Quando sobem os créditos… // Vídeo


Do que você ainda se lembra?


Roteiro:

Já faz ai seis anos que saiu o primeiro episódio de Yu-Gi-Oh Arv-V, quinta série da franquia Yu-Gi-Oh. Um bom anime, até, talvez o meu favorito da franquia, por mais que tenha lá os seus problemas. Mas que seja, esse vídeo não é nenhuma review.

Antes, eu comento do anime muito por conta do que eu ainda me lembro dele. Uma vaga memória de como se deu a progressão da sua história. Algumas cenas – normalmente duelos – de maior destaque. E uma única frase, que vem logo no primeiro episódio.

Perto do final deste, temos o seu típico cenário do protagonista encurralado. E é nesse momento que Yuya, o dito protagonista, tem um flashback para algo que seu pai havia lhe dito certa vez.

“Sorria quando quiser chorar. Você não vai conseguir fazer nada se estiver com medo”

Por piegas que uma fala do tipo talvez pareça, é engraçado como eu ainda lembro dela mesmo depois de tanto tempo. E foi refletindo um pouco sobre isso que me veio a vontade de produzir esse vídeo.

Talvez um dos maiores elogios que se possa fazer a uma obra de ficção é o de que ela é memorável. E é curioso como mesmo em uma obra ruim essa possa ser a sua graça salvadora.

Digo, o que não falta é gente que diz preferir assistir a um anime terrível, mas que ao menos deixe algum impacto ou impressão mais forte na pessoa, do que assistir a um apenas mediano e genérico, que será esquecido dali alguns dias.

E enquanto eu não estou aqui pra negar isso, nem de longe, eu sinto necessidade de atestar o óbvio: ninguém lembra de tudo.

E não pensem que eu me refiro aqui a se lembrar de, vai, todos os animes que você já viu. Porque o buraco é um pouco mais embaixo. Pegue o seu anime favorito e pense: você acha que consegue lembrar tudo dele? Cena a cena? Fala a fala?

Nossa memória é seletiva, e fato é que esquecemos muito mais do que lembramos. Então quando se trata de dizer que uma obra qualquer é “memorável”, talvez caiba ai perguntar: o que nela é de fato memorável?

Verdade seja dita, essa não é uma pergunta fácil de responder, nem uma cuja resposta será a mesma sempre. Se você acabou de terminar uma série, é provável que ainda se lembre de muita coisa dela.

Mas conforme o tempo vai passando e a nossa memória vai se esvaindo, a resposta tende a mudar. E conforme ela vai mudando, eu penso que surge ai a oportunidade de refletir como, de fato, aquela obra nos impactou.

Talvez você ainda se lembre de cenas específicas. Uma luta de grande impacto. Uma cena que te fez chorar. Um discurso eloquente. Excertos soltos, que você talvez nem lembre mais quando vinham na história, mas sabe que te marcaram de uma forma ou de outra.

Talvez você se lembre dos temas que a história abordava. Das ideias que ela buscou transmitir. Dos valores que ela tentou passar. A linha argumentativa talvez já tenha há muito se perdido, mas ficou ao menos a conclusão.

Ou talvez a sua lembrança seja muito mais sentimental. Você lembra daquela obra e junto da lembrança vêm toda sorte de emoções. Alegria. Raiva. Tristeza.

Ou talvez a sua lembrança seja ainda mais difusa. Quantas vezes você já não se pegou tendo opiniões até que bem fortes, para o bem ou para o mal, de histórias que, a bem da verdade, você não consegue lembrar de uma só cena ou linha de dialogo?

É claro que, na prática, essas diferentes lembranças se intercalam. Lembramos, muitas vezes, de momentos e de sentimentos, de falas e de temas, além das mais variadas impressões. E talvez seja interessante reconhecermos isso.

Esquecer não é um problema. Nunca foi. Esquecemos daquilo que não precisamos. Daquilo que não usamos. Por consequência, lembramos daquilo que, de tempos em tempos, ressurge na nossa memória. Daquilo que, de uma forma ou de outra, deixou sua marca em nós.

Dizer que uma obra é memorável é, sem dúvidas, um elogio. Mas é um que carece de definição.

Quando o último episódio terminou e os créditos finais subiram. Quando anos se passaram e o que foi um dia uma memória vívida se tornou agora apenas uma vaga lembrança. Quando tudo que restam são excertos soltos e sentimentos difusos. Pense sobre isso, e reflita um pouco sobre o que você lembra dessas obras.

Porque eu acho que isso é o que vai dizer de que forma elas te impactaram. De que forma elas te afetaram. O que, de fato, as torna então, afinal, memoráveis.

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