Animes são uma mídia para adultos? – Parte 2 (Uma colaboração da Blogosfera Otaku BR)

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Na última sexta feira eu postei aqui no blog uma chamada para a primeira parte de uma conversa entre alguns dos membros da blogosfera otaku, no qual discutimos se animes são ou não para adultos. Ela foi postada no Finis Geekis e contou com a participação do Vinícius, do próprio Finis Geekis, do Fábio, do Anime 21, do Vítor, do Otaku Pós-Moderno, e, obviamente, a minha. E eis que agora saiu a parte dois desse debate. E desta vez, juntam-se a nós também o Cat, do Dissidência Pop, e o Kouichi, do Animes Tebane. Abaixo, você confere um pequeno trecho de como foi a discussão, no caso um excerto de uma fala minha:

“Recentemente, eu terminei de ler o livro Quadrinhos – História Moderna de uma Arte Global, que faz uma espécie de panorama dos principais movimentos e artistas relacionados aos quadrinhos da década de 60 até a atualidade.

Uma coisa interessante nele é que se você olhar bem a partir das décadas de 60 e 70 você tem quase que um movimento mundial de surgimento de quadrinhos “adultos” (é quando temos, por exemplo, o underground americano, com quadrinhos que retratam sexo, consumo de drogas e por ai vai)”

Curtiu? Quer ver mais? Então clique aqui para ver o debate.

Imagem: Joker Game, episódio 1

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Animes são uma mídia para adultos? (Uma colaboração da Blogosfera Otaku BR)

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“Acho que no mundo inteiro temos essa noção de que “desenhos são para crianças”, e com a quantia brutalmente maior de obras em animação saindo para esse público do que para qualquer outro, acho que é difícil não haver, nas pessoas, pelo menos uma noção de que a maioria das animações é mesmo para crianças.

Isso dito, eu acho que não podemos tratar os animes da mesma forma que tratamos, digamos, os desenhos americanos. Porque a animação japonesa é quase que uma mídia própria, por assim dizer. E dentro dessa mídia você vai, sim, ter os animes mais voltados para crianças e adolescentes, como Naruto, Dragon Ball, One Piece, Death Note e por ai vai.”

O que você confere acima é um pequeno trecho de uma fala minha para o artigo Os animes são uma mídia para adultos?, que o leitor pode conferir na íntegra lá no Finis Geekis. O artigo é o resultado de um divertido e interessante debate com alguns dos membros da Blogosfera Otaku BR. Nessa primeira parte, você confere as opiniões do Vinícios, do Finis Geekis e anfitrião de todo o debate, do Fábio, do blog Anime 21, do Vitor, do Otaku Pós-Moderno, e, claro, as minhas próprias. Então passe lá e confira. Vale a pena o/

Imagem: Joker Game, episódio 12

“Adulto” não significa “maduro” (e nem “bom”).

Digimon Tamers, Fullmetal Alchemist Brotherhood e Ghost In The Shell SAC: o público alvo de uma obra pouco nos diz sobre sua qualidade.
Digimon Tamers, Fullmetal Alchemist Brotherhood e Ghost In The Shell SAC: boas obras podem surgir direcionadas a qualquer demografia.

Vou começar este texto já com o que é basicamente o seu argumento central: o público alvo de uma obra, seja ele qual for, nada nos diz sobre a sua qualidade. Isso é verdade não importa nem mesmo o quão amplo ou diversificado é este público alvo. Por exemplo, animes voltados para o nicho otaku podem muito bem ser tão bons quanto qualquer anime voltado para o público em geral. Igualmente, uma obra qualquer voltada para o público masculino pode ser tão boa quanto qualquer uma voltada ao público feminino. E vice versa, em ambos os exemplo. E é claro: uma obra voltada para crianças pode ser tão boa quanto uma voltada para adultos. Isso não é dizer que todas as obras estão em pé de igualdade: certamente existem péssimos animes voltados para todos os mais variados públicos. E isso certamente não é dizer que obras com públicos diferentes não irão usar de uma série de artifícios diferentes para atingir a audiência que desejam (e é por isso que existe, por exemplo, classificação indicativa). Isso é simplesmente dizer que uma obra excepcional pode vir de qualquer lugar, e você nunca realmente sabe o quão boa ou ruim é uma obra até experimentá-la por si mesmo.

Isso dito, entremos agora mais diretamente no assunto deste texto. O que me motivou a escrever sobre este assunto é o fato de que os otakus, pelo menos aqui no Brasil, parecem ter certa… “estima” (para não falar “obsessão” mesmo) para com o termo “seinen“. No Japão, o termo é um indicativo de demografia, dizendo que uma dada revista é direcionada a jovens adultos (e sim, uma dada revista. O termo é mais usado na industria de mangás, e não é aplicado normalmente a animes, light novels, e outras mídias). Já aqui no Brasil, o termo passou a ser usado para designar qualquer tipo de obra com conteúdo “inapropriado” para crianças, como violência e erotismo, ou para designar histórias complexas, de trama intrincada, realista, ou com um ritmo mais lento. Basicamente, tudo o que não for um shounen de luta ou um shoujo de romance. Sinceramente, cada uma destas “categorias” ou “classificações” (em fato, públicos-alvo) mereceriam um texto por si só, tendo em vista como as pessoas costumam associar certos clichês a uma dada demografia, como se obras com combate fossem obrigatoriamente para meninos e obras com romance fossem obrigatoriamente para meninas (e ai quando você lembra que Toradora, um romance, tem um mangá publicado numa revista shounen, as pessoas meio que não processam a informação direito), mas para este texto eu vou me ater apenas ao seinen.

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