[Vídeo] Uma Breve Análise – Hourou Musuko

Mais novo vídeo do canal \o/ Hourou Musuko é um título sobre o qual eu já queria falar no canal há um tempo. É um anime simplesmente excelente, adaptando a um mangá também ele próprio fenomenal. Quem ainda não conhece a obra, vale muito a pena dar uma chance. E quem já conhece, sempre vale a pena voltar a pensar sobre ela um pouquinho.

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Uma Breve Análise – Hourou Musuko: Disposição Espacial

Hourou Musuko
Hourou Musuko

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Existe uma cena no episódio 2 de Hourou Musuko, anime de 2011 do estúdio AIC sobre duas crianças transexuais, Takatsuki e Nitori, que eu gostaria de destrinchar um momento.

Agora, se você ainda não viu Hourou Musuko, tenha em mente de que haverá alguns spoilers menores abaixo, referentes aos dois primeiros episódios.

Dito isso, a cena em questão (reproduzida acima) ocorre já perto do final do segundo episódio, e está dentro de um contexto bastante específico. Dois fatos levaram a esta cena: o primeiro deles sendo a fala de Sasa que, cansada da animosidade cercando suas duas amigas, Takatsuki e Saori, diz que não falará com ambas até que estas façam as pazes; já o segundo fato é a personalidade da Saori ter lhe conseguido a antipatia de algumas estudantes mais velhas, o que deu à Takatsuki a desculpa perfeita para convencer a Saori a ir para casa em grupo.

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Lista – 10 Animes Recentes Que Merecem a Sua Atenção

kyousou

Não é de hoje que aparecem pela internet listas de animes que “todo otaku deveria ver”, ou qualquer variante disso. Pessoalmente, eu sou bastante contra títulos nessa linha, que mais parecem querer criar uma série de regras de o que faz ou não alguém ser um otaku, mas já falei brevemente sobre essa ideia de “regrinhas” num texto passado, então já estou divagando… Não, na verdade eu tenho um outro problema com esse tipo de lista, e é esse problema que me levou a criar esta. A dizer: o fato de que a grande maioria destas listas, embora aparentemente direcionadas para aqueles que querem se aprofundar um pouco mais na mídia, costumam ser quase inteiramente compreendidas por animes populares. Não fazendo aqui qualquer juízo de valores sobre as obras em si, longe disso, mas se sua lista contem obras que qualquer um já entraria em contato só conversando por 5 minutos em qualquer círculo otaku, então qual o ponto da existência dela? Foi pensando nisso que eu decidi criar esta lista que agora você lê.

Para compor essa lista, eu decidi me focar em animes recentes não muito falados. Vamos clarificar essa frase. Em primeiro lugar, prestem atenção que eu digo animes não muito falados. Não foi minha intenção procurar animes desconhecidos e obscuros, ainda que um ou outro aqui certamente caia nisso. Antes, são apenas animes que não costumam ser muito discutidos. Talvez alguns deles você até já conheça de nome, apenas nunca parou para ver do que eles realmente se tratam. Em segundo lugar, por “recentes” eu me refiro a qualquer obra de 2010 até o presente (ainda que na prática a lista acabou ficando no intervalo de 2010 a 2013). Finalmente, é bom dar o meu aviso de sempre: isto é uma lista, não um top. De forma nenhuma quero dizer que estes são os melhores animes recentes que há, e mesmo a ordem deles na lista é puramente cronológica. São apenas 10 animes recentes que acredito que o leitor pode gostar. E feitos os avisos, vamos à lista.

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Review – Hourou Musuko (Mangá)

Hourou Musuko Capas dos volumes 1, 2 e 3
Hourou Musuko
Capas dos volumes 1, 2 e 3

Lançado em dezembro de 2002 e finalizado em agosto de 2013, Hourou Musuko, mangá de autoria de Takako Shimura e publicado originalmente pela revista seinen Comic Beam, foi certamente uma obra bem sucedida. Em seus pouco mais de dez anos de publicação, a obra não apenas atraiu um bom público, com mais de um milhão de cópias do mangá estando em circulação em 2013, como ainda foi um bom sucesso de críticas, sendo nominada para o Japan Media Arts Festival de 2006, bem como para a lista de “Melhor Graphic Novel para Adolescentes” da Young Adult Library Services Association, em 2012. E, pessoalmente, posso dizer que toda essa atenção é devidamente merecida. Tendo lido os 15 volumes do mangá, eu posso dizer que Hourou Musuko é uma obra única, e isso em mais de um aspecto. Seus personagens, sua narrativa, suas temáticas, não seria exagero meu dizer que é difícil encontrar paralelo para esta obra. Obviamente, ela não é isenta de alguns defeitos, mas eu sinceramente acredito que as qualidades em muito os superam.

Sobre o que é a obra, então? Bom… Hourou Musuko é um slice of life que segue a história de duas crianças transexuais, Shuuichi Nitori e Yoshino Takatsuki, sendo que ao longo da trama vamos acompanhando a estes personagens conforme eles atravessam o segundo ciclo do enino fundamental e todo o ensino médio. Percorrendo quase dez anos da vida destes personagens, a história mostra como seus personagens lidam não apenas com a própria transexualidade, como também com questões como identidade de gênero, puberdade, sexualidade, conflitos familiares, bullying, e outros tantos temas que raramente encontramos em uma mesma história, ao menos com o mesmo grau de detalhamento. Sim, pois este é talvez o principal mérito de Hourou Musuko: é uma obra que soube tratar destes temas com o devido respeito, e também com a devida profundidade. E isso sem abdicar de forma alguma do trabalho em cima de seus personagens, sendo o cast do manga alguns dos personagens mais realistas que eu já vi. Uma boa mescla de comédia e drama, com temáticas provocativas e um ótimo grupo de personagens principais e secundários, Hourou Musuko é definitivamente uma obra que vale a pena ser lida. Falar mais do que isso, porém, irá exigir entrar em spoilers, então fiquem avisados caso decidam continuar a leitura.

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Hourou Musuko – Identidade de Gênero e Transexualidade

Menino ou menina: de que é feito o gênero?
Menino ou menina: de que é feito o gênero?

Em março de 2011, chegava às televisões japonesas um anime que só pode ser descrito como único de seu tipo. Baseado no mangá homônimo de Takako Shimura, uma mangaka conhecida por suas obras envolvendo temáticas LGBT, Hourou Musuko (algo como “Filho Errante”, em tradução livre) é um anime de 12 episódios produzido pelo estúdio AIC e com direção de Ei Aoki, atualmente mais conhecido por seu envolvimento em séries como Fate/Zero e Aldnoah.Zero. E em sua trama somos apresentados ao dia-a-dia de duas crianças… diferentes, por assim dizer. Shuichi Nitori, protagonista do anime, é biologicamente um menino, porém demonstra um forte desejo por se tornar uma menina, tendo mesmo o hábito de usar roupas femininas sempre que possível. Yoshino Takatsuki, co-protagonista junto a Nitori, por sua vez, é seu completo oposto: biologicamente uma menina, apresenta um forte desejo de se tornar um menino, demonstrando mesmo intenso desgosto pela sua fisionomia feminina. Ao longo da história, acompanhamos a entrada destes dois no que seria o nosso equivalente a um “Ensino Fundamental II”, ou “Ginasial”, e observamos como eles interagem uns com os outros, quais seus círculos de amizade, bem como lentamente vão desenvolvendo de forma clara e precisa essa insatisfação para com o próprio corpo e como lidam com isso. E por simples que seja essa proposta, eu posso dizer que este é um dos melhores animes que eu já assisti, muito possivelmente entrando naquele pequeno rol de obras que chegam o mais perto possível de serem “perfeitas”.

Contudo, já adianto que este texto não será uma review. Inclusive porquê eu já escrevi uma, então quem quiser ver as minhas opiniões sobre este anime pode apenas seguir o link. Não, neste texto eu irei partir do anime para discutir aquilo que é a sua questão basilar, o assunto sobre o qual toda a obra está assentada: a transexualidade. O que é. O que não é. Porque existe. Como se manifesta. E, é claro, como o anime a aborda. E estejam avisados: esse texto será grande. Para tratar propriamente deste tema, vamos ter de falar de uma série de outros assuntos que perpassam as mais diversas áreas do conhecimento. Da psicologia à biologia. Da sociologia à história. Da antropologia à genética. Se queremos fazer justiça a uma temática que é em si absurdamente complexa (e bom, ao menos eu quero [rs]) fazer algo assim é o mínimo necessário. Então eu vou dizer isso agora: neste texto, eu irei tratar de assuntos que são, no mínimo, desconfortáveis para a maioria. Identidade de gênero, sexualidade, orientação sexual… Se você realmente tem problema com estas temáticas, talvez seja uma boa ideia ir ler algum dos outros textos deste blog. Além disso, dadas as temáticas apresentadas esse texto provavelmente seria mais indicado para aqueles com um pouco mais de idade, então eu vou recomendar bom senso por parte dos leitores. Finalmente, e como último aviso, haverá spoilers. Apesar de eu ter tentado evitar falar qualquer maior reviravolta do roteiro, não dá para falar sobre este assunto a partir do anime sem falar do anime, então se você ainda não viu Hourou Musuko e tem problemas com spoilers talvez seja melhor ir assistir a obra primeiro. E dados todos os avisos, vamos então começar.

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Review – Hourou Musuko (Anime)

Hourou Musuko
Hourou Musuko

Em um mundo onde toda forma de entretenimento parece direcionada a um nicho específico, é difícil vermos histórias que tão somente querem ser elas mesmas. Histórias cuja preocupação não é agradar a público X ou faixa etária Y. Histórias que não são criadas pensando em como chamar atenção, ou em como colocar elementos que garantam uma boa venda de qualquer que seja a mídia física em que ela será distribuída, mas sim criadas porque alguém tinha uma história para contar. Uma mensagem a passar. Um sentimento a despertar. É… histórias assim são raras. Arte assim vem se tornando cada vez mais rara. Mas… ainda aparece, uma vez ou outra, um caso do tipo. Hourou Musuko é, sem dúvida, um destes casos. Uma história que apenas deseja ser a si própria, independentemente do que pensarão aqueles que a virem. Uma interessante metáfora para seus próprios personagens, talvez. Um garoto que quer ser garota. E uma garota que quer ser garoto. Que melhor forma de contar uma história assim?

Inspirada no mangá homônimo de Takako Shimura e produzido pelo estúdio AIC, com direção de Ei Aoki, este anime de 11 episódios (12 na versão Blue Ray) foi ao ar nas televisões japonesas em 2011. Tratando de temas como a transexualidade, identidade de gênero, orientação sexual, o início da puberdade e a auto-aceitação, a história é um “slice of life” que se foca em Shuichi Nitori, um menino que deseja tornar-se menina, e sua amiga Yoshino Takatsuki, uma menina que deseja tornar-se menino. Mas se engana aquele que espera que este anime seja extremamente dramático. Sim, quando ele quer ser dramático, ele o é, com cenas que possivelmente causarão um forte aperto no coração do espectador. Mas ao mesmo tempo é um anime que sabe ser leve, tendo inclusive um ótimo timing cômico. O tipo de história que normalmente se termina com os olhos lacrimejando e um sorriso de satisfação no rosto. Caso ainda não tenha visto o anime, eu fortemente recomendo, sobretudo pela forma madura com que ele aborda um tema que, infelizmente, ainda costuma ser usado apenas para fazer piada, sobretudo no meio dos animes. É uma ótima história, com ótimos personagens e uma abordagem única de uma temática pouco explorada. Se isso não lhe convence, então nada irá (rs). E agora, vamos para a review. A partir daqui, spoilers rolarão solto, então sigam por sua conta e risco.

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