História – Ontem e Hoje: Anime e Mangá em Solo Brasileiro (Parte 1 – Animes)

Logotipo da Rede Manchete, um dos canais pioneiros em animações japonesas no Brasik
Logotipo da Rede Manchete, um dos canais pioneiros em animes no Brasil

Aquele que observar a situação atual da industria do anime e mangá no Brasil se deparará com uma situação dúbia. Por um lado, animes foram quase completamente eliminados das televisões brasileiras. Com ainda um ou outro título sendo exibido, a situação atual, porém, é radicalmente diferente das décadas de 1990 e 2000, quando os animes tiveram grande repercussão na televisão, tanto em canais fechados como na televisão aberta. Inversamente, nunca antes se publicaram tantos mangás, com cada mês trazendo às bancas uma série de novos títulos. Nessa linha, nunca antes os eventos de anime e mangá foram tão populosos, com números passando facilmente das cem mil pessoas em alguns eventos. Uma situação aparentemente esquizofrênica. Aquele que um dia foi a maior propaganda desses produtos (ou seja, o anime) desapareceu, levando consigo mesmo muitos dos materiais licenciados, como produtos escolares, brinquedos e por ai vai. Porém, a industria se mantém. E ainda consegue se renovar: é curioso notar enquetes sobre idade em grupos de otakus no facebook, que mostra que grande parte destes entram em uma faixa dos 12 aos 14 anos. Ou seja, são crianças que quando começaram a ver TV pegaram justamente a época em que os animes estavam desaparecendo.

Explicar como nasceu tal situação é algo problemático, até pela falta de fontes profundas a respeito do assunto. Justamente por isso, minha preocupação para este post foi principalmente a de fazer um panorama. Longe de me propor a explicar algo, desejo apenas mostrar. Mostrar como era a situação no passado, desde as primeiras produções japonesas a entrarem em solo brasileiro, já lá na década de 1960, até o verdadeiro “boom” do anime e mangá no Brasil, nas décadas de 1990 e 2000. E, em seguida, mostrar como é a situação atual. Obviamente, a definição de “atual” é imensamente questionável. Onde traçar a linha entre o ontem e o hoje é, de fato, algo bastante arbitrário e subjetivo, então não espero que a decisão de recorte tomada agrade a todos. Porém, e tomando como base especialmente as escassas fontes que consegui encontrar a respeito, decidi definir como “hoje” apenas o ano de 2014. Ou, ainda mais especificamente, os últimos meses deste ano: outubro e novembro.

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História – A História dos Mangás

Wikipe-tan // História 26/09/2014 // 1
Criada em 2006 pelo usuário Kasuga, “Wikipe-tan” se tornou uma mascote não oficial da wikipedia.

A palavra “mangá” já está praticamente incorporada no vocabulário ocidental. Quer você, leitor, goste ou não de ler mangás, muito poucos serão aqueles que dirão que não sabem o que são estes “quadrinhos japoneses”, como é popularmente definido o mangá no ocidente. Mas se a maioria sabe dizer com bastante precisão onde eles surgiram, dizer quando surgiram é uma história bastante diferente. E, verdade seja dita, mesmo estudiosos do assunto tem dificuldade em concordar a respeito desta questão. Dependendo do autor que o leitor pegar, poderemos encontrar uma espécie de “linha evolutiva”, contínua, que vai desde os primeiros pergaminhos japoneses até os atuais mangás, em uma janela de tempo que pode ser tão ampla quanto o autor desejar. Outros, porém, serão mais estritos, apontando que o mangá tal e qual conhecemos hoje nada mais é do que fruto do momento pós-segunda guerra, quando os Estados Unidos ocupavam o Japão e quando a influência ocidental teria entrado de forma muito mais forte no país.

Ambos os lados, porém, concordam em um ponto: após a Segunda Guerra Mundial, algo mudou na forma de fazer quadrinhos no Japão. O pioneirismo e experimentalismo de alguns autores, dentre os quais se destaca sempre a figura de Osamu Tezuka, bem como de algumas revistas, como a importante Garofizeram surgir no Japão algo que o mundo não havia visto até então. Algo que se popularizaria para além das expectativas de qualquer autor individual, que transpassaria barreiras linguísticas, culturais e nacionais para se tornar conhecido e reconhecido no mundo inteiro. Algo que viria a influenciar quadrinistas, designers e artistas num geral, do extremo oriente ao extremo ocidente. Mas por que? Por que algo assim surgiu onde surgiu? E por que se tornou tão popular? Pois bem, isto é exatamente o que irei tratar neste post.

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