O ecchi arruinou os animes?

Ok, antes de mais nada, acredito que seria interessante já começar este texto dizendo o que significa “ecchi“, antes que algum leitor desavisado talvez se pegue lendo sobre algo que realmente preferiria não ler (embora eu acho que se você ainda não sabe o que é ecchi então já temos ai um forte indício de que você provavelmente não deveria estar lendo isso). Assim sendo, quando falamos, no meio dos animes e mangás, de um “ecchi“, estamos falando tanto de um recurso de roteiro quanto de todo um gênero de animação, onde podemos constatar uma excessiva sexualização da figura da mulher. E isso dos mais variados modos possíveis, desde manequins exageradamente idealizados (com cinturas extremamente finas, seios absurdamente fartos, entre outros pontos) até constantes close-ups da câmera em certas partes da anatomia feminina, notadamente os seios e as coxas. Então… é, eu recomendaria discrição e bom senso na leitura desta postagem, que provavelmente seria indicada para aqueles com um pouco mais de idade e que irá tratar de um tema relativamente controverso e problemático. Dados os devidos avisos, vamos ao assunto de fato.

Pois bem, recentemente vemos uma verdadeira extensão do ecchi. O que antes era quase um gênero próprio, quase isolado, foi avançando progressivamente ao ponto de que hoje é difícil encontrarmos um que não apresente esse elemento. Pior: muitos animes exageram no uso deste recurso, quase abandonando qualquer possibilidade de desenvolvimento real, seja de seus personagens, seja de sua história, em prol de colocar mais e mais cenas que o público mundano acharia no mínimo controversas. O resultado disso pode ser encontrado nas palavras de pessoas como Hayao Miyazaki e Hideaki Anno: uma verdadeira decadência dos animes, que se agora vêm se tornando puro material para otakus (aqui em seu sentido original, de pessoas viciadas em algo, que se trancam em seus quartos e fecham suas mentes para qualquer coisa para além de seus próprios vícios). Em suma: os animes perderam sua qualidade, e se um dia era necessário ter bons personagens e uma história bem desenvolvida para se fazer sucesso, hoje em dia basta uma personagem com seios grandes. Ou será que não?

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O princípio da necessidade.

Quando eu estou assistindo alguma coisa ou lendo alguma coisa, eu comumente presto bastante atenção no que estou vendo. Isso porque eu parto do princípio de que qualquer obra é um todo que se fecha em si mesma, no sentido de que cada elemento da obra colabora para o entendimento da mesma em algum outro aspecto. Quase como uma enorme teia, em que cada fio está ligado a outro, assim eu procuro ver os diferentes elementos daquilo que estou assistindo, lendo, ou mesmo ouvindo. Isso normalmente me leva a pensar por que um certo autor escolheu colocar na obra este ou aquele elemento, o que ele quis passar usando daquilo e como aquele elemento se liga ao resto da obra. Infelizmente, diversas vezes eu percebo que um ou outro elemento resolve-se em torno apenas de si mesmo. Como um fio que não se conecta a nada, um caminho que vai de “nenhum lugar” a “lugar nenhum”, quando eu vejo esse tipo de recurso eu só o consigo descrever em uma palavra: inútil. Então… Por que um autor o usaria?

Bom, antes de mais nada, acho melhor eu sair um pouco do campo dos termos vagos e começar a explicar melhor o que eu quero dizer. Pois bem, comecemos do começo. Até hoje, a melhor forma de expressar o que penso quando estou vendo uma história se desenrolar é a noção de forma a serviço do conteúdo. Em suma: a partir do momento que se deseja dizer algo, absolutamente tudo que representa o suporte material dessa ideia (da forma das palavras e como elas são ordenadas até as figuras de linguagem que se vai usar) deve ser usado de forma que exponha, explicite e elucide essa ideia. Em suma, uma vez que um autor faz uma escolha para a obra, eu espero que essa escolha tenha algum significado dentro da obra. Ainda confuso? Bom, vejamos então um dos melhores exemplos de quebra desse conceito: fanservice.

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