A imortalidade e as histórias que contamos sobre ela


Morrer = Bom…?!


É famoso o nome de Gilgamesh. Sua epopeia, que por si só figura entre os mais antigos textos literários que chegaram até nós, compila mitos e lendas ainda mais antigos, contando sobre as façanhas do lendário rei-herói de Uruk.

Por exemplo, aqui aprendemos sobre como Gilgamesh desagradou os deuses, que em retalhação enviaram o bárbaro Enkidu para assassiná-lo. O plano, contudo, fracassa: Gilgamesh não apenas vence o oponente como os dois ainda terminam por formar uma forte amizade, com Enkidu passando a auxiliar o herói em ainda outras contendas com os deuses.

Aqui nós também aprendemos sobre a morte de Enkidu, e sobre como esta fez com que Gilgamesh fosse tomado pela consciência da própria mortalidade. Nosso protagonista parte então em uma jornada para encontrar a vida eterna – apenas para voltar a Uruk de mãos vazias. A imortalidade é uma prerrogativa dos deuses. A morte, a sina da humanidade.

Ghilgamesh // Fate/Zero, episódio 1

Por pura coincidência, nos últimos meses eu acabei por assistir um pequeno punhado de animes que lidam, de uma forma ou de outra, com o tema da imortalidade. E, como não poderia deixar de ser, pude notar como emergem ai alguns padrões.

Neste artigo, eu quero explorar um pouco esse tema. Como a imortalidade é usada enquanto um recurso do roteiro, é claro, mas também falar um pouco sobre os discursos que surgem a seu respeito. Porque, e aqui um pequeno spoiler do que vem pela frente, há uma clara tendência de se tratar a imortalidade como negativa.

De minha parte, não poderia discordar mais de tal visão. Mas nesse ponto eu já estou me adiantando, então vamos com mais calma. Se bem que talvez não muita calma. Afinal, nós não temos todo o tempo do mundo…

Eu não temo a morte. Estive morto por bilhões e bilhões de anos antes de nascer, e isto não me causou a menor inconveniência.

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Imortalidade enquanto mecânica

Antes de mais nada, eu acho válido reconhecer que “imortalidade” é um termo bastante amplo. Diferentes histórias terão diferentes interpretações do que significa ser imortal, e é lógico que essas diferentes interpretações resultarão em diferentes problemáticas.

Por exemplo, em algumas histórias o imortal não é realmente imortal. Talvez ele apenas tenha um tempo de vida bem longo, de séculos ou mesmo milênios. Talvez ele seja o que chamaríamos de a-mortal: não envelhece, mas de resto é tão frágil quanto eu ou você. Ou podemos ter o exato oposto: entidades com enorme poder regenerativo, mas que ainda assim envelhecem e morrem.

Diferentes histórias terão diferentes visões da imortalidade // Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana wo Kazaroo

Em outros casos, a imortalidade pode vir muito mais como uma consequência do que como algo em si mesmo. Por exemplo, no caso de entidades que podem transferir a sua consciência de corpo em corpo, ou que reencarnam uma vez mortos. Mesmo um personagem como Subaru, de Re:Zero, pode ser tomado como imortal numa definição ampla o bastante da palavra.

E claro, temos aqueles literalmente imortais, que ainda assim podem vir numa vasta gama de cores e sabores. O invulnerável, imortal pelo puro fato de que nada é capaz de feri-lo. O imortal por regeneração, capaz de recriar partes destruídas do corpo. Ou o mais raro imortal por reconstituição, onde partes destruídas do corpo magicamente voltam ao local de origem.

Cada um desses casos traz a sua própria série de usos, implicações e temáticas, fazendo do recurso algo talvez mais flexível do que se dá crédito.

Baccano é um bom exemplo de uma história com imortais por restituição // Baccano, episódio 1

Por exemplo, a-mortais e imortais por regeneração se prestam bem ao cenário da ficção científica, onde a tecnologia e a medicina podem explicar o fim do envelhecimento ou seres com alta capacidade regenerativa. Já o imortal por reencarnação ou por reconstituição se prestam bem mais à fantasia, onde a magia é a explicação máxima.

Um ser que seja apenas longevo, mas de resto tão frágil quanto qualquer mortal, encaixa bem no papel de mentor ou sábio. Já um ser invulnerável ou que se regenere com facilidade encaixa bem no papel de combatente, sendo praticamente imparável.

A imortalidade também pode ser muito mais uma sugestão do que uma realidade. Talvez porque o personagem esteja apenas fingindo ser imortal. Talvez porque, ainda que geralmente imortal, o personagem tenha alguma fraqueza, seja esta um objeto, um ponto fraco no corpo, ou coisa parecida. Ou talvez porque a sua imortalidade seja, de alguma forma, revogável.

É comum o trope do monstro imortal com algum tipo de ponto fraco // Yakusoku no Neverland, episódio 1

E tudo isso sem entrar no mérito da busca pela imortalidade, que pode tanto terminar numa parábola moderna sobre a futilidade de tal busca, como num twist à lá Fullmetal Alchemist, onde a imortalidade, como Hohenheim inadvertidamente aprendeu, exige um preço bem alto.

Mas quando deixamos de lado os tipos e os usos da imortalidade na ficção e focamos mais no que as histórias costumam dizer a seu respeito, ai um padrão começa a tomar forma. Sendo assim, falemos um pouco deste.

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Imortalidade enquanto tema

Aqui chegamos ao que me motivou a escrever este texto em primeiro lugar. Pois, como aludi na introdução, há certa tendência de se retratar a imortalidade como algo negativo – uma posição da qual eu veementemente discordo.

Para Texhnolyze, a luta pela sobrevivência é o que nos torna humanos // Texhnolyze, episódio 2

Não se trata, porém, de puro “imortalidade = ruim”. E por mais que a conclusão tenda a ser esta, diferentes histórias ainda oferecem diferentes argumentos do porquê esse seria o caso. Sendo assim, nesta seção tomemos alguns animes de exemplo, atentando a que argumentos eles tecem e se estes sobrevivem, ou não, a um maior escrutínio.

Comecemos então com Texhnolyze, uma produção original da Madhouse, de 2003. Uma ficção científica distópica que nos apresenta, em seu arco final, a toda uma sociedade de humanos imortais. Mas seriam estes verdadeiramente humanos?

A pergunta é mais filosófica do que prática. Sim, eles são. Ou, no mínimo, são aquilo que a humanidade se tornou. Um povo que, a história nos diz, parece existir no limiar entre a vida e a morte. Incapazes de morrer, mas também, ao que parece, incapazes de viver. São, dizem, meros fantasmas que só fazem rememorar o passado.

Seria a estagnação a consequência da imortalidade? // Texhnolyze, episódio 20

Este é o que nós podemos chamar de o argumento da estagnação. A ideia de que, caso atingíssemos a imortalidade, todo progresso humano seria paralisado, ao passo que nós seriamos, mais cedo ou mais tarde, dominados pela monotonia e pelo tédio.

Para Texhnolyze, lutar pela própria sobrevivência é parte essencial do que nos torna humanos. E pôr fim a essa luta seria análogo a pôr fim à nossa própria humanidade.

Um complemento a esse argumento pode ser encontrado em outro anime, este um pouco mais recente. Saindo em 2008, Casshern Sins, uma produção conjunta dos estúdios Madhouse e Tatsunoko, lida de forma bem mais ostensiva com os temas da mortalidade e da imortalidade.

Casshern // Cashern Sins, episódio 1

Estrelando o imortal Casshern, aqui nosso protagonista vaga por um mundo que, outrora dominado pelos robôs, é agora devastado pela “Ruína”, fenômeno que faz com que os robôs comecem a enferrujar e a desfalecer. Aqueles que um dia foram imortais devem, agora, lidar com a própria mortalidade.

Muitos respondem da forma que você esperaria, com desespero, negação ou resignação. Alguns poucos, porém, decidem fazer o melhor que puderem com o tempo que lhes resta. Formam laços de amizade e amor. Dedicam-se por completo a algum sonho ou atividade. Ou buscam deixar algo de si para trás. São, o anime nos diz, o modelo a ser seguido.

Casshern Sins compara a vida a uma chama, que brilha intensamente antes de se apagar. E, no processo, traz outro argumento contra a imortalidade: a ideia de que a morte dá sentido à vida. Só pode realmente viver aquele que um dia irá morrer.

Em meio à Ruína, cada um encara seus últimos dias como pode // Casshern Sins, episódio 8

É a morte, diz o argumento, aquilo que nos move. É porque sabemos que vamos morrer que nos esforçamos para aproveitar o pouco tempo que temos, bem como também para deixar algo para trás. Sem ela, nada seria feito: todos os planos postergados para um eterno amanhã.

O que me soa como uma completa sandice! Sobretudo porque, do meu ponto de vista, a lógica é inversa: é porque um dia iremos morrer que nada do que fazemos tem qualquer sentido. Conhecimento, habilidades, capacidades, nada disso tem qualquer utilidade na cova. E de que vale o que você deixa para trás quando você mesmo não poderá aproveitar?!

Mas mesmo ignorando isso, a própria noção de que se tivéssemos todo o tempo do mundo escolheríamos não fazer nada me soa estranha por si só.

Obter um corpo imortal e viver toda nossa existência sem morrer…

… só estou sonhando acordado com esse tipo de cenário da ficção científica

Não sei se já notaram, mas tendemos a ser bastante aversos ao tédio. Estamos sempre buscando formas de ocupar nosso tempo, e me parece estranho imaginar que pararíamos de fazê-lo só porque teríamos ainda mais tempo. E tudo bem que talvez nem todos escolhessem formas produtivas de passar esse tempo extra, mas e daí?

Hoje mesmo temos tanto aqueles que dedicam seu tempo a alguma causa (social, política, tecnológica, etc.) bem como aqueles que preferem passar horas em frente a televisão. Não penso que os primeiros desapareceriam só por sermos imortais. E quanto àqueles no segundo grupo… bom, não vejo ninguém propondo que encurtemos nosso tempo de vida para que estes vivam de forma mais intensa.

Argumentar que a morte dá sentido à vida me soa, na melhor das hipóteses, como pura síndrome de Estocolmo. Visto que a morte é – por agora – uma inevitabilidade, tentamos nos convencer de que ela é uma coisa boa. Tal e qual um prisioneiro que se convenceu de que o seu algoz de fato o ama.

“Eles eram como chamas. Chamas de vida brilhando intensamente” // Casshern Sins, episódio 23

Mas é verdade que estes não são os únicos argumentos contra a imortalidade, e outras histórias conseguem ser um pouquinho mais convincentes. Então passemos para nosso próximo exemplo.

Lançado em 2018, o filme Maquia (Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana wo Kazaroo), do estúdio P.A. Works, traz aquele que é talvez o mais típico argumento contra a imortalidade: a ideia do imortal solitário.

O tema da solidão é um bastante caro a obras com personagens imortais. E isso porque o imortal é, na maioria dos casos, o único imortal. Seja por ser o único de sua raça, seja pelas circunstâncias o colocarem em uma relação com um mortal, o imortal é confrontado com o quão fugaz são o mundo e as pessoas ao seu redor, o que o faz enxergar a própria imortalidade como uma maldição.

Uma relação fadada ao drama // Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana wo Kazaroo

Em Maquia, a protagonista titular é membro de uma raça que, enquanto não tecnicamente imortal, envelhece em um ritmo tão lento que seus membros podem viver por séculos a fio. E, por uma série de eventos que não cabe descrever aqui, essa garota acaba por adotar um bebê humano – que viverá muito menos do que ela.

Esse é um argumento que vemos se repetir em diversas outras obras (o anime Mnemosyne, produção de 2008 do estúdio Xebec, é outro que vi em tempos recentes), e enquanto eu o considero mais sólido do que os anteriores, ele também não é sem defeitos.

Francamente, ele me soa muito mais como um argumento contra a imortalidade seletiva. É, de fato, ser o único imortal provavelmente seria uma experiência bastante solitária. Mas penso que a solução a isso seria tornar a todos imortais, em vez de rejeitar a própria ideia.

O imortal é solitário // Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana wo Kazaroo

E não me entendam mal, eu não penso que Maquia (ou Mnemosyne) rejeita a imortalidade. Só digo que o filme também não a pinta numa luz particularmente positiva – e nisso reproduz, consciente ou não, discursos que vão nessa direção.

Para encerrar esta seção, acho que cabe aqui ainda uma última visão da imortalidade. Uma na qual esta não é posta como o mal em si mesmo, mas como um empecilho – geralmente impedindo um personagem que quer morrer de… bom… morrer.

Casshern Shins já nos mostra um pouco disso, e os que precisarem de um segundo exemplo eu acho que cabe mencionar a CC, de Code Geass.

CC // Code Geass, episódio 1

A ideia aqui é que um dia você talvez queira morrer, e nisso a imortalidade se tornará muito mais uma maldição do que uma bênção. O que me soa – e eu sei que já estou me repetindo aqui – bem esquisita!

Primeiro porque isso é um literal não-problema. Funciona como mecanismo de drama na ficção, onde a imortalidade é algo mágico que te cura não importa o dano que você sofra, mas considerem que se algum dia atingirmos a imortalidade no mundo real esta provavelmente será por meio de frear o envelhecimento. Qualquer outra coisa (acidentes, doenças, venenos) ainda te mata!

Mas para além disso, hoje em dia nós já temos um nome para aqueles que querem morrer: suicidas. E nosso primeiro instinto para com eles é mandá-los para terapia, não para a cova. Por que isso mudaria apenas pela pessoa em questão ter vivido muito mais do que vivemos hoje?!

Acredita que algum dia você irá querer morrer? // Code Geass, episódio 2

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E de que isso importa?

Há séries que nos apresentam uma visão mais neutra da imortalidade. Baccano é um anime que me vem a mente, sendo protagonizado por um elenco de imortais sem que o anime teça qualquer julgamento quanto a isso.

Outro que eu mencionaria é não um anime, mas um mangá: Yokohama Kaidashi Kikou. Enquanto este traz alguns elementos do imortal solitário (a robô Alpha vendo as pessoas ao seu redor crescer e partir), a imortalidade dos robôs é posta muito mais como apenas uma característica destes do que como algo que mereça qualquer atribuição de valor – positivo ou negativo.

Mas eu digo aqui que não consigo pensar em um só anime, mangá ou semelhante que nos apresente uma visão inequivocamente positiva da imortalidade.

É difícil encontrar uma representação positiva da imortalidade // Yokohama Kaidashi Kikou, volume 4, capítulo 26

Agora somem esse fato a ainda outros discursos que, embora eu os tenha aludido, não cheguei a comentar com profundidade.

Por exemplo, a noção do imortal enquanto não humano. A imortalidade sendo algo reservado aos deuses e espíritos (lição que já vem desde os tempos da antiga suméria) ou então ao vilão (pensem, por exemplo, os demônios de Yakusoku no Neverland). E mesmo quando humanos se tornam imortais, fica implícito que, no processo, perderam algo da própria humanidade (vide Texhnolyze).

E, de novo, há também aquele sobre a própria busca da imortalidade, onde esta é ou infrutífera (e, portanto, um desperdício de esforços), ou exige um enorme sacrifício (um aviso para que nós, meros humanos, não ousemos “brincar de deus”).

É errado tentar ser deus // Fullmetal Alchemist: Brotherhood, episódio 63

Tudo isso constrói um argumento bastante consistente sobre a imortalidade. O de que ela é, primeiro, inalcançável. Se alcançável, é indesejável. E se desejável, é errado.

O leitor recém-chegado talvez se pergunte do porque deste texto. Os que já me leem há algum tempo, porém, já devem imaginar onde quero chegar. Porque histórias nunca são meras histórias. Ficção é uma forma de comunicação como qualquer outra, e é importante ser crítico das mensagens que essas histórias transmitem.

E eu realmente não gosto desta mensagem em particular.

Estou com a Luna: não há nada de errado em se almejar a vida eterna // Casshern Sins, episódio 23

Eu não sei se a imortalidade é possível ou não. Mas não acho que devíamos desistir de buscá-la. Porque eu não acho que ela seja algo ruim. Porque eu não quero morrer.

Não sou ingênuo: a imortalidade traria, sim, toda sorte de novos problemas. Superpulação eventualmente seria um deles. Bem como a possibilidade de surgir uma casta dominante de imortais, caso esta fosse restrita aos que puderem pagar.

Alguns desafios de cunho mais biológico talvez também emergissem. Sword Art Online (vejam só) traz um argumento interessante na personagem Quinela, antagonista maior da terceira temporada do anime. Imortal, ela chega num ponto em que sua mente já não consegue lidar com centenas de anos de informação para armazenar. Poderíamos nós atingir algum suposto limite da capacidade do cérebro caso vivêssemos por séculos ou milênios?

Poderia nossa mente suportar uma vida eterna? // Sword Art Online Alicization, episódio 22

Ainda assim, eu vejo tudo isso muito mais como desafios a serem superados do que como razões para desistirmos da ideia.

Em poucos séculos, nosso entendimento da biologia e da medicina avançaram de tal forma que problemas antes insolúveis são hoje solucionáveis. A peste, a varíola e a tuberculose, bem como uma miríade de outras doenças, já foram apenas outra faceta da vida – e hoje não são mais.

Próteses evoluíram de muletas e ornamentos glorificados a tecnologias que vão, aos poucos, devolvendo a mobilidade das pessoas.

Quanto tempo tardará o Projeto Gilgamesh? Cem anos? Quinhentos anos? Mil anos? (…) há motivo para otimismo.

A expectativa de vida média em muito aumentou nas últimas décadas, graças sobretudo a uma menor mortalidade infantil. E a qualidade de vida também vai muito bem: hoje, é possível levar uma vida ativa e saudável entrando nos seus 60, 70, 80 anos de idade ou mais. Alguém vai falar contra esse prolongar da vida?

E ainda assim, a própria busca da imortalidade é tida como mera fantasia, quando deveria (ou pelo menos eu penso que deveria) ser uma das questões a receber toda atenção e financiamento que for possível.

Histórias como as que eu mencionei – como Texhnolyze ou Casshern Sins – colaboram para esse discurso que deslegitima tanto a busca da imortalidade como a imortalidade em si. E, nesse sentido, elas ativamente falam contra o progresso humano. E também contra a vida, por mais que digam o contrário.


Ative as legendas, caso não fale inglês.


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Encerremos com o rei-demônio

Tem uma frase que, nos últimos anos, eu passei a detestar: “viva cada dia como se fosse o último”.

Enquanto metáfora, ela nada mais é do que a versão socialmente aceitável de YOLO (You Only Live Once), encorajando a tomada de riscos sob o pretexto da autoajuda. Mas tomada no literal ela é ainda mais ridícula. Afinal, fosse este o seu último dia na Terra, acha que abriria uma startup ou pularia de paraquedas?

Meu chute é que você passaria suas últimas horas em pura ansiedade e terror. Uma cena bem distante da nossa visão romântica da morte.

Sendo assim, eu quero fechar este texto com uma outra frase. Uma que vem de um anime em lançamento nesta temporada atual, Maou Gakuin no Futekigousha. Com a palavra, Anos Voldigoad:

Maou Gakuin no Futekigousha, episódio 4


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Imagem de capa: Casshern Sins, episódio 1

3 comentários sobre “A imortalidade e as histórias que contamos sobre ela

  1. É uma temática que me atrai muito, em diversas mídias. Essa da vida fazer sentido apenas porque um dia morreremos nunca me desceu bem, mas até que fica bonito nas obras. Ótimo texto!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Este era um tema que há muito refletia e que também tinha uma visão um tanto negativa sobre como os animes e mangás (pelo menos os que vi) o retratavam! Adorei ver como você dissecou, de maneira ímpar, cada nuance desse tema, gerando, assim, não apenas mais um ótimo texto para seu blog, como um dos que mais gostei de ler.

    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Eu particularmente não desgosto da usina da morte, na maioria dos casos eu concordo com a ideia das obras. Mas é impossível negar que desde criança eu já tinha um pouco de megalomania dentro de mim, e negar algo tão insano como a imortalidade seria muito difícil.
    Sabe Mahou Tsukai no Yume, um vilão de lá conseguiu alcançar a imortalidade e simplesmente ficou acumulando conhecimento. Por mais que o animê passe uma ideia solitária da vida dele não tem como eu, um cara que gosta de ciência, literatura e coisas do tipo não conseguiria negar a possibilidade de masterizar todas as minhas habilidades.
    Mas seria realmente bom? Uma coisa que penso é que as coisas no mundo devem sempre mudar, e a existência de imortais só iria atrasar isso. Imagina uma pessoa de 500 anos atrás, ela não ia se sentir confortável vendo as minorias tendo os direitos atuais, se mesmo hoje é difícil de esquecer as coisas no passado imagina se eu vivesse milhares de anos? Eu só ia fazer merda.
    Enfim, mesmo assim não acho que negaria a possibilidade, é fascinante demais pra mim.

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