Lista – 5 Adaptações Melhores que o Original

Quase sempre, a obra original é melhor do que qualquer uma de suas adaptações. Isso não é necessariamente um demérito para a adaptação em si: ao passar uma história de uma mídia para outra há tantos fatores a se considerar que pode parecer inevitável que uma adaptação saia pior que o original. E, ainda, muitas adaptações conseguem ser realmente boas por si mesmas, mesmo que ficando abaixo do original se comparados. A palavra chave aqui, porém, é “quase”: se essa máxima vale para a maioria das obras, ainda existem algumas exceções bastante notáveis.

Para essa lista, então, eu selecionei algumas dessas exceções. Agora, para ser bem sincero, o meu escopo de obras do tipo é até que bem pequeno. É raro eu consumir a mesma história em mais de uma mídia, então normalmente eu nem tenho o que comparar para dizer qual versão é a melhor. E nos raros casos em que eu de fato consumo ambas as versões, bom, normalmente fica aquela máxima: o original é melhor. Ainda assim, consegui reunir alguns exemplares aqui, e no final do dia essa lista é menos sobre essas obras em si e mais sobre o que faz suas adaptações tão melhores que o original. E feita essa ressalva, vamos então à lista.

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Uma Breve Análise – Ghost In The Shell: Passado Sempre Presente

Ghost In The Shell
Ghost In The Shell

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Uma das coisas que eu mais gosto em Ghost In The Shell, e isso eu falo tanto para o filme de 1995, como para o anime de 2002, é que ele nunca é futurista “demais”. Ok, vamos explicar isso melhor.

Um dos problemas que eu tenho com a ficção científica é como, algumas vezes, encontramos mundo futuristas onde o passado parece simplesmente… Superado. Esquecido. Abandonado. Só que não é assim que as coisas funcionam. A invenção de novas tecnologias não implica necessariamente o abandono das antigas. Basta ver, por exemplo, que os livros não desapareceram com a invenção do iPad.

E mesmo que, de fato, a nova tecnologia se torne dominante, sempre haverá aqueles que, por um motivo ou outro, ainda se atrelam às antigas. Talvez porque não tenham a verba necessária para comprar a nova. Talvez por uma questão religiosa, ou mesmo política. Ou talvez porque simplesmente preferem a antiga, vide todos os fãs modernos do formato LP.

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Lista – 5 Animes que Vão Te Fazer Pensar.

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Não é raro encontrarmos pessoas falando que aprenderam algo com animes e mangás. Algum fato curioso, como a ordem dos planetas ou dos signos do zodíaco. Ou algum valor moral, como amizade, persistência e confiança. Tudo isso é muito bom e muito interessante, mas existem algumas obras que conseguem ir um pouco além disso. Obras que não apenas tentam passar uma lição ou ensinar algo, mas antes que procuram incentivar a reflexão e o pensamento. São obras muitas vezes simples em sua história, mas que possuem um conteúdo provocativo extremamente complexo, levantando questões morais, críticas sociais, sátiras do nosso tempo, tentando fazer as pessoas pensarem no mundo à sua volta, suas crenças, ideologias, atitudes… Animes assim são raros, ou pelo menos mais raros do que aquele tipo primeiro mencionado. Mas quando surgem são geralmente obras fantásticas, únicas, às vezes mesmo excêntricas, mas que nos mostram o quão longe, em termos de profundidade temática, pode ir essa mídia. Foi pensando nisso que criei esta pequena listagem, com 5 animes relativamente pouco falados (alguns verdadeiramente desconhecidos), mas que trazem consigo um caráter introspectivo, questionador e provocativo que certamente deixará qualquer um que os assistir pensado sobre os mais variados temas.

Mas antes da lista, vale o aviso de sempre: o que temos abaixo é uma lista, não um top. De forma nenhuma quero insinuar que estes são os únicos animes capazes de provocar a reflexão e o pensamento crítico, ou mesmo que são os melhores nisso. Mas são 5 obras que o fazem muito bem e por isso as reuni aqui. Quanto ao critério para selecioná-las, este foi duplo. Em primeiro lugar, o anime precisava estar constantemente incentivando a reflexão. Existem muitas obras que colocam alguma reflexão em meio à sua história, mas isso acaba sendo um fator menor e pouco trabalhado, até pelos objetivos da obra serem outros. Para evitar isso, os 5 animes abaixo são todos voltados para provocar a reflexão, de forma que cada novo episódio, mesmo cada nova frase, traz consigo algo a se pensar. E em segundo lugar, eu priorizei a variedade de temas. Muitos animes trabalham em cima de um só assunto ou temática, buscando incentivar a reflexão em um campo em específico, mas para esta lista escolhi 5 obras que meio que jogam seus questionamentos para todos os lados, assim se mostrando uma fonte bastante vasta de temas e críticas. E isso dito, vamos à lista.

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Ghost In The Shell S.A.C. – O Individual e o Coletivo: do Efeito Copycat ao Stand Alone Complex

Sem título
“Major” Kusanagi Motoko, líder de operações da Seção 9

Originalmente publicado na revista Weekly Young Magazine, em 1989, o mangá de Masamune ShirowKōkaku Kidōtai, daria início à franquia que ficaria mundialmente conhecida pelo seu subtítulo: The Ghost In The Shell. Acumulando diversas adaptações, do cinema aos vídeo games, este post se focará sobretudo na série animada, Ghost In The Shell: Stand Alone Complex, escrita e dirigida por Kenji Kamiyama e produzida pelo estúdio de animação Production I.G. Na série, que teve sua primeira temporada em 2002 e a segunda em 2004, acompanhamos os agentes do Setor 9 de Segurança Pública do Japão, uma unidade especializada em contra-atacar atentados de cyber-terrorismo. Ambientada no Japão de meados do século XXI, onde a integração entre o corpo humano biológico e as máquinas chegou a níveis nunca antes vistos, a série foi geralmente bem recebida, sendo criticamente aclamada desde por sua animação e trilha sonora até pela história e ambientação realista, ao menos para os padrões de uma obra de ficção científica.

Mas deixemos agora as considerações sobre as alegadas qualidades do anime e nos centremos no foco deste texto: suas questões de fundo. Em ambas as temporadas, o anime levanta diversas questões (algumas de forma mais sutil do que outras), que vão da inteiração homem e máquina até questões de políticas de estado. Mas há uma questão que é central em ambas as séries. Tão central que justamente dá o nome ao anime: a ideia de um “Stand Alone Complex” (algo como “complexo que se levanta por si só”, em tradução livre). Ao longo deste texto, farei algumas explanações sobre o conceito tal e qual aparece na série, bem como algumas contra-partidas, tanto teóricas como práticas, que podemos encontrar no mundo real. Para tanto, obviamente será necessário recorrer à spoilers, então se você for do tipo que não gosta de qualquer forma de revelação de conteúdo, e ainda não viu o anime, eu sugiro que pare a leitura por aqui. Juntando todos os episódios das duas temporadas, a série conta com um total de 52 episódios, e certamente vale a pena ser vista, até mesmo para melhor entender as considerações que serão feitas aqui.

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