Lista – 5 Filmes em Anime que Valem a Pena Assistir

Para quem por ventura ainda não saiba, na minha página no facebook eu tenho feito breves resenhas de filmes em anime, com uma nova saindo todo domingo (bom… quase todo domingo…). Entretanto, para isso eu tendo a assistir literalmente qualquer coisa: recomendações de conhecidos, obras mais famosas, hypes do momento, ou qualquer coisa com um poster legal no My Anime List. E, como resultado, eu algumas vezes acabo vendo uma obra… menos que impressionante, digamos assim. Por conta disso, já há algum tempo eu venho pensando em um tipo um pouco mais regular de lista, um no qual eu pegaria alguns dos melhores filmes que eu vou assistindo para recomendar para vocês. Obviamente, nisso entram também filmes que eu veja por fora desse quadro semanal da página, mas acho que já deu para pegar o espírito da coisa.

Agora, normalmente aqui no blog eu procuro falar de obras menos comentadas. Não necessariamente desconhecidas, mas apenas obras que você não vê as pessoas comentando com tanta frequência. E eu devo fazer isso aqui também… mas em entradas futuras. Essa primeira lista eu quero deixar para alguns filmes até que bem famosos, obras que, após assisti-las, me fizeram pensar que sua fama foi deveras merecida. Eu ainda reservei uma entrada para uma obra não tão conhecida, mas se você é um otaku hardcore com centenas de animes assistidos, provavelmente aqui não vai ter nada de novo para você. Mas se você viu poucos filmes em anime e quer algumas boas portas de entrada para este lado da mídia, aqui estão 5 que definitivamente valem o seu tempo.

Ah, e só uma última coisa: nada de estúdio Ghibli. Eventualmente eu devo fazer uma lista do tipo só com obras deles, mas por agora deixemo-os de lado um pouquinho. E dados os avisos, vamos à lista /o/

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Review – Arete Hime (Anime)

Arete Hime
Arete Hime

Contos de fadas já existem há um bom tempo, e devem continuar existindo por ainda outro tanto. Contudo, o único motivo pelo qual isto é verdade é por conta do forte caráter adaptativo destas histórias. O tempo passa, as culturas mudam, as pessoas mudam, e, finalmente, as histórias mudam. Arete Hime é, poderíamos dizer, um conto de fadas moderno, em sintonia com o mundo tal como ele é hoje. Neste sentido, é preciso, em primeiro lugar, ter em mente o público ao qual esse anime se dirige. É o público dos contos de fadas, afinal, e o filme certamente merece a classificação indicativa de “livre para todos os públicos”. Mas seria ingênuo, isso para não dizer injusto, considerar essa obra como apenas mais um desenho para crianças. Primeiro porque, como já coloquei em outros textos, é bastante preocupante a ideia que as pessoas tem de que algo ser para crianças o torna automaticamente ruim (uma ideia que, aliás, muito nos diz ao que estamos dispostos a expor as crianças). Mas em segundo lugar porque, para quem ainda não percebeu, ser “livre para todos os públicos” significa ser uma obra para toda a família: maiores inclusos.

Lançado em 2001, o filme é uma produção que aproximadamente 1h45min do estúdio 4ºC, com direção de Sunao Katabuchi. A história é inspirada em um conto de 1983, intitulado The Clever Princess, de Diana Cole. No anime, Arete é uma princesinha que deve passar seus dias em seus aposentos no castelo de seu pai, esperando pelo homem valente que prove ser capaz de a desposá-la. A menina, porém, claramente não está nada satisfeita com seu papel nesse sistema. E se essa premissa lhe parece familiar, relaxe: a obra sabe muito bem dar um tom único a este tema. É uma obra bastante introspectiva e calma, sem grandes aventuras ou contendas, o que é bastante raro quando imaginamos um filme infantil. Mas justamente por isso, é também uma obra que não subestima a sua audiência, o que, em face de alguns dos desenhos atuais, talvez seja ainda mais raro. Em adição, a forma como o anime subverte e mesmo desconstrói alguns dos clichês mais comuns dos contos de fadas fez com que o filme fosse recebido como uma obra feminista por excelência, e eu certamente consigo ver de onde viria tal afirmação. Isso dito, para falar mais eu precisarei entrar em spoilers, então já deixo aqui o aviso. Se você ainda não viu o filme, vale a pena. E no mais, vamos à review.

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Review – Tenshi no Tamago (Anime)

Tenshi no Tamago
Tenshi no Tamago

Com certa frequência, ao fazer a review de uma obra qualquer, eu acabo usando o adjetivo “única” para definir a obra em questão. Mas o que usar, então, ao topar com uma obra que é tão diferente, tão absurdamente díspar de tudo o que já vi, que mesmo a palavra “única” já não parece o suficiente para descrever o quão… bom, “única”, é a obra em questão? Sinceramente, eu não sei. Mas qualquer que seja essa palavra, ela certamente se aplica ao anime desta review. Uma produção da Tokuma Shoten [1], com direção de Mamoru Oshii, o OVA de 71 minutos Tenshi no Tamago foi lançado em 1985, e foi inicialmente um verdadeiro fracasso de vendas. Contudo, o tempo passou,  e hoje o filme é muito mais bem recebido. E dá para entender porque. Do ponto de vista artístico, incluindo ai elementos que vão da composição das cenas, passando pela arte (sobretudo a arte dos cenários), até o uso do simbolismo que permeia todo o filme, esta obra é claramente excelente, para dizer um mínimo. Mas dá para entender o inicial descontentamento, pois tudo o que filme tem de excelente em sua parte técnica e artística ele tem de praticamente inexistente em sua parte narrativa.

Tenshi no Tamago é a história de uma menina, cujo nome nunca chegamos a saber, que passa seu dia correndo por uma cidade, aparentemente deserta, com um enorme ovo por debaixo do vestido. Eventualmente, durante sua caminhada, ela acaba encontrando com um homem, do qual também nunca aprendemos o nome, que parece ser algum tipo de soldado ou militar. Falar mais do que isso, porém, irá exigir alguns spoilers. Agora, quem já leu outras reviews minhas deve saber que esta seria a parte em que eu recomendaria ao leito que fosse assistir a obra antes de continuar a leitura. E eu meio que mantenho isso, mas desta vez é preciso fazer uma ressalva: esse filme não é para qualquer um. Honestamente, muito me surpreendeu que eu não tenha odiado esse filme. Acima de tudo, esse filme é uma experiência e uma experimentação áudio-visual e artística. Ele é extremamente confuso, e praticamente nada nele é explicado. Além disso, ele é lotado de simbolismos que podem ou não querer dizer alguma coisa sobre alguma coisa. É, é nesse nível… Honestamente, eu só digo que vale a pena dar uma chance porque é pouco mais de uma hora de filme, então não é como se você estivesse perdendo muito mesmo que acabe não gostando. E feitos todos os avisos, vamos à review.

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Review – Summer Wars (Mangá)

"Summer Wars", volumes 1, 2 e 3. Editora JBC.
“Summer Wars”, volumes 1, 2 e 3. Editora JBC.

Em 2009 chegava aos cinemas japoneses o filme Summer Wars, do conhecido diretor Mamoru Hosoda, com animação feita pelo estúdio Madhouse. No filme, temos uma trama relativamente simples: Koiso Kenji, um garoto ensino médio com um talento anormal para matemática, é chamado por Shinohara Natsuki, sua veterana, para um “bico” de alguns dias, que aparentemente consistia em acompanhá-la em uma viagem ao interior. Animado com a ideia, ele aceita sem perguntar maiores detalhes, somente para depois descobrir que o verdadeiro objetivo de Natsuki era conseguir um namorado falso para apresentar à sua família no aniversário de 90 anos de sua bisavó. Mas ter de bancar o namorado será o menor dos problemas de Kenji. “Oz”, um mundo virtual que se tornou praticamente um sinônimo da internet, por meio do qual absolutamente tudo pode ser feito, de transações bancárias ao controle dos vários sistemas de uma cidade, desde o de transporte até o controle de emergências e a distribuição de água. Na sua primeira noite na casa dos parentes de Natsuki, Kenji recebe em seu celular uma sequência de mais de 2000 dígitos numéricos, com o título “resolva-me”. A decifrar o código e enviar sua resposta, Kenji tem sua conta em Oz roubada. Mas não apenas isso: o que ele acabara de decifrar era justamente o sistema de segurança de Oz, permitindo a alguém invadir e hackear o sistema. Agora, o mundo inteiro corre perigo enquanto o aparentemente inofensivo Oz se mostra a mais perigosa arma já desenvolvida.

Em um geral, o filme foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, tendo um enorme sucesso não apenas no Japão como também em diversos outros países. Mas… Não estou aqui para falar do filme, como podem imaginar. Apenas três meses após a exibição do filme, uma versão em mangá, de autoria de Iqura Sugimoto, começou a ser serializada na revista mensal seinen Young Ace. O nome da adaptação se manteve como Summer Wars e a trama é virtualmente idêntica à do filme, tendo resultado em um total de 3 volumes, que chegaram a ser publicados no Brasil pela editora JBC em 2011. Bom, nesse momento alguns devem estar se perguntando porque eu pretendo falar do mangá, ao invés de fazer uma resenha do filme, que é a obra original. O motivo disso é porque, bem, o mangá é simplesmente melhor. Sim, trata-se de um daqueles raríssimos casos onde temos uma adaptação que efetivamente consegue superar a obra original, ao menos na minha opinião. Para falar mais a respeito eu vou precisar começar a entrar em spoilers, então acho melhor ir parando por aqui. Tanto o filme como o mangá são obras excelentes e bastante divertidas, que definitivamente valem a pena serem vistos, então vá dar uma conferida se ainda não o fez. Isso dito, spoilers a partir daqui, prossiga por sua conta e risco (rs).

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Como julgar uma adaptação?

Esta é uma questão que muitos já se depararam com. Quantos de nós já não rangeram os dentes ao vermos uma má adaptação de uma obra que gostamos? Por outro lado, quantos de nós já não se doeram ao ler comentários depreciativos de uma franquia que gostamos embasados puramente naquela adaptação para cinema ou televisão? Quantos de nós já não começaram uma crítica ou uma explicação com “mas no mangá…” ou “no anime…”? Vou chutar por baixo e dizer que a resposta seria: muitos.

Quase todos nós temos aquela adaptação que detestamos. Seja uma adaptação de um anime no cinema, um mangá em anime, um livro em filme e por ai vai, via de regra todos nós já torcemos o nariz para algo do gênero. Muitas vezes, o fazemos com razão, afinal, de fato existem adaptações muito “pobres”, para dizer o mínimo. Outras vezes, porém, esse ressentimento para com a adaptação em questão vem, na verdade, de uma falsa expectativa. Grande parte dos que criticam alguma adaptação o fazem se embasando não no que a adaptação faz, mas sim no que ela não faz. Aquele evento que tinha no mangá e não apareceu no anime. Aquele personagem que não apareceu no filme e tinha no anime. Aquele objeto que o livro descreve em tantos detalhes para nem aparecer no filme. Em suma: espera-se da adaptação total e completa fidelidade aos eventos, personagens e situações da obra original. Não ocorrendo tanto, surge um sentimento de frustração que leva muitos a criticarem ferrenhamente uma adaptação, mesmo que sem qualquer argumento para além de “mas na obra original não era assim”.

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