“Acha que remar e ser agradável são coisas que qualquer um pode fazer?” // Aria the Animation, episódio 7


Fazendo aquele maravilhoso trabalho…


O sétimo episódio de Aria the Animation é um bem interessante. Aqui as garotas acompanham a Akira em um dia de treinamento: primeiro acompanhando a instrutora em seu trabalho, observando como ela lida com seus clientes, e depois tirando a tarde para praticarem com a assistência da prima, tudo culminando num teste final durante a maré alta.

Mas o motivo de eu dizer que este é um episódio interessante é porque podemos ver nele ecos de muito do que já vimos em episódios passados. A caracterização da Akira é uma continuação da que vimos no segundo episódio, e seu tour mesmo lembra um pouco aquele que vimos a Akari dar ao Akatsuki no terceiro episódio.

Este artigo eu dividi em três partes, as duas primeiras correspondendo, grosso modo, às metades do episódio. Assim, começamos com alguns comentários sobre o tour da Akira, para então passarmos ao treino das garotas e como esse destaca suas forças e fraquezas. A terceira seção fica, assim, para uma discussão dos temas do episódio, algo sobre broncas e gentileza.

O artigo encerra, então, com a nossa costumeira seção de extras, onde eu deixo tudo o que não consegui encaixar no texto corrido. Então sem mais delongas, vamos de uma vez ao que interessa!

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O Tour de uma Prima


Antes de mais nada, eu aprecio o fato da cliente ter pedido pela Akira em específico.

Durante o anime nós passamos muito mais tempo com as aprendizes, e estas estão quase sempre por conta própria. Por conta disso, enquanto elas talvez falem umas para as outras sobre o quão incríveis são as suas instrutoras, são momentos como os do começo do episódio, em que encontramos uma legítima fan-girl da Akira, que melhor reforçam a fama das três fadas da água.

Mas claro, o foco aqui está no tour em si, e devo dizer que observar a Akira em ação nos dá uma fantástica base para melhor entendermos o quanto as nossas garotas ainda precisam melhorar.

Logo que o passeio começa de fato, Akira pergunta ao casal se aquela era a sua lua de mel. Uma pressuposição bem simples: são, afinal, um casal jovem, numa cidade turística que parece receber recém-casados com uma boa frequência (lembrando que a irmã mais velha da Ai também teve sua lua de mel em Neo Venezia, como aprendemos no primeiro episódio).

Ao que o casal responde que sim, notem como a Akira imediatamente ajusta o seu tour tendo esse fato em mente. Ela mostra o teatro ao casal, e mesmo se oferece para reservar dois assentos quando voltarem. Ela vê uma gôndola com flores passando e pega duas rosas, uma para cada.

Ela também tenta, ainda que de início sem sucesso, atrair a atenção do rapaz, mais entretido com seu guia do que com o passeio em si.

Akira tenta tomar o guia dele, resultando numa breve discussão que termina com o guia caindo na água. Sem tentar estender o assunto (fosse para continuar a discussão, fosse para se desculpar), Akira decide então perguntar como os dois se conheceram. E a resposta que a mulher dá a faz levar a ambos para ver uma singela estátua da virgem Maria, escondida num dos becos da cidade.

Ali a Akira traça um paralelo entre a estátua e o rapaz, pequenas maravilhas escondidas dos olhos da população em geral, mas percebidas e apreciadas por alguns poucos. É uma cena que inclusive lembra um pouco aquela, no terceiro episódio, na qual a Akari compara o Akatsuki com as estátuas de leão tidas como protetoras de Neo Venezia. Ao final, o rapaz apenas cora.

Notem que há um método ai. Questionar o cliente de forma não invasiva. Deixar que ele fale, e ouvir com atenção. E ajustar o seu tour com base no que foi dito, criando assim uma experiência que será única a cada pessoa que entrar em sua gôndola. Se talvez soe familiar é porque tivemos essa exata discussão no terceiro episódio.

Ali, vimos uma Alice incomodada com as undines ao seu redor, vistas por ela como bonecas que só faziam seguir um roteiro. Ao final, Alice aprende que há mais no trabalho de uma undine do que apenas isso, e que é importante estar de coração aberto aos que você aceitar em sua gôndola.

Akira certamente encarna uma personagem aqui, algo mesmo destacado pelo episódio, quando é exposta a dissonância entre como ela é com os clientes e como ela é enquanto instrutora. Ainda assim, seu método é clara evidência de alguém que entende muito bem tudo o que já discutimos sobre como o trabalho de uma undine é, afinal, o do encontro com o outro.

E nisso nós temos as garotas…

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Hora do Treino!


Quando o passeio termina, a mulher pergunta se a Akira poderia atendê-los novamente de tarde. Esta responde que teria de treinar as garotas, ao que a mulher então pergunta se poderia participar. O rapaz se mostra contra, insinuando que não há muito no trabalho de uma undine. E que, no fim, qualquer um pode por um sorriso no rosto e ser amigável.

De imediato o tom da Akira muda. E seu sorriso comercial de até então logo se transforma num sorriso de provocação. Ela tomou as palavras do rapaz como um desafio – e ela vai prová-lo errado.

Assim começa o efetivo treino das aprendizes, que acaba sendo dividido em duas partes. Numa primeira, as garotas recebem cada qual uma chance para manejar a gôndola pelos canais da cidade, enquanto que numa segunda elas recebem o desafio conjunto de cruzar Neo Venezia durante a maré alta, quando muitos dos caminhos tradicionais se tornam inacessíveis.

Partindo do começo, a primeira a ganhar comando da gôndola é a Akari… que já de cara está tão nervosa com a presença da Akira que conduz o barco a passos de tartaruga. Já no terceiro episódio, quando a Aika as levou para treinar em um curso avançado, havíamos visto como a Akari é a mais insegura dentre as três aprendizes, e essa cena reforça isso muito bem.

Ao mesmo tempo, ela é também a mais propensa a distrações. Basta o Woody passar por perto para a Akari o cumprimentar – para o desprazer da Akira

A segunda a comandar a gôndola é a Aika, que já logo começa com uma exposição sobre um prédio próximo, réplica da casa de Marco Polo, convertida em um pequeno museu. Como esperado da aprendiz da Akira, aqui a Aika se mostra bastante estudiosa e confiante, não hesitando na fala nem esquecendo detalhes (como uma ~certa undine~ alguns episódios atrás).

Ao mesmo tempo, podemos ver como sua gôndola balança – algo que, como devem se lembrar do primeiro episódio, não devia acontecer. Isso é explicado com a bronca da Akira, de como a Aika estava indo rápido demais, e é um erro bastante condizente com a sua personalidade. Aika é a mais apressada das três, algo que episódios futuros ainda irão abordar novamente.

Por fim, a terceira no treino solo é a Alice, que já de início mostra o porquê dela ser um gênio da gôndola. Atravessando com graça e maestria por canais apertados, mantendo o controle mesmo quando tendo de cruzar rente a outras undine.

Onde a garota falha, porém, é no se aproximar de cruzamentos e encruzilhadas. É esperado que, nesses momentos, uma undine grite para avisar que está passando. Mas claro que nossa tímida e introvertida Alice não consegue se fazer ouvir, sempre “gritando” baixinho demais – e resta à Akira forçar a voz da garota.

É toda uma sequência que, como eu disse na introdução, reforça muito bem as forças e fraquezas de cada aprendiz, e podemos ver também como estas derivam de suas personalidades.

A chegada da Alicia dá a todos uma pausa para o lanche, mas o treino logo em seguida recomeça. Desta vez, porém, o episódio apenas corta para o fim da tarde, já no início do crepúsculo. E é aqui que as garotas recebem seu último desafio do dia.

Akira diz às garotas para levá-la até onde mandar. O que soa como uma tarefa simples, mas há um porém: com a maré alta, muitas das pontes pelas quais as gôndolas costumam passar estarão baixas demais, resultando em muitos mais becos sem saída do que o de costume. E não demora até que as garotas se percam.

Agora, durante todo esse treino nós vemos uma Akira que é, para todos os efeitos, bastante passiva, se limitando a criticar os erros das aprendizes na primeira parte e a colocar pressão nelas na segunda. Uma postura que, logo vemos, incomoda ao rapaz, que confronta a Akira perguntando porque ela não ajuda as garotas.

Uma fala dela, porém, já havia dado a resposta. Akira coloca que, quando as garotas forem prima, não terão ninguém para cobrir seus erros. E será responsabilidade delas fazer algo a respeito. Como, aliás, vimos nesse mesmo episódio, quando a Akira precisou melhorar o clima do passeio após sua breve discussão com o rapaz, que resultou no guia caindo na água.

Mas há também aqui a sensação de que a Akira confia nas garotas, e acredita que elas conseguirão resolver a situação por conta própria. É por isso que ela primeiro manda o rapaz apenas sentar e observar, e depois o impede de ajudar as três a abrir a porta do prédio abandonado.

Quando tudo está dito e feito, o sorrido da Akira é bastante revelador. É um sorriso jocoso, uma mescla de “eu te disse”, no sentido de ter avisado as garotas da dificuldade da tarefa, com um “muito bem”, orgulhosa por elas terem superado o desafio apesar dos apesares. Ao fim, a recompensa: todos para a pizzaria!

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Gentileza Ríspida


Em tema, esse episódio é uma continuação do que vimos lá no segundo, quando da nossa primeira introdução à Akira. A ideia de que, no fundo, ela é uma pessoa gentil – mesmo que isso não transpareça em uma primeira impressão.

Ao final do episódio, todos esperavam que a Akira desse uma bronca nas garotas. A própria, porém, não vê necessidade. Broncas são, para ela, uma forma de fazer as garotas entenderem e refletirem sobre os próprios erros, e portanto não faz sentido brigar com elas quando já o fizeram. Uma mostra de que, por tirânica que ela pareça, há método em sua forma de ensinar.

Ao final, o rapaz aponta que, se a Akira é dura com as meninas, ela o é para o bem delas. E enquanto a Akari e a Alice parecem surpresas com esse comentário, a Aika apenas concorda. Como já vimos no segundo episódio, ela entende muito bem a sua instrutora.

Pra complementar, temos a historinha da Ai, que leva uma bronca da mãe por se atrasar para o encontro com uma amiga. Um paralelo que já diz tudo o que era necessário: algumas vezes, uma bronca é também uma forma de afeto. Algo que, de uma forma ou de outra, todos nós já sentimos alguma vez na vida.

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Extras


E fechando o artigo, aqui nossa costumeira seção de extras. Como sempre, vale o aviso de que alguns dos comentários daqui podem conter spoilers, então sigam por sua conta e risco. No mais: uma boa leitura!

○ Acredito que este seja o primeiro e único episódio de treino propriamente dito aqui em Animation, e é bom termos essa visão de como pelo menos uma das instrutoras treina as garotas.

○ Gosto de como, ao que a Akira vai introduzindo ao casal as garotas e os mascotes, cria-se ai um sentimento meio claustrofóbico. Mostra que, apesar de tudo, elas são uma pequena inconveniência para os clientes.

○ A escolha da Akira de pegar uma rosa para o casal é uma bem curiosa. Pode ser só coincidência, mas quem já viu a série até o final sabe que a Akira tem certa história com essa flor.

○ Ao final da primeira parte do treino as garotas parecem bem exaustas. Contudo, se recuperam logo que a Akira diz que é hora do último teste do dia. Cenas assim mostram bem a determinação das aprendizes em atingir seus objetivos.

○ Ao fim do episódio, o rapaz deixa seu guia na pizzaria. Acredito que a mensagem aqui seja a de que, após conhecer a Akira em suas várias facetas, ele aprendeu a olhar para além das aparências.

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