Café com Anime – Dororo, episódios 21 & 22


Nossa conversa semanal sobre os animes da temporada.


Olá a todos, e bem vindos a mais um Café com Anime \o/ E como de costume, mais uma vez se juntam a mim o Fábio “Mexicano”, do Anime 21, o Vinicius Marino, do Finisgeekis, e o Gato de Ulthar, do Dissidência Pop, desta vez para discutirmos essa mais nova adaptação do clássico de Osamu Tezuka, Dororo.

Antes de irmos parara a conversa, porém, não deixem também de conferir os demais blogs! No Anime 21, teremos nossas conversas sobre Carole & TuesdayE no Dissidência Pop, nossas discussões sobre Sarazanmai. Não percam!

E sem mais delongas, vamos então à conversa. Uma boa leitura /o/


Diego:

Aparentemente, não conseguir salvar a Dororo no episódio anterior por conta do seu corpo foi não o ponto no qual o Hyakkimaru encontrou um propósito maior para si do que apenas recuperar suas partes perdidas, mas sim a gota que fez o balde transbordar, já que nesse episódio ele pareceu mais obcecado com isso do que nunca!

Muito para o desespero da Dororo, diga-se de passagem. Talvez a minha cena favorita no episódio seja aquela em que ela diz que não vai acompanhar o Hyakkimaru. A resposta que ele dá é ótima, e por mais que ela saiba que o caminho que ele está seguindo não é bom para ele, é fácil de entender seus motivos e bem difícil de culpá-lo pela pressa.

E aparentemente o anime caminha para uma guerra final entre Daigo e os Asakura. É um desenvolvimento que já vem sendo construído há tempos, mas vou dizer que se for mesmo o cenário do confronto final eu prefiro como é no mangá e no anime de 69. Mas bom, falo mais disso quando a hora chegar :stuck_out_tongue: Por agora, fiquemos no episódio em questão :smile:

E então, o que acharam?


Gato de Ulthar:

Esse foi um episódio intenso. Até a parte final ele me pareceu apenas um episódio de transição, mas foi bastante rico em conteúdo. Interessante deixar um pouco de espaço para contar a história dos dois ajudantes do Tahomaru. Eles sofreram um bocado né? Além de cada um perder um braço tivemos um prenúncio da peste…

E curioso que o enfrentamento dos dois irmão foi uma batalha de vontades extremas, o Hyakkimaru focou no seu corpo e o Tahomaru em ajudar seu reinado. AMbos não cederiam em nada, mas para apartar tivemos uma intervenção externa. Por isso acho que Tahomaru não irá morrer no fim das contas.


Vinicius de Ulthar:

De fato, muita coisa aconteceu nesse episódio. Eu não esperava aquele flashback sobre os guarda-costas do Tahomaru. Preciso dizer que isto me pegou desprevenido. Ao mesmo tempo, tivemos novos insights sobre nossos protagonistas.

Eu não sei se enquadro a ideia fixa do Hyakkimaru como a mesma obsessão que ele aparentava ter no começo. Eu acho que ele mudou – talvez sem ter percebido. Nesse episódio, ele diz explicitamente que deseja ver as coisas com os próprios olhos e sentir com as próprias mãos. Ele não quer recuperar o corpo mais do que fazer coisas com ele. Curtir o mundo a sua volta e, especificamente, a companhia da Dororo.

Eu vejo esse Hyakkimaru vivendo feliz depois de ter recuperado seu corpo. Mais, pelo menos, do que via o Hyakkimaru do começo, que parecia viver para a missão. Aparentemente, recuperar as partes do seu corpo também lhe trouxe humanidade num sentido mais abstrato. Ele se torna uma personagem mais crível e simpática a cada batalha que trava.


Fábio “Mexicano”:

Eu não enxerguei tanta mudança, e voto pela obsessão :stuck_out_tongue: Digo, ok, é uma mudança, mas mais de intensidade do que de direção. Ou ainda: antes ele queria recuperar o corpo para quê? Ele nunca disse. Mas ele sequer era capaz de falar, como poderia ter dito? Por outro lado, faz tempo que ele se maravilha em poder sentir o mundo.

Quando recuperou o tato, meteu a perna no fogo. Quando recuperou a audição, ficou parado escutando a chuva (e depois ficou sobrecarregado, enfim). Quando recuperou a voz, a usou para expressar a dor. Não sei se ele realmente mudou tanto nesse quesito, hein?

Quanto a ser feliz … bom, nesse mundo acho que ninguém consegue ser feliz. Mas tentar é importante, ok. O desespero no final pode ser esmagador, porém, e por isso, se o Diego escolheu uma imagem para sintetizar o episódio, eu também quero escolher uma:


Diego:

Eu entendo o ponto do Vinicius. Primeiro, o Hyakkimaru queria recuperar o seu corpo “porque sim”. Porque o Jukai falou que ele deveria. Não acho que havia ai alguma motivação maior. Quando ele descobriu o que seu pai fez, e depois com o primeiro confronto com o irmão, acho que a mentalidade dele mudou do puro “porque sim” para uma espécie de busca por justiça. Ele sentiu que o que fizeram com ele foi errado e agora quer de volta o que deveria ter sido seu desde o começo. Nesse ponto foi que a sua história se aproximou mais de uma história de vingança tradicional. Agora ele deu um motivo diferente: o desejo de sentir com o próprio corpo. De ver com os próprios olhos, tocar com as próprias mãos.

Mas acho que essas são transformações que o próprio Hyakkuimaru não percebe (quando Jukai pergunta o porquê dele querer seu corpo, ele ainda diz apenas que “porque sim”), e, talvez mais importante, não mudam a sua natureza intransigente. Ele continua obcecado pelo seu corpo, e quer ir atrás dele mesmo que isso signifique perigo: para si e para a Dororo. Nesse sentido, mesmo a sua relação com a Dororo atinge um ponto estranho. Nesse ponto, ele espera que a Dororo esteja sempre a seu lado, e essa expectativa não é saudável nem pra ele, nem pra ela.


Fábio “Mexicano”:

Talvez justamente por ele pouco entender, seja razoável assumir que todas essas motivações (inclusive proteger outrém, pelo menos desde o arco da Mio) já estivessem presentes desde há muito tempo, em intensidades diferentes, talvez.

E são motivações irmãs, em todo caso.

Talvez o motivo seja o mais simples de todos mesmo, como sua mãe disse: por que sim. Porque ele é como uma criança de quem um brinquedo foi tirado e ele quer de volta, sem grande reflexão.


Gato de Ulthar:

Pouco o Hyakkimaru sabe da vida. Para ele ainda é difícil separar suas reflexões e sentimentos dos meros reflexos instintivos. Ele quer muitas coisas e isto tudo fica misturado na sua cabeça.

Acho que a pergunta mais importante é saber o que ele realmente fará depois de recuperar seu corpo.


Fábio “Mexicano”:

Bom, essa é a preocupação de vários personagens no anime e o motivo de várias de nossas discussões aqui, afinal :smile:


Diego:

Diga-se de passagem, é uma pergunta que nenhuma iteração anterior do personagem respondeu. Tanto no mangá quanto no anime de 69, a história apenas termina com o Hyakkimaru andando em direção ao sol poente. O que exatamente ele vai fazer agora fica no ar. Mas bom, esse Hyakkimaru é uma versão bem diferente de seus predecessores, então talvez o anime nos apresente uma conclusão um pouco mais conclusiva para o personagem :stuck_out_tongue:

Mas e quanto ao lado do Tahomaru? Querem dizer algo, quer sobre ele, quer sobre seus subordinados? O anime parece que está caminhando em direção à morte dos dois, mas me pergunto se o Tahomaru tem chances de sair vivo de tudo isso. Pra ser sincero, um final no qual o Hyakkimaru consegue todas as partes de volta, o Daigo morre e o Tahomaru se torna o novo governante me parece o mais próximo do ideal.


Fábio “Mexicano”:

O Tahoumaru precisaria aprender algo que eu acho que ele ainda não é capaz, e nem sei se a época maldita em que vive permitiria isso – mas bem, no anime pode funcionar. Só não há sinal nenhum nesse sentido ainda.


Diego:

E esse algo seria?


Fábio “Mexicano”:

Eu não sei dizer :smile: Mas a mentalidade dele hoje, sobre responsabilidade e honra, não parece compatível com a sobrevida do Hyakkimaru. A não ser que ele sobreviva sem que o irmão saiba, mas isso para mim soaria a cheating :stuck_out_tongue:


Gato de Ulthar:

Eu já vi o próximo episódio, e teve umas reviravoltas em relação ao Tahomaru e seus subordinados que eu não esperava nem um pouco!!!!


Fábio “Mexicano”:

Ainda bem que respondi antes de assistir. Mas acho que o que eu vi é mais ou menos o que eu esperava ver, de acordo com a minha reposta, enfim.


Vinicius Marino:

Olha só! Parece que eu estou em desvantagem (ou em vantagem, pois ainda não tenho spoilers). Pois bem, antes de assistir, lanço aqui meu palpite retrospectivo: vou dar um voto de confiança ao Tahomaru e apostar que seu senso de dever lhe trará algum fruto. Não necessariamente uma recompensa – seu mundo, como o Fábio disse, é malvado demais para isso. Mas talvez uma chance de evoluir.


Fábio “Mexicano”:

Olha, alguma coisa trouxe mesmo, isso eu garanto. Agora veja o próximo episódio :smile:


Diego:

Certo, certo, vamos passar então ao episódio 22 :smile:

De minha parte, o episódio surpreendeu. Hyakkimaru ficou extremamente irritado com o sequestro da Dororo, muito mais do que ficou em qualquer outro momento. Bom, quase qualquer outro momento: teve o caso da Mio, né? Talvez um explique o outro: agora que o Hyakkimaru entende o quanto ele quer a Dororo ao seu lado, perdê-la seria um choque tão grande quanto, isso se não talvez maior, do que foi perder a Mio.

E bom, acho que depois desse episódio podemos assinar o atestado de óbito de toda a party do Tahoumaru, não é? Com os dois subordinados tendo cada um um braço e o próprio dito cujo tendo os dois olhos do Hyakkimaru, a única forma deste recuperá-los parece ser matando geral. E com isso lá se vai minha teoria de alguns comentários acima… Vai ficar estranho pra quem estiver lendo :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Eles se tornaram demônios. Não têm mais salvação. É interessante compará-los com outros humanos que se associaram a demônios ao longo do anime e também acabaram mortos. Acho que só os aldeões do já distante episódio da Banmon são os únicos que escapam desse destino (embora, supostamente, a vila esteja condenada sem a fonte de recursos).

…e entendeu o que eu quis dizer com “Tahoumaru finalmente abriu os olhos”, Diego? :smile:


Diego:

Entendi sim. No fim, era uma piada ruim mesmo :stuck_out_tongue: (e não, caro leitor, você não perdeu nada, o Fábio tinha feito esse comentário em uma conversa em off, não se preocupe :smile: )


Fábio “Mexicano”:

Eu achei muito boa.


Gato de Ulthar:

O negócio está brabo. O Tahoumaru selou o seu destino, bem como seus dois companheiros. Hyakkimaru precisará matá-los para recuperar suas partes. Mas não vejo o anime criando um “deus ex” que permita que eles entreguem seus pedaços sem morrer…


Fábio “Mexicano”:

Não é tanto que o Hyakkimaru precise matá-los, mas que eles se tornarem demônios os afasta da humanidade. Para todos os efeitos, eles já estão “mortos”.

E é isso que o Dororo, o Jukai e outros querem evitar que o Hyakkimaru sofra.


Gato de Ulthar:

Se bem que só com poderes demoníacos o Tahoumaru seja uma ameaça ao Hyakkimaru “full” pistola desse episódio.

Ainda mais que ele capturou um rapidash.


Fábio “Mexicano”:

A piada do Gato foi pior que a minha, Diego.


Diego:

Nem tanto, porque a comparação é válida :stuck_out_tongue: Digo, esse cavalo em chamas já aparecia no mangá de Tezuka e no anime de 69, ambos como um demônio que o Hyakkimaru precisava matar (enquanto que aqui ele é apenas um espírito vingativo). E tem até uma carta de YuGiOh parecida com ambos. Me faz pensar se o Tezuka se baseou em alguma figura existente da mitologia japonesa.


Vinicius Marino:

Não me surpreenderia, já que é uma imagem que aparece até na Bíblia. A Guerra, um dos cavaleiros do Apocalipse, é descrita montada em um animal vermelho (Apocalipse, 6:4), quiçá uma referência ao fogo e sangue. Parece uma metáfora universal para a devastação do conflito.

Preciso dizer. Esse episódio me pegou desprevenido. Não imaginava que as coisas iriam escalar para esse ponto – e, nesse sentido, ver o Hyakkimaru montado no Rapidash me trouxe mais estranhamento que o Tahomaru e seu pacto. Em nome de seu amor à Dororo, nosso protagonista enfiou os dois pés na jaca.

E ver o irmão e seus guarda-costas transformados em monstros foi… triste de um certo ponto de vista, embora deixe as coisas bem mais fáceis, de fato. Como o Fábio mencionou, quase um alívio fáustico em saber que o erro já foi cometido e suas almas já foram perdidas. Agora é só partir para a porrada e curtir sua tragédia enquanto podem.


Fábio “Mexicano”:

Isso é algo importante, não é? O anime fez Hyakkimaru e Tahoumaru cruzarem espadas mais de uma vez, e sempre nos pareceu que não havia solução moral ali: quando um dos dois vencesse, seria sobre o cadáver do irmão. Mas agora que Tahoumaru virou um demônio não há mais dilema. Do ponto de vista moral, o anime facilitou muito as coisas para o Hyakkimaru. Emocionalmente isso ainda vai ser pesado, provavelmente sua mãe verá o final e isso vai ser pesado, mas o protagonista pode contar agora com a tranquilidade de quem não tem nenhuma outra opção.


Diego:

Não sei se a coisa ficou tão fácil assim, moralmente falando. Para começo de conversa, Tahomaru e sua party ainda estão perfeitamente sãos, e guardam as mesmas ideias e ideais de sempre. Hyakkimaru precisa matar eles para recuperar seu corpo, sim, mas ainda acho que eles estão um patamar acima dos puros demônios que vimos até aqui, cujo único propósito era mesmo a destruição.


Fábio “Mexicano”:

Banmon era perfeitamente humana e sustentava uma vila. A mariposa era mais animalesca, mas também sustentava uma vila. Não são questões que o Dororo já não tenha enfrentado.

Você pode dizer que ele está acima por ser o irmão, mas isso é uma questão emocional, da qual eu já tratei. A mãe deles está a caminho. Isso vai ser horrível. Mas moralmente já está decidido.


Diego:

Só que tanto a Banmon quanto a mariposa lá cobravam alguns corpos pelo benefício que traziam. Não imagino o Tahomaru devorando pessoas :stuck_out_tongue:


Fábio “Mexicano”:

Isso é especulação inútil, mas certamente como demônio ele precisaria de “sustento”, e duvido que poderia se virar para sempre apenas com comida humana. O bem que busca, em todo caso, está assentado em um mal, o derramamento de sangue de um inocente, seu próprio irmão. Com o tempo, é de se esperar que seu idealismo fosse lentamente corrompido pelo pragmatismo do bem maior – alguns sacrifícios aqui, para um bem maior ali. Ele certamente se tornaria capaz de comer seres humanos, se necessário fosse.


Vinicius Marino:

Seja como for, não parece ser uma questão que ele chegará a enfrentar. Alguém tem alguma dúvida de que ele beijará a lona antes?


Fábio “Mexicano”:

Por isso eu disse que era especulação inútil. Ele nunca vai comer pessoas mesmo, mas nem vai viver o suficiente para que seja testado nesse aspecto. Não dá para dizer que ele seja diferente por causa disso. Em todo caso, ele me parece suficientemente demoníaco. Cruzou a linha sem retorno, aquela que Dororo, Jukai e Biwamaru temiam que Hyakkimaru cruzasse.


Gato de Ulthar:

Não queria ver o Tahomaru morrer dessa maneira. Sei que é sonhar alto, mas é impossível uma redenção?

Respondendo minha própria pergunta, acho que a situação do Tahoumaru é mesmo inevitável.


Fábio “Mexicano”:

É possível uma redenção no leito de morte. Ele virou demônio, isso não tem mais volta.


Gato de Ulthar:

Não dá para fazer um exorcismo? :stuck_out_tongue:

Ele só devolve os olhos para o irmão…


Fábio “Mexicano”:

Na mais bizarra das hipóteses, ele vai embora vivo viver como um pária, como a mulher-aranha, o que não faz sentido nenhum pro tipo de personagem que ele é.


Gato de Ulthar:

Pois é…


Diego:

Bom, pra encerrarmos essa nossa conversa: o que vocês esperam para o final do anime? Ainda estamos há… o que, uns 2 ou 3 episódios do final? Mas em todo caso acho que já podemos pensar a respeito. E sinceramente, eu não consigo pensar em um final que não termine muito mal pro domínio do Daigo. Eu acredito que o Hyakkimaru irá sim reaver suas partes, mas se esse for o caso, então basicamente todo mundo que a gente viu até aqui ta bem ferrado.


Fábio “Mexicano”:

A prosperidade de Daigo era construída sobre um crime imperdoável. A população não tem culpa, é claro, mas não vamos ser inocentes e falar na população como se Kagemitsu realmente se importasse com eles. O único que talvez se importasse, embora ainda me soasse mais ideal de juventude (e que foi manipulado bem fácil pelo pai, como vimos), era o Tahoumaru, que acabou de virar um demônio. Então isso são favas contadas.

O que importa, como no caso do Hyakkimaru, é o que irão fazer depois disso.


Gato de Ulthar:

Eu não queria ver todo o povo se fodendo. Mas é realmente uma situação complicada… Ou vai todo mundo embora ou surge um milagre dos céus e faz o domínio prosperar, talvez com a interferência do buda sem cabeça…


Fábio “Mexicano”:

Eles estavam se fodendo antes, tiveram um alívio de 16 anos, e agora vão voltar ao normal. Está todo mundo se fodendo no Japão inteiro nessa época, eles não são especiais – ou são, eles fizeram (sem saber) um pacto com demônios.


Gato de Ulthar:

Seria uma boa deixa para eles se esforçarem e melhorar o próprio destino sem depender de uma força misteriosa.

Se bem que me pergunto quem tomará o controle no domínio de Daigo? Aquele outro feudo rival?

No máximo vão fazer parte de outro domínio.


Fábio “Mexicano”:

O Dororo tem uma fortuna aí que pode ajudar em alguma coisa…


Gato de Ulthar:

Tem isso também. Se bem que Dororo teria que pensar bem no que fazer, simplesmente distribuir um monte de dinheiro para gente pobre seria pior do que deixar eles sem nada. O melhor seria reestruturar o governo, investir em infraestrutura de irrigação, etc…

O problema seria quem irá governar o bagulho.


Vinicius Marino:

Eu realmente espero que o Dororo não salve a pátria com filantropia. Acho que seria um final ainda mais tacanho de ver todo mundo morrer e sobe cortinas.

É triste ver o domínio reduzido a nada, mas é como o Fábio disse: não está fácil para ninguém. É em situações de crise como esta que pessoas são levadas a grandes crueldades – ou a grandes heroísmos. Daigo tomou o primeiro caminho. Vamos torcer para que seu povo, agora órfão, tome o segundo, mesmo que por uma via mais difícil.

Nós já vimos, ao longo do anime, vilarejos mais ou menos autorregidos, subsistindo longe da cobrança predatória dos samurais. Talvez os camponeses do domínio consigam sobreviver da mesma forma? Parte deles, ao menos?


Fábio “Mexicano”:

Ah, quando eu pensei em usar o dinheiro, pensei nisso. Não em distribuir bondades, mas em ter uma fundação sobre a qual construírem seu auto-sustento – e também se auto-defenderem, porque com o Japão coalhado de senhores da guerra, eles vão precisar disso! Dessa forma, acho que Dororo realizaria o sonho de seus pais.

Inclusive, historicamente, durante o Período Sengoku, houve rebeliões populares e algumas províncias foram geridas por monges, samurais de poucas posses e pequenos donos de terras. Eram chamados de ikko-ikki, eram devotos do Budismo da Terra Pura Verdadeira, e os grandes unificadores do Japão, Nobunaga e depois Tokugawa, detestavam eles. Entre os clãs tradicionais que chegaram a se aliar aos ikko-ikki está o Asakura, que pode ou não ser o Asakura de Dororo.

Eu acho que já mencionei essas coisas no começo do anime, que foi a época que pesquisei tudo isso, mas acho que agora que estamos potencialmente vendo isso se realizar é a hora certa de lembrar.


Diego:

Bom, acho que podemos encerrar por aqui esta semana :smiley: Estamos a apenas dois episódios do final, então agora é vermos como essa história irá acabar. Vejo a todos numa próxima! Até breve o/

Um comentário sobre “Café com Anime – Dororo, episódios 21 & 22

  1. Primeiramente, só uma correção… Não sei se ‘correção’ é a palavra exata que devo dizer aqui, mas, enfim, só rememorando, a respeito dos primeiros comentário de Vinícius de Ulthar e Fábio Mexicano: Pelo que me lembro, logo no 1o episódio, assim que Hyakkimaru nasce, a parteira, ao invés deixar a criança morrer ao ermo, ela acaba deixando-o num barco à deriva, a la Moisés, na sorte, simplesmente porque, por mais que Hyakkimaru não tivesse forças (e sequer voz) pra chorar, ela sentiu que a criança tinha vontade de viver, por simples e puro instinto da coisa de sobreviver, creio eu. Quando encontrado e criado por Jukai, o protesista (não sei se é o termo correto) deixou claro a sua surpresa ao ver que o Hyakkimaru tinha muita vontade e resiliência para estar vivo, ainda mais nas condições que ele encontrava até então, só conseguindo se suster com próteses…
    Vale lembrar também, em episódios próximos ao desfecho, que a mãe, Nui No Kata, informa ao pai, Daigo Kagemitsu, que a Deusa X (não sei o nome exato dela), a da estatueta, ofereceu a sua cabeça a um dos demônios para ser devorada ao invés da do protagonista, portanto, essa parte do corpo ficou intacta nele, ou seja, não só a estrutura em si da cabeça, mas a consciência foi a única coisa que permaneceu nele… Mesmo não sabendo o porque, mesmo não tendo ciência da história que precedeu a sua quase total deficiência, Hyakkimaru queria viver devido a esse sentimento inato que já tinha nele, uma minima parcela de ‘ser vivo’ que sobrou nele; Até ele recuperar tais sentidos como audição, olfato e paladar/fala, ele não conseguia interagir e imergir no mundo exterior completamente, sentir as coisas, experienciar elas. A partir do momento que ele têm e toma consciência desses sentidos, ele começa não só a interagir, mas também formular melhor os seus pensamentos, a estruturar melhor as suas perspectivas, ter suas próprias percepções e opiniões das coisas. A descoberta sobre o pacto que o Daigo fez, além do afastamento – declarado – de seu irmão, Tahomaru, e de sua mãe pela preservação do povo e das terras do clã (assim, a gente sabe que a prosperidade daquele local se deve ao sacrifício, a injustiça que fizeram com Hyakkimaru, né? Nada disso ocorreria, se Daigo não tivesse movido os pauzinhos lá no início… enfim), essa informação toda só ajudou a solidificar, a dar mais razão, mais corpo a sua busca, não é só fome pela fome, não é o famoso “vazio existencial” que perpetua o caminho de Hyakkimaru como exemplado no personagem Saburota Ponta-de-Dado ou algo assim no ep anterior em que foi apresentado como o seu ‘oposto’, mas sim de fazer justiça por si mesmo após tomar conhecimento desta, de exigir o direito que ele já tinha desde o começo e que foi indevidamente tirado dele, o de apreciar a vida e de sentir ela realmente como um humano (o que ele deveria ter sido), ainda mais ao lado de quem ele considera como família, de quem ele ama, a Dororo, seja como for.

    Segundo, sobre os irmão Mutsu e Hyoga, esse é o episódio que apresentam o seu background, como ele foram parar ali ao lado de Tahomarou, e fica claro que ambos foram tirados da prisão não porque eles foram vistos pelo seu valor como pessoas e/ou porque sentiram alguma empatia por eles (o que é bem duvidoso de acontecer) mas sim pra servirem ao ‘patrãozinho’, pra proteger, entreter e não fazer ele se sentir sozinho, é como se fossem um pet… apesar do trio, com o tempo, ter criado laços fortes. Mas a ideia inicial ainda perpetua… Ambos serão sempre vistos guarda-costas de Tahomaru, nada mais que isso, e se não fosse por essa ideia de faze-los assim, eles já estariam mortos, sem sentimento de dó nem misericórdia por aqueles que os tiraram da miséria. Quando a Mutsu fala em matar Hyakkimaru para que não haja morte em massa dos camponeses que trabalham nas terras de Daigo pelos seus soldados (como se fosse realmente culpa do rapaz…… a vida/corpo dele foi atrelada à saúde daqueles domínios por um pacto quando mal nasceu!) e quando ela fala que o Daigo, o seu Senhor, é quem salvou ela e o irmão dela (apesar de ter mandado matar os seus pais pra não sofrer perdas maiores, assim como outros do vilarejo em que viviam), parece que ela tá contando um conto da carochinha.. E esse é um dos pontos que a história toca, que é a questão de Crença, no seu sentido mais amplo, e da sua possível ‘cegueira’, tudo implicitamente correlacionado questão do Desejo e da individualidade. Então, quando o espião de Daigo, irritado com os protestos que Mutsu e Hyogo fazem sobre terem pego a Dororo de refém, uma indefesa, diz aquelas palavras “Não ligo para o que você sente! Mesmo que seja amaldiçoada por isso, é o nosso dever proteger o patrãozinho!” é como se fosse um tapa na cara deles, do tipo “se ponham nos seus lugares, quem vocês pensam que são?”, e depois, de brinde, veio “É uma vergonha terem sido salvos por ele!” – que diferença há entre eles e o Tahomarou, além dessa imposição hierárquica dentro do contexto que se enquadram???; frases que evocam um total desrespeito a individualidade, aos seus ensejos, por mais que não conheça a história desse individuo/ser em geral. E o que fizeram com aquela égua foi o mesmo, o que fizeram com a mulher aranha no episódio 7, ao atacarem ela, também se encaixa nisso. Enfim, como o pai de Dororo disse, os camponeses (as pessoas em geral quando não ligadas diretamente aos clãs e senhores) eram vistos e tratados como Nada naqueles tempos, onde parecia que a desumanização reinava durante o Periodo Feudal no Japão.
    Esse, sim, foi um episodio intenso, além do quinto e do decimo segundo, por sintetizarem muitas mensagens e ideias que a trama quer passar, ao meu ver…

    Não sei se consegui me expressar bem em relação a esses comentários, mas, enfim, publicando a minha resposta >-<

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