O que você pode aprender com animes?

É possível aprender algo com animes e mangás?

Você já aprendeu algo assistindo animes? Essa é uma pergunta que reaparece com algumas frequência no meio otaku de tempos em tempos, e que normalmente angaria todo tipo de respostas. Alguns, talvez já um pouco cansados de a verem tantas vezes, já partem logo para a brincadeira e a “zoeira”, e disso surgem respostas que ridicularizam clichês e estereótipos da mídia, como, digamos, “aprendi que se eu correr pela rua com uma torrada na boca vou trombar com a pessoa que gosto”, ou “aprendi que numa luta vence quem gritar mais alto”, dois clichês relativamente comuns dos mangás shoujo de romance e shounen de ação, respectivamente. Outros já tendem a dar respostas um pouco mais sérias. Nisso, alguns enfatizam eventuais curiosidades que aprenderam com alguma anime, como decorar os signos do zodíaco graças a Saint Seiya, ou os planetas do sistema solar graças a Bishoujo Senshi Sailor Moon. Já outros enfatizam mais lições de moral ou conceitos um pouco mais “abstratos”, como a importância da amizade, do companheirismo, da perseverança, e por ai vai. Curiosamente, vale apontar, talvez a resposta mais incomum seja o puro e simples “não”.

Por um lado, tanto a existência dessa pergunta como as respostas mais sérias me parecem surgir de uma espécie de desejo por validação. Um meio de autoafirmação mesmo, como que tentando dizer “isto importa” (“isto”, no caso, sendo o anime, mangá, etc.), fruto talvez de uma sociedade pragmática onde tudo precisa ter alguma utilidade para ter algum valor. Mas numa nota um pouco mais positiva, acho que parte disso vem também de uma própria autorrealização: das pessoas notarem que saíram deste ou daquele anime um pouco diferentes do que quando o começaram, e então querem saber se mais alguém teve uma experiência do tipo. O que, de certa forma, me lembra um pouco do anime Gallery Fake [review], em cuja análise do mesmo eu procurei comentar sobre como a visão de arte do anime se resume em “aquilo que fica conosco”. Arte, ou pelo menos boa arte, seria aquilo que impacta, e que por isso mesmo permanece em nossa mente por um bom tempo: seja um quadro, uma escultura, mesmo um objeto mecânico ou uma joia rara, quando bem feita a arte transforma aquele que a vê, mesmo que talvez só um pouquinho.

Continuar lendo

Anúncios