Antiguidades – Instant History: a Primeira Série Japonesa em Animação para a TV

Instant History // Antiguidade 25/11/2017 1
Instant History / Otogi Manga Calendar

Se perguntados qual teria sido o primeiro anime para a televisão, os poucos que se aventurariam a responder talvez citassem a adaptação do mangá homônimo de Osamu Tezuka, Tetsuwan Atom (Astro Boy), que foi ao ar em 1963. Mas enquanto esse anime estabeleceu precedentes importantíssimos que viriam a definir a industria pelas décadas seguintes, fato é que as animações japonesas já haviam ingressado na televisão alguns anos antes, na forma de alguns curtas de um único episódio ou de centenas de comerciais animados.

Há, porém, um caso curioso dentre esses animes que precederam Tetsuwan Atom. Trata-se de Instant History, do estúdio Otogi Pro, que leva o título de primeiro anime seriado da televisão japonesa. Com episódios curtinhos, de apenas alguns minutos, a animação contava o que havia ocorrido “neste dia na história” através dos olhos de um personagem que descobria a resposta por si mesmo. O primeiro episódio foi lançado em 1961, e a série ficou no ar até o ano seguinte, 1962. Nesse ano, ela mudou de canal e de nome: da Fuji TV ela passou para a TBS, e de Instant History ela passou a se chamar Otogi Manga Calendar, nome pelo qual é mais conhecida hoje.

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Antiguidades – Namakura Gatana e o 100º Aniversário da Animação Japonesa

Namakuragatana // Antiguidade 04/11/2017 1
Namakura Gatana

Em 2017 os animes completam 100 anos de existência, ou ao menos é o que nos diz o site Japanese Animated Film Classics. O site foi criado pelo Centro Nacional de Cinema, do Museu Nacional de Arte Moderna de Tóquio, em comemoração a essa data. O propósito do mesmo é o de streaming de filmes clássicos da animação japonesa, sobretudo aqueles produzidos entre as décadas de 1920 e 1940, e segundo notícia do Anime News Network o site deve ficar no ar apenas até o final deste ano.

A data obviamente não foi escolhida ao acaso: 1917 foi certamente um ano seminal para os animes. Enquanto Katsudo Shashin demonstra que experimentos com a mídia já ocorriam há um tempo, 1917 foi o ano em que a animação japonesa efetivamente chegou ao cinemas, e isso graças ao trabalho pioneiro de três indivíduos que viriam a ser conhecidos como os “pais” do anime: Shimokawa Oten, Kitayama Seitaro e Kouchi Jun’ichi. Infelizmente, porém, quase tudo dessa época se perdeu.

Muito do que sabemos sobre os anos iniciais da animação japonesa vem de fontes secundárias. No melhor dos casos encontramos notícias da época anunciando a exibição de um ou outro filme, ao passo que em situações menos favoráveis só podemos contar com os relatos daqueles envolvidos na produção dos filmes, relatos estes muitas vezes dados décadas após o lançamento efetivo dessas animações. Há, porém, duas exceções notáveis, uma das quais sendo o primeiro filme de Kouchi Jun’ichi, Namakura Gatana.

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Review – Sarusuberi: Miss Hokusai (Anime)

Miss Hokusai // Review 24/03/2017 1
Sarusuberi: Miss Hokusai

Sarusuberi: Miss Hokusai é um caso no mínimo curioso em termos de adaptação. Produzido pelo estúdio Production I.G., com direção de Keiichi Hara e lançado em 2015, o filme adapta ao mangá Sarusuberi, escrito e ilustrado por Hinako Sugiura. O curioso aqui está no fato de Sarusuberi, o mangá, foi lançado na revista semanal Manga Sunday, entre 1983 e 1987, com quase 30 anos separando-o de sua adaptação. Já um pouco menos surpreendente, mas ainda interessante de apontar, é o fato de que aparentemente o filme fez algumas mudanças em relação à obra original. O traço é a mais óbvia, com o mangá buscando um traço mais próximo àquele do japão do período onde se passa a história – o período Edo -, enquanto que os traços do filme são claramente mais modernos. Mas saindo da estética e entrando na história, parece que o filme introduz algumas cenas próprias, além de dar uma maior atenção a personagens que, no mangá, são bem mais secundários. O essencial, porém, foi mantido, e a premissa de ambos se mantém a mesma.

A história é focada no dia a dia de O-Ei, artista e filha de Katsushika Hokusai. Ambos são figuras históricas reais, com Hokusai (1760 – 1849) muitas vezes sendo apontado como o primeiro a usar do termo “mangá” para descrever o seu trabalho, em particular a sua série de pinturas Hokusai Manga. Claro, até que ponto podemos considerá-lo “biográfico” é algo que irei discutir mais adiante, mas é bom ter em mente que orbas desse tipo não devem ser de cara entendidas como um perfeito retrato do passado (ou das pessoas) que representam. E é importante salientar que aqui não há exatamente uma trama propriamente dita, com o filme assumindo um formato muito mais de slice of life, mostrando alguns momentos na vida de O-Ei. Isso em si mesmo pode afastar muitas pessoas, sobretudo aqueles que procurem uma estrutura narrativa mais convencional. Mas ainda recomendaria que dessem uma conferida no filme. É uma obra excelente, que se utiliza muito bem de seu tempo. Além disso, a partir daqui o texto terá spoilers, então considere esse o seu aviso.

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[Vídeo] Uma Breve Indicação – Katanagatari

Mais recente vídeo do canal /o/ E se por acaso você já conhece o anime, não deixe de conferir também a review dele aqui no blog. Em adição, repito aqui o aviso no final do vídeo: na próxima semana, não haverá nem artigo na sexta (21/10), nem vídeo no sábado (22/10), pois estarei em viagem. Na semana seguinte já volta tudo ao normal, então até lá o/

[Vídeo] Uma Breve Análise – Baccano

Segundo vídeo do canal, desta vez adaptando o texto da análise de Baccano, lançado aqui no Blog como o primeiro artigo do quadro “Uma Breve Análise”. Confiram o vídeo, deem a sua opinião, e se inscrevam no canal se ainda não o fizeram o/

Uma Breve Análise – Baccano: As Várias Facetas de uma História

Baccano // Análise 26/06/2016 1
Baccano

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

No começo de Baccano, anime de 2007 do estúdio Brain’s Base, e baseado em uma série de light novels de mesmo nome, nós temos uma cena que, na minha opinião, perfeitamente resume qual é o ponto de todo o anime.

A cena em questão é a primeira do primeiro episódio, e começa com a garotinha Carol, conforme ela olha uma série de livros e documentos. Um homem então entra na sala, e nós descobrimos que ambos, ele e a garota, trabalham para o jornal Daily Days, ele como Vice-Diretor e a menina como sua assistente.

Quando perguntada sobre o que está fazendo, Carol diz que estava pensando sobre a série de eventos que teve início em 1930, ao que seu superior pergunta por que ela acha que os eventos tiveram início naquele ponto. Agora, eu não vou descrever aqui toda a cena, e fortemente recomendo a qualquer um que assista este anime, mas eu quero comentar brevemente a fala final do Vice-Diretor do Daily Days, que encerra a conversa: a ideia de que em um evento existem tantas histórias quanto o número de pessoas envolvidas nele.

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Review – Katanagatari (Anime)

Katanagatari // Review 08/04/2016 // 1
Katanagatari

Existe uma pequena “armadilha”, por assim dizer, na qual eventualmente caímos quando falamos de um anime, ou mangá, ou qualquer obra de tipo mais seriado. É uma armadilha que ocorre sobretudo quando duas características se combinam. Primeiro, a obra precisa ser bastante acima da média, quanto mais perto de ser uma “obra-prima” melhor. E segundo, ela precisa ser uma obra que começa relativamente “normal”, mas após algum evento ao longo desta a sua qualidade escalona até atingir esse ponto de “masterpiece“. A armadilha aqui é que ao falar dessa obra para outra pessoa, você, como alguém que a viu por completo, sabe a enorme qualidade que ela atinge ao longo dela. Mas a pessoa para a qual você está falando dela, não. Como tal, se você exagera demais a excelência da obra sem levar em consideração que os primeiros episódios são um bild up para o que vem depois, é possível que a pessoa para a qual você recomendou essa obra acabe se decepcionando com o começo dela. E eu faço toda essa pequena reflexão porque Katanagatari, adaptação de uma série de  light novels de mesmo nome, escritas por Nisio Isin, poderia facilmente cair nessa armadilha. Uma produção do estúdio White Fox, com direção de Keitaro Motonaga, o anime tem um começo bastante “comum”, mas é o seu final que o coloca como excepcional.

A série possui 12 episódios, cada qual com cerca de 50 minutos, que foram lançados entre janeiro e dezembro de 2010, um episódio por mês. A história começa quando Togame, uma estrategista a serviço do xogunato, chega à ilha onde vive Yasuri Shichika, que fora banido para lá junto de seu pai e sua irmã há 20 anos. Originalmente, Togame busca pelo pai de Shichika, mas quando este lhe informa que ele já havia falecido, Togame decide então pedir ajuda ao próprio Shichika. Acontece que ela está em busca de 12 espadas lendárias, forjadas por Shikizaki Kiki, cada qual portando habilidades especiais que poderiam repelir a todo um exército. Contudo, nessa busca ela já fora traída duas vezes, uma pelo mais forte espadachim do Japão, Sabi Hakuei, e outra pelo grupo ninja Maniwa. Como a traição de ambos foi que ao acharem uma espada decidiram ficar com ela, Togame decidiu buscar a ajuda de alguém que lutasse sem espadas, e como aquele que herdou o estilo de combate a mãos Kyoutoryuu, Shichika é a escolha ideal. Assim, o anime acompanha a jornada destes dois pelo Japão do período Edo, conforme buscam pelas espadas e enfrentam toda sorte de adversidades. É um ótimo anime, que vai ficando progressivamente mais profundo em seus temas a cada episódio, e definitivamente vale a pena assistir. Isso dito, para falar mais a respeito eu vou precisar entrar em spoilers, então fica aqui o aviso do que vem pela frente. Se não quiser revelações do roteiro (incluindo o final do anime), é melhor parar a leitura por aqui.

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Review – Baccano! (Anime)

Baccano // Review 05/03/2015 // 1
Baccano!

Mais frequentemente do que seria de se esperar, alguns animes parecem cair numa estranha categoria de “muito bem recebido, mas bem pouco popular”. Baccano!, produção do estúdio Brain’s Base e baseado na série homônima de ligth novels de Ryogo Narita, é um excelente exemplo. É bastante raro vermos afirmações contra a série, que foi ao ar nas televisões japonesas em 2007, contando com 13 episódios televisionados e mais 3 OVAs incluídos na versão em DVD. Em fato, quase todos aqueles que viram o anime parecem colocá-lo em algum lugar entre “mediananamente bom” e “groundbreaking masterpiece“. Ainda assim, este ainda é um anime relativamente desconhecido, pelo menos entre aqueles que não se aprofundaram ainda tanto no meio otaku. Talvez seja por conta de sua idade ou por ele não ter tido exatamente um imenso impacto no ano em que saiu, mas independente do motivo me parece que este anime merece um pouco mais de atenção do que ele vem recebendo. Então, façamos exatamente isso e observemos um pouco mais esta excelente obra da animação japonesa /o/

Mas antes de mais nada, façamos aqui uma rápida sinopse da série. Num geral, Baccano! se passa majoritariamente nos Estados Unidos do começo da década de 1930, com três diferentes histórias ocorrendo em três diferentes anos. Em 1930 temos uma briga de gangues envolvendo alquimistas imortais. Em 1931, o expresso transcontinental Flying Pussyfoot deixa a plataforma com uma previsão dizendo que quem terminasse a viagem ou era sortudo ou não era humano. E em 1932 temos um jornal tentando organizar a fantástica história de uma série de eventos misteriosos que vêm ocorrendo desde o século XVIII. Tudo isso permeado com uma enorme gama de personagens, brigas de gangues, ação, comédia, mistério e mesmo um pouco de romance. Uma história sem protagonista, contada de forma não-linear, na qual os destinos das personagens se cruzam no tempo e no espaço, esta é a melhor forma que eu consigo pensar para definir esta série. E eu já digo: na minha opinião, vale muito a pena assistir. Isso dito, a partir daqui a postagem pode conter alguns spoilers, então prossigam por sua conta e risco.

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