Uma Rápida Review – Sen to Chihiro no Kamikakushi

Review originalmente postada na página do blog no Facebook, em 01/01/2017

A Viagem de Chihiro, talvez um dos mais conhecidos filmes do estúdio Ghibli, e justamente por isso o primeiro que eu quis assistir (porque é, eu meio que nunca vi nada do estúdio… me julguem :v ). E… É… É um filme legal… Eu acho.

Honestamente, antes mesmo de eu ver o filme eu já tinha uma boa expectativa do que iria encontrar: o seu típico filme “para toda a família”, para o bem e para o mal. E… É, Chihiro é exatamente isso: um filme para você reunir a família – especialmente as crianças – e assistir com um balde de pipocas na mão. Mas também, só isso.

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Review – Arete Hime (Anime)

Arete Hime // Review 01/07/2016 1
Arete Hime

Contos de fadas já existem há um bom tempo, e devem continuar existindo por ainda outro tanto. Contudo, o único motivo pelo qual isto é verdade é por conta do forte caráter adaptativo destas histórias. O tempo passa, as culturas mudam, as pessoas mudam, e, finalmente, as histórias mudam. Arete Hime é, poderíamos dizer, um conto de fadas moderno, em sintonia com o mundo tal como ele é hoje. Neste sentido, é preciso, em primeiro lugar, ter em mente o público ao qual esse anime se dirige. É o público dos contos de fadas, afinal, e o filme certamente merece a classificação indicativa de “livre para todos os públicos”. Mas seria ingênuo, isso para não dizer injusto, considerar essa obra como apenas mais um desenho para crianças. Primeiro porque, como já coloquei em outros textos, é bastante preocupante a ideia que as pessoas tem de que algo ser para crianças o torna automaticamente ruim (uma ideia que, aliás, muito nos diz ao que estamos dispostos a expor as crianças). Mas em segundo lugar porque, para quem ainda não percebeu, ser “livre para todos os públicos” significa ser uma obra para toda a família: maiores inclusos.

Lançado em 2001, o filme é uma produção que aproximadamente 1h45min do estúdio 4ºC, com direção de Sunao Katabuchi. A história é inspirada em um conto de 1983, intitulado The Clever Princess, de Diana Cole. No anime, Arete é uma princesinha que deve passar seus dias em seus aposentos no castelo de seu pai, esperando pelo homem valente que prove ser capaz de a desposá-la. A menina, porém, claramente não está nada satisfeita com seu papel nesse sistema. E se essa premissa lhe parece familiar, relaxe: a obra sabe muito bem dar um tom único a este tema. É uma obra bastante introspectiva e calma, sem grandes aventuras ou contendas, o que é bastante raro quando imaginamos um filme infantil. Mas justamente por isso, é também uma obra que não subestima a sua audiência, o que, em face de alguns dos desenhos atuais, talvez seja ainda mais raro. Em adição, a forma como o anime subverte e mesmo desconstrói alguns dos clichês mais comuns dos contos de fadas fez com que o filme fosse recebido como uma obra feminista por excelência, e eu certamente consigo ver de onde viria tal afirmação. Isso dito, para falar mais eu precisarei entrar em spoilers, então já deixo aqui o aviso. Se você ainda não viu o filme, vale a pena. E no mais, vamos à review.

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Review – Chikyuu Shoujo Arjuna (Anime)

Arjuna // Review 03/09/2015 // 1
Chikyuu Shoujo Arjuna

Como está escrito no subtítulo deste blog, “nenhuma história é ingênua”. Quando eu digo isso, eu digo no sentido de que raramente podemos considerar a ideia de uma obra como fim em si mesma. Praticamente toda obra nos passa algum tipo de mensagem, quer seu autor esteja ciente disso ou não. As vezes é algo tão simples quanto valores morais (amizade, perseverança, honestidade, etc.), ao passo que outras é tão objetivo quanto um incentivo à compra de produtos licenciados. Mas enquanto eu realmente acredito que praticamente toda obra nos passa algum tipo de mensagem, no campo dos animes é difícil vermos obras que poderíamos chamar de “engajadas”. Seja em questões sociais, questões políticas, econômicas, etc., não é exatamente comum vermos obras que se foquem em levantar uma bandeira, seja ela qual for. Mas acontece. Como toda forma de arte, mesmo os animes tem o pequeno punhado de obras claramente comprometidas com uma causa. Criado por Shoji Kawamori e produzido pelo estúdio Satelight, o anime de 13 episódios “Chikyuu Shoujo Arjuna“, lançado em 2001, é definitivamente um destes casos.

A história começa quando nossa protagonista, Juna, morre em um acidente de moto. Conforme seu espírito flutua até que vê a Terra do espaço, ela ouve a voz de um garoto. Seu nome era Chris, e ele faz uma oferta a Juna: lhe devolveria a vida, se em troca ela concordasse em salvar a Terra. Aceitando, Juna então se torna a Avatar do Tempo, que tem como missão enfrentar as Raajas, monstros que vem causando destruição pelo mundo. Mas não deixe que esta sinopse o engane. Enquanto aparentemente apenas mais um mahou shoujo levemente mais sério, “Arjuna” é, em fato, uma obra verdadeiramente ambientalista. Com uma estrutura que beira o episódico, a série critica, de forma bastante ácida e chocante, diversos elementos da sociedade moderna, tais como os métodos agrícolas, a pecuária intensiva, e a dependência humana do petróleo. Se você ainda não assistiu o anime, certamente vale a pena conferir. Mesmo que seja uma obra claramente enviesada (o que não é ruim por si só, diga-se de passagem), ela traz boas reflexões que mesmo hoje ainda soam bastante atuais. Infelizmente, é preciso apontar que algumas posições que o anime toma são… “problemáticas”, para dizer o mínimo, mas dizer mais do que isso vai exigir alguns spoilers, então fiquem avisados. E isso dito, vamos então à review.

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Review – Digimon Tamers (Anime)

Digimon Tamers // Review 12/02/2015 // 1
Digimon Tamers

Lançado no japão em abril de 2001, Digimon Tamers, terceira série animada da franquia Digimon, talvez seja um daqueles animes bem conhecidos, mas bem pouco comentados. E isso por vários motivos. Em primeiro lugar, passados mais de 15 anos desde a exibição, este anime já pode ser considerado relativamente antigo. Em segundo lugar, o fato de ser, como todos os animes da franquia, voltado inicialmente para crianças, Digimon Tamers muitas vezes parece cair naquela estranha categoria que mescla um aspecto de nostalgia pelas tardes da infância perdidas em frente à televisão com uma mentalidade de “idade superada”. Ter sido bom para nossos “eus” de 10 anos não necessariamente significa ser bom para nós agora. Finalmente, existe também o elemento de que Digimon nunca foi, ao menos no Brasil, uma franquia imensamente popular. Claro, sempre teve uma boa quantia de fãs, mas não se pode comparar a popularidade de algo como Digimon com grandes como Dragonball Z, Cavaleiros do Zodíaco ou, mesmo, Naruto e One Piece. Entretanto, e dando aqui a minha opinião, eu acredito que este é um anime que merece um pouco mais de atenção do que a que recebe. Este não é apenas um bom anime de digimon, mas um bom anime num geral, que definitivamente consegue sobreviver ao teste do tempo. Mas vamos com um pouco mais de calma.

Produzido pela Toei Animation e escrito por Chiaki Konaka (responsável, dentre outros trabalhos, por Serial Experiment Lain), Digimon Tamers acompanha a história de Matsuda Takato, um garoto de 10 anos cujo principal passatempo é jogar um jogo de cartas de digimons. Um dia, Takato encontra entre seus pertences um digivice, por meio do qual acaba acidentalmente dando vida a seu próprio digimon: Guilmon. Inicialmente pensando que poderia apenas se divertir com um novo amigo, Takato acaba se vendo atirado numa realidade um pouco mais cruel, com digimons selvagens invadindo a cidade, outros humanos com digimons tentando lhe atacar, bem como com uma organização secreta cujo objetivo último é eliminar a todos os digimons que se quer tentem se materializar no mundo humano. E, como de costume, eu vou já deixar o aviso de que, a partir deste ponto, haverá spoilers. Num total, o anime tem 51 episódios e dois OVAs, e se por algum motivo você ainda não assistiu essa série fica dada a recomendação, mesmo para aqueles que não são gostam ou se interessam pela franquia digimon como um todo. Acreditem, Tamers é um pouco diferente dos demais animes da franquia e definitivamente merece uma chance.

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Review – Phi Brain: Kami no Puzzle (Anime).

Phi Brain // Review 13/11/2014 // 1
Phi Brain: Kami no Puzzle

Uma produção original do estúdio Sunrise, o anime Phi Brain: Kami no Puzzle começou a ser exibido em 2011, no canal japonês NHK Educational TV. Inicialmente uma única temporada com 25 episódios, o anime ganhou mais duas temporadas nos dois anos que se seguiram, chegando a um final definitivo em 2013 com um total de 75 episódios. Por si só, um feito nada desprezível. Com a enorme maioria dos animes sendo adaptações de mangás, light novels e, em menor quantia, games, animes originais são a exceção à regra. E são, também, uma enorme aposta. Enquanto a maioria dos animes já vai ao ar com a obra original tendo uma fanbase consolidada, animes originais raramente dispõem de mais do que seus trailers para atrair atenção para si. Por conta disso, normalmente vemos animes originais com uma média de apenas 12 a 25 episódios, podendo ou não receber continuações a depender da popularidade. Para ter recebido mais duas temporadas de 25 episódios (exibidas, ainda, em intervalos de menos de um ano uma da outra), Phi Brain certamente deve ter atraído bastante atenção para si. Então… sobre o que é esse anime?

Bem, dar uma sinopse para esse anime é um pouco complicado, basicamente porque cada uma de suas três temporadas funcionam relativamente bem de forma isolada, com cada uma tendo sua própria trama central, com começo, meio e fim. Todas as tramas, porém, se resolvem em torno de uma temática principal: o protagonista, Daimon Kaito, e seu grupo de amigos e aliados tendo de resolver puzzles mortais a fim de salvar o mundo de alguma organização maligna. Agora, para quem não sabe, a palavra “puzzle” é uma palavra inglesa que não possui um correspondente preciso em português. Normalmente traduzido como “quebra cabeças”, a palavra na verdade pode implicar em qualquer jogo de estratégia, desde um sudoku até um jogo de xadrez. E Phi Brain certamente sabe se aproveitar dessa definição ampla. Ao longo da série, vemos desde jogos simples até verdadeiros labirintos de tamanho faraônico. Cada puzzle, porém, diferente do anterior, ao menos em algum aspecto. E se você não adivinhou ainda, eu vou deixar claro de uma vez: esse anime tem como único propósito mostrar o quão incrível é o protagonista, o colocando para resolver enigmas dos mais complexos que se pode imaginar. E isso é tudo o que eu vou dizer por hora. A partir deste ponto, haverão spoilers pesados para a série como um todo, então, se decidir continuar, esteja avisado.

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