Roland Kelts – Japanamerica

Uma característica curiosa de Japanamerica: How Japanese Pop Culture Has Invaded the US, é que o livro lê muito como um documentário. Lançado em 2006 por Roland Kelts, já na introdução o autor explica como as principais fontes de seu livro foram as entrevistas que ele realizou entre 2003 e 2006, tendo falando desde com amigos próximos – tanto nos Estados Unidos como no Japão – até representantes e diretores de alguns dos mais importantes estúdios da indústria dos animes, fora toda sorte de indivíduos “no meio”: acadêmicos, editores, empreendedores, e a lista segue. Mas enquanto o grosso da publicação dá voz a estas diferentes pessoas, é o argumento central de Kelts que as conecta de uma forma coesa: a ideia de que o Japão, ou mais precisamente facetas da cultura japonesa, estaria agora invadindo os Estados Unidos, seja na forma de um sushi bar em cada esquina, seja na forma do anime e mangá.  Porquê, e ainda mais importante, porque agora, é a pergunta que o autor tenta responder ao longo do livro, destrinchando aqui a complexa relação que existe entre Japão e Estados Unidos – nos mais diversos níveis possíveis.

Como de costume nesse tipo de artigo, é importante frisar aqui que não é minha intenção fazer uma resenha ou análise crítica do livro, mas sim apenas resumi-lo de forma a retraçar a lógica e a argumentação de seu autor: um pequeno esforço de trazer essas discussões para um público um pouco mais amplo. É preciso adicionar, porém, um segundo aviso: que não cometamos anacronismos ao ler estes argumentos. O livro é de 2006, e 11 anos separam a nós de sua publicação: obviamente muito mudou no cenário do anime e mangá nesse meio tempo. Nesse sentido, o livro talvez seja melhor compreendido como um espelho de seu tempo, menos do que como uma teoria atemporal ou preditiva. Finalmente, qualquer interessado em adquirir uma cópia deste livro pode fazê-lo pela Livraria Cultura ou pela Amazon brasileira, embora essa segunda só possua-o em formato e-book. Por último, uma prévia do livro também pode ser visualizada pelo Google Books, embora obviamente com páginas faltando. E terminados os avisos, vamos então ao resumo.

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Hiroki Azuma – Otaku: Japan’s Database Animals

Lançado originalmente no Japão em 2001, Dobutsuka-suru Postmodern: Otaku Kara Mita Nihon Shakai é uma exploração da pós-modernidade através de uma análise da subcultura otaku. Escrito por Hiroki Azuma, o livro aplica conceitos como o “simulacro”, do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, e a “animalização”, do filósofo francês Alexandre Kojève, ao que seu autor delimita como sendo a “cultura otaku”. Através desse exercício, Azuma procura entender a humanidade da era pós-moderna, chegando a conclusões tão assertivas quanto fascinantes. Vale dizer, no entanto, que o livro foi escrito com o específico intento de ser acessível ao grande público, de forma que seu autor muito bem explica cada termo e teoria necessários para entender a sua argumentação. Em 2009, o livro recebeu a sua primeira tradução para o inglês pelas mãos de Jonathan E. Abel e Shion Kono. Essa versão, rebatizada como Otaku: Japan’s Database Animals, pode ser encontrada tanto para importação pela Amazon, quanto para leitura online pelo Google Books.

Agora, é importante também deixar claras as intenções deste texto. Longe de fazer uma análise, crítica ou resenha do livro de Azuma (algo que não julgo ter a expertise necessária para fazer), minha intenção aqui é tão somente a de tecer um breve resumo das principais ideias presentes em Otaku: Japan’s Database Animals, motivo pelo eu peço ao leitor para que não espere ver muito das minhas opiniões pessoais aqui. Meu intento com o texto é sobretudo trazer talvez um pouco das discussões levantadas no livro para o público otaku brasileiro, e portanto fica então o meu convite a que o leitor reflita e opine a vontade sobre as ideias aqui apresentadas.

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Mark W. MacWilliams (org.) – Japanese Visual Culture

Lançado em 2008 pela editora americana M. E. Sharpe, Japanese Visual Culture: Explorations in the World of Manga and Anime é uma coletânea de 14 ensaios organizada por Mark W. MacWilliams. O livro abre com algumas palavras de Frederik L. Schodt (autor, dentre outros livros, do importante Manga! Manga! The World of Japanese Comics, de 1983) e segue com uma introdução escrita pelo seu editor, antes de entrar efetivamente nos ensaios que compõem o grosso do livro. Para compra, é possível adquirir um exemplar tanto pela Amazon como pela Livraria Cultura, com ambas também oferecendo versões em e-book. Para leitura online, o livro está disponível para visualização prévia no Google Books.

Agora, idealmente falando seria ótimo se eu pudesse explanar com a devida profundidade cada um desses ensaios, mas para não tornar esse texto excessivamente longo eu pretendo trazer aqui apenas uma visão geral de cada um deles, me focando nos pontos centrais que cada autor levanta em seu texto. A proposta desse meu artigo é menos a de uma resenha ou análise do livro – algo que eu julgo não ter a expertise necessária para o fazer com propriedade – e mais a de, em parte, divulgação desse tipo de material e, mais importante, das discussões levantadas por esses autores. Por conta disso, não esperem ver muito da minha opinião pessoal neste texto, e eu deixo para o leitor o julgamento quanto à validade ou não dos pontos apresentados.

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