Uma Breve Análise – Neon Genesis Evangelion: Uma História Otimista

Sim, é sério.

Shinseiki no Evangelion (ou Neon Genesis Evangelion), é facilmente uma das mais importantes franquias da animação japonesa. Gostemos ou não do anime enquanto obra, fato é que o seu impacto na mídia não pode ser subestimado. Infelizmente, o que também não pode ser subestimado é o quão horrivelmente mal compreendida a obra foi. Não é nenhum segredo que Hideaki Anno, diretor do anime, pretendia que o mesmo fosse uma forte crítica ao otaku recluso da época, mas a quantia de dakimakura da Ayanami Rey ainda hoje a venda mostra que a capacidade interpretativa dos otakus japoneses não está muito mais longe que a do brasileiro médio.

Mas meu cinismo de lado, sobre o que é Neon Genesis Evangelion? Para os poucos que talvez nunca tenham ouvido falar nesse anime, uma produção original do estúdio GAINAX de 1995, a história começa quando Ikari Shinji é chamado por seu pai, Gendou, para as instalações da NERV. O foco da agência é o combate aos Angels, misteriosos seres imensos que começaram a aparecer no Japão, e para ajudar nessa luta Shinji precisará pilotar o gigantesco robô conhecido como Evangelion (ou EVA, para encurtar).

Acontece que longe de ser uma trama inocente sobre salvar o mundo, o anime acaba por trabalhar muito mais a psique dos seus personagens e o quão horrivelmente perturbados são todos eles (menos o pinguim, aparentemente). Justamente por conta disso, a obra foi – e ainda é – bastante recebida como uma história altamente cínica e depressiva, mas eu não acho que tal descrição realmente a faz justiça. Deixo aqui o aviso de spoilers, e vamos então conversar porque eu vejo Neon Genesis Evangelion como uma história, essencialmente, otimista.

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Uma Breve Análise – Gamers: Como Criar Desentendimentos.

Nenhum clichê é ruim se você souber como utilizá-lo.

Dentre os tropes que mais me irritam na ficção, “constantes desentendimentos que poderiam ser resolvidos com uma simples conversa” é um que está bem próximo do topo da minha lista. Não diria que é que mais me irrita (acho que personagens femininas arquetípicas ainda tomam o primeiro lugar), mas definitivamente é um trope do qual eu prefiro distância. O que torna bastante surpreendente o fato de eu ter adorado um anime que se baseia exatamente nisso.

Anime de 2017 do estúdio Pine Jam, adaptando a light novel homônima escrita por Sekina Aoi e ilustrada por Saboten, a trama de Gamers! começa quando a idol do colégio, Tendou Karen, tenta convidar o introvertido Amano Keita para o clube de videogames da escola. O que começa de forma bastante inocente – mesmo um pouco genérica – logo, porém, espirala em uma constante de hilários desentendimentos amorosos envolvendo o quinteto principal da história.

Falando assim não parece grande coisa, e mesmo os primeiros episódios do anime não são exatamente uma obra prima, mas o saldo final dessa obra ainda é um bastante positivo, não apesar dos constantes mal entendidos, mas inclusive por conta deles e da forma como o anime os utiliza. Quem ainda não o assistiu eu definitivamente recomendo que ao menos dê a ele o teste dos três episódios, mas se quiser decidir após ler a análise fique a vontade: desta vez não há spoilers aqui.

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Uma Breve Análise – Re:Creators: Vocaloids, Originalidade e o Simulacro

Qual o papel da originalidade na era do simulacro?

Eu quero já começar dizendo que essa análise vai ser um pouco mais densa e um pouco mais longa do que o normal. Mas Re:Creators abre tanta margem para discutir alguns assuntos em profundidade que eu não poderia fazer só alguns parágrafos curtos. Dito isso, eu ainda fiz o possível que o texto não fosse excessivamente confuso.

Vamos lá: para quem talvez não saiba, Re:Creators é a mais nova produção do estúdio Troyca, um anime original com roteiro de Rei Hiroe e direção de Ei Aoki. A premissa da história é a de que personagens das mais diversas mídias – anime, mangá, light novel, videogames – começaram a aparecer na Tóquio moderna, aparentemente trazidos pela misteriosa Princesa de Uniforme Militar. Quais os seus objetivos é um mistério que desvendamos conforme o anime avança, mas desde cedo uma coisa fica bem clara: se os personagens, aqui chamados Criações, não voltarem logo aos seus mundos, a própria realidade pode estar em perigo.

Agora, eu vou dizer que, modéstia à parte, eu provavelmente fiz o anime soar mais interessante do que ele realmente é. Ele tem bons momentos, mas que são exatamente isso: momentos. Há boas ideias e bons conceitos aqui, mas mais de uma vez a execução deixa a desejar. Não chega a ser um flop completo, mas digamos que a obra é, quando muito, mediana. Dito isso, ela levanta algumas questões que valem a pena comentar. Ah, mas antes, fica o aviso: spoilers a partir daqui, então sigam por sua conta e risco.

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Uma Breve Análise – Seikaisuru Kado: Um Bom Uso de CG

Seikaisuru Kado: um anime inteiramente em computação gráfica.

Seikaisuru Kado, anime de 2017 do estúdio Toei Animation, com 12 episódios, foi um desastre. Certamente um dos animes mais promissores deste ano – e talvez um dos mais promissores desta década -, ele ainda assim conseguiu a façanha de atirar pela janela todo o seu potencial. E o que começou com o que parecia ser uma trama política séria terminou… bom, digamos que bem longe disso.

Se evito entrar em maiores detalhes é para não dar spoilers, ao menos não por agora. E sim: mesmo sua sinopse poderia ser considerado um spoiler. Isso por conta de seu episódio zero, que oferece, ao seu final, uma reviravolta capaz de fazer cair o queixo de qualquer desavisado.

Mas dado o meu primeiro parágrafo, alguns que por ventura ainda não tenham assistido ao anime talvez se perguntem se vale a pena ou não se importar com spoilers de uma obra que eu acabo de descrever como “um desastre”. Bom, não me entendam mal, Seikaisuru Kado completamente desperdiça todo o seu potencial, mas eu não diria que isso faz dele uma obra ruim, exatamente. Apesar dos apesares, ainda tem seus bons (mesmo seus excelentes) momentos, com um saldo final relativamente positivo.

O real problema do anime é que ele tinha tudo para ser um novo clássico moderno, uma obra no mesmo nível daqueles animes cult tão comentados pelos mais experientes na mídia. Ao final, porém, ele terminou… ok. Não péssimo, não terrível, mas também não correspondeu às expectativas que criou. E com isso eu deixo o leitor decidir se vale a pena ou não dar uma chance a essa obra.

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Uma Breve Análise – Youjo Senki: Conclusão Temática

Tanya Degurechaff

Existe mais de uma forma de se concluir uma história, e enquanto eu assumidamente aprecio muito mais conclusões narrativas, nas quais todas as pontas soltas da trama são amarradas em um todo coeso, eu também posso apreciar um final aberto, mas que conclui a obra ao menos tematicamente. E Youjo Senki, anime de 12 episódios produzido pelo estúdio NUT, tem um final exatamente assim.

Rapidamente, lembremos sobre o que é, de fato, a história de Youjo Senki. No episódio 1, somos introduzidos à nossa protagonista, Tanya, uma garotinha que parece ter galgado posições no exército de seu país. Isso por conta de seus poderes mágicos, úteis na guerra que está sendo travada entre duas nações, uma das quais o Império do qual Tanya é cidadã. Dito isso, a motivação da menina claramente passa longe de qualquer ideal patriótico, e ela por vezes soa como uma pura sadista. Antes de dizer mais, porém, é bom deixar o aviso: spoilers a frente, incluindo ai spoilers do final da obra.

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[Vídeo] Uma Breve Análise – Shin Sekai Yori

E finalmente o canal volta a ativa \o/ … Bom, mais ou menos. É, honestamente, eu não vou fazer promessas: não tenho nem ideia de quando vou conseguir postar outro vídeo. Pode ser na semana que vem, pode ser mês que vem, pode ser ano que vem, só o tempo dirá x_x Mas ao menos não pretendo abandoná-lo: pode demorar, mas mais virá. E por agora, fiquem como vídeo de Shin Sekai Yori, analisando como ele trabalha com o seu universo.

[Vídeo] Uma Breve Análise – K-ON!

E depois de um mês sem uma nova análise, o quadro do canal retorna com uma sobre o melhor anime sobre nada já feito /o/ Mas em toda seriedade agora, K-ON! é um ótimo anime, e um do meus prediletos. Divertido, engraçado, mas também com seus momentos tocantes. Espero que gostem da análise, e se você já assistiu o anime não deixe de dar uma conferida também na review do mesmo, aqui no blog o/