Uma Breve Análise – Yu-Gi-Oh! Duel Monsters: Filler Feito Certo

Quando fillers são uma inevitabilidade, como fazê-los?

Desde bem cedo na história da indústria do anime a relação deste com os mangás foi bastante estreita. E desde bem cedo, animes que tentaram adaptar mangás em andamento se depararam com um problema crucial: como cabe muito mais conteúdo em um episódio de anime do que cabe em um capítulo de mangá, é sempre apenas uma questão de tempo até que o primeiro alcance o segundo e fique sem o que adaptar. Como, então, proceder?

Ao longo da história foram pensadas diferentes soluções, e hoje a mais usual é a de se adaptar apenas uma parte do mangá, deixando um final inconclusivo e retomando a adaptação quando houver conteúdo suficiente no material original – isso se a primeira adaptação render bem, é lógico. No passado, porém, a ideia de simplesmente parar a transmissão do anime não era realmente muito agradável, o que levou outra solução para o problema: fillers.

O termo vem do inglês e significa “preencher”, referindo-se a conteúdo do anime (de pequenas cenas até arcos inteiros) que não está no material original, colocado ali com o objetivo de se ganhar tempo enquanto o mangá seguia em publicação. Uma prática, hoje, universalmente criticada, e não sem motivo. Fillers raramente eram tão bons quanto o material original, mas podemos dizer que isso nem era o maior problema.

Narrativamente, fillers eram quase sempre inúteis. Eles não podiam avançar muito a história, os personagens ou os seus objetivos, do contrário seria impossível retomar a adaptação de onde ela havia parado. Dessa forma, quase sempre era possível excluir os fillers de uma obra qualquer e absolutamente nada de valor seria perdido. Mas eis então que temos Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, um anime que mostra que esse não precisa ser sempre o caso.

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Review – Chobits (Mangá)

Chobits. Capas dos volumes 1, 2 e 3.

No futuro próximo, eis que surgem os persocom: computadores pessoais de formato antropomórfico. Verdadeiros androides com acesso à internet, estes persocom estão dispostos a obedecer a cada comando de seu dono ou dona, e não são nada baratos. Motosuwa Hideki acaba de se mudar para Tóquio, vindo do campo e sem muito dinheiro para gastar. Para ele, ter um persocom é quando muito um sonho distante, mas eis então que um dia, conforme voltava para casa, ele vê uma persocom jogada em meio aos sacos de lixo da rua, aparentemente descartada por seu antigo dono. Hideki decide então aproveitar a oportunidade e levá-la para sua casa, onde ele consegue ligá-la após algumas tentativas. Para sua surpresa, a única coisa que a persocom parece capaz de falar é “chi”, nome pelo qual Hideki decide então batizá-la. Logo, porém, Hideki descobrirá que Chi é diferente das demais persocom, e talvez seja até mesmo uma lendária Chobits: uma persocom dotada de personalidade e vontade própria.

Chobits foi seriado entre 2000 e 2002, sendo um mangá do grupo feminino CLAMP – que, vamos e venhamos, dispensa apresentações. A obra foi publicada pela editora Kodansha na sua revista semanal Young Magazine, uma revista seinen que até hoje publica outra obra do grupo CLAMP: xxxHolic Rei. No Japão, os 88 capítulos de Chobits foram compilados em 8 volumes, que foram lançados entre favereiro de 2001 e novembro de 2002. No Brasil, o mangá primeiro chegou até nós pela editora JBC, em uma edição meio-tanko que totalizou 16 volumes, lançados a partir de 2003. Em 2015, a JBC relançou a coleção agora em seu formato tanko, com 8 volumes. E: sim, vale muito a pena dar uma conferida nesse mangá, não só por ser uma boa história de maneira geral, mas também por conta dos temas que o mangá aborda, talvez até mais relevantes hoje do que o eram quase vinte anos atrás. Ah sim, e como de costume: spoilers a frente, então ai mais um motivo para ler o mangá primeiro.

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