Review – Chobits (Mangá)

Chobits. Capas dos volumes 1, 2 e 3.

No futuro próximo, eis que surgem os persocom: computadores pessoais de formato antropomórfico. Verdadeiros androides com acesso à internet, estes persocom estão dispostos a obedecer a cada comando de seu dono ou dona, e não são nada baratos. Motosuwa Hideki acaba de se mudar para Tóquio, vindo do campo e sem muito dinheiro para gastar. Para ele, ter um persocom é quando muito um sonho distante, mas eis então que um dia, conforme voltava para casa, ele vê uma persocom jogada em meio aos sacos de lixo da rua, aparentemente descartada por seu antigo dono. Hideki decide então aproveitar a oportunidade e levá-la para sua casa, onde ele consegue ligá-la após algumas tentativas. Para sua surpresa, a única coisa que a persocom parece capaz de falar é “chi”, nome pelo qual Hideki decide então batizá-la. Logo, porém, Hideki descobrirá que Chi é diferente das demais persocom, e talvez seja até mesmo uma lendária Chobits: uma persocom dotada de personalidade e vontade própria.

Chobits foi seriado entre 2000 e 2002, sendo um mangá do grupo feminino CLAMP – que, vamos e venhamos, dispensa apresentações. A obra foi publicada pela editora Kodansha na sua revista semanal Young Magazine, uma revista seinen que até hoje publica outra obra do grupo CLAMP: xxxHolic Rei. No Japão, os 88 capítulos de Chobits foram compilados em 8 volumes, que foram lançados entre favereiro de 2001 e novembro de 2002. No Brasil, o mangá primeiro chegou até nós pela editora JBC, em uma edição meio-tanko que totalizou 16 volumes, lançados a partir de 2003. Em 2015, a JBC relançou a coleção agora em seu formato tanko, com 8 volumes. E: sim, vale muito a pena dar uma conferida nesse mangá, não só por ser uma boa história de maneira geral, mas também por conta dos temas que o mangá aborda, talvez até mais relevantes hoje do que o eram quase vinte anos atrás. Ah sim, e como de costume: spoilers a frente, então ai mais um motivo para ler o mangá primeiro.

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Lista – 5 Dilemas que Todo Fã de Anime Terá de Enfrentar

Kujira no Kora // Lista 18/12/2017 1

“Dilema” provavelmente não é bem a palavra que a maioria associaria com o hobby de assistir desenhos japoneses [rs]. Mas aqueles que decidiram se aprofundar nessa mídia bem sabem que, às vezes, escolhas precisam ser feitas. O que assistir? Que mídia consumir? Dropar ou não dropar? Estas e outras perguntas devem ressoar com qualquer um que tenha o hábito de consumir ficção, e os otakus certamente não são exceção. Sendo assim, decidi reunir aqui cinco dos dilemas mais comuns que qualquer fã de anime já enfrentou ou terá ainda de enfrentar. De forma alguma é uma lista que exauste o tema: há muitos outros dilemas que deixaram de ser mencionados aqui porque “5” é um número que fica mais bonitinho no título. Mas por agora, vai bastar, e o leitor pode sempre contribuir para a discussão mencionando os dilemas que achou que faltaram.

É importante também dizer que eu de forma alguma pretendo dar respostas definitivas aos cinco dilemas selecionados. Acima de tudo, cada entrada é apenas uma pequena série de reflexões em cima de cada dilema, nada muito elaborado, mas ainda dentro do espírito mais… “discursivo” do blog, por assim dizer [rs]. Em alguns casos eu chego a dar a minha opinião sobre o que eu prefiro ou acho melhor, mas quero deixar claro que de forma alguma considero as minhas formas de lidar com esses pequenos dilemas a forma “correta”: cada um é cada um e lida com essas questões da sua própria maneira. Finalmente, só quero apontar que a lista não está em nenhuma ordem em particular, e feitos esses avisos vamos então seguir com o texto.

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Review – Ansatsu Kyoushitsu (Manga)

Ansatsu Kyoshitsu // Review 08/12/2017 1
Ansatsu Kyoshitsu. Capas dos volumes 1, 2 e 3

Então, aqui a premissa da história. Tudo começa quando 70% da Lua é destruído em uma explosão. Na Terra, uma criatura que mais parece um polvo antropomórfico de pele amarela assume a responsabilidade pelo desastre, e ainda diz que fará o exato mesmo com o planeta azul dali exatamente um ano. Tomando assim o mundo todo como refém, ele faz então uma exigência: ele gostaria de ser o professor de uma certa turma de alunos, e diz que, enquanto exercer a profissão, seus alunos ainda estariam livres para tentar assassiná-lo. Não querendo perder a chance de manter essa criatura em um lugar só, o governo japonês concorda, e é assim que a turma 3-E do colégio Kunigigaoka recebe seu mais novo professor, um capaz de se mover à uma velocidade 20 vezes mais rápida do que a do som, desviando de uma saraiva de balas enquanto ainda faz a chamada. Os alunos o apelidam de Koro-sensei, um trocadilho com as palavras sensei, “professor”, e korosenai, “impossível de matar”, e logo ele se provará o melhor professor que essa turma já teve.

Se tudo isso lhe pareceu um tremendo absurdo, você não está sozinho. Chamar a premissa de Ansatsu Kyoushitsu de “inusitada” ainda não lhe faria justiça. Mais conhecido no ocidente pelo título Assassination Classroom, o mangá é de autoria de Yusei Matsui, e foi originalmente seriado na revista Shounen JUMP entre 2012 e 2016, resultando em um total de 21 volumes além de uma adaptação para anime em duas temporadas, a primeira em 2015 e a segunda em 2016. Sucesso de público e de vendas, Ansatsu Kyoushitsu é certamente um ótimo mangá, que começa como uma excelente comédia e termina como uma montanha russa de emoções incrivelmente satisfatória, além de ainda trazer algumas temáticas bastante dignas de discussão. No Brasil, o mangá foi publicado na íntegra pela editora Panini, começando em 2014 e finalizando em 2017. Quem ainda não leu, fica aqui a minha recomendação, inclusive porque a review terá spoilers. E para os que ficaram, vamos então falar um pouco sobre esse mangá. Continuar lendo

Lista – 5 Mangás de Volume Único que Valem a Leitura.

Kizu // Lista 02/12/2017 // 1

Mangás de volume único! Francamente falando, eis ai um formato que eu adoro. Nada contras as séries mais longas, mesmo aquelas com dezenas de volumes, mas é inegável que estas exigem um comprometimento muito maior por parte do leitor. Em contraste, um bom volume único consegue entregar em si mesmo uma experiência completa, uma história com começo, meio e final que, nos melhores casos, nada deixa a dever às obras de mais longa duração. Ainda assim, é evidente que nem todo volume único é automaticamente uma obra prima, e um ou outro título menos que excelente (para usar de um eufemismo) ainda acaba saindo vez ou outra. Mas não nos concentremos neles, mas sim naquelas histórias que de fato valem nosso tempo e, ao menos no caso daquelas aqui citadas, o nosso dinheiro – porque sim, eu foquei esta lista em mangás publicados aqui no Brasil.

Mas antes de irmos às entradas, eu queria deixar aqui dois rápidos disclaimers. Primeiro, uma menção honrosa ao mangá Tom Sawyer [review], um dos meus títulos favoritos. Originalmente eu considerei incluí-lo nesta lista, mas para ter uma distribuição um pouco maior de editoras – e como este mangá já possui uma review aqui no blog – preferi deixar ele de lado desta vez (quem sabe não o incluo em uma listagem futura?). Mas ainda é um mangá que eu imensamente recomendo. Já sobre o segundo aviso, é a nota que eu faço quase sempre nestas listas do blog: isto aqui não é um top, e não é minha intenção que estes são os melhores volumes do tipo. São apenas 5 mangás que eu realmente gostei e que acho que o leitor também pode vir a gosta, só isso. E dados os avisos, vamos então à lista /o/.

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Lista – 5 Adaptações Melhores que o Original

K-On // Lista 28/04/2017 // 1

Quase sempre, a obra original é melhor do que qualquer uma de suas adaptações. Isso não é necessariamente um demérito para a adaptação em si: ao passar uma história de uma mídia para outra há tantos fatores a se considerar que pode parecer inevitável que uma adaptação saia pior que o original. E, ainda, muitas adaptações conseguem ser realmente boas por si mesmas, mesmo que ficando abaixo do original se comparados. A palavra chave aqui, porém, é “quase”: se essa máxima vale para a maioria das obras, ainda existem algumas exceções bastante notáveis.

Para essa lista, então, eu selecionei algumas dessas exceções. Agora, para ser bem sincero, o meu escopo de obras do tipo é até que bem pequeno. É raro eu consumir a mesma história em mais de uma mídia, então normalmente eu nem tenho o que comparar para dizer qual versão é a melhor. E nos raros casos em que eu de fato consumo ambas as versões, bom, normalmente fica aquela máxima: o original é melhor. Ainda assim, consegui reunir alguns exemplares aqui, e no final do dia essa lista é menos sobre essas obras em si e mais sobre o que faz suas adaptações tão melhores que o original. E feita essa ressalva, vamos então à lista.

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Review – Planetes (Mangá)

Planetes // Review 12/08/2016 1
Planetes

Originalmente lançado entre 1999 e 2004, Planetes foi o mangá de estréia de Makoto Yukimura, e devo dizer que foi uma estréia e tanto. A história, um slice of life de ficção científica, acompanha o dia a dia de um grupo de lixeiros espaciais, designados para a nave Toy Box. A função da equipe de três, e depois quatro, tripulantes sendo a de limpar a atmosfera terrestre dos detritos que sobram das viagens espaciais, desde partes de aeronaves e satélites desativados, até detritos bem menores. Isso porque à uma dada altura, a velocidade com que a qual estes objetos orbitam a Terra se torna imensa, de forma que mesmo o menor dos parafusos ainda poderia causar literalmente a queda de uma espaçonave. E com a humanidade dando os seus primeiros passos para fora da Terra, sobretudo na forma de bases permanentes na Lua e estações espaciais, a necessidade desses lixeiros fica bastante evidente.

Num geral, é uma obra bastante focada no desenvolvimento e crescimento de seus personagens, com cada capítulo funcionando muito bem isoladamente, ao menos no começo. E embora logo a obra ganhe uma narrativa um pouco mais “fechada”, na forma do protagonista, Hachimaki, tentando entrar para uma missão espacial que enviará um grupo de astronautas para Júpiter, a ideia de capítulos focados em um dado tema, que servem, por sua vez, de base para o crescimento de seus personagens, nunca é de fato abandonada (algo, na minha opinião, bastante positivo, considerando o quão interessantes e cativantes podem ser estes personagens e temáticas). Contudo, falar muito mais do que isso vai me exigir entrar em spoilers, então considere isto o seu aviso. Se ainda não leu este mangá, leia. Ele foi publicado no Brasil em 2015, em 4 volumes pela editora Panini, e definitivamente vale a pena dar uma olhada.

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Review – Hourou Musuko (Mangá)

Hourou Musuko // Review 14/01/2016 // 1
Hourou Musuko. Capas dos volumes 1, 2 e 3

Lançado em dezembro de 2002 e finalizado em agosto de 2013, Hourou Musuko, mangá de autoria de Takako Shimura e publicado originalmente pela revista seinen Comic Beam, foi certamente uma obra bem sucedida. Em seus pouco mais de dez anos de publicação, a obra não apenas atraiu um bom público, com mais de um milhão de cópias do mangá estando em circulação em 2013, como ainda foi um bom sucesso de críticas, sendo nominada para o Japan Media Arts Festival de 2006, bem como para a lista de “Melhor Graphic Novel para Adolescentes” da Young Adult Library Services Association, em 2012. E, pessoalmente, posso dizer que toda essa atenção é devidamente merecida. Tendo lido os 15 volumes do mangá, eu posso dizer que Hourou Musuko é uma obra única, e isso em mais de um aspecto. Seus personagens, sua narrativa, suas temáticas, não seria exagero meu dizer que é difícil encontrar paralelo para esta obra. Obviamente, ela não é isenta de alguns defeitos, mas eu sinceramente acredito que as qualidades em muito os superam.

Sobre o que é a obra, então? Bom… Hourou Musuko é um slice of life que segue a história de duas crianças transexuais, Shuuichi Nitori e Yoshino Takatsuki, sendo que ao longo da trama vamos acompanhando a estes personagens conforme eles atravessam o segundo ciclo do enino fundamental e todo o ensino médio. Percorrendo quase dez anos da vida destes personagens, a história mostra como seus personagens lidam não apenas com a própria transexualidade, como também com questões como identidade de gênero, puberdade, sexualidade, conflitos familiares, bullying, e outros tantos temas que raramente encontramos em uma mesma história, ao menos com o mesmo grau de detalhamento. Sim, pois este é talvez o principal mérito de Hourou Musuko: é uma obra que soube tratar destes temas com o devido respeito, e também com a devida profundidade. E isso sem abdicar de forma alguma do trabalho em cima de seus personagens, sendo o cast do manga alguns dos personagens mais realistas que eu já vi. Uma boa mescla de comédia e drama, com temáticas provocativas e um ótimo grupo de personagens principais e secundários, Hourou Musuko é definitivamente uma obra que vale a pena ser lida. Falar mais do que isso, porém, irá exigir entrar em spoilers, então fiquem avisados caso decidam continuar a leitura.

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Lista – 5 Obras em Andamento que Valem a Pena Conferir

Evillious Chronicles // Lista 17/08/2015 // 1

Para mim, possivelmente a parte mais importante de uma obra é o seu final. Como eu bem disse no meu texto “A Importância do Final“, o final é o momento de síntese, onde tudo o que veio antes é colocado em uma balança. O que foi bem aproveitado, o que foi abandonado, o que foi explicado, os furos de roteiro que ficaram, o desenvolvimento dos personagens… Com a conclusão de uma obra somos verdadeiramente capazes de medir todos estes diferentes elementos e dizer, efetivamente, se a obra cumpre ou não com a própria proposta. Justamente por isso, eu tento manter, neste blog, uma política de completude: eu tento resenhar apenas obras finalizadas. E isso exclui bastante coisa da conta. Obras ainda em lançamento, obras que tem uma próxima temporada anunciada, obras que terminaram de forma inconclusiva e que talvez ganhem uma continuação, tudo isso eu acabo deixando de mencionar aqui, basicamente por não me achar capaz de resenhar uma obra sem ter o seu efetivo final. Isso dito, tem algumas poucas obras que eu acompanho e que, por conta da sua qualidade, eu realmente gostaria de dar algumas palavras a respeito delas.

Então vamos lá: para esta postagem, eu selecionei cinco obras ainda em andamento que eu estou acompanhando no momento. Mas não foi uma seleção aleatória! Em primeiro lugar, nada de animes da temporada. Estas são obras normalmente curtas (12 a 24 episódios), com muitos já para além da metade. Se ao final algum deles se destacar, tentarei fazer uma review do anime inteiro, ao invés de resenhar meia duzia de episódios agora. Não, eu decidi escolher obras que já estão em andamento há algum tempo, mas que, ainda assim, não mostram sinais de estarem para acabar (convenhamos, esta seria uma lista bem inútil se em dois meses tudo nela já tivesse acabado, né? rs). Além disso, eu decidi não me limitar a mídias. Não são cinco animes que valem a pena conferir, ou cinco mangás. São cinco obras, ponto. E é claro, essa lista foi feita em grande medida tendo por base a minha experiência pessoal. As coisas que assisti e assisto, as coisas que gosto… Em fato, justamente por isso este post não é um top. Não quero de forma nenhuma insinuar que estas cinco obras são melhores ou piores do que outras. São só cinco obras que eu gosto, que estão em lançamento e das quais eu estava a fim de falar um pouco. E se o leitor achar que vale a pena mencionar esta ou aquela obra, deixe sua contribuição nos comentários. Isso dito, vamos às obras:

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