Uma Breve Análise – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: Filler Feito Certo

Quando fillers são uma inevitabilidade, como fazê-los?

Desde bem cedo na história da indústria do anime a relação deste com os mangás foi bastante estreita. E desde bem cedo, animes que tentaram adaptar mangás em andamento se depararam com um problema crucial: como cabe muito mais conteúdo em um episódio de anime do que cabe em um capítulo de mangá, é sempre apenas uma questão de tempo até que o primeiro alcance o segundo e fique sem o que adaptar. Como, então, proceder?

Ao longo da história foram pensadas diferentes soluções, e hoje a mais usual é a de se adaptar apenas uma parte do mangá, deixando um final inconclusivo e retomando a adaptação quando houver conteúdo suficiente no material original – isso se a primeira adaptação render bem, é lógico. No passado, porém, a ideia de simplesmente parar a transmissão do anime não era realmente muito agradável, o que levou outra solução para o problema: fillers.

O termo vem do inglês e significa “preencher”, referindo-se a conteúdo do anime (de pequenas cenas até arcos inteiros) que não está no material original, colocado ali com o objetivo de se ganhar tempo enquanto o mangá seguia em publicação. Uma prática, hoje, universalmente criticada, e não sem motivo. Fillers raramente eram tão bons quanto o material original, mas podemos dizer que isso nem era o maior problema.

Narrativamente, fillers eram quase sempre inúteis. Eles não podiam avançar muito a história, os personagens ou os seus objetivos, do contrário seria impossível retomar a adaptação de onde ela havia parado. Dessa forma, quase sempre era possível excluir os fillers de uma obra qualquer e absolutamente nada de valor seria perdido. Mas eis então que temos Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, um anime que mostra que esse não precisa ser sempre o caso.

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[Vídeo] Uma Breve Indicação – Gyakkyou Burai Kaiji

E no mais novo vídeo do canal, temos a recomendação de Kaiji, anime de 2007. Assista, e se gostar não deixe de curtir, compartilhar, e se inscreva no canal caso ainda não o seja ;) Ah, e se por acaso já conhece o anime, não deixe de conferir a review completa dele aqui no blog.

Review – Cardfight!! Vanguard (Anime)

Vanguard // Review 04/06/2015 // 1
Cardfight!! Vanguard

Que a industria da animação japonesa sempre foi fortemente usada como meio de propaganda para algum produto não é nenhuma novidade. Não seria exagero dizer que a imensa maioria dos animes já são lançados tendo em mente possíveis produtos que podem sair deles, como bonequinhos, acessórios, figures, etc. Mas existe uma pequena diferença entre lançar produtos de uma obra já em curso e criar uma obra especificamente para promover um certo produto. Cardfight!! Vanguard, anime produzido pelo estúdio TMS Entertainment e com direção supervisionada de Hatsuki Tsuji, se encaixaria no segundo caso. Indo ao ar em janeiro de 2011, o anime serviria de propaganda para o jogo de cartas de mesmo nome, produzido pela empresa Bushiroad, que seria lançado no mês seguinte. Sem dúvida foi uma enorme aposta. Diferentemente dos desenhos americanos, onde primeiro se fazia o produto e depois se pensava em uma animação para encaixar os mesmos, aqui o produto que desejavam propagandear ainda não existia. Mas diferentemente de outras animações japonesas, nas quais primeiros se deixava a obra ganhar alguma notoriedade para então se lançar algum produto relacionado, aqui já se tinha clara a ideia de que este anime deveria ser uma propaganda para o jogo de cartas. Certamente foi difícil criar um roteiro dentro destas condições. E qual foi o resultado desta aposta? Um sucesso estrondoso.

O anime conta a história de Sendou Aichi, estudante que entra em contato com o jogo de cartas Cardfight!! Vanguard, que vinha se tornando progressivamente popular. Introvertido, o jogo lhe fornece a perfeita oportunidade para começar a interagir com novas pessoas e fazer novas amizades, o que faz com que o jovem sinta cada vez mais desejo de progredir no jogo. Mas estas cartas escondem um poder muito além da sua compreensão, que pode até mesmo trazer a completa destruição deste mundo. Em si, uma sinopse bastante comum para animações do gênero, mas o sucesso do anime certamente é fora do comum. O primeiro arco do anime, “Cardfight Vanguard” teve um total de 65 episódios. O segundo, “Cardfight Vanguard: Asia Circuit” foi ao ar em 2012, praticamente sem qualquer hiato, contando com 39 episódios. O terceiro arco foi intitulado “Cardfight Vanguard: Link Joker”, indo ao ar com 2013 e contando com 59 episódios. Finalmente, o quarto e último arco, “Cardfight Vanguard: Legion Mate”, foi ao ar em 2014, trazendo mais 33 episódios. Um total espantoso de 196 episódios, mais um filme que se passa após os eventos do último episódio, intitulado “Cardfight!! Vanguard: Neon Messia”. Isso sem contar uma série de filmes, anime e mangás spin-offs. Nada mal para uma enorme propaganda, em? (rs). Infelizmente, falar mais do que isso irá exigir spoilers, então já deixo aqui meu aviso para parar a leitura caso se incomode com isto. Num geral, eu considero Cardfight!! Vanguard um anime bastante divertido de se ver e definitivamente recomendo, apesar de saber que o tamanho pode desencorajar muita gente. No mais, spoilers abaixo, sigam por sua conta e risco (rs).

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Review – Gyakkyou Burai Kaiji: Ultimate Survivor (Anime)

Kaiji // Review 04/12/2014 // 1
Kaiji: Ultimate Survivor

Baseado no mangá de Nobuyuki Fukumoto, “Tobaku Mokushiroku Kaiji”, em 2007 chegava às televisões japonesas a animação “Gyakkyou Burai Kaiji: Ultimate Survivor“, com 26 episódios num total, ao passo que o ano de 2011 traria a segunda temporada da série, intitulada “Gyakkyou Burai Kaiji: Hakairoku-hen”, também com 26 episódios. Nesse anime, a história acompanha ao personagem principal, Kaiji Itou, um desempregado que passa a maior parte de seu tempo fazendo pequenas apostas em jogos de azar e bebendo cerveja. Um dia, chega à sua porta Yuuji Endou, que vem para lhe cobrar a dívida de um amigo, naquele momento desaparecido. Vendo a enorme dívida que acabara de conseguir, Kaiji entra em desespero, pensando em como poderia fazer para pagar uma soma tão alta sem nem mesmo ter um emprego. Mas para este problema Endou lhe oferece uma solução: participar de um jogo que ocorreria no luxuoso navio Espoir. A simples participação já significaria a quitação de suas dívidas e, ainda mais, caso Kaiji se saísse bem no jogo ainda seria capaz de ganhar altas somas de dinheiro. Obviamente, o que Endou não fala é do preço a se pagar caso perca o jogo, algo que Kaiji só irá descobrir quando for tarde demais.

Num geral, Kaiji, como o anime é popularmente abreviado, se encaixa naquela categoria de “animes de jogos”. Tal como séries como “Yugioh”, “Phi Brain: Kami no Puzzle” (que já teve sua review neste blog, inclusive), ou o mais recente “No Game No Life”, os conflitos em Kaiji se resolvem por meio de jogos. O diferencial desta série, porém, é que a maioria os jogos mostrados em Kaiji são, fundamentalmente, jogos de azar. Isso significa dizer que são jogos que exigem uma grande medida de sorte, bem como são, muitas vezes, jogos criados especificamente para causar a derrota daqueles que os jogam. Mas engana-se quem pensar que, por conta disso, o anime será permeado de jogadas milagrosas, que dão a vitória ao protagonista puramente porque ele é o protagonista. Num geral, o que a série se propõe em fazer é justamente mostrar como Kaiji é capaz de contornar o fator fundamental “azar” desses jogos, usando de sua astúcia e inventividade para tornar mesmo a situação mais desfavorável e injusta numa luta que pode ser ganha. Isso não significa, porém, que ele sempre irá ganhar, o que adiciona uma boa dose de tensão à trama. Dito isto, é melhor eu parar essa sinopse por aqui. Deste ponto em diante, haverão spoilers do enredo e mesmo do final da série, portanto se não gosta de levar spoilers eu sugiro que deixe essa review de lado e vá assistir esse anime logo, porque definitivamente vale a pena. Aos que ficarem, desejo uma boa leitura o/ Continuar lendo

Review – Phi Brain: Kami no Puzzle (Anime).

Phi Brain // Review 13/11/2014 // 1
Phi Brain: Kami no Puzzle

Uma produção original do estúdio Sunrise, o anime Phi Brain: Kami no Puzzle começou a ser exibido em 2011, no canal japonês NHK Educational TV. Inicialmente uma única temporada com 25 episódios, o anime ganhou mais duas temporadas nos dois anos que se seguiram, chegando a um final definitivo em 2013 com um total de 75 episódios. Por si só, um feito nada desprezível. Com a enorme maioria dos animes sendo adaptações de mangás, light novels e, em menor quantia, games, animes originais são a exceção à regra. E são, também, uma enorme aposta. Enquanto a maioria dos animes já vai ao ar com a obra original tendo uma fanbase consolidada, animes originais raramente dispõem de mais do que seus trailers para atrair atenção para si. Por conta disso, normalmente vemos animes originais com uma média de apenas 12 a 25 episódios, podendo ou não receber continuações a depender da popularidade. Para ter recebido mais duas temporadas de 25 episódios (exibidas, ainda, em intervalos de menos de um ano uma da outra), Phi Brain certamente deve ter atraído bastante atenção para si. Então… sobre o que é esse anime?

Bem, dar uma sinopse para esse anime é um pouco complicado, basicamente porque cada uma de suas três temporadas funcionam relativamente bem de forma isolada, com cada uma tendo sua própria trama central, com começo, meio e fim. Todas as tramas, porém, se resolvem em torno de uma temática principal: o protagonista, Daimon Kaito, e seu grupo de amigos e aliados tendo de resolver puzzles mortais a fim de salvar o mundo de alguma organização maligna. Agora, para quem não sabe, a palavra “puzzle” é uma palavra inglesa que não possui um correspondente preciso em português. Normalmente traduzido como “quebra cabeças”, a palavra na verdade pode implicar em qualquer jogo de estratégia, desde um sudoku até um jogo de xadrez. E Phi Brain certamente sabe se aproveitar dessa definição ampla. Ao longo da série, vemos desde jogos simples até verdadeiros labirintos de tamanho faraônico. Cada puzzle, porém, diferente do anterior, ao menos em algum aspecto. E se você não adivinhou ainda, eu vou deixar claro de uma vez: esse anime tem como único propósito mostrar o quão incrível é o protagonista, o colocando para resolver enigmas dos mais complexos que se pode imaginar. E isso é tudo o que eu vou dizer por hora. A partir deste ponto, haverão spoilers pesados para a série como um todo, então, se decidir continuar, esteja avisado.

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