[Vídeo] Uma Breve Análise – Hourou Musuko

Mais novo vídeo do canal \o/ Hourou Musuko é um título sobre o qual eu já queria falar no canal há um tempo. É um anime simplesmente excelente, adaptando a um mangá também ele próprio fenomenal. Quem ainda não conhece a obra, vale muito a pena dar uma chance. E quem já conhece, sempre vale a pena voltar a pensar sobre ela um pouquinho.

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Uma Breve Análise – Re:Creators: Vocaloids, Originalidade e o Simulacro

Qual o papel da originalidade na era do simulacro?

Eu quero já começar dizendo que essa análise vai ser um pouco mais densa e um pouco mais longa do que o normal. Mas Re:Creators abre tanta margem para discutir alguns assuntos em profundidade que eu não poderia fazer só alguns parágrafos curtos. Dito isso, eu ainda fiz o possível que o texto não fosse excessivamente confuso.

Vamos lá: para quem talvez não saiba, Re:Creators é a mais nova produção do estúdio Troyca, um anime original com roteiro de Rei Hiroe e direção de Ei Aoki. A premissa da história é a de que personagens das mais diversas mídias – anime, mangá, light novel, videogames – começaram a aparecer na Tóquio moderna, aparentemente trazidos pela misteriosa Princesa de Uniforme Militar. Quais os seus objetivos é um mistério que desvendamos conforme o anime avança, mas desde cedo uma coisa fica bem clara: se os personagens, aqui chamados Criações, não voltarem logo aos seus mundos, a própria realidade pode estar em perigo.

Agora, eu vou dizer que, modéstia à parte, eu provavelmente fiz o anime soar mais interessante do que ele realmente é. Ele tem bons momentos, mas que são exatamente isso: momentos. Há boas ideias e bons conceitos aqui, mas mais de uma vez a execução deixa a desejar. Não chega a ser um flop completo, mas digamos que a obra é, quando muito, mediana. Dito isso, ela levanta algumas questões que valem a pena comentar. Ah, mas antes, fica o aviso: spoilers a partir daqui, então sigam por sua conta e risco.

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Uma Breve Análise – Fate/Zero: Uma Tragédia

Fate Zero // Análise 11/09/2016 1
Fate/Zero

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Antes de mais nada, eu preciso deixar avisado que o texto a seguir irá conter spoilers do final do anime Fate/Zero. Se você não viu o anime ainda e não quer saber como a história acaba, sugiro parar a leitura aqui. Embora… Esse é um anime que você talvez devesse saber o final de antemão.

Ao final de Fate/Zero, Emiya Kiritsugu finalmente alcança ao Santo Graal, o objetivo final do conflito envolvendo os sete magos e seus servos. Porém, em uma virada na história, descobre-se que o Graal está corrompido. Como consequência, Kiritsugu ordena à sua serva, Saber, que destrua o Graal. Após isso, porém, o que parece ser um imenso portal se abre nos céus, e desde desce uma substância que começa a devastar a cidade abaixo, matando sabe-se lá quantas pessoas.

Dizer que este é um final trágico talvez soe como óbvio, a princípio, mas a verdade não é assim tão simples. Bom, pelo menos a depender do que você entende por “trágico”.

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Uma Breve Análise – Hourou Musuko: Disposição Espacial

Hourou Musuko // Análise 24/07/2016 // 1
Hourou Musuko

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Existe uma cena no episódio 2 de Hourou Musuko, anime de 2011 do estúdio AIC sobre duas crianças transexuais, Takatsuki e Nitori, que eu gostaria de destrinchar um momento.

Agora, se você ainda não viu Hourou Musuko, tenha em mente de que haverá alguns spoilers menores abaixo, referentes aos dois primeiros episódios.

Dito isso, a cena em questão (reproduzida acima) ocorre já perto do final do segundo episódio, e está dentro de um contexto bastante específico. Dois fatos levaram a esta cena: o primeiro deles sendo a fala de Sasa que, cansada da animosidade cercando suas duas amigas, Takatsuki e Saori, diz que não falará com ambas até que estas façam as pazes; já o segundo fato é a personalidade da Saori ter lhe conseguido a antipatia de algumas estudantes mais velhas, o que deu à Takatsuki a desculpa perfeita para convencer a Saori a ir para casa em grupo.

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Hourou Musuko – Identidade de Gênero e Transexualidade

Hourou Musuko // Análise 17/09/2015 // 1
Menino ou menina: de que é feito o gênero?

Em março de 2011, chegava às televisões japonesas um anime que só pode ser descrito como único de seu tipo. Baseado no mangá homônimo de Takako Shimura, uma mangaka conhecida por suas obras envolvendo temáticas LGBT, Hourou Musuko (algo como “Filho Errante”, em tradução livre) é um anime de 12 episódios produzido pelo estúdio AIC e com direção de Ei Aoki, atualmente mais conhecido por seu envolvimento em séries como Fate/Zero e Aldnoah.Zero. E em sua trama somos apresentados ao dia-a-dia de duas crianças… diferentes, por assim dizer. Shuichi Nitori, protagonista do anime, é biologicamente um menino, porém demonstra um forte desejo por se tornar uma menina, tendo mesmo o hábito de usar roupas femininas sempre que possível. Yoshino Takatsuki, co-protagonista junto a Nitori, por sua vez, é seu completo oposto: biologicamente uma menina, apresenta um forte desejo de se tornar um menino, demonstrando mesmo intenso desgosto pela sua fisionomia feminina. Ao longo da história, acompanhamos a entrada destes dois no que seria o nosso equivalente a um “Ensino Fundamental II”, ou “Ginasial”, e observamos como eles interagem uns com os outros, quais seus círculos de amizade, bem como lentamente vão desenvolvendo de forma clara e precisa essa insatisfação para com o próprio corpo e como lidam com isso. E por simples que seja essa proposta, eu posso dizer que este é um dos melhores animes que eu já assisti, muito possivelmente entrando naquele pequeno rol de obras que chegam o mais perto possível de serem “perfeitas”.

Contudo, já adianto que este texto não será uma review. Inclusive porquê eu já escrevi uma, então quem quiser ver as minhas opiniões sobre este anime pode apenas seguir o link. Não, neste texto eu irei partir do anime para discutir aquilo que é a sua questão basilar, o assunto sobre o qual toda a obra está assentada: a transexualidade. O que é. O que não é. Porque existe. Como se manifesta. E, é claro, como o anime a aborda. E estejam avisados: esse texto será grande. Para tratar propriamente deste tema, vamos ter de falar de uma série de outros assuntos que perpassam as mais diversas áreas do conhecimento. Da psicologia à biologia. Da sociologia à história. Da antropologia à genética. Se queremos fazer justiça a uma temática que é em si absurdamente complexa (e bom, ao menos eu quero [rs]) fazer algo assim é o mínimo necessário. Então eu vou dizer isso agora: neste texto, eu irei tratar de assuntos que são, no mínimo, desconfortáveis para a maioria. Identidade de gênero, sexualidade, orientação sexual… Se você realmente tem problema com estas temáticas, talvez seja uma boa ideia ir ler algum dos outros textos deste blog. Além disso, dadas as temáticas apresentadas esse texto provavelmente seria mais indicado para aqueles com um pouco mais de idade, então eu vou recomendar bom senso por parte dos leitores. Finalmente, e como último aviso, haverá spoilers. Apesar de eu ter tentado evitar falar qualquer maior reviravolta do roteiro, não dá para falar sobre este assunto a partir do anime sem falar do anime, então se você ainda não viu Hourou Musuko e tem problemas com spoilers talvez seja melhor ir assistir a obra primeiro. E dados todos os avisos, vamos então começar.

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Review – Hourou Musuko (Anime)

Hourou Musuko // Review 07/05/2015 // 1
Hourou Musuko

Em um mundo onde toda forma de entretenimento parece direcionada a um nicho específico, é difícil vermos histórias que tão somente querem ser elas mesmas. Histórias cuja preocupação não é agradar a público X ou faixa etária Y. Histórias que não são criadas pensando em como chamar atenção, ou em como colocar elementos que garantam uma boa venda de qualquer que seja a mídia física em que ela será distribuída, mas sim criadas porque alguém tinha uma história para contar. Uma mensagem a passar. Um sentimento a despertar. É… histórias assim são raras. Arte assim vem se tornando cada vez mais rara. Mas… ainda aparece, uma vez ou outra, um caso do tipo. Hourou Musuko é, sem dúvida, um destes casos. Uma história que apenas deseja ser a si própria, independentemente do que pensarão aqueles que a virem. Uma interessante metáfora para seus próprios personagens, talvez. Um garoto que quer ser garota. E uma garota que quer ser garoto. Que melhor forma de contar uma história assim?

Inspirada no mangá homônimo de Takako Shimura e produzido pelo estúdio AIC, com direção de Ei Aoki, este anime de 11 episódios (12 na versão Blue Ray) foi ao ar nas televisões japonesas em 2011. Tratando de temas como a transexualidade, identidade de gênero, orientação sexual, o início da puberdade e a auto-aceitação, a história é um “slice of life” que se foca em Shuichi Nitori, um menino que deseja tornar-se menina, e sua amiga Yoshino Takatsuki, uma menina que deseja tornar-se menino. Mas se engana aquele que espera que este anime seja extremamente dramático. Sim, quando ele quer ser dramático, ele o é, com cenas que possivelmente causarão um forte aperto no coração do espectador. Mas ao mesmo tempo é um anime que sabe ser leve, tendo inclusive um ótimo timing cômico. O tipo de história que normalmente se termina com os olhos lacrimejando e um sorriso de satisfação no rosto. Caso ainda não tenha visto o anime, eu fortemente recomendo, sobretudo pela forma madura com que ele aborda um tema que, infelizmente, ainda costuma ser usado apenas para fazer piada, sobretudo no meio dos animes. É uma ótima história, com ótimos personagens e uma abordagem única de uma temática pouco explorada. Se isso não lhe convence, então nada irá (rs). E agora, vamos para a review. A partir daqui, spoilers rolarão solto, então sigam por sua conta e risco.

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