“Agora você tem um tesouro em seu coração” // Aria the Natural, episódio 2


Procurando por aquele tesouro…


Numa calma manhã, temos que nossas três aprendizes seguem com sua rotina conjunta de treino. No que decidem parar em frente a uma estátua, porém, Aika nota uma curiosa portinha ao lado desta. Dentro dela, um pequeno baú; e dentro desde, um mapa. O ponto de início de uma singela caça ao tesouro.

Se o primeiro episódio de Aria the Natural vem muito para nos reintroduzir a esses personagens, eu diria que esse segundo vem para nos reintroduzir à própria cidade de Neo Venezia. De suas vielas estreitas e praças escondidas até grandes marcos turísticos: é possível aprender bastante sobre a cidade analisando esse episódio.

Aqui, porém, eu prefiro começar falando um pouco sobre as garotas, posto que como cada uma reage a essa caça ao tesouro diz bastante sobre quem são como pessoa. Mas sim, a segunda parte desse artigo fica dedicada à Neo Venezia, com especial atenção ao tema dessa temporada: os diferentes encontros que as garotas têm na cidade.

Espero que façam uma boa leitura, e vamos então ao episódio!

Caça ao Tesouro


Podemos começar essa seção com a Aika, afinal foi ela quem descobriu a primeira pista. E olha, eu imagino que nem ela mesma sabia o que esperava encontrar naquela portinha, mas com certeza não era um mapa do tesouro.

De início, ela diz às outras duas que deveriam apenas devolver o mapa ao seu lugar e dar continuidade ao treino, acrescentando ainda que um mapa do tipo só poderia ser uma farsa. E mesmo depois de convencida a seguir com a caça ao tesouro, a Aika nunca parece investida nela como as demais, e acho que podemos entender o porquê.

Para começar, é bom lembrarmos que a Aika é a mais velha das três aprendizes, algo que impacta na sua forma de agir.

Alice, como a mais nova, é também a mais infantil, propensa a coisas como “punir” a sua mão esquerda por ela ser “inútil”. Já a Akari, como aquela que fica entre as outras duas em idade, é já um pouco mais madura, mas ainda conserva em si o olhar infantil, a capacidade de se maravilhar com o mundo ao seu redor.

Por contraste, a Aika é uma pessoa bem mais cínica. Bem mais “pé no chão”. E, como tal, bem mais propensa a desconfiar de algo como um mapa do tesouro. Além disso, ela é também a mais dedicada aos treinos, e aquela que mais tem pressa de se tornar uma prima, todos pontos que devem ter influenciado a sua atitude inicial.

Mas acho que há também um outro fator que vale ser considerado: o fato de que a Aika é, afinal, a herdeira da Himeya, uma das mais antigas companhias de undine de Neo Venezia. E, como tal, imagino que ela não bem precise de um tesouro.

A questão monetária é uma que Aria nunca levanta (nem ao menos sabemos qual é a moeda de Neo Venezia). E do que podemos inferir, ninguém no anime parece estar passando necessidade. Mas mesmo reconhecendo isso, acho que ainda há alguma lógica nessa minha interpretação.

Tesouros são, quase sempre, financeiros. E por mais que o episódio vá subverter essa expectativa no final, é razoável imaginar que essa foi a primeira coisa que as garotas pensaram. Então mesmo que o mapa fosse verdadeiro: o que são algumas moedas de ouro para alguém na posição da Aika? Melhor seria gastar seu tempo nos treinos.

Mas claro, também não quero dar a entender que as outras duas entraram nessa caçada pelo dinheiro.

Mudando o foco para a Alice, acho bem revelador que a sua fala para “convencer” a Aika seja que o mapa a deixou curiosa. Além disso, é ela quem soluciona as pistas que as três encontram: um lembrete de que, infantil que a garota possa ser, ela ainda é uma prodígio – não só da gôndola, ao que parece.

E ainda assim, ela é infantil, do que chegamos à minha interpretação. Penso que a Alice vê aquela situação toda muito como um jogo. Como um mistério ou enigma a ser desvendado. O que inclusive explicaria o porquê dela parecer a mais investida das três nessa caça ao tesouro. Uma atividade, diga-se, bastante típica da infância.

Quanto a Akari, ela deve ser a de motivação mais direta: a garota queria participar de uma caça ao tesouro, simples assim. E mais uma vez, é o seu comportamento ao longo do episódio o que me permite dizer isso.

Diferente da Alice, que consegue se manter focada na tarefa de procurar a próxima pista, a Akari está sempre desviando a atenção. Primeiro, para conversar com um pombo (ok, isso foi super aleatório). Depois, para assistir ao show de um mágico de rua. E depois, para conversar com o estranho que lhe ofereceu um café.

Mas também não é que a Akari não tenha interesse na caça ao tesouro, como é o caso da Aika. Antes, é apenas como a garota é, algo que vemos desde a temporada anterior. Fruto, em grande parte, de sua visão cor-de-rosa do mundo ao seu redor.

E crédito onde crédito é devido: é justamente essa sua tendência a reparar no seu entorno que a faz perceber o piso brilhando na Piazza San Marco. A última pista que vemos as garotas encontrarem, antes do anime passar para uma montagem delas percorrendo a cidade atrás de mais uma dezena de outras.

Imagino que para a Akari a própria ideia de uma caça ao tesouro já era romântica o suficiente para lhe despertar o interesse. E que ela teria ficado satisfeita mesmo que o mapa fosse uma farsa, no maior estilo “não é sobre o destino, mas sim sobre a jornada”. Ainda que encontrar aquela vista com certeza não lhe fez mal.

Neo Venezia


Como eu disse na introdução, se o episódio anterior serviu para nos reintroduzir aos personagens de Aria, este vem muito para nos reintroduzir à própria Neo Venezia.

Mas aqui é importante refletir um pouco sobre que aspectos de Neo Venezia o anime enfatiza. E, para tanto, podemos aproveitar de três “encontros” que as garotas têm durante a sua caça ao tesourou. O porque das aspas o leitor já vai logo entender, mas por agora vamos nos ater à cronologia do episódio.

Nossa primeira parada vem quando da segunda pista que as garotas encontram, que as levam através das vielas da cidade até uma praça preenchida por artistas de rua, de malabaristas a mágicos, e suas respectivas audiências.

É um desses momentos em que o anime chama atenção para o que nós podemos entender como o dia a dia de Neo Venezia. Uma cidade que, para todos os seus corredores estreitos e passagens apertadas, é também repleta de espaços abertos como esse, onde as pessoas passam o dia na companhia umas das outras.

Os próprios artistas de rua são um aspecto da cidade que nós na verdade já tínhamos visto antes. No oitavo episódio de Aria the Animation, aquele dedicado ao Aria, vemos a Akari em algum tipo de aula circense. E ainda veremos mais cenas do tipo com o andar do anime.

Já nosso segundo momento de destaque vem logo depois desse, com as garotas sendo levadas até a Piazza San Marco.

Aqui nós temos o que é o efetivo encontro da Akari no episódio, com o amigável senhor que, depois, se revela o dono do café no qual ela e as amigas haviam parado para descansar. E enquanto talvez valesse analisar um pouco a conversa dos dois, eu me interesso mais pelo que acontece ao redor desta.

Temos que, em dado momento, as mesas e cadeiras da Piazza são movidas para a sombra da torre, a fim de manter o ambiente fresco e agradável. E há algo de bucólico nisso, nessa cidade futurista que, mesmo para coisas tão insignificantes, se deixa levar pelo ritmo da natureza – no caso, do sol.

Por fim, chegamos ao ponto que justificam as aspas lá em cima. Após encontrarem o “tesouro”, as garotas decidem devolver os mapas para onde encontraram, e numa dessas devoluções elas notam marcas de movimentação em um dos esconderijos, sugerindo que o baú já havia sido removido diversas vezes.

Chamar esse momento de um “encontro” é uma pequena forçação de minha parte, mas ainda acho que o anime tenta estabelecer ai uma espécie de laço de cumplicidade entre as garotas e aqueles que encontraram as pistas antes. Levantando a ideia de que todos pensaram a mesma coisa: que queriam que outras pessoas tivessem a chance de encontrar aquele mesmo “tesouro” um dia.

E nisso é fácil de ver que tipo de cidade é Neo Venezia.

Como já vimos ao longo de Animation, Neo Venezia é uma cidade construída para evocar um tipo bastante específico de nostalgia. Um apreço pelos “bons e velhos tempos”, em que “as coisas eram mais simples”.

As pessoas passam o tempo conversando na fonte da praça ou assistindo a artista de rua. O ritmo da vida na cidade é ditado pelo ritmo da natureza. E há uma cumplicidade e camaradagem que conecta os seus habitantes, sempre dispostos a se ajudarem sem esperar nada em troca.

Um tipo bastante particular de utopia, sustentada, em grande medida, por uma população que fez daquele mundo a antítese do que parece ter sido o caminho que a Terra seguiu. E se podemos problematizar esse tipo de visão, não nego que não acharia nada mal passar umas férias em Neo Venezia.

Extras


Como é de praxe, nós encerramos o artigo com a típica seção de extras que não consegui encaixar no texto corrido. Sem spoilers dessa vez, então aproveitem a leitura. No mais: até o próximo episódio!

○ Gostei da pequena informação sobre a Alice ter o hobby de passear pela cidade. É o tipo de detalhe aleatório que dá profundidade à personagem. E bom, é claro que a Aika não podia deixar de provocar a sua “kouhai” por isso, né?

○ Sobre a cena da Piazza, acho legal apontar que o dono do Café já apareceu antes. É uma cena bem rápida lá pelo final do último episódio de Animation, durante as montagens que mostram as comemorações de passagem de ano. Mesmo que você o notasse não teria como saber quem é, mas ele está lá.

○ Ainda sobre a cena na Piazza, acho hilário como hoje em dia a sequência de um senhor de idade oferecendo bebidas para uma menor seria tomada com bem mais escrutínio do que mais de uma década depois. Seria o caso de que a maldade está nos olhos de quem vê, talvez?

○ Último comentário sobre a cena na Piazza, mas eu fiquei com gastrite só de ver o tanto de café que a Akari bebeu ali – com ou sem leite!

○ A cena mais para o final, do dono do café dizendo que a Akari era uma especialista em se divertir, me fez lembrar daquela cena em Animation em que o Akatsuki diz para ela que não tentasse tornar momentos mundanos em algo especial – ao que ela prontamente admite ser a sua especialidade.

Aria the Natural: Sono Futatabi Deaeru Kiseki ni… é um especial as vezes classificado como o “episódio 0” de Aria the Natural. Em fato, ele parece ser mais uma espécie de vídeo promocional estendido, com apenas 5 minutos de duração e mostrando as personagens. Não me parece que ele foi transmitido na TV, mas foi incluído no primeiro DVD de Aria the Natural, junto dos dois primeiros episódios.

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Episódio 3 →

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Um comentário sobre ““Agora você tem um tesouro em seu coração” // Aria the Natural, episódio 2

  1. Com a correria da vida, acabei lendo este segundo texto sobre o The Natural apenas agora, mais de um mês depois de seu lançamento, haha.

    Mas o importante é ler, certo? E como sempre, foi incrível, mágico como o mundo desta incrível obra!

    Curtido por 1 pessoa

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