“Pu~nya~” // Aria the Animation, episódio 8


Aquele presidente melancólico…

Aquele herói legal…


Devo confessar que, desde que eu comecei essa série de artigos, eu desde o início sabia que este seria o mais difícil de comentar. Desviando do formato normal da série, aqui nós temos duas histórias distintas, ambas protagonizadas pelo presidente Aria.

É um episódio bem mais leve, mesmo para os padrões de Aria, ao ponto de eu quase me arrepender de ter descrito o quinto episódio como um “momento de respiro” – sentença que sem dúvidas se aplica bem mais a este do que àquele episódio.

Não há muito o que comentar aqui. O que não é ruim, e no fim esse ainda é um episódio bem gostoso de assistir. Mas dificulta um pouquinho o meu trabalho. Então não se espantem com o quão curto este artigo ficou.

Desta vez o texto foi dividido em três curtas seções, começando com uma sobre o tempo em Aria e qual o problema com ele. Disso nós passamos para uma discussão sobre as garotas fora de suas gôndolas, e a terceira fica dedicada ao que poderíamos chamar de o tema do episódio.

Como de costume, o artigo se encerra com uma seção de extras, onde vai tudo o que não consegui encaixar no texto corrido. Uma boa leitura a todos!

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O Tempo em Aria


Logo que o episódio abre, a fala inicial da Akari nos posiciona no tempo. Com a limpeza da companhia Aria ocorrendo no entre estações, aprendemos que estamos agora em algum momento entre o fim do verão e começo do outono.

Eu destaco isso porque, parando pra pensar, significa que já se passou um bom tempo desde o começo da série. Digo, basta lembrar que, no primeiro episódio, a Akari comenta como ainda faltavam quatro meses para o seu segundo verão em Aqua. O que significa que já deve ter se passado ai perto de sete meses – ou talvez até mais.

Vejam, Aria tem um sério problema quando se trata de estabelecer qualquer cronologia para a série, que é o fato do calendário de Aqua ter, canonicamente, 24 meses. É uma das pistas que nos permite dizer que o planeta é Marte, mas também é um detalhe que torna a passagem do tempo algo bastante confuso aqui na história.

Será que estamos lidando com estações de seis meses? É possível, o que colocaria uma distância de cerca de 10 meses entre o começo do anime e o episódio atual. O que não parece muito agora, a bem da verdade, mas acreditem: conforme a série avança, essa dilatação entre o tempo percebido e o tempo real só faz aumentar.

Ao mesmo tempo, é questionável se o calendário oficial do planeta é este de 24 meses. Digo, em seu episódio introdutório a Alice comenta ter 14 anos. Fossem anos pelo calendário de Aqua, a garota já estaria com 28 anos terrestres, e seria no mínimo estranho ela ainda ser uma aluna do fundamental (fora que ela não parece nem age como se tivesse essa idade).

Posto que o clima de Aqua é artificialmente regulado, não seria estranho que este estivesse programado para dois conjuntos de quatro estações por ano. Nada na série suporta isso, e a fala da Akari no primeiro episódio mesmo contradiz tal interpretação, mas ainda assim…

Esse é um dos poucos reais defeitos de Aria, um momento onde as implicações da lore parecem ter passado voando por sobre a cabeça da autora, e mesmo entre os fãs o consenso parece ser o de “não pense muito sobre isso”. Não é algo que diminua a minha apreciação da série, mas acho que ainda cabe aqui o comentário.

Quando da segunda historinha do episódio, podemos ver as mangas compridas nos uniformes das garotas, denunciando que já entraram de vez no outono. Quanto tempo deve ter se passado entre essas duas histórias, porém, eu deixo para o leitor confabular.

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Dias de Descanso


Algo comum às duas histórias do episódio é que ambas se passam em dias de descanso. E, graças a isso, podemos ver um pouquinho de como cada personagem passa o tempo quando fora da gôndola.

Verdade seja dita, a primeira história não mostra muito. Só vemos que é um dia de limpeza na companhia, o que ainda é uma rotina interessante de se conhecer. Não fica claro, porém, se essa é uma tradição compartilhada pelas demais companhias, com o anime não dando indícios nem para um lado nem para o outro.

A segunda história, porém, dá um pouco mais de detalhe. Mais uma vez parece que todas as nossas garotas estão em um dia de descanso, e o Aria passa por várias delas em sua pequena quest de entregar o boneco à sua dona.

Athena e Alice são as que menos vemos o que estavam fazendo, e para todos os efeitos pareciam estar só caminhando pela cidade. Aika por sua vez, encontra por acaso com o Al, um personagem que só viria a ser propriamente apresentado alguns episódios depois. E por fim temos a Akari, que estava… em uma aula de circo?

Ok, por aleatório que isso seja, eu devo dizer que amo essa pequena passagem. Não só pela comédia visual da Akari correndo atrás das bolas, mas sobretudo porque é legal ver a Akari fazendo algo tão destoante da sua profissão de undine (e, ainda assim, tão condizente com a sua personalidade).

É o tipo de detalhe que dá muito mais profundidade à personagem, mesmo que nunca seja referenciado de novo. Mostra que o seu mundinho vai muito além da gôndola, o que reforça a ideia de que o que vemos é, de fato, apenas uma fatia da sua vida.

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Ser Útil


Agora, em se tratando do tema do episódio, é bastante claro que ambas as histórias tratam do Aria tentando ser útil e tentando ajudar. Na primeira, sem muito sucesso, e na segunda, com um resultado um pouquinho melhor.

Isso me faz pensar mais uma vez sobre a visão que Aria tem do trabalho e de como este deve ser para e pelo outro, algo que já discuti anteriormente.

Apesar do título de presidente, fato é que o Aria não tem uma real função na companhia. Ele é, na prática, apenas o mascote. Ainda assim, a primeira história sugere que ele ainda se vê como um líder, e o fato dele mais atrapalhar do que ajudar o acaba incomodando bastante.

É importante, para nós, nos sentirmos necessários. E é também importante sentirmos que o nosso trabalho importa de alguma forma (por mais que essa não seja a realidade, em muitos casos). E penso que essas duas pequenas histórias do Aria refletem justamente esses valores.

Felizmente, nosso nada convencional gatinho se sai bem melhor na segunda historinha. Entre toda sorte de dificuldades, o boneco é afinal devolvido. Dever cumprido, é hora de voltar.

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Extras


E como é de praxe, encerramos o texto com a nossa típica seção de extras. Fica, porém, o também costumeiro aviso de spoilers, então sigam por sua conta e risco.

○ É canônico em Aria que os gatos de Aqua são mais inteligentes que aqueles de Man Home, o que ajuda a explicar muitos dos comportamentos que vemos da parte do Aria ao longo da série.

○ Como personagem, o Aria acaba tendo duas facetas distintas. Na maior parte do tempo ele é essa goofball que vemos aqui no oitavo episódio. De quando em quando, porém, ele demonstra surpreendente maturidade, sobretudo quando o sobrenatural está envolvido.

○ Eu tinha até esquecido que esse episódio tem um pequeno cameo do Al, um personagem que só seria propriamente introduzido bem mais pra frente. Mas é legal notar como, se você já conhece o personagem, da pra pegar muito dele só por essas poucas palavras que ele troca com a Aika.

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