[Vídeo] Uma Breve Análise – Hourou Musuko

Mais novo vídeo do canal \o/ Hourou Musuko é um título sobre o qual eu já queria falar no canal há um tempo. É um anime simplesmente excelente, adaptando a um mangá também ele próprio fenomenal. Quem ainda não conhece a obra, vale muito a pena dar uma chance. E quem já conhece, sempre vale a pena voltar a pensar sobre ela um pouquinho.

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Uma Breve Análise – Hourou Musuko: Disposição Espacial

Hourou Musuko // Análise 24/07/2016 // 1
Hourou Musuko

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Existe uma cena no episódio 2 de Hourou Musuko, anime de 2011 do estúdio AIC sobre duas crianças transexuais, Takatsuki e Nitori, que eu gostaria de destrinchar um momento.

Agora, se você ainda não viu Hourou Musuko, tenha em mente de que haverá alguns spoilers menores abaixo, referentes aos dois primeiros episódios.

Dito isso, a cena em questão (reproduzida acima) ocorre já perto do final do segundo episódio, e está dentro de um contexto bastante específico. Dois fatos levaram a esta cena: o primeiro deles sendo a fala de Sasa que, cansada da animosidade cercando suas duas amigas, Takatsuki e Saori, diz que não falará com ambas até que estas façam as pazes; já o segundo fato é a personalidade da Saori ter lhe conseguido a antipatia de algumas estudantes mais velhas, o que deu à Takatsuki a desculpa perfeita para convencer a Saori a ir para casa em grupo.

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Hourou Musuko – Identidade de Gênero e Transexualidade

Hourou Musuko // Análise 17/09/2015 // 1
Menino ou menina: de que é feito o gênero?

Em março de 2011, chegava às televisões japonesas um anime que só pode ser descrito como único de seu tipo. Baseado no mangá homônimo de Takako Shimura, uma mangaka conhecida por suas obras envolvendo temáticas LGBT, Hourou Musuko (algo como “Filho Errante”, em tradução livre) é um anime de 12 episódios produzido pelo estúdio AIC e com direção de Ei Aoki, atualmente mais conhecido por seu envolvimento em séries como Fate/Zero e Aldnoah.Zero. E em sua trama somos apresentados ao dia-a-dia de duas crianças… diferentes, por assim dizer. Shuichi Nitori, protagonista do anime, é biologicamente um menino, porém demonstra um forte desejo por se tornar uma menina, tendo mesmo o hábito de usar roupas femininas sempre que possível. Yoshino Takatsuki, co-protagonista junto a Nitori, por sua vez, é seu completo oposto: biologicamente uma menina, apresenta um forte desejo de se tornar um menino, demonstrando mesmo intenso desgosto pela sua fisionomia feminina. Ao longo da história, acompanhamos a entrada destes dois no que seria o nosso equivalente a um “Ensino Fundamental II”, ou “Ginasial”, e observamos como eles interagem uns com os outros, quais seus círculos de amizade, bem como lentamente vão desenvolvendo de forma clara e precisa essa insatisfação para com o próprio corpo e como lidam com isso. E por simples que seja essa proposta, eu posso dizer que este é um dos melhores animes que eu já assisti, muito possivelmente entrando naquele pequeno rol de obras que chegam o mais perto possível de serem “perfeitas”.

Contudo, já adianto que este texto não será uma review. Inclusive porquê eu já escrevi uma, então quem quiser ver as minhas opiniões sobre este anime pode apenas seguir o link. Não, neste texto eu irei partir do anime para discutir aquilo que é a sua questão basilar, o assunto sobre o qual toda a obra está assentada: a transexualidade. O que é. O que não é. Porque existe. Como se manifesta. E, é claro, como o anime a aborda. E estejam avisados: esse texto será grande. Para tratar propriamente deste tema, vamos ter de falar de uma série de outros assuntos que perpassam as mais diversas áreas do conhecimento. Da psicologia à biologia. Da sociologia à história. Da antropologia à genética. Se queremos fazer justiça a uma temática que é em si absurdamente complexa (e bom, ao menos eu quero [rs]) fazer algo assim é o mínimo necessário. Então eu vou dizer isso agora: neste texto, eu irei tratar de assuntos que são, no mínimo, desconfortáveis para a maioria. Identidade de gênero, sexualidade, orientação sexual… Se você realmente tem problema com estas temáticas, talvez seja uma boa ideia ir ler algum dos outros textos deste blog. Além disso, dadas as temáticas apresentadas esse texto provavelmente seria mais indicado para aqueles com um pouco mais de idade, então eu vou recomendar bom senso por parte dos leitores. Finalmente, e como último aviso, haverá spoilers. Apesar de eu ter tentado evitar falar qualquer maior reviravolta do roteiro, não dá para falar sobre este assunto a partir do anime sem falar do anime, então se você ainda não viu Hourou Musuko e tem problemas com spoilers talvez seja melhor ir assistir a obra primeiro. E dados todos os avisos, vamos então começar.

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Review – Cardfight!! Vanguard (Anime)

Vanguard // Review 04/06/2015 // 1
Cardfight!! Vanguard

Que a industria da animação japonesa sempre foi fortemente usada como meio de propaganda para algum produto não é nenhuma novidade. Não seria exagero dizer que a imensa maioria dos animes já são lançados tendo em mente possíveis produtos que podem sair deles, como bonequinhos, acessórios, figures, etc. Mas existe uma pequena diferença entre lançar produtos de uma obra já em curso e criar uma obra especificamente para promover um certo produto. Cardfight!! Vanguard, anime produzido pelo estúdio TMS Entertainment e com direção supervisionada de Hatsuki Tsuji, se encaixaria no segundo caso. Indo ao ar em janeiro de 2011, o anime serviria de propaganda para o jogo de cartas de mesmo nome, produzido pela empresa Bushiroad, que seria lançado no mês seguinte. Sem dúvida foi uma enorme aposta. Diferentemente dos desenhos americanos, onde primeiro se fazia o produto e depois se pensava em uma animação para encaixar os mesmos, aqui o produto que desejavam propagandear ainda não existia. Mas diferentemente de outras animações japonesas, nas quais primeiros se deixava a obra ganhar alguma notoriedade para então se lançar algum produto relacionado, aqui já se tinha clara a ideia de que este anime deveria ser uma propaganda para o jogo de cartas. Certamente foi difícil criar um roteiro dentro destas condições. E qual foi o resultado desta aposta? Um sucesso estrondoso.

O anime conta a história de Sendou Aichi, estudante que entra em contato com o jogo de cartas Cardfight!! Vanguard, que vinha se tornando progressivamente popular. Introvertido, o jogo lhe fornece a perfeita oportunidade para começar a interagir com novas pessoas e fazer novas amizades, o que faz com que o jovem sinta cada vez mais desejo de progredir no jogo. Mas estas cartas escondem um poder muito além da sua compreensão, que pode até mesmo trazer a completa destruição deste mundo. Em si, uma sinopse bastante comum para animações do gênero, mas o sucesso do anime certamente é fora do comum. O primeiro arco do anime, “Cardfight Vanguard” teve um total de 65 episódios. O segundo, “Cardfight Vanguard: Asia Circuit” foi ao ar em 2012, praticamente sem qualquer hiato, contando com 39 episódios. O terceiro arco foi intitulado “Cardfight Vanguard: Link Joker”, indo ao ar com 2013 e contando com 59 episódios. Finalmente, o quarto e último arco, “Cardfight Vanguard: Legion Mate”, foi ao ar em 2014, trazendo mais 33 episódios. Um total espantoso de 196 episódios, mais um filme que se passa após os eventos do último episódio, intitulado “Cardfight!! Vanguard: Neon Messia”. Isso sem contar uma série de filmes, anime e mangás spin-offs. Nada mal para uma enorme propaganda, em? (rs). Infelizmente, falar mais do que isso irá exigir spoilers, então já deixo aqui meu aviso para parar a leitura caso se incomode com isto. Num geral, eu considero Cardfight!! Vanguard um anime bastante divertido de se ver e definitivamente recomendo, apesar de saber que o tamanho pode desencorajar muita gente. No mais, spoilers abaixo, sigam por sua conta e risco (rs).

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Review – Hourou Musuko (Anime)

Hourou Musuko // Review 07/05/2015 // 1
Hourou Musuko

Em um mundo onde toda forma de entretenimento parece direcionada a um nicho específico, é difícil vermos histórias que tão somente querem ser elas mesmas. Histórias cuja preocupação não é agradar a público X ou faixa etária Y. Histórias que não são criadas pensando em como chamar atenção, ou em como colocar elementos que garantam uma boa venda de qualquer que seja a mídia física em que ela será distribuída, mas sim criadas porque alguém tinha uma história para contar. Uma mensagem a passar. Um sentimento a despertar. É… histórias assim são raras. Arte assim vem se tornando cada vez mais rara. Mas… ainda aparece, uma vez ou outra, um caso do tipo. Hourou Musuko é, sem dúvida, um destes casos. Uma história que apenas deseja ser a si própria, independentemente do que pensarão aqueles que a virem. Uma interessante metáfora para seus próprios personagens, talvez. Um garoto que quer ser garota. E uma garota que quer ser garoto. Que melhor forma de contar uma história assim?

Inspirada no mangá homônimo de Takako Shimura e produzido pelo estúdio AIC, com direção de Ei Aoki, este anime de 11 episódios (12 na versão Blue Ray) foi ao ar nas televisões japonesas em 2011. Tratando de temas como a transexualidade, identidade de gênero, orientação sexual, o início da puberdade e a auto-aceitação, a história é um “slice of life” que se foca em Shuichi Nitori, um menino que deseja tornar-se menina, e sua amiga Yoshino Takatsuki, uma menina que deseja tornar-se menino. Mas se engana aquele que espera que este anime seja extremamente dramático. Sim, quando ele quer ser dramático, ele o é, com cenas que possivelmente causarão um forte aperto no coração do espectador. Mas ao mesmo tempo é um anime que sabe ser leve, tendo inclusive um ótimo timing cômico. O tipo de história que normalmente se termina com os olhos lacrimejando e um sorriso de satisfação no rosto. Caso ainda não tenha visto o anime, eu fortemente recomendo, sobretudo pela forma madura com que ele aborda um tema que, infelizmente, ainda costuma ser usado apenas para fazer piada, sobretudo no meio dos animes. É uma ótima história, com ótimos personagens e uma abordagem única de uma temática pouco explorada. Se isso não lhe convence, então nada irá (rs). E agora, vamos para a review. A partir daqui, spoilers rolarão solto, então sigam por sua conta e risco.

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