[Vídeo] Como você se relaciona com os animes que assiste?


Comentando meu Top 3 – Parte 3: Aria


Roteiro:

Como você se relaciona com os animes que assiste? Quando, em janeiro de 2018, eu primeiro sentei para escrever a minha review de Aria, foi com estas palavras que abri o texto:

“Existem obras que são difíceis de se comentar, ou mais precisamente, que são difíceis de colocar em palavras a sua opinião sobre elas. Não tanto por uma falta de vocabulário, ou mesmo por uma falta de argumentos, mas mais porque às vezes parece que palavras simplesmente não fazem jus ao que você quer expressar”

Produzindo esses vídeos sobre os meus três animes favoritos, eu pude perceber algo. Olhando para Kino no Tabi e Hourou Musuko, a minha relação com esses dois animes é muito mais, digamos, “intelectual” (com o perdão da palavra). O que eu quero dizer com isso é que eu aprecio esses animes sobretudo em termos de o que me deram para pensar e para refletir. Mas Aria é diferente.

Digo, não me entendam mal, o anime me deu sim bastante sobre o que pensar. Ao ponto mesmo de ter sido o título que me fez voltar a querer fazer vídeos aqui pro canal. E sim, é um anime extremamente bem dirigido, que se aproveita e muito da mídia na qual está. Mas eu diria que Aria é uma experiência menos reflexiva e mais introspectiva. Uma cuja força maior está menos no que o anime te faz pensar e mais em como ele faz você se sentir.

A história se passa no distante futuro, num planeta marte terraformado. Aqui encontramos a cidade de Neo Venezia, onde acompanhamos a jornada de três aspirantes a Undine – gondoleiras profissionais. Slice of life, seu âmago, porém, é o de um iyashikei.

O termo é usado para descrever histórias que “curam” emocionalmente o seu espectador. Tramas voltadas a relaxar, proporcionando um momento de desestresse. E essa é a maior força de Aria: o impacto emocional que a série pode ter em quem assiste.

É claro que antes de Aria eu já tinha assistido vários animes que mexeram com o meu emocional, alguns dos quais eu talvez colocasse como fortes candidatos a um quarto ou quinto posto entre os meus favoritos. Mas nenhum me pegou da forma com que Aria conseguiu.

Diga-se de passagem, acho que até hoje nenhum anime me deixou tão perto de chorar tantas vezes seguidas, e isso pelos mais variados sentimentos. Algumas vezes de tristeza. Mas muitas mais por uma sensação de reconforto que, sendo bastante sincero, é até difícil de explicar.

Aria é estranho porque, a meu ver, o resultado final é maior do que a soma das suas partes. Eu consigo identificar no anime toda sorte de elementos técnicos, de recursos narrativos à arte, som e direção, usados para causar no espectador o efeito desejado. Mas sentir esse efeito é bem diferente de apenas entender como ele é alcançado. Eu posso pensar sobre Aria, e já pensei bastante no passado, mas no fim o que cimenta a sua posição entre os meus favoritos é outra coisa. Menos palpável. Menos verbalizável.

E muito como os outros dois animes já comentados nessa série, Aria se tornou o meu exemplo último de um bom iyashikei. E a cada novo título do tipo que vejo eu acabo, querendo ou não, comparando com esse. De novo, alguns passam no teste. Mas é difícil.

Favoritimos é bastante condicional. Parte do que faz de um anime nosso favorito é certamente mérito da própria obra, mas parte também se deve ao nosso momento. E frequentemente se tornam nossos favoritos aquelas obras que primeiro mexeram conosco de alguma forma.

Muitos animes me deram sobre o que refletir, mas nenhum como Kino no Tabi. Muitos eu pude apreciar enquanto histórias dentro de suas mídias, mas nenhum como Hourou Musuko. Muitos, e eu digo muitos, me emocionaram. Mas nenhum como Aria. Três títulos bem diferentes, com os quais estabeleci relações bem diferentes. E ainda assim, meus três favoritos. E também três lembretes do porque de eu adorar tanto essa mídia.

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