Uma Rápida Review – Kaguya-hime no Monogatari

Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 04/06/17

Nota: há também no blog uma review mais aprofundada do filme


Review de filme da semana /o/ Desta vez pegando talvez aquele que é O clássico moderno do estúdio Ghibli: Kaguya-hime no Monogatari. E olha… que filme!

Para quem não sabe, o filme reconta a já antiga lenda da princesa Kaguya, embora obviamente adaptando-a aqui e ali para responder a dilemas e questões mais modernas (muito semelhante ao que a Disney fez com seus primeiros clássicos, aliás). O essencial, porém, se preservou, o que garante uma história bela, mas também bastante triste em seu desfecho. Não vou dar mais detalhes, mas quem conhece a lenda sabe como ela termina.

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Uma Rápida Review – Sakasama no Patema

Texto originalmente publicado na página do blog no facebook, em 02/04/17

A história se passa num futuro no qual, devido a um grande desastre, algumas pessoas foram “engolidas pelos céus”: a gravidade as afeta de forma invertida, afastando-os da Terra ao invés de atraí-los. Por conta disso, aqueles dentre esses “invertidos” que conseguiram sobreviver ao desastre decidiram ir morar nos subterrâneos, onde teriam chão firme aos seus pés.

A trama então começa com Patema, uma garota que habita nos subterrâneos, mas que um dia “cai” para fora destes. Quase despencando em direção ao céu, ela é salva por Age, um garoto da superfície. Para o azar dela, porém, a cidade na qual Age vive vê aos invertidos com enorme preconceito, e agora ele precisa evitar que Patema seja descoberta pelo governo.

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Review – Kyousougiga (Anime)

Kyousougiga

Próximo à antiga Kyoto vivia um monge, Myoue, dotado do incrível poder de dar vida a tudo o que desenhava. Um destes desenhos era Koto, uma coelha negra, que se apaixonara pelo seu criador. Compadecendo-se dela, uma bodhisattva oferece à Koto seu corpo, a fim de que ela pudesse se declarar. O tempo passa e Koto e Myoue acabam tendo três crianças: o humano Yakushimaru, a oni Yase, e o buda Kurama. Porém, atritos com a cidade próxima levam a família a decidir se mudar, no caso para dentro de uma das pinturas de Myoue: a Capital Espelhada, Kyoto. Tudo parece ir bem, mas logo Koto começa a sonhar com a destruição daquele mundo, e ela acredita ser por já usar o corpo da bodhisattva há tempo demais. Assim, Koto e Myoue decidem deixar a cidade, prometendo a seus filhos que um dia voltariam. O tempo passa – anos, décadas, mesmo séculos -, mas nada de ambos retornarem. Eis que um dia, porém, uma tempestade de raios parece literalmente rasgar os céus daquele mundo. Descendo à cidade, chega então uma garotinha portando um imenso martelo. Seu nome era Koto, e ela estava em busca de uma coelha negra.

Kyousougiga é facilmente uma das obras mais densas que já assisti, tanto em roteiro quanto em elementos simbólicos e alegóricos, a tal ponto que eu bem sei que nenhum único texto poderia esgotar tudo o que se pode extrair desse anime. Sua primeira encarnação foi como um ONA (original net animation) de apenas um episódio, lançado em 2011 no site Nico Nico Douga (e posteriormente também no Youtube). Em 2012 a série recebe mais 5 episódios, também no formato ONA. E finalmente, em 2013 temos a série para televisão, com 10 episódios. Em todos esses casos, a direção do anime ficou a cargo de Rie Matsumoto, mas a criação de fato é creditada a Izumi Todo: um pseudônimo para a staff do estúdio Toei Animation. Sim: Kyousougiga é uma obra da Toei, e possivelmente uma das melhores que o estúdio já fez. Visualmente espetacular, com uma belíssima trilha sonora, personagens carismáticos, e uma trama repleta de reviravoltas, esse é um anime que realmente merece muito mais atenção do que recebe. Quem ainda não viu, fica aqui a minha recomendação. Até porque, cabe aqui o aviso de sempre: spoilers a frente.

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Review – Kaguya-hime no Monogatari (Anime)

Kaguya-hime no Monogatari

Era uma vez um já idoso cortador de bambus. Ele vivia com sua mulher em uma casa modesta, e ganhava o sustento de sua família fazendo todo tipo de objetos com os bambus que cortava. Um dia, porém, ele viu uma luz sair de um dos bambus de sua plantação, e achando isso muito estranho ele decidiu investigar. Cortando a planta, dentro dela ele viu uma menininha, pequena o bastante para caber na palma de sua mão. Acreditando ser ela um presente dos céus, ele leva a garotinha para mostrar à esposa, e ambos decidem criá-la como se fosse sua filha. Deste dia em diante, sempre que o cortador ia cortar seus bambus, ele acabava encontrando troncos cheios de ouro, e rapidamente ele se tornou muito rico. Já a menina, como que imitando aos brotos de bambus, cresceu muito rapidamente, e em alguns meses já era uma jovem de incomparável beleza. Tal é o começo de Taketori Monogatari (O Conto do Cortador de Bambu), história folclórica que serve de base para o filme Kaguya-hime no Monogatari, uma produção de 2013 do estúdio Ghibli.

Com direção de Takahata Isao, co-fundador do estúdio, o filme é um caso curioso. Enquanto é relativamente comum vermos referências a mitos, lendas e contos folclóricos nos animes e mangás, tais referências normalmente tomam a forma de apenas alguns nomes, objetos ou personagens “emprestados” dessas histórias tradicionais. Precisão mitológica raramente sendo uma preocupação dos autores. Kaguya-hime no Monogatari, porém, se propõe a ser uma clara recontagem do conto original, adaptando-o até os mínimos detalhes. Seria um engano, porém, ver a esse filme como pura recontagem: ele claramente possui uma voz e uma identidade próprias, e por debaixo da fidelidade ao original encontramos aqui uma leitura evidentemente moderna desse conto do século X. Um filme tecnicamente belíssimo, com um visual expressivo e trilha sonora memorável, protagonizado por personagens carismáticos e bem desenvolvidos, e ainda abordando de forma sutil e sensível temas bastante complexos. Quem ainda não o viu, fica aqui a minha recomendação para que o faça. Mesmo porque, vale o aviso de sempre: spoilers a frente.

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Uma Breve Análise – Gatchaman Crowds: Cor Importa

Gatchaman Crowds
Gatchaman Crowds

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Quer você tenha assistido Gatchaman Crowds ou não, não é difícil notar o quão colorido é o anime. Algo que, aliás, já vemos desde o pôster de divulgação do anime.

Gatchaman Crowds é, para todos os efeitos, uma re-imaginação (talvez mesmo uma re-conceitualização) da série Kagaku Ninjatai Gatchaman, dos anos 1970, que nessa encarnação de 2013 mostra um grupo de heróis cuja missão é proteger a Terra de ameaças alienígenas. O grupo é inicialmente composto por 5 pessoas, e a sexta escolhida, Ichinose Hajime, é a protagonista da história, recém-chegada ao meio e que terá de aprender o trabalho destes heróis.

Agora, apesar dessa premissa básica, o roteiro fica muito, muito mais complicado do que apenas isso, sobretudo com a introdução de Ninomia Rui e o sistema Galax, uma mescla de jogo virtual e rede social que vem conectando as pessoas e permitindo que elas se ajudem. O objetivo de Rui sendo, afinal, a confecção de um mundo sem heróis, onde as pessoas possam andar com as próprias pernas.

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Review – Gatchaman Crowds

Gatchaman Crowds
Gatchaman Crowds

Existem obras que desafiam ao senso comum, e isso em mais de uma forma. Gatchaman Crowds, anime produzido pela Tatsunoko Production e dirigido por Kenji Nakamura, é certamente um deste casos. Lançado em julho de 2013, a série original continha um total de 12 episódios mais um episódio especial, que consistia basicamente na segunda metade do 12º episódio com algumas cenas adicionais. Dois anos depois, em julho de 2015, a série ganha um episódio especial que serve de prólogo à sua segunda temporada, lançada ainda no mesmo mês de julho e intitulada Gatchaman Crowds Insight, o que resulta em um total de 26 episódios. E, de forma geral, a série foi produzida para dialogar com a franquia Gatchaman, iniciada com o anime Kagaku Ninjatai Gatchaman, de 1972, produzida pelo mesmo estúdio. E sim: eu disse dialogar. A série não age como continuação, reboot ou mesmo adaptação do anime de 1972, e não fosse pelo título e algumas referências pontuais não haveria se quer porque colocá-los na mesma franquia, o que por si só foi uma decisão curiosa por parte da produção. Curiosa, mas certamente não negativa. Ao completamente se desprender da franquia tal como era até então, Gatchaman Crowds permite que não seja se quer necessário saber da existência de Kagaki Ninjatai e suas continuações, mas ainda assim coloca algumas referências e easter eggs que certamente irão ressoar aos ouvidos daqueles que conhecem o anime antigo. Talvez pudéssemos dizer que Gatchaman Crowds é uma homenagem à franquia iniciada na década de 1970, mas eu talvez fosse um pouco mais longe e o colocasse como uma homenagem, mas também uma crítica, a todas as histórias de super-heróis.

E sobre o que é este anime? Bom, a história se passa no Japão moderno, onde Ichinose Hajime, estudante do ensino médio, é abordada por um homem alto e misterioso conhecido como JJ. Nesse encontro, JJ retira de dentro da Hajime um NOTE, a encarnação material da alma de uma pessoa em formato de agenda. A partir deste momento, Hajime passa a fazer parte do grupo Gatchaman, responsável pela proteção da Terra contra alienígenas que possam causar o mal. Mas isso é apenas metade da história. Enquanto os Gatchamans lutam nas sombras para proteger o mundo, Ninomia Rui procura uma outra forma de melhorá-lo. Tendo criado o aplicativo e rede social GALAX, seu objetivo é permitir que qualquer pessoa possa ser um herói, o meio para tanto sendo a conexão entre as pessoas. Assim, GALAX permite que uma pessoa com um problema peça ajuda e o próprio sistema do aplicativo procura alguém nas proximidades capacitado e disposto a ajudar a pessoa. Para Rui, o mundo não precisa de heróis: as pessoas devem ser capazes de andar com as próprias pernas. Ambas as visões de mundo, a dos Gatchaman e a de Rui, porém, colidem quando o alienígena Berg Katze começa a causar problemas na Terra, e é aqui que eu paro esta sinopse. Não dá para dar maiores detalhes sem entrar em spoilers, então fica aqui o aviso para os que ainda não assistiram o anime. Sinceramente, esse anime vale a pena ser visto, e se você ainda não o fez eu recomendo que pelo menos dê uma chance. No mínimo, eu posso dizer que é um anime diferente do que vemos normalmente, especialmente dentro do gênero “super-heróis”. E isso dito, vamos à review.

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