Uma Rápida Review – Anne no Nikki

O Diário de Anne Frank. Poucos são aqueles que nunca tenham se quer ouvido falar dele – quer saibam do que se trata ou não. Um diário escrito por uma adolescente judia holandesa, narrando seu dia a dia enquanto vivia escondida das autoridades nazistas durante a ocupação da região, e que se encerra abruptamente quando ela, sua família e as demais pessoas que viviam com eles foram descobertos e levados para variados campos de concentração – para nunca mais retornar.

De certa forma, a própria existência de uma adaptação em anime dessa história é no mínimo curiosa. Há diversos animes que tratam da Segunda Guerra Mundial, sim, mas normalmente apenas da perspectiva japonesa. Uma história sobre o sofrimento daqueles baixo o julgo alemão – que eram, é válido lembrar, aliados dos japoneses durante a Guerra – fica então como no mínimo um ponto fora da curva. E que seja a segunda adaptação em anime da história é ainda mais curioso (a primeira é de 1979, a propósito).

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Uma Breve Análise – Neon Genesis Evangelion: Uma História Otimista

Sim, é sério.

Shinseiki no Evangelion (ou Neon Genesis Evangelion), é facilmente uma das mais importantes franquias da animação japonesa. Gostemos ou não do anime enquanto obra, fato é que o seu impacto na mídia não pode ser subestimado. Infelizmente, o que também não pode ser subestimado é o quão horrivelmente mal compreendida a obra foi. Não é nenhum segredo que Hideaki Anno, diretor do anime, pretendia que o mesmo fosse uma forte crítica ao otaku recluso da época, mas a quantia de dakimakura da Ayanami Rey ainda hoje a venda mostra que a capacidade interpretativa dos otakus japoneses não está muito mais longe que a do brasileiro médio.

Mas meu cinismo de lado, sobre o que é Neon Genesis Evangelion? Para os poucos que talvez nunca tenham ouvido falar nesse anime, uma produção original do estúdio GAINAX de 1995, a história começa quando Ikari Shinji é chamado por seu pai, Gendou, para as instalações da NERV. O foco da agência é o combate aos Angels, misteriosos seres imensos que começaram a aparecer no Japão, e para ajudar nessa luta Shinji precisará pilotar o gigantesco robô conhecido como Evangelion (ou EVA, para encurtar).

Acontece que longe de ser uma trama inocente sobre salvar o mundo, o anime acaba por trabalhar muito mais a psique dos seus personagens e o quão horrivelmente perturbados são todos eles (menos o pinguim, aparentemente). Justamente por conta disso, a obra foi – e ainda é – bastante recebida como uma história altamente cínica e depressiva, mas eu não acho que tal descrição realmente a faz justiça. Deixo aqui o aviso de spoilers, e vamos então conversar porque eu vejo Neon Genesis Evangelion como uma história, essencialmente, otimista.

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Uma Breve Análise – Ghost In The Shell: Passado Sempre Presente

Ghost in the Shell // Análise 18/09/2016 1
Ghost In The Shell

(Esta análise foi originalmente publicada na página do blog no facebook)

Uma das coisas que eu mais gosto em Ghost In The Shell, e isso eu falo tanto para o filme de 1995, como para o anime de 2002, é que ele nunca é futurista “demais”. Ok, vamos explicar isso melhor.

Um dos problemas que eu tenho com a ficção científica é como, algumas vezes, encontramos mundo futuristas onde o passado parece simplesmente… Superado. Esquecido. Abandonado. Só que não é assim que as coisas funcionam. A invenção de novas tecnologias não implica necessariamente o abandono das antigas. Basta ver, por exemplo, que os livros não desapareceram com a invenção do iPad.

E mesmo que, de fato, a nova tecnologia se torne dominante, sempre haverá aqueles que, por um motivo ou outro, ainda se atrelam às antigas. Talvez porque não tenham a verba necessária para comprar a nova. Talvez por uma questão religiosa, ou mesmo política. Ou talvez porque simplesmente preferem a antiga, vide todos os fãs modernos do formato LP.

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