Informe – Precisamos conversar


Então né…


Se você acompanha esse blog há algum tempo, é bastante provável que já suspeite o que eu vou falar aqui. Parece que toda vez que eu resolvo fazer um informe é para dizer que eu vou ficar ausente por algum tempo. E por mais que eu adoraria quebrar expectativas e dizer o exato oposto, a verdade é que este texto não será diferente de outros do tipo. Porque, sendo bastante sincero, eu preciso de um tempo.

Como sempre, a versão tl;dr é a de que eu vou parar um pouco com o blog e o canal por pelo menos até o fim de Dezembro. No fim do ano, eu quero voltar com a minha lista de destaques da temporada atual e, na semana seguinte (a primeira de 2020), o tradicional artigo de retrospectiva do ano que passou. Mas já aviso: isso não quer dizer que eu vá voltar a postar regularmente em Janeiro. Pode ser que sim, como pode ser que eu decida que preciso de mais um mês para ajeitar as coisas.

Quem só queria saber do que se tratava o informe, já pode se retirar. Já se você quer saber porquê eu preciso dar um tempo no blog e no canal… bom, pra isso que serve o restante do texto. Só… um rápido aviso: eu estou escrevendo isso enquanto com febre, morrendo de dor nas costas, e não tendo dormido direito essa noite. Então perdão se esse artigo terminar um pouco mais incoerente do que o normal. E dito isso, avancemos.

.

Eu não sei se o que eu tenho é burnout. Mas os sintomas parecem bastante com burnout. Eu estou cansado: mental e fisicamente exausto todo dia. Meu sono é relativamente irregular: tem dias que pego rápido no sono, e acordo me sentindo como se tivesse sido atropelado, e tem dias que eu fico acordado até as 3 da manhã, para no dia seguinte acordar sentindo como se eu tivesse sido atropelado… duas vezes. E claro: quando eu sento para escrever um novo artigo ou um novo roteiro eu só… não quero.

Escrever, pra mim, se tornou fisicamente doloroso. Sério. Eu sento em frente ao computador e começo a sentir desde o corpo tenso até uma leve sensação de tontura. Nisso, eu procrastino. Ao invés de escrever, eu vou assistir algum vídeo no YouTube, ou abrir o Facebook ou o Reddit pela quinquagésima vez nos últimos 15 segundos, ou jogar “só um pouquinho” e passar as próximas quatro horas em dungeons no TERA Online. Procrastinação é um mecanismo de defesa, e o quanto eu tenho usado dele, francamente, me preocupa.

Agora, não quero dar a entender que o blog e o canal são a única, ou mesmo a maior, causa desse meu estado. A verdade é que eu ando bastante estressado há já um bom tempo. Desempregado, num país cuja economia não parece que irá melhorar tão cedo, eu estou genuinamente assustado com o futuro. Mesmo num cenário global parece que as coisas só pioram a cada ano, e o sentimento de impotência que essa realização trás é… bom, estressante! Adicione a isso um diagnóstico de síndrome de ansiedade e bom…

Pra ser sincero, eu não estou legal. E por mais que o blog e o canal não seja a minha maior fonte de estresses eles ainda são uma. Isso é algo que eu sabia há já um bom tempo, mas também é algo que eu não queria admitir. Porque, pra ser franco, eu não quero parar. Eu tenho um monte de ideias para textos e vídeos que eu realmente quero por em prática. E eu sempre pensei que o blog e o canal poderiam ser uma espécie de válvula de escape. Uma forma de eu me sentir ativo e produtivo mesmo em meio a todo o caos do mundo moderno.

Eu comecei a escrever um texto sobre histórias que chama atenção para o fato de serem histórias, como o fazem e porquê. E também um vídeo sobre a relação entre animes e política, alguns pensamentos soltos para a reflexão. E na gaveta eu realmente queria voltar o quandro análises. Até já sei qual seria o próximo: um sobre como Shirobako retrata o processo de produção de um anime. Eu até já fiz toda a pesquisa! Mas quando eu sento pra escrever é só… difícil. E desgastante. E quando eu vejo o dia já foi embora, eu não fiz nada, e agora me sinto mal por isso.

Parte disso deve ser o meu perfeccionismo, o medo de falar bobagem ou de o conteúdo ser mal recebido. Eu definitivamente sofro com síndrome do impostor, em algum nível. E parte talvez seja uma sensação de que o esforço não vale o retorno. Eu já estou há cinco anos escrevendo aqui no blog, e há três produzindo pro canal, e ainda sou bem pequeno em escopo. Eu sempre tento ter em mente que ninguém me deve visualizações, e que se o que eu produzo não atrai tanta gente, então paciência. Mas não vou mentir: desanima um pouquinho sim.

Talvez seja hora de eu tratar o blog e o canal não como uma pseudo-solução para o meu cotidiano, mas como parte do problema. Um que eu preciso eventualmente resolver, é lógico, mas é difícil colocar ele no topo da minha lista de prioridades. E meio que é por isso que eu quero parar um pouco. Eu quero ver como eu me sinto, e também tentar (ênfase aqui no tentar) me focar em outros problemas pessoais que preciso resolver. Porque, na minha condição atual, eu me sinto sobrecarregado.

Talvez soe estranho dizer isso. Afinal, eu acabei de dizer que estou desempregado, então na teoria eu deveria ter todo o tempo do mundo disponível, não é? Bom, sim e não. É verdade que eu tenho bem poucas (pra não falar nenhuma) obrigações a cumprir ou responsabilidades a atender, mas longe disso ser o paraíso a verdade é que isso é horrível! Não só pela óbvia falta de dinheiro que a situação trás (tantos mangás que eu queria comprar, ai ai), mas também pela sensação constante de estagnação e impotência.

Como eu disse, eu sempre tentei ver o blog e o canal como uma “saída”, mesmo que apenas momentânea, para essa situação, algo sobre o que eu poderia ter real controle. Mas se estamos falando de controle, há coisas bem mais importantes que eu gostaria de poder controlar melhor. Minha rotina, por exemplo. Minha saúde, também. Mas sempre que eu tento implementar alguma mudança no meu dia a dia eu rapidamente me sinto sobrecarregado com o tanto de coisas que quero fazer. Analysis Paralysis, como diriam os americanos.

Eu preciso de foco. E foco no lugar certo, pelo tempo certo. Sendo assim, outras fontes de estresse, por menor que sejam, precisam ser deixadas de lado – temporariamente. E uma vez que outras áreas da minha vida estiverem… não necessariamente resolvidas, mas pelo menos melhor, ai eu poderei voltar com mais confiança.

Só pra que isso não fique sem menção, alguns talvez se perguntem porque não apenas continuar como eu já estava, publicando numa base de “quando der”. O motivo é que: mesmo que eu publique “quando der”, eu ainda passo boa parte do tempo pensando sobre o próximo artigo ou vídeo – e sobre como já faz tempo que não publico nada e como não consegui escrever nem um parágrafo direito hoje. É estressante da mesma forma, e é por isso que eu preciso dar um tempo de fato. Um mês, talvez dois, para não ficar pensando no blog e no canal.

.

Agora, eu acredito que poderia muito bem terminar o texto no parágrafo anterior e o porquê de eu resolver parar  por um tempo já estaria mais que suficientemente explicado. Mas porque parece que quando eu escrevo sobre mim eu tenho toda a disposição que não tenho para quando escrevo sobre anime, tem ainda mais algumas coisas que eu queria dizer antes de encerrarmos.

Eu percebo que a minha relação com animes foi bastante afetada pelo blog e pelo canal, em diversos níveis. O mais óbvio sendo que ver animes meio que deixou de ser um hobby. Ou melhor: deixou de ser um hobby. Porque agora, quando eu vejo um anime qualquer, eu não consigo só “ver”. Eu estou sempre pensando a respeito: o que ele diz, como as cenas foram construídas, quais suas qualidades e defeitos, e por ai vai. E isso pode ser imensamente divertido, mas também pode chegar ao ponto de ser um pouquinho cansativo.

É difícil ver um anime já pensando em como você pode “usar” dele: numa review, num vídeo, numa lista, etc. Enquanto você acaba notando coisas que talvez não notaria de outra forma, também fica parecendo que você não está realmente “ali”, curtindo e aproveitando aquela série. O que faz com que, muitas vezes, assistir um anime me soe mais como uma obrigação do que como um divertimento.

Além disso, eu também percebo que ando vendo muito anime só porquê eu tenho um blog. Isso acontece muito com os animes de temporada, onde eu até abandono vários títulos, mas ainda fica sempre um ou dois que eu assisto, eu gosto, mas eu sei lá no fundo que eu só continuo vendo porque eu preciso de dez entradas na minha lista de destaques da temporada. E claro: nem pensar em perder aqueles títulos mega populares, ou então o que eu vou comentar na minha retrospectiva do ano?!

Nisso, mesmo animes que eu gostaria de ver acabam sendo postos de lado. E muitos títulos da temporada eu acabo deixando acumular episódio: nem tanto por falta de tempo para ver, mas mais mesmo por falta de vontade. E quando me dou conta eu tenho algumas dezenas de episódios pra “por em dia”. Mais uma vez, analysis paraliysis: e eu acabo não assistindo nada.

Durante esse tempo que ficarei ausente eu quero repensar a minha relação com essa mídia. Eu quero voltar a ver animes porque eu gosto, e não porque eu preciso ter uma opinião sobre ele. E também quero tentar dar mais atenção à minha já bem longa plan to watch. Não acho que vou parar de ver animes da temporada, me conheço o bastante pra saber que isso é bem pouco provável, mas diminuir um pouco não faria nada mal.

E bom, aqui sim eu acho um bom ponto para encerrarmos. A febre já está me mandando descansar há algum tempo, e acho que é hora de eu dar atenção a ela.

Só pra que isso não fique sem menção, eu vou continuar ativo tanto no meu servidor no discord, como também no servidor do Café com Anime e no do Clube do Anime, então quem ainda quiser ver a minha opinião sobre um ou outro anime sempre pode aparecer em algum desses. Por hoje é só e vejo a todos em algumas semanas.

Imagem: Nichijou, episódio 1

2 comentários sobre “Informe – Precisamos conversar

  1. Por alguma razão que não me lembro, decidi seguir esse blog faz um tempo já, mas nunca o li com apuro.
    Algumas indagações suas eu também as tenho… diria pra tomar quanto tempo for necessário.
    Uma coisa em que tenho pensado é: o que nos impeliu à escrita foi, em primeiro lugar, não estar sempre imerso nos relatos, e sim nas experiências em si. Correto? Do contrário, não haveria o que relatar.
    Então… tome o tempo que te for necessário. Tudo o mais continuará aqui quando (ou se) você voltar.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s