados, e eu planejava fazer disso um pequeno evento anual aqui no blog. Mas 2017 foi um ano… esquisito. Diferente de praticamente todo o restante dessa década, nesse ano nós não realmente tivemos algum grande hit imensamente popular, e mesmo aqueles animes que de fato ganharam fama parecem ter ganhado apenas em círculos bem particulares. Você não pode apontar para o anime mais popular de 2017 da mesma forma que você podia apontar para títulos como Boku Dake ga Inai MachiRe:ZeroYuri!! on Ice (sem esquecer Kimi no Na Wa) em 2016. Adicione a isso que muitos desses títulos populares-dentro-do-nicho eu não assisti – como Kemono Friends ou Eromanga-sensei – e eu meio que não tinha muito como seguir com a mesma fórmula de 2016.

Minha ideia posterior foi então fazer apenas a segunda lista, ainda que um pouco maior: 10 títulos relativamente ignorados que eu achei que mereciam maior notoriedade. Mas mesmo isso se provou um pouco difícil, não só em termos de escolher 10 animes do tipo, como também em termos de onde traçar a linha entre pouco conhecido e ignorado – como eu disse, 2017 foi um ano estranho. Mas diante desses problemas, que tal então algo diferente? Uma lista, ainda, sim, mas ao invés de 5 ou 10 entradas temos aqui alguns daqueles que se provaram os meus animes favoritos de 2017, separados de acordo com algumas categorias que o leitor logo verá por si mesmo, e incluindo ai uma que não normalmente vemos nesse tipo de texto, mas que eu acho mais do que válida.

Isso vai ser um artigo bem longo, obviamente, mas ei, um evento do tipo é só uma vez ao ano, afinal [rs]. Então peguem ai uma xícara de café (ou chá… ou leite… ou água, sei lá), sentem-se de maneira confortável e vamos aproveitar o brindar de um novo ano para lembrar o que aquele que passou nos trouxe: do bom e do não tão bom assim. Obviamente, tudo aqui nesse texto é apenas a minha opinião pessoal, e com isso dito vamos então à essa singela retrospectiva de 2017.

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Review – Kaguya-hime no Monogatari (Anime)

Kaguya-hime no Monogatari

Era uma vez um já idoso cortador de bambus. Ele vivia com sua mulher em uma casa modesta, e ganhava o sustento de sua família fazendo todo tipo de objetos com os bambus que cortava. Um dia, porém, ele viu uma luz sair de um dos bambus de sua plantação, e achando isso muito estranho ele decidiu investigar. Cortando a planta, dentro dela ele viu uma menininha, pequena o bastante para caber na palma de sua mão. Acreditando ser ela um presente dos céus, ele leva a garotinha para mostrar à esposa, e ambos decidem criá-la como se fosse sua filha. Deste dia em diante, sempre que o cortador ia cortar seus bambus, ele acabava encontrando troncos cheios de ouro, e rapidamente ele se tornou muito rico. Já a menina, como que imitando aos brotos de bambus, cresceu muito rapidamente, e em alguns meses já era uma jovem de incomparável beleza. Tal é o começo de Taketori Monogatari (O Conto do Cortador de Bambu), história folclórica que serve de base para o filme Kaguya-hime no Monogatari, uma produção de 2013 do estúdio Ghibli.

Com direção de Takahata Isao, co-fundador do estúdio, o filme é um caso curioso. Enquanto é relativamente comum vermos referências a mitos, lendas e contos folclóricos nos animes e mangás, tais referências normalmente tomam a forma de apenas alguns nomes, objetos ou personagens “emprestados” dessas histórias tradicionais. Precisão mitológica raramente sendo uma preocupação dos autores. Kaguya-hime no Monogatari, porém, se propõe a ser uma clara recontagem do conto original, adaptando-o até os mínimos detalhes. Seria um engano, porém, ver a esse filme como pura recontagem: ele claramente possui uma voz e uma identidade próprias, e por debaixo da fidelidade ao original encontramos aqui uma leitura evidentemente moderna desse conto do século X. Um filme tecnicamente belíssimo, com um visual expressivo e trilha sonora memorável, protagonizado por personagens carismáticos e bem desenvolvidos, e ainda abordando de forma sutil e sensível temas bastante complexos. Quem ainda não o viu, fica aqui a minha recomendação para que o faça. Mesmo porque, vale o aviso de sempre: spoilers a frente.

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