E num piscar de olhos se passaram 5 anos…


Reflexões sobre o tempo… ah, e o blog.


É engraçado, quando eu paro pra pensar. Quando escrevo este texto estou com meus 26 anos. Isso significa que 5 anos é, se me perdoam a aproximação, pouco menos que 1/5 da minha vida. Ainda assim, parece que esses últimos 5 anos passaram tão rápido… Aliás, não só: é como se toda essa última década da minha vida tivesse voado. O que, não vou mentir, pode ser um sentimento um pouquinho assustador, de vez em quando.

É fato conhecido que quanto mais velho você vai ficando, mais rápido o tempo parece passar. Algo que Masaki Yuasa retratou com perfeição em seu filme de 2017, Yoru wa Mijikashi Arueyo Otome (adaptação da novel homônima de Morimi Tomihiko, a título de menção). Explicações para isso eu já ouvi as mais variadas, mas qualquer que seja a correta não há como negar o fenômeno em si. Que pode, repito, ser um pouquinho assustador.

“Para onde foi meu tempo?” Levante a mão os que já se perguntaram algo do tipo. Você acorda e, quando menos percebe, já está de novo na hora de dormir. O tempo voa. Horas se transformam em dia, que viram semanas, meses e anos. E eventualmente você olha em volta e pergunta: “para onde foi o meu tempo?” Chega mesmo a ser um pouquinho cruel que só parecemos nos dar conta do tempo quando sentimos que já perdemos tanto dele.

Em agosto de 2019 o blog completa seus cinco anos de existência. Se me permitem dizer: um marco significativo. Cinco anos de postagens ininterruptas (bom, ok, com um ou outro mês de hiato aqui e ali). E tudo bem, esses primeiros parágrafos talvez soem depressivos demais para uma data comemorativa, mas quem disse que aniversários precisam ser sempre felizes, não é?

Não que este não o seja, não me entendam mal. Como eu disse: é um marco. Nesse meio virtual onde impera o aqui e o agora, onde modas deixaram de durar anos para durar semanas, às vezes dias, onde projetos – amadores e profissionais – nascem e morre em um piscar de olhos… Cinco anos é muita coisa. E que o blog continue por aqui, firme e forte, é sim motivo para se comemorar. Mas…

É famosa a frase de Woody Allen, “se quiser fazer Deus rir, conte a Ele seus planos”. Quando eu primeiro pensei sobre o que fazer para comemorar os cinco anos do blog, meu primeiro impulso foi o de fazer, na falta de descritivo melhor, o típico. Talvez um post de curiosidades, coisas como os artigos mais vistos ou os que gosto mais. Ou talvez uma viagem ao passado, revisitando e comentando alguns dos primeiros artigos do blog. O típico.

Pois bem, eu mudei de ideia. Não completamente: se você leu o anúncio que fiz do aniversário do blog há algumas semanas, há coisas ali que se mantém. Ainda pretendo comentar cada episódio de Kino no Tabi, e ainda pretendo escrever uma nova análise para o blog. Só que para os textos de quarta eu quero algo diferente. Cinco anos é muito tempo, por mais que às vezes não pareça muito tempo. Então, se me permitem, quero tirar a ocasião para refletir.

Durante o mês de Agosto, eu quero tirar as quartas feiras para refletir sobre algumas coisas. Quatro textos como este, palavras soltas sobre algum assunto tangencial à minha experiência como blogueiro (ou “produtor de conteúdo”, acho, já que também tem o canal…). Todos assim: pouco estruturados, escritos de uma só tacada e com o mínimo que eu conseguir de edição e reescrita. Publicados na base do “quando der”. Mas não sem motivo.

Eu sempre fui bastante paranoico com meus textos. Está bem escrito? Está claro? Está enxuto demais? Enrolado demais? Há uma forma melhor de dizer isso aqui? Eu preciso mesmo desse parágrafo? Não era bom ter mais um parágrafo aqui? Vai ficar pronto a tempo? Eu pesquisei o bastante? Não devia pesquisar mais pra falar disso? Acreditem quando eu digo que a escrita pode ser bastante estressante.

A melhor forma de combater essa ansiedade é sentando e escrevendo. Então sentar e escrever eu vou. Entre os comentários semanais de Vinland Saga, os comentários episódio a episódio de Kino no Tabi, estes textos mais reflexivos e os vídeos do canal, o blog deverá ter uma nova publicação por dia durante todo o mês de Agosto. E espero que a necessidade de postar algo me faça superar um pouco esse pânico da escrita que eu tenho.

Não sei dizer qual será a qualidade destes textos, mas provavelmente não serão muito diferentes deste aqui. E não esperem que eles fiquem prontos às 18h em ponto, como de costume. Como diriam meus pais: até meia noite ainda é hoje! Não é o que eu planejei a princípio, mas há planos que vale a pena mudar.

 

E depois de todo esse prefácio…

Eu disse que os textos de quarta seriam os mais reflexivos desse especial de cinco anos, e isso inclui este aqui. Então após essa (admitidamente longa) introdução ao que planejo para o próximo mês, acho apenas apropriado tecer aqui algumas considerações sobre esses cinco anos.

Foi em 8 de Agosto de 2014 que lancei o primeiro texto do blog: Digimon Adventure – Crescimento, Amadurecimento e AutoconhecimentoApenas alguns dias atrasado para o Odaiba Memorial Day daquele ano (dia 1º de Agosto, data comemorativa para os fãs de digimon por ser, segundo a timeline da primeira série, o dia em que as crianças de Adventure foram primeiro levadas ao mundo digital).

Que esse blog tenha começado com Digimon não foi nenhuma coincidência. Fora a questão do Odaiba Memorial Day, a franquia Digimon de forma geral tem bastante significado para mim. Sem exageros, foi a franquia que me fez voltar a ver animes. Este blog jamais existiria não fosse pelo dia que, tomado por uma onda de nostalgia, decidi rever Digimon Adventure.

Mas para além de refletir minha paixão por essa franquia em particular, aquele texto também representa bem a minha primeira visão para este blog. Ou ao menos para o tipo de conteúdo que queria criar. Desde o começo eu chamei esses textos de análises justamente porque queria que fossem diferentes de uma review. Queria que fossem mais temáticos e menos “mecânicos”. Que examinassem o que essas obras tinham a dizer mais do que se tinham personagens bem desenvolvidos, bom ritmo e animação fluida.

Vale dizer, esse ideal não desapareceu nem quando comecei a fazer reviews de fato (a primeiras delas sendo a de K-On!, a título de curiosidade, lançada em 30 de Outubro de 2014). Enquanto nelas eu faço frequentes comentários mais “literários” (?), examinando coisas como personagens, roteiro e mundo, tento sempre reservar espaço considerável para o que cada história tem a dizer.

Mas para que este texto não se torne uma viagem só de ida ao passado, onde comento nostálgico sobre o primeiro disso e daquilo, vou logo reconhecer que muito mudou desde então. Não lanço uma nova análise desde 2016 (três anos! E volta agora aquele sentimento de “pra onde foi o meu tempo?!”), mas o blog segue na ativa. Os ensaios, reviews e listas se tornando os artigos mais frequentes, com uma pletora de outros quadros ocasionais.

Mudança pra melhor ou pra pior? Um pouco dos dois, talvez. Por um lado, a variedade de quadros me dá maior liberdade em termos de como abordar uma determinada obra ou assunto. Se quero apenas divulgá-la, uma entrada em lista basta. Se tenho apenas um ponto a comentar, escrevo uma breve análise. E se quero destrinchá-la a fundo, vai então uma review. Mas não vou mentir: é frustrante que nunca tenha conseguido retomar as análises de fato.

Todo começo de mês eu digo pra mim mesmo que dessa vez vai. Que dessa vez eu vou separar tempo do meu dia pra pesquisar o assunto em questão, e até o fim do mês (ou, vai, de dois meses, pra pesquisar direitinho, né) eu vou conseguir escrever a próxima análise do blog. Pois bem: um mês se torna dois, que se tornam seis, que se tornam três anos. Ah como é fugaz o tempo. Parece sempre que há tanto dele, e quando vemos já acabou.

É de Orazio Riminaldo a frase “Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta da mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado”. E sim, eu só descobri o autor dessa frase pesquisando para escrever este artigo. Também não sou tão culto assim (ok, eu não sou culto, ponto final). Mas voltemos desse pequeno desvio.

Gosto de dizer que quando o blog primeiro começou, meu objetivo era que ele fosse um ponto de partida. Meus textos são, é claro, opinativos, onde coloco o que acho de qualquer que seja o assunto. Mas não os via como um fim em si mesmo. Nunca foi meu intento apenas publicar o texto e parar de me importar por ai. Discussão era o meu objetivo: que esses textos servissem como o começo de uma conversa.

Se for pra ser brutalmente honesto, não da pra dizer que atingi esse objetivo nem na época em que comecei. Alguns textos de fato renderam conversas agradáveis aqui e ali, mas nunca foi algo exatamente consistente (mas nada de errado ai). Mas para voltarmos ao presente ainda outra vez, é impressão minha ou o ímpeto por discussão parece ter meio que se acalmado nos últimos anos?

Lembro de quando o Facebook estava em seu auge, de como às vezes eu ficava online até altas horas da noite só discutindo algum anime. Em um dia bom era bem fácil que uma postagem de discussão ultrapassasse os mil comentários. Hoje, porém, as pessoas parecem menos interessadas em discutir. As novas redes sociais também não colaboram, favorecendo muito mais o imagético e o curto do que o debate e a discussão. O Reddit ainda fica como uma espécie de último bastião da conversa escrita de verdade, mas mesmo ele não é perfeito.

De minha parte, posso também dizer que esse ímpeto diminuiu bastante. Talvez seja só porque eu não encontro boas conversas com facilidade, mas eu mesmo não me vejo mais disposto a ficar horas destrinchando um tema ou anime. A menos, claro, que seja para um artigo. E nisso, talvez hoje em dia esses artigos sejam mesmo muito mais um fim em si mesmos. Um espaço onde posso expor toda a minha opinião de uma só vez. Perde-se o debate, mas ganha-se em praticidade. Ainda assim, é um pouquinho desapontante…

Diga-se de passagem, “um pouquinho desapontante” bem define esses últimos cinco anos. “Um pouquinho desesperador” também. Aliás, risquem esses “um pouquinho”. O mundo está em chamas e o plano das pessoas parece ser tacar gasolina pra ver se melhora. Talvez isso também tire um pouco da energia. Para ser bem sincero, em época de intensa polarização eu estou um tanto quanto desacreditado do debate. Mas voltemos desse desvio.

Gosto de pensar que minha escrita e apresentação melhoraram com o passar dos anos. Meus textos antigos eram muitas vezes blocos extensos de texto, com nenhuma ou então bem poucas imagens. Hoje, são bem diferentes. Aprendi a fazer parágrafos bem menores. A segmentar melhor o texto, tornando a leitura mais fluida. E a usar e abusar das imagens. Mas não consigo julgar a qualidade dos textos em si. Deixo essa avaliação para o leitor.

O blog em si, porém, mudou bem pouco nesse período. Gosto desse layout mais minimalista, e de certa forma acho que ele reflete bem o conteúdo que produzo: mais reflexivo e menos “flashy“. Mas às vezes me preocupa que o layout fique datado. Torno a repetir: cinco anos é muito tempo! Será que deveria dar uma atualizada na aparência do blog? Mas até ai, o que mudar? Como, e por onde começar? Vale a pena? No fim, pra que mudar o que está dando certo, não é? Talvez em cinco anos eu me decida.

É sempre bom ter em consideração que a mente humana é aversa à mudança, mesmo aquelas positivas. É preciso cuidado para que o confortável não se torne uma prisão. Algo que eu sei muito bem. Gosto de padrões. Meus textos são bem padronizados, se ainda não notaram. Mas às vezes isso pode ser limitante. Preciso aprender a me “soltar” mais na hora de escrever, mas isso fica como um plano para o futuro. Como tantos outros planos que, prometidos para o futuro, nunca chegaram…

Deixamos para depois o que não queremos fazer agora. Porque não nos interessa. Porque estamos cansados. Porque estamos confortáveis. Porque estamos com medo. Dizemos que depois faremos quando bem lá no fundo queremos dizer que não vamos fazer. E nisso o tempo passa. Mas ah sim, o blog…

Passado e presente de lado, às vezes penso em como será o futuro. Deste blog, digo. Por quanto tempo será que ainda continuarei a escrever nele? Não me imagino com 60 anos falando sobre a última temporada de animes. Mas também não tenho a menor intenção de parar agora. Ou ano que vem. Ou em cinco, ou em dez anos. Nesse meio do caminho, quando será meu último post aqui? Será que eu mesmo saberei? Ou será que um dia só irei… parar? Postando cada vez mais ocasionalmente, até chegar um dia em que digo pra mim mesmo que depois eu faço o próximo post. E ai esse depois nunca chega. Seria uma morte meio triste para esse espaço.

Se bem que… Eu disse que não pretendo parar, mas às vezes penso porque eu continuo. Fama certamente é que não é: primeiro porque, se fosse esse o motivo, já teria parado há tempos; mas também porque não tenho a menor intenção de me tornar famoso, introvertido como sou. Comecei para gerar discussão, mas não posso dizer que esse primeiro plano esteja funcionando, como já disse. Talvez seja porque é bom ter onde me expressar. Talvez seja porque escrever aqui já se tornou parte do meu dia a dia, e seria estranho parar. Acho que ainda vou escrever algo nesse assunto no futuro…

O tempo passa. E como passa. Lançado em 1995, Neon Genesis Evangelion se passa em 2015. De 1988, o filme Akira se passa em 2019. O futuro sempre parece tão distante. Parece que temos tanto tempo pela frente. E quando nos damos conta, 2015 foi há 4 anos atrás, e 2019 não vai durar muito mais. Pra onde foi todo esse tempo? E talvez ainda mais importante: para onde vai o tempo que resta?

Como coloquei no meu vídeo sobre o excelente Hourou Musuko: “Por mais que alguns desejassem o contrário, não existe um botão de pausa na vida, nem um de rebobinar. Resta, então, aceitar a mudança, com todas as ansiedades que ela trás. Não podemos fazer voltar o relógio, mas as coisas sempre podem melhorar”. Como eu disse, gosto de me ater ao que uma obra diz.

Este texto talvez seja um pouco estranho enquanto aquele que inaugura o mês de aniversário do blog. Um pouco existencialista e talvez mesmo um pouquinho angustiante demais para uma comemoração. Mas talvez justamente por isso ele seja um reflexo bem mais verdadeiro desse blog. Mas vamos ver se até o fim do mês não conseguimos terminar numa nota um pouquinho mais positiva. Fiquem no aguardo.

Imagem: Yoru wa Mijikashi Arukeyo Otome.

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